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A Teresa e o 9C

O lugar da Teresa era o mesmo que o meu. Quando cheguei ela já estava sentada e, rapidamente, se mudou e chegou à janela. O rosto pareceu-me familiar mas a verdade é que nunca a tinha visto.

Ela dormiu quase toda a viagem para o Funchal. Acho que eu também… travámos conversa apenas na altura da refeição, uma sandwich de ovo e um pastel de nata. Precisavam ver a cara dela quando devolvi o bolo e retirei o ovo do pão: ‘é vegan?!’, perguntou muito chocada. ‘Não’, respondi, ‘sou intolerante’.

Depois dela ter achado aquilo a coisa mais estranha da vida (confesso que eu também, toda a vida comi ovos) lá me contou que os pais viviam no continente mas a mãe era madeirense, que estudava no Colégio Moderno e tocava violino. Vinha passar férias ao Funchal e principalmente, a Porto Santo. Ah, e tinha estado fora de casa até à meia noite, na véspera. Uma loucura para uma menina de 14 anos.

Pegámos no violino, saímos do avião e fomos recolher bagagem. Estavam uns miúdos franceses, muito excitados  com o momento (ponham muito nisso!). Deviam ter a idade dela mas a Teresa olhou para mim e, com toda a propriedade de uma menina crescida, disse “bolas, já reparou que as malas são mais educadas que as pessoas… ?”.

Naquele instante, eu agradeci que aquela miúda estivesse sentada no lugar que estava marcado para mim. (Será que estava mesmo…?)

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5 Perguntas a Ricardo Tomé

O Ricardo Tomé é Director Coordenador da Media Capital Digital e foi das primeiras pessoas a quem falei sobre este blog. Estamos em sintonia, numa altura em que o digital está a tomar conta das nossas vidas e da comunicação de todos os dias.

 

1- O que é o digital?

Boa pergunta…. E difícil! Falamos tanto nele e por vezes refletindo pouco no que é ‘isto’, do digital. Para os meus filhos não há digital. É um conceito que se mistura com o real. Creio que só para as gerações que vêm do ‘antes’ do digital existe este paradigma, essa transformação onde já começámos a desligar de muitos dos objetos e bens físicos, como Cds, blocos de notas e brevemente e a 100% o dinheiro, para assumirmos a comodidade da sua versão digital, ‘transportável’ para qualquer lado pela cloud e pela web. É sobretudo um new-way-of-life. Uma forma à qual ainda nos estamos a adaptar, ligados a mais pessoas, mais depressa, mesmo desconhecidos. Onde podemos fazer tudo o que antes fazíamos, mas mais rápido, mais comodamente. Onde por uma pesquisa rápida potenciais o conhecimento e em breve em tempo real falaremos todas as línguas. Diria em suma que o digital é um facilitador e simultaneamente um transformador das nossas vidas.

2- Gostas mais do digital ou do papel?

Digital. Apesar de me fascinar o fabrico do papel e as suas mil versões. De bom grado digitalizaria as centenas de livros e deixaria na estante muito poucos e apenas como obras de arte que alguns são.

3- Achas que em Portugal temos cultura digital suficiente para acompanhar a Europa, nesta revolução?

Ainda não. Infelizmente. Os vários dados de estudos nacionais e internacionais colocam-nos pouco distantes, mas ainda assim atrás. E depois há uma clara divisão quando olhamos para a geografia do país e as faixas etárias e classes sociodemográficas. Mesmo ao nível das empresas é assustador ver que 65% não tem uma presença digital. E mesmo as que têm, desafio a enviar um simples e-mail ou mensagem pela página de Facebook e contar as horas, para não falar dias, até obter resposta. Somos um país de antípodas. Temos uma modernização e digitalização fantásticas nalguns dos serviços públicos e na banca e nas populações jovens e urbanas mas há vários setores ainda que precisarão dar o salto.

4- A Media Capital é uma empresa de media, a cultura digital é uma mais valia para todos?

Claro que sim. As empresas de media vivem de audiências. Haja público a ver/ouvir o que fazemos e haverá interesse em anunciar conjuntamente. Simples. À medida que o consumo de media migra numa parte substancial para o digital, qualquer empresa de media o deve fazer e adaptar-se também. Claro que não em exclusivo por ora, mas numa parte. Ora isso implica que se trabalhe uma cultura digital. Que não é saber que existem sites e o Facebook. É realmente entender o que é o digital, como nós reagimos perante ele enquanto consumidores de conteúdos, como funciona a distribuição dos mesmos, para onde caminha o duopólio Google e Facebook e os intromissões Apple e Amazon, etc. Nos últimos 10 anos foram dados passos brutais que urge todos dominem, sobretudo com a emergência das redes sociais, da Cloud, da mobilidade através dos smartphones e wearables e das comunicações móveis mais acessíveis. Acabamos de entrar na Web 3.0 e ainda poucos se estão a aperceber disso. Tal como na matemática, quem tiver perdido as bases da Web 2.0, dificilmente se aguentará nos próximos 10 anos.

5- O que gostavas de ver acontecer?

No digital, gostava que apesar desta velocidade de transformação do digital a nossa pluralidade enquanto sociedade não fosse ameaçada e se mantivesse salvaguardada. Preocupa-me uma web demasiado tailor-made, onde tudo é voltado para o user, onde os conteúdos são escolhidos pelo algoritmo só para nós, onde a publicidade é só para nós, onde esta filtragem tem por premissa sempre que o que importa é a satisfação pessoal e individual do user, a tal ponto que o possa tornar mais fechado em si e menos aberto ao mundo e aos outros. Gostava que esta Web 3.0 trouxesse mais dessa abertura e preocupação pelo outro e pelo planeta e que abatesse as linhas do egocentrismo. Veremos.

