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A comoção

Comove-me a bondade. O dar, o cuidar, o querer estar presente, o nunca abdicar da presença de alguém nos momentos mais importantes mas, principalmente, naqueles mais restritos, os que ninguém vê, ninguém sabe e, por isso, ninguém pode estragar.

Comove-me quem faz o bem, quem se esforça por fazer os outros felizes só porque sim, quem corre, quem deixa tudo, quem percebe que faz a diferença.

Comove-me quem ama sem medida, quem tem um coração capaz de dilatar tanto que mais parece de elástico, quem usa todos os músculos do corpo para esticar mais um bocadinho e abraçar e chegar a quem precisa.

Comove-me alguém que nos deixa entrar no seu mundo, tão restrito (às vezes), tão especial (quase sempre), tão pouco dado ao entendimento. Mas também quem não se fixa aí, quem sabe sair, quem consegue adaptar-se a um outro que se apresenta, quem se esforça por se envolver nele… porque quer.

Fotografia: Carlos Ramos

Comovem-me as pessoas que têm a subtileza de se fazer notar sem se impor, que percebem como são indispensáveis pela palavra, pelo gesto, pelo exemplo.

Comove-me um abraço oferecido no silêncio, inusitado, com um suspiro profundo, com um entregar de carinho, sem truques nem chatices e que se transforma na melhor parte do dia.

Comove-me um beijo roubado, depois de tanto tempo à espera, de tantas tentativas falhadas, de tantas voltas se dar ao texto à procura de uma razão.

Comove-me a simplicidade, umas calças rotas, umas botas dobradas, uma t-shirt moldada ao corpo, um agasalho escuro. Comove-me o sol, o mar, o rir por tudo e por nada.

Comove-me o carinho, o gesto, o toque, o amor. Comovem-me as boas pessoas que preferem as acções em vez das palavras. Sempre.

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Diário da bactéria #5

Antes de vos dizer alguma coisa tenho de confessar que estou cheia de mágoa deste sol. Agora, a sério?! E na semana passada, quando se podia?? Além de não conseguir sair de casa, sol é coisa que também não me dá jeito… O sistema imunitário está completamente em baixo e uma constipação também não vinha nada a calhar.

Dito isto… tudo bem! Quer dizer… Tudo a andar. Sinto-me uma mãe de segunda viagem (como se eu soubesse, sequer, o que isso é!), no quarto dia de tratamento. Conheço as manhas da ‘cria’ e, por isso, estou a lidar melhor com a situação, já não repito erros, alimentares, por exemplo. O balanço é, ainda assim, chatinho: muitos efeitos secundários que já dei conta, e a acrescentar… uma cara cheia de borbulhas. Uma pessoa nunca teve acne, as minhas irmãs sofreram horrores (a do meio, principalmente) mas eu, zero. Nem uma borbulha por causa do chocolate, nem uma borbulha porque precisava de exfoliação no rosto… NADA! Todos os cuidados e muita sorte… Até agora. Admito que não sei bem viver com isto. Uma pessoa não está bonita, e não parece bonita, sequer. E, sinceramente, HP… Borbulhas? Por favor… era mesmo só o que me faltava.

Portanto, numa rara, raríssima aparição mostro-vos que estou a aguentar-me. Mas a foto é propositadamente desfocada, pouco nítida, (já com o truque do cabelo nos olhos, atenção) que eu gosto de ostentar o sorriso, nunca ninguém mo vai tirar… mas dispenso as borbulhas!

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Onde estavas no 25 de Abril?

No 25 de Abril, eu estava em parte nenhuma. Nasci 10 anos depois, sou filha da liberdade, já.

Fotografia: Alfredo Cunha

No 25 de Abril, se eu existisse, provavelmente estaria no Terreiro do Paço ou no Largo do Carmo, bem no meio da confusão, como eu gosto, a registar tudo, perto do Alfredo Cunha, Eduardo Gageiro ou Adelino Gomes, a tentar perceber tudo, a aborrecer Salgueiro Maia por uma declaração, como tantos fizeram.

No 25 de Abril, eu estaria certamente a celebrar. A rebentar de euforia, a enaltecer o que alguém fez por mim, por nós, para sempre.

