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34 a acabar em… 2

A morte não avisa. Quase nunca avisa. Por que haveria de avisar alguém com 43 anos? De sorriso fácil, de tão bem com a vida? Alguém que fazia o que amava, que transpirava paixão pela tecnologia, que ajudou tanto o país, as empresas, nestes últimos anos? Pai, marido?

Falámos na semana passada, por mensagem. O João Vasconcelos partilhou comigo uma publicação sobre trotinetes. Era outra das novas apostas. Se hoje tenho uma paixão cada vez maior por tecnologia é, também, por sua culpa. Partilhávamos horas de conversa sobre o admirável mundo novo pelo qual ele tanto lutava e que tanto me fascinava, também. Admiravamo-nos (mais eu, ele não tinha razões para isso) e nunca deixou de me ajudar sempre que tive alguma dúvida, alguma questão, sempre que o procurava. Lembro bem as suas palavras quando lancei este blog.

A última vez que o entrevistei foi sobre softskills e líderes do futuro, para um trabalho que a TVI ainda não transmitiu, que já não vai ver. Uma conversa de 15 minutos durou 2 horas, para variar. Foi dessa vez que também lhe contei sobre a minha tese de doutoramento. Ele não conhecia o tema mas, no fim, só me disse : “Tens de escrever isso, pah! Tens de escrever isso”.

Hoje já o recordámos muitas vezes, os 3 restantes nesta fotografia, grandes amigos que nos apresentaram. Este foi o dia em que nos conhecemos. Já nos rimos com as coisas boas ou os disparates, como daquela vez na WEB SUMMIT em que me apanhou a dividir copos de café para reciclar ou em que desanuviámos o assunto ‘bilhetes para jogos de futebol’.

O João já era um amigo. Muito do que aprendi sobre futuro, economia, indústria, transformação digital, tecnologia, 4º Revolução Industrial, aprendi com ele. Era generoso a partilhar, a ensinar, um incentivador e também o foi para mim, tantas vezes. Queria mais.

A mensagem de ano novo dizia que ‘iríamos estar mais vezes juntos, em 2019’. Não estivemos.

Ainda ninguém acredita muito nisto, João.

 

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34 a acabar em… 3

Tenho imensa coisa para dizer sobre os 34. Coisas boas, balanços positivos que mostram que foi um ano que valeu muito a pena.

E valeu. Mesmo.

Foi o ano da aceitação e do desapego. Desisti de fazer tudo, de ser eficaz simplesmente por que … deixei de o conseguir. E, acreditem, não há nada pior que ‘querer e não poder’. Nunca achei que era a super mulher mas sei que conseguia fazer muitas coisas, resolver questões chatas em menos de nada e agendar 50 mil coisas para o mesmo dia. Executava, cumpria, descansava depois. Aos 34… teve de ser ao contrário. Descansei antes, passei muitos dias deitada, sem conseguir por-me de pé. Um tratamento (ou a vida, nem sei…) teve a capacidade inacreditável de me atirar ao tapete para mostrar ‘Minha menina, não aprendeste a lição à primeira, já sabes que à segunda custa sempre mais”. E custou mas eu aprendi. Aprendi a ter memória de peixinho dourado (como me escreveram carinhosamente num e-mail) e a saber distinguir o que posso mudar do que não posso mudar. Perceber e aceitar isso… é das maiores libertações da alma, acreditem em mim!

Fiquei leve, muito leve. E com a certeza que, mesmo para um carneiro que vai para lá do limite do improvável, pela coragem de ‘erguer uma bandeira no meio da multidão’ (tão eu…)… há mínimos. Que a independência é uma utopia quando precisamos verdadeiramente de ajuda e que tudo o que é nosso, a nós virá. Essa certeza, esse desapego dá paz e, principalmente, força para agarrar os dias que virão.

SIGA!

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Alimentação, pela Dra Ana Rita Lopes

A Dra. Ana Rita Lopes é nutricionista, coordenadora pela Unidade de Dietética e nutrição do Hospital dos Lusíadas. Tem desenvolvido um trabalho notável na área oncológica e torna-se agora colaboradora do Deve Ser de Mim. Convido-vos a ler as suas crónicas e a começar bem, todas as semanas.

