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“Gostava de receber um pack com 500 horas de tempo extra”

A Selfie fez algumas perguntas sobre o Natal e eu respondi. Para ver em www.selfie.iol.pt

1. Natal é…

… é família, é amor.

2. Qual é a memória mais especial que guarda do Natal?

Guardo na memória um Natal que passámos todos juntos em casa dos meus avós, há muitos anos. Éramos miúdos, acho que foi no ano em que os meus avós maternos comemoraram 50 anos de casamento. Foi uma animação.

3. O que é que costuma comer na noite de Consoada e qual o doce favorito?

Não sou nada fã do bacalhau cozido na noite de Natal. Fazemos sempre bacalhau, mas com natas ou à Gomes de Sá, ou outra coisa qualquer. Agora cozido, não! Sou perdida por Bolo Rei, assim em larga escala. É a única coisa que como sempre, todos os dias, várias vezes ao dia!!! Também adoro os mais tradicionais e conventuais, mas como este ano me tornei intolerante aos ovos só vou poder olhar. Lá terei de comer Bolo Rei, que chatice!!!

4. Quantos presentes costuma oferecer e quantos recebe? Pensa e compra com antecedência ou é tudo à última hora? Tenta oferecer sempre presentes personalizados?

Não sou nada certa nos presentes. Este ano ainda não comprei nem pensei em nada. Acho que há dois anos comprei coisas em setembro, imagina. Mas quero fugir das confusões. Vou fazer uma lista e aproveitar que tenho tempo à tarde e antes da hora de almoço e compro tudo de uma vez só. Gosto muito de pensar um presente para cada pessoa. Comprar em larga escala faz-nos iguais e as pessoas não são todas iguais. E tento dar sempre o meu toque.

5. Para quem é o presente de Natal mais difícil/especial de escolher?

Não sei… talvez para os meus pais. Tentamos sempre otimizar e oferecer coisas que façam falta, mas, às vezes… Não precisamos assim de nada em especial, e, nesses casos, é difícil.

6. Qual é o presente de Natal ideal para si?

Eu não sou nada esquisita com presentes e acho que nem nunca troquei nada que me tenham oferecido. Quem me conhece sabe bem o que oferecer. Eu gosto de coisas simbólicas, nada de extravagâncias. Gosto de livros, velas, cremes… Este ano, dava-me jeito receber um pack com 500 horas de tempo extra. Fica a dica!

7. Costuma fazer a árvore de Natal? Sozinha ou com ajuda?

Em minha casa sou só eu, por isso a árvore de Natal é um cone cheio de vitrilhos de várias cores: simples, rápido e limpo! Depois, tenho algumas figuras que vou colocando pela casa, faço um centro de mesa com as velas do advento e acendo uma cada semana, até ao Natal.

8. Quem é que se costuma vestir de Pai Natal? Até quando acreditou?

Normalmente é o meu primo. No ano passado foi o pai dele, o meu tio, porque ele estava a trabalhar e podia não chegar a tempo. Acreditei até aos oito anos, acho. Foi até à noite em que apanhei a minha mãe a por os presentes na chaminé. Os meus pais ainda tentaram mudar-me a ideia, mas não havia nada a fazer. Caiu um mito naquele instante!!!

9. Quando, onde com quem costuma passar o Natal?

O Natal é em família, na terra, enquanto não tiver a minha. Nos últimos anos tem sido em casa dos meus primos maternos, que têm filhotes pequeninos. Passo lá com os meus pais, os meus tios e os miúdos. Este ano vai ser mais triste. Vamos ter um lugar a menos na mesa. Perdemos o meu padrinho, em abril.

10. Qual a figura favorita do Presépio?

O Presépio está todo o ano na minha sala. O Menino Jesus é a minha figura preferida. Um menino frágil, que consegue concentrar a atenção do Mundo, motivar a partilha e distinguir o essencial do acessório. Só quem anda muito distraído pode pensar que o Natal é presentes. Natal é espírito e não oferta. É celebrar a vida, é união e gratidão.