 

No 25 de Abril, hoje, encho a alma de gratidão e percebo que há coisas que não têm preço e que a liberdade está no topo desse lote. Hoje, 44 anos depois, a minha profissão está directamente ligada a essa liberdade. Sem ela, não poderíamos existir, eu seria nada. Não consigo conceber o que seria, já tentei e não consigo. Admiro profundamente quem o viveu, quem resistiu e comovo-me sempre que o recordo. Liberdade para escrever, para denunciar, para mostrar, para acordar pessoas por uma declaração, para incomodar com uma manchete de jornal atrevida, com um lead de notícia arrojado… com a VERDADE.

Liberdade para mim é VERDADE: para se ser o que se quiser, ir onde se quiser, dizer o que se quiser, como se quiser, fazer o que bem se entende, gritar, exultar, venerar, seguir, sem dar explicações, sem dar ‘cavaco’ a ninguém. Só por que SIM.

Liberdade para dizer NÃO: não quero, não aceito, não preciso, não procuro, não me satisfaz, não me faz feliz.

Liberdade para dizer QUERO MAIS: mais liberdade (quem diria…?), mais dignidade, mais direitos, mais deveres, mais integração Nacional e Europeia, mais participação cívica, mais valorização. É lutar, é não desistir, é não baixar a cabeça perante qualquer contrariedade.

A Liberdade é um direito mas é dever de todos nós olhar por ela, fazer por ela, reinventá-la, não a deixar, sequer, adormecer.

Liberdade é tudo o que quiserem que seja. Liberdade é simples. Não compliquem.

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HP, parte 2

Pooooois é.

Cá estamos nós outra vez, eu e a HP. Havia esta possibilidade, eu já tinha sido alertada que nem sempre o primeiro tratamento é eficaz. E… não foi. Regressamos mesmo à casa de partida, desta vez, com 3 antibióticos. Parece que a Helicobacter Pylori é uma bactéria inteligente, que se foi moldando aos tratamentos desenvolvidos ao longo dos anos e está cada vez mais resistente. ÓBVIAMENTE que só podia agarrar-se a mim, uma miúda tão espertiiiinha… eu não podia ter uma ‘coisinha’ qualquer, tinha que ser das especiais, das mais chatinhas!

Nem sei bem que vos diga… Soube do resultado há uns dias. Não me surpreendeu, apesar de tudo… eu sentia-a cá. Voltei ao médico (os valores mostram que o tratamento foi quase ineficaz). Avisei os mais próximos, despachei todo o trabalho que podia ficar pendente, pedi desculpa a quem não vou acompanhar nos próximos tempos e enchi o coração de coragem, ar, força, resistência, serenidade. Já comecei a navegar, as vagas são maiores desta vez e ultrapassam bem os 5 metros. Mas tudo passa, tudo começa e termina, nada é para sempre. Só o amor.

Portanto… cá estamos, eu e ela, de novo a acertar contas com a vida, a parar, a dormir a maior parte do dia, em prisão domiciliária. Isso significa, naturalmente e novamente, o meu afastamento nos próximos tempos.

Mas… é claro que vai passar, HP não te enganes, não estou aqui para te dar tréguas. Estou apenas cansada de ti: caramba, miúda, tanto sítio giro para visitar e resolves estar ainda no meu organismo.

Get a life, tá? Que eu tenho mais que fazer.

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Exagerar é bom!

Com as intolerâncias alimentares deixei de comer imensas coisas mas outras tentei substituir. Uma coisa que adoro e, Graças a Deus, não sou intolerante é côco (cruzes!). No outro dia tive uma vontade terrível daqueles bolinhos pequeninos mas… tem ovos. Não dá. Então inventei e fiz uma coisa a que chamei ‘Exagero de Côco’ porque é mesmo assim, um absurdo. Se não gostam assim tanto… é melhor fazer aqui também uma substituição!!!

A receita:

180 grs de tâmaras, pode ser pasta de tâmara (com tâmaras medjol fica melhor)

3 colheres de sopa de côco ralado

1 colher de sobremesa de óleo de côco

1 scoop (medida) de proteína de baunilha

Triturem tudo durante uns minutos ou até obterem uma pasta que dê para fazer bolinhas. Depois, passem as bolinhas por côco ralado (eu avisei que era um exagero) e guardem num frasco. Dá para cerca de 15 bolinhas que podem ser consumidas como sobremesa ou snack e já foram aprovadas pela minha nutricionista, a Dra. Ana Rita Lopes. Podem guardá-las no frigorífico. Aposto que não duram muito tempo!!

