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A felicidade

 

A felicidade é sorrir. Por dentro. É ter a alma cheia de luz e saber que nada a apagará.

É ter paz e não abdicar dela.

Ser feliz é tão relativo. Somos felizes em instantes, quando alguém é gentil ou nos surpreende, quando alguém nos comove, quando alguém se dedica de forma desinteressada, genuína, verdadeira.

Ser feliz é um carinho, é ter a mão de alguém a segurar a nossa e acreditar que não mais a vai largar. Ser feliz é acordar cedo, é fazer aquilo de que se gosta, é correr e conseguir. É agradecer tudo o que se tem.

É aquele abraço, aquele lugar onde nada nos derruba. Aquela rocha que nada consegue destruir pela erosão.

A felicidade são momentos. São sorrisos, são lágrimas. É o riso, é a confusão e a calma.

É a serenidade de deixar fluir mas a consciência que, às vezes, estamos a percorrer o trilho errado. E é simples. Tem de ser simples. Por nós.

Levantar e erguer. Saber onde (não) se pertence. Só isso.

‘Uma mulher bonita só chora em casamentos e funerais’, lembrava-me ontem, uma querida amiga.

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F-O-C-O

Foco e resiliência. Sim, tenho muito. Fiz-me assim. 

Há uns anos aprendi que NUNCA se desiste e hoje pus isso em prática, mais uma vez. Foi uma prova dura, sair na frente da corrida na Meia Maratona de Lisboa é espectacular mas… obriga a um ritmo que eu não consegui ter por que os treinos… enfim… não foram fantásticos. Ía preparada para essa dureza e lidei bem com ela.

Aproveitei todos os instantes, isso implicou não tirar fotografias na ponte, desculpem… Estava mesmo empenhada em aproveitar. Vi e ouvi de tudo: pessoas a correr, pessoas a andar, pessoas com cãibras aos 2 quilómetros, pessoas que diziam ‘estou farto de ver a Ponte!’ e que me arrancaram sorrisos. Os phones teimaram em não funcionar e passei a ponte sem música. Era tanta gente a tentar aceder ao dados móveis que simplesmente não consegui fazer o emparelhamento.

Até que, à saída, no início da descida para Alcântara… alguém mediu mal a minha velocidade e… quase me derrubou. Podia ter corrido muito mal mas o senhor agarrou-me, ao mesmo tempo, e impediu que eu caísse. Só que, a partir dali, nada mais foi igual. Dores nas costas, zona cervical muito dorida e eu a arrastar-me até Belém. Público fantástico. O apoio faz mesmo toda a diferença, comove de tão inocente, de tão desprendido, de tão genuíno. E isso foi bonito. Eu nunca tinha sentido. Há um senhor, velhote, que, já em Alcântara, esticava a mão a todas as pessoas que corriam. Sim, obrigada. Esse gesto fez a diferença.

A surpresa estava guardada para o fim. Lá me aguentei e corri, completo, o último quilómetro. A recta da meta é uma coisa especial. O fim, ali tão perto. A realização mesmo à nossa frente. E… um cronómetro. Eu nem queria acreditar quando olhei para o valor. 59 minutos. Não é brilhante, pois que não é. Mas… há 5 meses, quando fiz a minha primeira Mini Maratona, acabei em 1 hora e 8 minutos.

Duas Minis não fazem uma Meia… mas a satisfação é imensa. É absoluta. É qualquer coisa fascinante. E é isso que me agrada muito na corrida: o fim, a sensação de dever cumprido, o saber que a cabeça pode sempre um bocadinho mais que as pernas. A certeza de que quem começa acaba. Que quem não pode correr, anda.

Mas NUNCA desiste. 

O grupo fantástico que se juntou… bem, pelo menos, no início!

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Ouvir pessoas

 

Contar histórias é ouvir pessoas, é ver-lhes a alma, é deixá-las respirar, é senti-las protegidas por nós para que possam dizer o que ainda não disseram a alguém. Contar histórias é ter todos os sentidos despertos, é saber que não se pode ignorar uma lágrima mas que também não devemos entrar em todas as portas, apenas bater e esperar que as abram.

Contar histórias é ouvir, mais que falar. Só quando ouvimos podemos ver quem está diante de nós, que dores carrega. Olhar nos olhos e ver o que tem para nos dar.

Ouvir pessoas é perceber que se está no sítio certo, à hora certa.

(Achavam que tinha ido de férias? Não… por cá, há muito trabalho que é preciso organizar, muitas coisas que é preciso gravar, muitos textos para escrever.

Sou uma sortuda, faço o que gosto, com pessoas de quem gosto e com quem tanto aprendo todos os dias e conheço outras ainda mais extraordinárias)

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É importante falar disto

Estas questões da violência doméstica tiram-me o fôlego e nem gosto muito de falar sobre mas abri uma excepção. Quanto mais se falar, mais se pode agir. São as notícias que nunca gostaríamos de dar, os assuntos que não queríamos debater, a atenção que não queremos dar. A respiração fica suspensa de cada vez que penso o que mulheres sofrem, o que passam e o que tentam até conseguirem sair de uma relação tóxica com um qualquer psicopata que se cruze no seu caminho. Sim, não tenhamos medo de chamar as coisas pelos nomes: as pessoas que fazem mal assim, às outras, só podem ter desvios de personalidade, só podem ter vivido algo terrível na vida que os faça também ter ficado assim. Não sei de onde vem tanta capacidade para praticar o mal, não consigo perceber. Mas acredito que haja ali também muito sofrimento interior. Só pode haver. Sinto pena de pessoas assim. Mas a minha compaixão é toda para as vítimas, para aquelas que por 7, 12, 20 vezes tentam sair deste pesadelo, deste drama que lhes surgiu na vida. É para elas que importa olhar, são elas que importa ouvir, olhar e ajudar. Foi isso que dissemos ontem, n’A Tarde é Sua, eu, a Fátima Lopes e o Pedro Lima. E ouvimos a história da Cláudia que, 13 anos depois, teve coragem para dizer ‘BASTA’ e fugir desta realidade. É um fôlego, é uma esperança. É possível, sim, reagir e lutar contra isto, contra estas pessoas.