Alguma vez pensou numa dieta para ganhar peso?

Pois é, se há quem passe a vida numa luta constante contra o peso, existem pessoas que têm dificuldade em
ganhar peso e que ambicionavam ter alguns quilos extra, no sentido não só de terem o corpo pretendido e
melhorarem a sua auto-estima, mas também para alcançarem uma melhor saúde.

Encontrar-se abaixo do peso (normalmente Índice de Massa Corporal abaixo dos 18.5 kg/m 2 ) pode ser sinónimo de problemas, tais como debilidade do sistema imunológico, massa muscular diminuída, pele, unhas e ossos fragilizados ou, no caso da mulher, incapacidade em menstruar. A dificuldade em ganhar peso está muitas vezes associada a um consumo rápido de calorias, em pessoas com metabolismo acelerado, que podem perder peso até nas atividades simples do dia-a-dia. Contudo, se pretende ganhar uns quilos extra, não é solução achar que pode comer de tudo sem restrições e enveredar pelo caminho do chamado lixo nutricional, isto é, optar por alimentos com elevado teor de gordura e açúcares simples, como doces, bolos, fast-food ou fritos. Aliás, estes podem contribuir para aumentar o risco de desenvolvimento de diabetes ou doenças cardiovasculares. O objetivo para aumentar de peso não passa por ganhar massa gorda, mas sim massa muscular. Não se esqueça, o princípio é o mesmo para quem pretende perder peso, fazê-lo de forma saudável e equilibrada!

Deixo-lhe algumas dicas para conseguir um aumento de peso equilibrado. Contudo, a regra de ouro é sempre um aconselhamento personalizado. Deve consumir mais calorias do que aquelas que gasta. A conjugação de uma alimentação ajustada com atividade física regular será a chave para conseguir aumentar o peso de forma saudável. O sucesso do aumento de peso reside em mudanças graduais e efetivas nos hábitos alimentares e no estilo de vida. Faça refeições regulares, não salte refeições. Coma idealmente de duas em duas horas e tente aumentar gradualmente o volume das refeições. O ideal é comer a horas certas, sem esperar que a fome chegue! Privilegie alimentos ricos em proteína, uma vez que são essenciais para ganhar massa muscular. Carnes magras, peixe, ovos, queijos e iogurtes, são alguns exemplos de alimentos proteicos, muito interessantes nutricionalmente, que deve ingerir.

Os hidratos de carbono complexos como massas, arroz, batata e pão (preferencialmente integral ou de mistura) são excelentes no fornecimento de energia. Aposte no seu consumo! Outra dica… Nunca temos a verdadeira noção de tudo aquilo que ingerimos ao longo do dia. Assim, pode ser importante ter um diário alimentar, pois é uma excelente forma de manter a alimentação controlada. Aposte em alimentos como: Aveia, muesli, manteiga de frutos secos, marmelada e outras compotas de fruta, azeite, iogurte grego ligeiro ou skyr, queijo quark, mel, leguminosas (grão, feijão, ervilhas), frutos tropicais (abacate, manga, banana), frutos oleaginosos (nozes, amêndoas, avelãs, pinhões) e sementes (linhaça, chia, girassol, sésamo). Por exemplo ao pequeno-almoço, no iogurte grego ligeiro/skyr pode incluir mel e frutos secos, coco seco ralado, ou cereais tipo muesli ou granola, que são bastante densos em termos calóricos. Faça batidos (com fruta, iogurte/leite, aveia, frutos secos ou sementes) ou papas de aveia com fruta e mel. Acrescente umas pepitas de cacau sem açúcar. Nas refeições principais prefira a sopa ou a salada/legumes no final da refeição, quando já estiver saciado. Assim, consuma alimentos calóricos em maior quantidade. Tente aumentar o consumo de hidratos de carbono complexos, de qualidade, tais como batata, arroz, massa, leguminosas, couscous, quinoa, batata-doce, entre outros. Acompanhe as refeições com sumos naturais ou néctares 100%. Nunca deixe de realizar as refeições intermédias e uma pequena ceia antes de se deitar: utilize queijinhos triângulo, iogurtes, nozes, amêndoas, pão com manteiga de frutos secos, frutos como manga, abacate, diospiro, figo, uvas e banana, entre outros.