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5 Perguntas a Fátima Lopes

Não precisam mesmo que vos apresente a Fátima Lopes, pois não? Apresentadora da TVI e minha amiga. Chegava, só para esta conversa.

1- O que te fascina, todos os dias, na televisão?

O que me fascina são as pessoas e as suas histórias. É maravilhoso perceber como a vida consegue surpreender-nos muito mais do que a imaginação mais fértil do mundo. As muitas lições que recebo através dos testemunhos diários, são de uma riqueza incalculável.

2- O que ainda te falta fazer, dentro e fora da televisão?

Ui, tanta coisa. Em televisão falta-me tempo para fazer mais reportagens, indo aos locais das vivências de alguns convidados. E gostava de ter oportunidade de fazer mais reportagens temáticas, como já fiz algumas, com o meu enfoque e a minha sensibilidade.

3- O que fazes quando não estás na televisão?

Grande parte do tempo dedico-o aos meus filhos. Gosto de participar nas actividades dos meus filhos e fazer programas com eles. Mas também cuido de mim. Faço yoga 3 vezes por semana, retiros espirituais, caminhadas, convívios com os meus amigos. Coisas simples, mas que me fazem feliz.

4- Há mais de um ano lançaste a tua plataforma: Balanço?

É muito positivo, porque aprendemos todos muito. Para muitos dos que nos acompanham, foi a oportunidade de conhecer e mergulhar em áreas que até agora estavam longe da sua vida. Viver de forma saudável e equilibrada, dá muito trabalho, mas são cada vez mais os que se querem atrever a começar a mudar. (Entretanto, o Simplyflow foi lançado com apoio Media Capital, na plataforma IOL). 

5- Tu também és assim… simply flow?

Completamente! Até porque é a forma mais sensata e inteligente de viver. A vida é tão bonita. Porque é que não havemos de a deixar fluir para a conseguirmos saborear ?

 

 

A Fátima tem o melhor abraço do Mundo. E pronto, vou usar esta frase como partida para tudo o resto. O abraço da Fátima é daquelas coisas que percorremos grandes distâncias para ter. Estão a ver aquele momento em que, às vezes, o Mundo pára? É porque está a abraçá-la, só pode. É aquele porto de abrigo, aquele sítio onde podemos baixar os ombros porque não é preciso defendermo-nos de nada, aquele silêncio que diz tudo, aquele conforto que nos enche a alma com a coragem precisa para enfrentar o resto do dia. É o meu caso, eu que tenho a sorte de a abraçar antes do meio dia, seja nos corredores, no guarda roupa ou no recato do seu gabinete. E sim, o abraço é sempre igual em público e em privado, essa é outra das razões para sermos amigas, não há máscaras. Sempre a conheci assim: disponível, afável, carinhosa mas sei que não é para todas as pessoas. É outra das características que mais lhe gabo: discernimento, lucidez. Aprendo tanto com a Fátima, a nível profissional, sempre pronta a aconselhar; a nível pessoal, a fazer crescer. Foi com ela que aprendi que o chakra do amor é verde, a fazer estalinhos com os dedos para invocar boas energias (ahahah… como não?!) a desenvolver o lado mais espiritual e a ver sempre o lado bom da vida, que ainda não estava completamente desenvolvido em mim.

Depois… a sua força. Assim, daquela que arrepia de segura que está, do que enfrenta, do que revela mesmo que por dentro esteja a definhar. Esta mulher é uma força da natureza. É boa pessoa. É inteligente. É divertida. É verdadeira, sabe de onde veio e que regressa para braços quem a ama. É exímia na sua função, o seu trabalho está à vista de todos. Recordo-lhe uma frase que me ficou na memória: ‘somos (nós que trabalhamos em televisão) atletas de alta competição, somos avaliados todos os dias, a cada instante”. Nada mais certo, mais difícil e imediato. (Há outra ainda mas essa vou guardar só para ti) Não é fácil manter a lucidez quando tudo o que mais queremos é… fugir dali. E a Fátima fica, com o maior nível.

É das poucas pessoas com quem me encontro fora da empresa porque tenho um orgulho assim desmedido em ser sua amiga. Quem não conhece esta mulher não sabe o que perde!

 

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E agora, Zuck?

Mark Zuckerberg vai ao Congresso norte-americano esta semana admitir ‘a bondade’ dos fundadores do Facebook. Ou será antes inocência? Falta de visão? Ingenuidade?