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5 perguntas a Ruben Alves

Domingo foi a ante-estreia do documentário “As Vozes do Fado” realizado por Christophe Fonseca e Ruben Alves, que dirigiu “A Gaiola Dourada”.Conversei com o Ruben, no final sobre esta música tão portuguesa.

 

1- Como surgiu a ideia de fazer um documentário sobre fado?

Surgiu do convite que me foi feito pela Universal (editora) para fazer um disco sobre o fado e eu então fui ter com a nova geração, quem eu achava engraçado cantar os temas da Amália e de repente pensei ‘eu vou estar com eles mas porque é que eu não pego na minha câmara e vou pelas ruas e peço para me falarem do fado?’. Achei super interessante do que se está a passar agora, esta nova geração de jovens, um bocado ‘in’, que ouve electro mas que ao mesmo tempo sentem o fado. Há uma sequência no início onde estão uns jovens guitarristas que são todos super punk, jovens de 18 anos, 20 anos, super punk e ao mesmo tempo gostam do fado e estão a tocar viola como se fosse uma guitarra eléctrica. Acho isso maravilhoso e deu-me vontade de dizer ‘espera lá, vou mostrar isso’. Mas não só! Obviamente que depois dentro do fado queria também uma credibilidade e fui ter com o prof Rui Vieira Nery para ele perceber e quando ele me disse ‘espere lá, houve o fado dançado, a influência de África’. Fiquei pasmado e fui ter com os miúdos dos arredores, vindos de África que me diziam que não sabiam o que era o fado mas agora estavam a perceber. Acho isso fantástico!

2- Faz sentido mostrar o fado mas também explicar as origens?

Exactamente. Mas ao mesmo tempo pensei ‘será que as pessoas não estão já fartas de fado? E não sabem já isto tudo de cor?’ E afinal apercebi-me que há muita gente que não sabe das origens, de onde vem… se alguma coisa perceberam melhor é espectacular.

3- É um documentário sobre o fado ou sobre Amália?

Não, é um documentário sobre o fado. Agora, há uma parte, uma homenagem, obviamente à diva, aquela que foi arrebatadora que levou o fado para o mundo. Acho super interessante por exemplo ver um rapaz como o Vhils que hoje em dia está no mundo inteiro a trabalhar o seu street art aceitar o desafio que eu lancei para por uma Amália em calçada, na parede. E de repente ele disse ‘sim, tem tudo a ver, eu sou urbano, o fado é urbano, faz todo o sentido. Vamos fazer’.

4- E faltou alguma coisa aqui?

Falta imensa coisa… o problema é escolher para 1h20, tentar pôr tudo, de vez em quando é só um cheirinho de alguma coisa, de alguma pessoa, mas não podia… o fado nunca mais pára, há muitas pessoas que eu gostava de ter tido mas não estavam livres, não se podia e eu não podia filmar durante 2 anos. Filmei alguns meses, ía e voltava mas senão teria de ser feito um documentário sobre 5 anos e eu não podia fazer isso. Havia muitas coisas para se fazer, por exemplo, falar com a Björk que quando está a pôr música e põe Amália, a voz da Mariza… gostava de perguntar o que sente ao fazer isso.

5- E o fado uma palavra?

Numa palavra? Fiz tanto essa pergunta a toda a gente… a Mariza diz ‘não há uma só palavra, há muitas’ para descrever o que é o fado. Eu se calhar diria portugalidade. Quando se percebe fado  percebemos a alma portuguesa.

 

 

Quem não se lembra d’ “A Gaiola Dourada”? Rimos todos até mais não, não foi? Pois foi. Por ter sido tão bom, as expectativas em relação a este “As Vozes do Fado” era alta. Por isso e porque já tinha visto uma compilação de imagens recolhidas no estúdio onde Amália gravava “à primeira”, como lembra no documentário a irmã Celeste.