 

 

 

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A felicidade

 

A felicidade é sorrir. Por dentro. É ter a alma cheia de luz e saber que nada a apagará.

É ter paz e não abdicar dela.

Ser feliz é tão relativo. Somos felizes em instantes, quando alguém é gentil ou nos surpreende, quando alguém nos comove, quando alguém se dedica de forma desinteressada, genuína, verdadeira.

Ser feliz é um carinho, é ter a mão de alguém a segurar a nossa e acreditar que não mais a vai largar. Ser feliz é acordar cedo, é fazer aquilo de que se gosta, é correr e conseguir. É agradecer tudo o que se tem.

É aquele abraço, aquele lugar onde nada nos derruba. Aquela rocha que nada consegue destruir pela erosão.

A felicidade são momentos. São sorrisos, são lágrimas. É o riso, é a confusão e a calma.

É a serenidade de deixar fluir mas a consciência que, às vezes, estamos a percorrer o trilho errado. E é simples. Tem de ser simples. Por nós.

Levantar e erguer. Saber onde (não) se pertence. Só isso.

‘Uma mulher bonita só chora em casamentos e funerais’, lembrava-me ontem, uma querida amiga.

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F-O-C-O

Foco e resiliência. Sim, tenho muito. Fiz-me assim. 

Há uns anos aprendi que NUNCA se desiste e hoje pus isso em prática, mais uma vez. Foi uma prova dura, sair na frente da corrida na Meia Maratona de Lisboa é espectacular mas… obriga a um ritmo que eu não consegui ter por que os treinos… enfim… não foram fantásticos. Ía preparada para essa dureza e lidei bem com ela.

Aproveitei todos os instantes, isso implicou não tirar fotografias na ponte, desculpem… Estava mesmo empenhada em aproveitar. Vi e ouvi de tudo: pessoas a correr, pessoas a andar, pessoas com cãibras aos 2 quilómetros, pessoas que diziam ‘estou farto de ver a Ponte!’ e que me arrancaram sorrisos. Os phones teimaram em não funcionar e passei a ponte sem música. Era tanta gente a tentar aceder ao dados móveis que simplesmente não consegui fazer o emparelhamento.

Até que, à saída, no início da descida para Alcântara… alguém mediu mal a minha velocidade e… quase me derrubou. Podia ter corrido muito mal mas o senhor agarrou-me, ao mesmo tempo, e impediu que eu caísse. Só que, a partir dali, nada mais foi igual. Dores nas costas, zona cervical muito dorida e eu a arrastar-me até Belém. Público fantástico. O apoio faz mesmo toda a diferença, comove de tão inocente, de tão desprendido, de tão genuíno. E isso foi bonito. Eu nunca tinha sentido. Há um senhor, velhote, que, já em Alcântara, esticava a mão a todas as pessoas que corriam. Sim, obrigada. Esse gesto fez a diferença.

A surpresa estava guardada para o fim. Lá me aguentei e corri, completo, o último quilómetro. A recta da meta é uma coisa especial. O fim, ali tão perto. A realização mesmo à nossa frente. E… um cronómetro. Eu nem queria acreditar quando olhei para o valor. 59 minutos. Não é brilhante, pois que não é. Mas… há 5 meses, quando fiz a minha primeira Mini Maratona, acabei em 1 hora e 8 minutos.

Duas Minis não fazem uma Meia… mas a satisfação é imensa. É absoluta. É qualquer coisa fascinante. E é isso que me agrada muito na corrida: o fim, a sensação de dever cumprido, o saber que a cabeça pode sempre um bocadinho mais que as pernas. A certeza de que quem começa acaba. Que quem não pode correr, anda.

Mas NUNCA desiste. 

O grupo fantástico que se juntou… bem, pelo menos, no início!

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Ouvir pessoas

 

Contar histórias é ouvir pessoas, é ver-lhes a alma, é deixá-las respirar, é senti-las protegidas por nós para que possam dizer o que ainda não disseram a alguém. Contar histórias é ter todos os sentidos despertos, é saber que não se pode ignorar uma lágrima mas que também não devemos entrar em todas as portas, apenas bater e esperar que as abram.