O Facebook (FB) surgiu em 2007 quando se deu um boom das grandes potencias digitais (YouTube, Twitter, RB & B) tem mais de 2 biliões de contas, em todo o Mundo, de acordo com a última actualização. Os seus fundadores projectaram a perfeição, como admitem, “o FB é uma companhia idealista e optimista. Durante a maior parte da nossa existência, estivemos focados em todo o bem que  conectar pessoas pode trazer”. Mas a verdade é que a passividade em relação a todo o restante potencial permitiu que alguém aproveitasse a imensa rede que liga pessoas em todo o mundo a uma velocidade estonteante para crescer e praticar o outra lado ‘menos bonito’.

As notícias sucedem-se, o apontar de dedo também (principalmente aos russos) pela intrusão nos mais diversos assuntos, eleições americanas principalmente. Procuram-se razões para as coisas que aconteceram, culpados, mentores.

Esta justificação de que se acreditou no ‘lado idealista’ é lógica? É, não conseguiram perceber o alcance que o FB podia ter  a nível mundial. Num primeiro momento, a rede foi criada para ligar uma comunidade escolar.

Se a explicação é suficiente? Não. Porque surgiu tarde e só depois de provadas as ingerências russas na rede e após o FB perder brutalidades de quantia em bolsa. É óbvio que Zuckerberg tem de assumir esta responsabilidade, é CEO para o bem e para o mal, mas não pode dizer, nesta altura que não imaginava o que pudesse acontecer.

Porque agora…  já ninguém acredita na teoria da ingenuidade. 

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Juntos somos mais fortes? Yes, we are!

Sou pró-Europa. Acredito muito num modelo de União, de concertação de vontades em prol de um objectivo comum. Juntos somos mesmo mais fortes. E não é isso, afinal, a nossa vida? Não pode haver grandes dúvidas. A tarde de domingo foi passada a ouvir quem sabe do assunto: ‘Democracia Europeia: uma ideia cujo tempo chegou?’. Será a democracia que temos suficiente? É preciso fazer mais e melhor? Como? Com que meios?

Ideias partilhadas por um painel de luxo que poucas vezes conseguimos, nós, público, ter tão perto e tão disponível para debater e reflectir. É tão importante ouvir, ouvir, ouvir. Aprender, aprender, aprender.

O Ministro das Finanças de Portugal e Presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, o historiador e fundador do Partido Livre, Rui Tavares, o ex-Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz e o investigador Jan-Werner Müller.

Há várias notas a retirar desta conferência mas o que ficou mais certo foi a ideia que se resume a uma frase de Rui Tavares, “a Europa é indiscutível mas é preciso discuti-la“. É preciso perceber para onde vamos e queremos ir. O Ministro das Finanças lembrou que 74 % dos europeus suportam o Euro, de acordo com dados do Euro Barómetro do outono. Mas também lembrou que, em termos históricos, ” a Europa nunca consegui criar instrumentos que nos unam em objectivos comuns”. E é isto que falta: união, paixão. Sobre isso falou Martin Schulz, muito prático, muito directo, até ao ponto de fazer ir embora o senhor que estava sentado à minha frente. Parece-me que seria pouco entusiasta desta União Europeia (U.E.) e resolveu sair porque já não aguentava os aplausos rasgados. Schulz disse que “a relação entre eleitos e eleitores é que está a afectar a U.E. porque… não existe, não há como chegar às pessoas desta forma carregada, pouco prática de falar da Europa, de mostrar às pessoas por que vale a pena”. E deu 2 exemplos: o Reino Unido e o Brexit e a Grécia e a sua tentativa de enfrentar os credores. Nas diferentes alturas, Schulz reuniu-se com os dois países e recorda o ponto em comum: a paixão, a profunda convicção de que estavam a fazer o correcto pelo seu país, a frase ouvida foi “amo o meu país mais que o meu marido”. E quando assim é… acontece o que aconteceu. Não tão grave no caso grego mas preocupante em termos de coesão, relativamente ao Reino Unido. E a questão surge: como se muda o coração? Como se faz as pessoas sentirem aquilo que não entendem? “Têm de entender, é isso que precisa mudar, é preciso explicar, comunicar com elas, mostrar o que se faz na Europa”, diz. Centeno vai mais longe e fala de uma concertação “de agendas, com tempos políticos, entenda-se, eleições, em todos os países e acabar com o principal entrave para tomar decisões. É um desafio para o futuro, tornar os bancos mais resistentes e os prazos de financiamento mais alargados”. No fundo, a lembrar que “as instituições são incompletas, logo os resultados também, mas que se atravessa um período muito bom, a Europa é um sistema com saldo próximo do equilíbrio, superavit com milhares de euros de poupança.  Só se consegue com mecanismos de confiança com investimentos dos vários países e Portugal está nesse debate”, revelou.