Eu adoro fado. Sou muito suspeita, para mim 1h20 passou a correr, era capaz de ver o dobro. O Ruben Alves pediu a cada fadista uma viagem a um local que considerassem especial. Há de tudo: Caixa Alfama, Museu do Fado, Largo da Severa, Coliseu dos Recreios, uma tasca no Porto, uma viagem pela Ajuda… e depois há os fados… que valem tudo. Sabemos todos, todos, todos, Amália já os eternizou. Mas, para mim, o momento mais inusitado é aquele em que Vhils mostra uma parede composta por pedras da calçada, onde se vê a imagem de Amália e diz: ‘faz todo o sentido, Amália faz chorar as pedras da calçada e entretanto… deve chover’. É de arrepiar, rir, emocionar, do início ao fim.

O Ruben Alves e o Christophe Fonseca têm uma edição irrepreensível e o documentário uma qualidade de fotografia incrível. Não percam a oportunidade, assim como eu não deixei o Ruben ‘escapar’, só ía assistir e decidi depois que tinha de registar o momento. O realizar estava feliz pelo sucesso do documentário e eu em êxtase por voltar a ter um gravador nas mãos! É tão bom ser jornalista e estar no sítio certo, à hora certa  (ainda que com coisas/assuntos muito simples).

P.S.- ‘Definir fado numa palavra’ foi um pedido feito a todos os intervenientes no documentário. Achei por bem devolver a pergunta ao realizador. Vão poder confirmar quando chegar ao circuito comercial, depois de cumpridos compromissos contratuais. Tem co-produção TVI.

 

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Entretanto, de Bruxelas…

… além do frio de bater dente, chegam fotografias de (poucos) cidadãos espanhóis que celebram os 39 anos da Constituição, referendada em 6 de Dezembro de 1978. As bandeiras das várias regiões confundem-se e ocupam o mesmo espaço, entre manifestantes. Espanha vive um impasse com a Catalunha a ir a votos no próximo dia 21 e com os principais rostos fora da região e do país e a fazer campanha, à distância.

Se esta campanha correr bem, Espanha consegue (mais) um assunto de análise. Estou ansiosa para ver!

 

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Ciclos

O cientista Russo Nikolai Kondratiev defendeu que os ciclos económicos acontecem em espaços de tempo que podem 40 ou 50 anos, o que explica o que tem acontecido no Mundo nos últimos 200 anos. É uma das teorias, apenas. Há várias. Mas peço que olhem para esta, em particular.

Neste gráfico é possível perceber que o primeiro ciclo teve início no Século XVIII, aquando da Primeira Revolução Industrial. Entre o início do Século XX e até 1950, Kondratiev comportou os avanços das tecnologias ligadas à electricidade, como os electrodomésticos, e o quanto se estenderam à população mundial. Entre meados e finais do Século XX, o que o autor considerou o desenvolvimento da indústria petroquímica. Por último, o ciclo que está centrado no grande desenvolvimento tecnológico, computadores, internet, e comunicações móveis. Um ciclo que começou em 2010 e, segundo Kondratiev, não tem data para terminar. Se esta teoria estiver correcta, assim como os seus pressupostos, a chave do desenvolvimento está na nanotecnologia, usada para implementar e desenvolver novos e avançados cuidados de saúde, assim como no ambiente. O foco será cuidar da saúde do ambiente e da saúde das pessoas, no seu sentido mais holístico, como se de um todo se tratasse.

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DÉFICE vs DÍVIDA

Portugal pertence à União Europeia (U.E.) desde 12 de junho de 1985. O primeiro ministro Mário Soares assinou o documento de formalização da adesão portuguesa, no Mosteiros dos Jerónimos, em simultâneo com a entrada de Espanha.

Depois da revolução de 1974, Portugal enfrentava um período de grave crise financeira. O fim do império colonial ditou também a perda de grande riqueza e receitas, o país estava sob forte dependência externa.