 

A conversa que tive com o Ricardo Tomé sobre o ‘Deve ser de mim’ foi simples, marcada de véspera, num discurso baralhado, neste mesmo sítio, com este painel cheio de ideias e equações possíveis. Também nunca esquecerei o espírito com que me recebeu, o entusiasmo com que abraçou esta ideia, o empenho que demonstrou e a força e energia positiva que me foi escrevendo em cada e-mail que trocámos. Quando lhe pedi para enviar as 5 perguntas sobre o digital a resposta foi “Claro que sim, respondo a 5 ou a 55”. Percebi que estava com a pessoa certa.

Partilhamos este entusiasmo, as ideias e o sentido de futuro também. E somos cada vez menos adeptos do papel!

Vamos lá a isto!!!

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5 Perguntas a Fernando Correia

O Fernando Correia dispensa apresentações. Homem da comunicação, é comentador de futebol no ‘Diário da Manhã’ e um grande amigo. Estas 5 perguntas acontecem por ocasião do lançamento do seu 36º livro (sim, sim, leram bem…!!!!) intitulado “E se eu fosse Deus?”.

1 – Porque resolveu escrever agora sobre os sem abrigo?

Penso que a escrita social (obviamente temática) resulta da  muita vida que vivi, do muito que vi e do muito que senti e aprendi. Para além disso sinto que é meu dever despertar consciências, eventualmente adormecidas.

2) 35 livros depois… Ainda há ideias?

 Este meu novo livro é o nº 36, mas para mim é como se fosse o primeiro. Já escrevi contos; dediquei – me à literatura infanto – juvenil; escrevi biografias; lancei – me na aventura do romance, dediquei algum espaço ao desporto…
Agora é tempo de não ter medo da verdade.

3)   Escrever é uma terapia?

Também é uma terapia, mas pode ser uma catarse e uma lavagem de alma.

4) Precisa mais da escrita ou do futebol?

O futebol foi um acidente na minha carreira de jornalista e depois de me ter especializado em sociologia da informação. Porquê? Essencialmente para fugir à perseguição do “estado novo salazarista”.

5)  Para quando um livro autobiográfico?

o livro autobiográfico será o próximo e terá um título muito próximo deste: “O QUE EU SEI DE MIM”.

 

 

 

O Fernando é… Comecei este texto 5 vezes.

Escrevi, apaguei…. Porque o Fernando é tantas coisas que não sei por onde começar. Profissional ímpar, atento, lúcido, crítico, pontual, responsável, inteligente. O Fernando que vocês conhecem, que vêm à minha frente todas as semanas, é isto tudo e mais.

Mas o meu Fernando é tantas coisas que vocês não sabem… é aquela pessoa que, ainda fora do estúdio, já está a acenar com as duas mãos, como as crianças; é aquele abraço firme que chega sem perguntar se alguém precisa dele; é aquele que telefona se eu falto um dia sem avisar (raro) e pergunta ‘olha lá, andas a trair-me?’; é aquele que gosta de perder as horas na mesa de um restaurante a contar histórias; é aquele que só 10 dias depois confessa que teve um problema de saúde; é aquele que fica fechado num vestiário e que me telefona para eu ir tentar arrombar a porta (sim, isto é verídico, aconteceu meeeesmo!); é aquele que chega com um brilhozinho nos olhos e diz ‘já comecei a escrever outro livro’; é aquele que nunca deixa ficar mal num momento de comentário.

Já perdi a conta às emissões que fizemos em conjunto e o Fernando brilha sempre, sem nunca me deixar ficar mal, mesmo que eu diga qualquer coisa menos correcta (que acontece algumas vezes) ele nunca nega, numa repreende, corrige sempre sem se notar nem levantar a voz.

Qualquer coisa que diga sobre o Fernando parece-me sempre muito pouco. No dia em que me falou deste último livro, ainda em 2016, contou-me a história do título e… ficamos os dois em silêncio…. ‘E se eu fosse Deus?’. Os olhos dele brilhavam.

 

Conheci um grande professor quando comecei a fazer o Diário da Manhã mas, acima de tudo, ganhei um grande amigo que faz parte da História deste país.

Honra eterna.

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Bom diiiiia!!!!!

Não me canso de dizer bom dia, foi um vício que apanhei e que agora vou repetir aqui muiiiitas vezes!

Sejam bemvindos!

Deixem-me contar-vos a história do ‘nunca’.

É muito simples, conto-a em 2 linhas: a Patrícia que conhecem nunca quis trabalhar em televisão e, adivinhem… também nunca quis ser pivot. Mais, política e economia (Uuuui!!) eram dois dos grandes terrores da vida, logo, jamais pensar em estudar estas áreas.

Na vida apenas escolhi ser jornalista. Sinceramente, acho que é por isso que tenho sido tão feliz.

E agora… Escolhi este blog. Viver é partilhar. Por isso, aqui vou partilhar. Ser jornalista é privilegiar o momento, estar atenta à realidade, ouvir, cheirar, provar do que somos feitos, afinal. É sentir que se é a pessoa certa, no sítio certo, à hora certa.

E contar a história, sem a guardar, para que seja sempre relembrada.

Mas o jornalismo, tal como a vida, tem pessoas dentro porque são as pessoas que valem a pena, sempre. Aquelas com que nos cruzamos, ou aquelas que escolhemos ter ao nosso lado, e ainda as outras que a vida nos dá. Porque nada, rigorosamente nada, acontece por acaso.

Espero que se divirtam, eu vou fazer por
isso! Obrigada e… Vemo-nos por aqui!