Depois, falou-se de populismo. Era inevitável. Todos concordaram que a política se alimenta de diferenças. O prof. Jan-Werner Müller fez a plateia descer à realidade: “não podemos fazer nada (em relação ao populismo). É uma evolução. Nigel Farage (Brexit) teve colaboradores, não fez tudo sozinho. Foi à televisão, teve apoios de peso, ninguém ‘o tirou das ruas’, houve apoio”. E, acrescenta, não podemos fazer nada e é preciso perder a ideia de pessoas perigosas, que usam políticas perigosas. Só devemos estar atentos, mesmo com a possibilidade de saída de outros países”.

A comparação entre U.E. e Estados Unidos da América (E.U.A.) surgiu a cada pausa da conversa. “Na Europa a questão dos direitos humanos é fundamental. Aqui, uma das condições básicas para aderir é que um Estado não tenha pena de morte. Mas o Presidente dos E.U.A. não pode decidir se o Texas tem pena de morte, por exemplo”, lembraram. E a verdade é essa, as pessoas não percebem onde vivem, quais os direitos que detêm, quais os seus deveres, também. É preciso que lhes expliquem. Convenhamos, em Portugal, qual a taxa de abstenção das últimas eleições europeias? Foi a maior de sempre, com 66,2 % (dados PORDATA). Assim… não vamos lá.

Rui Tavares pede que a U.E. se comporte como “um clube, que deve eleger na Assembleia da República os dois representantes permanentes de Portugal no Conselho Europeu, para facilitar a negociação dos tratados, racionalizando a sua política”. E termina “nenhuma democracia nacional perde por se virar uma democracia europeia. Ganham todos. O tempo já chegou há muito“.

Está aqui a resposta.

 

 

 

 

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A política criativa

Sou muito defensora da criatividade, dos rasgos de novidade e da capacidade de inovar. Gosto de ser surpreendida, gosto mesmo e estou sempre a pedir HU-MA-NI-ZA-ÇÃO na comunicação, os meus alunos já sabem que é a’palavra mágica’. Por isso, quando me cruzo com qualquer coisa que me chama a atenção… não hesito e registo. Aqui a humanização é relativa e não quero acreditar que a inspiração vem do Pintrest.

Há dias em que ando mais cansada ou a memória do telefone também já acusa exaustão mas ontem estava tudo certinho… Eu, parada numa fila de trânsito, 17h45, acesso à CRIL e vejo este cartaz. A minha alma fica parva. Este cartaz é real, não é fake news nem montagem. Quero acreditar que a escolha do local para o colocar foi tão pouco inocente como a mensagem que carrega.

Vamos lá à semiótica desta mensagem. Tudo aqui é digno de registo, tudo o que está em torno do óbvio é motivo de análise: um partido que concorria às eleições autárquicas em Loures coligado com o CDS-PP, que deixou de o estar devido às declarações do seu cabeça de lista sobre os ciganos (o CDS-PP retirou o apoio, quem não se lembra disto?!), um candidato polémico que não pediu desculpa, não retirou as declarações e ainda acrescentou mais qualquer coisa, que insiste, neste cartaz, que diz A VERDADE (assim mesmo, em maiúsculas), que faz oposição na vereação de uma câmara liderada pelo PCP e Bernardino Soares.

Não sei que vos diga… acho que não dá muita vontade de fazer festinhas a este gatinho até porque se fica sempre na dúvida: Quem vê o gato? Quem vê o leão? Quem é um e quem é o outro? Cada um vê o que mais lhe convém, é típico do ser humano, na política também (é feita por pessoas) tentar procurar ‘a música para os seus ouvidos’. Nitidamente, isso está a acontecer com o PSD. Este cartaz pode ser utilizado unicamente em Loures? Parece-me que Rui Rio podia aproveitar criatividade toda e ensaiar o rugido, isto se quiser ser o rei da selva, pelos visto em Loures já começaram. Eu ainda dava umas boas gargalhadas, de manhã. Animação, por favor, é urgente e precisa-se na classe política portuguesa.