O que começou com o objectivo de progresso económico, paz e liberdade entre os vários países da Europa cresceu desde os primeiros tempo da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e é hoje uma forte comunidade composta por 28 países e com pedidos de adesão de outros 5 (Albânia, Antiga Republica Jugoslava da Macedónia, Montenegro, Turquia e Sérvia) e 2 potenciais candidatos (Bósnia-Herzegovina e Kosovo).

Para fazer parte deste grupo, Portugal aceitou regras comuns aos demais países, entra elas, regras de política fiscal.

Assim, Os países da U.E. devem demonstrar que possuem finanças públicas sãs e devem cumprir dois critérios: o seu défice orçamental não pode exceder 3 % do produto interno bruto (PIB); a dívida pública (dívida do governo e dos organismos públicos) não pode exceder 60 % do PIB.

Quando Portugal pediu ajuda externa em 2010 (sim, passaram 7 anos…) o défice estava nos 8,4% e a dívida em 94%.

Hoje, esses valores estão em 1,9% de défice mas a dívida não para de aumentar: a estimativa é que no final do ano o valor seja de 127,7%.

Falamos/ouvimos falar de défice e dívida todos os dias, nas notícias. Mas afinal… o que é isto? Simples definir, simples perceber.

O défice orçamental é diferença entre as receitas e despesas de um dado período de tempo (normalmente um ano). A contabilidade ao longo do ano é feita por trimestre e semestre.

A dívida pública é o total da dívida que os Estado tem para com terceiros.

Vamos lá pensar nisto de forma prática: pensem no défice como a diferença entre o que ganham e o que gastam, essa diferença é o vosso défice, pode ser positivo ou negativo.

A dívida são os vossos encargos: casa, carro, dívidas que assumem para com outras entidades.

São as duas essenciais para uma saúde financeira saudável, certo? Para um Estado também.

http://europa.eu

www.ine.pt

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A silenciosa diabetes

Todos temos casos na nossa família ou que conhecemos, de diabetes. Acontece o mesmo com outras doenças. Infelizmente. Há realidades que nos tocam e este toca-me muito. Tenho uma grande amiga diabética e quando estamos juntas ela faz medições dos níveis de glicose ou injecções de insulina. Não me incomoda nada, desde que esteja bem. Mas sei que tem muitos cuidados.
Habituamo-nos à palavra, a ouvir falar de diabetes e parece que nem valorizamos como devíamos. Mesmo que não conheça em pormenor alguma doença, o meu trabalho dá-me essa possibilidade.
Hoje, logo pela manhã, neste Dia Mundial dei conta dos números mais negros de que podemos ter memória: 200 novos diagnósticos todos os dias. 3 membros amputados, todos os dias.

Maior incidência nas mulheres, por ano morrem cerca de 2mil e 500. Tudo fica mais grave com o cenário de diabetes gestacional. São números tão maus que o Presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal os comparou à calamidade dos incêndios. Não podia ser uma imagem mais dramática. É muito certeira. Às vezes… Temos de chocar.
A diabetes, como muitas outras doenças, dependem muitos vezes (não todas) do nosso estilo de vida. Hábitos saudáveis, alimentação correcta, prática de exercício físico.

Há poucas semanas a Organização Mundial da Saúde alertava que, daqui a 4 anos, o número de jovens obesos vai ultrapassar o número de pessoas subnutridas. 55 por cento das pessoas com diabetes tem problemas de obesidade.
Fui embaixadora do desporto em Portugal. Assumi o compromisso de correr e escalar paredes mas também de passar a mensagem: be active, sejam activos.

 

 

 

Pela vossa saude, não se lembrem do vosso bem estar apenas quando a situação já é grave. Corremos cada vez mais mas a tendência é para vivermos melhor… Não é amanhã, infelizmente. Vamos trabalhar, dividir-nos e a ciência vai ajudar-nos. Mas… Às vezes pode ser tarde demais.

A minha avó era diabética. Não resistiu a complicações. A doença faz sofrer toda a gente.