Contar histórias é ouvir, mais que falar. Só quando ouvimos podemos ver quem está diante de nós, que dores carrega. Olhar nos olhos e ver o que tem para nos dar.

Ouvir pessoas é perceber que se está no sítio certo, à hora certa.

(Achavam que tinha ido de férias? Não… por cá, há muito trabalho que é preciso organizar, muitas coisas que é preciso gravar, muitos textos para escrever.

Sou uma sortuda, faço o que gosto, com pessoas de quem gosto e com quem tanto aprendo todos os dias e conheço outras ainda mais extraordinárias)

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É importante falar disto

Estas questões da violência doméstica tiram-me o fôlego e nem gosto muito de falar sobre mas abri uma excepção. Quanto mais se falar, mais se pode agir. São as notícias que nunca gostaríamos de dar, os assuntos que não queríamos debater, a atenção que não queremos dar. A respiração fica suspensa de cada vez que penso o que mulheres sofrem, o que passam e o que tentam até conseguirem sair de uma relação tóxica com um qualquer psicopata que se cruze no seu caminho. Sim, não tenhamos medo de chamar as coisas pelos nomes: as pessoas que fazem mal assim, às outras, só podem ter desvios de personalidade, só podem ter vivido algo terrível na vida que os faça também ter ficado assim. Não sei de onde vem tanta capacidade para praticar o mal, não consigo perceber. Mas acredito que haja ali também muito sofrimento interior. Só pode haver. Sinto pena de pessoas assim. Mas a minha compaixão é toda para as vítimas, para aquelas que por 7, 12, 20 vezes tentam sair deste pesadelo, deste drama que lhes surgiu na vida. É para elas que importa olhar, são elas que importa ouvir, olhar e ajudar. Foi isso que dissemos ontem, n’A Tarde é Sua, eu, a Fátima Lopes e o Pedro Lima. E ouvimos a história da Cláudia que, 13 anos depois, teve coragem para dizer ‘BASTA’ e fugir desta realidade. É um fôlego, é uma esperança. É possível, sim, reagir e lutar contra isto, contra estas pessoas.

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Ode às mulheres

 

Ser mulher é nascer com uma condição. E ter consciência dela. E aceitá-la. E fazer com isso o melhor que se souber.

Ser mulher é saber que há um momento em que somos só nós. Há uma altura em que por mais mãos que tenhamos a agarrar a nossa… só nós é que vamos em frente.

Ser mulher é cair 7 vezes e levantar 8, ao pé coxinho e a carregar sacos e livros nas mãos.

Ser mulher é usar saltos de 12 centímetros, partir um e continuar a desfilar com se nada fosse.

Ser mulher é fazer o jantar, estender a roupa, dar comida à criança e ainda falar ao telefone, nos intervalos.

Ser mulher é ir à lavandaria, ao supermercado, ao banco, em hora e meia.

Ser mulher é ser rocha, ser fortaleza, ser aço quando o mundo está a cair.

Ser mulher é transformar fraquezas em mais-valias.

Ser mulher é ter ‘os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão”.

Ser mulher é agradecer quando alguém diz que te ama e de modo igual quando alguém te faz saber que não te quer.

Ser mulher é escolher o que se quer, o que se tem e o que se deseja.

Ser mulher é ter sensibilidade para perceber que tudo passa, tudo muda, nada é eterno.

Ser mulher é ter resiliência para continuar a caminhar, mesmo sozinha, mesmo quando o Mundo está contra nós.

Ser mulher é acreditar que o Mundo tem algo de muito bom preparado para nós.

Ser mulher é arriscar uma palavra, um gesto, um olhar.

Ser mulher é saber parar e dizer ‘eu não mereço isto e não quero isto para mim’.

Ser mulher é sorrir para o Mundo inteiro, todos os dias, e fingir que se é feliz. Mas também correr atrás dessa felicidade, sempre, com todas as forças.

Ser mulher é receber aquela notícia, aquele diagnóstico e seguir para estúdio.

Ser mulher é seguir em frente quando toda a gente te diz ‘isso não vai funcionar’.

Ser mulher é não ter medo. De nada. Nem de um ‘não’.

Ser mulher é o melhor que uma mulher pode desejar.