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Sozinha, só que não #1

 

Os momentos mais sagrados para mim, durante o programa, são os intervalos. Agora mais longos, outras alturas mais curtos mas sempre, sempre sagrados. Toda a gente sai, não chegam convidados, só a João para retocar a maquilhagem. Porquê? É nestes momentos que me calo. Sim. Isso mesmo. Pausa. Silêncio. Numa emissão de 3 horas e meia estas suspensões fazem tanta, tanta diferença. E acreditem… eu também me canso de me ouvir. E não é raro.

Quando paro, gosto de estar recatada e este ponto aqui, no centro da mesa do jornal, é o meu preferido. Para a frentes, só as câmaras, minhas amigas de há anos, para trás, uma estrutura que me esconde e me protege. E ali passam os minutos, até aos 50 segundos em que me levanto e ocupo o meu lugar.

Quando se está muitas horas em estúdio vamos procurando recantos, como se estivesse em casa e precisasse de um espaço para o momento zen. É aqui que organizo o meu dia, que penso nas minhas coisas, que reflicto e analiso o que está a correr bem ou menos bem, na emissão.

Para muitos é um ponto central, para mim é um oásis: sossegado, escondido e silencioso.

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O poder da decisão

O que é tomar uma decisão? Difícil ter uma resposta certa, universal, que seja óptima para todas as pessoas porque há sempre alguém a quem não serve tão bem. Tudo na vida é uma decisão: a que horas acordar, o que comer, a quem telefonar, com quem estar, que correio distribuir primeiro… qual a primeira notícia. Decidir tira-nos de um lugar e leva-nos para o outro. Sempre.

A definição é estreita mas podemos e devemos tentar:

“Tomar uma decisão é um processo cognitivo derivado da escolha entre várias opções, com as mais variadas consequências e que faz despoletar uma acção. A decisão representa, sob o ponto de vista ético, a melhor escolha, isto é, a que defende melhor os interesses envolvidos. Subjacente a cada decisão encontram-se razões de diferentes tipos, são estas que influenciam a escolha das acções. Decisão é já uma atitude de desencadear uma acção”.

 A ajuda nesta explicação é da minha querida amiga Dra. Margarida Vieitez. 

E ajuda mesmo a perceber o que está, afinal, em questão. Na Madeira, no passado dia 15 de junho falei de decisão, da importância que tem para nós, para quem nos rodeia, para quem está, até, mais afastado de nós. O que decidimos influencia a vida dos outros, inevitavelmente, e uma acção gera uma reacção e outra, e outra e por aí adiante.  Não vou vou massacrar com explicações mas tenho de vos fazer pensar, penso que o consegui fazer, também, lá.

O que está na base das decisões? Razão ou emoção?

António Damásio, (re)conhecido médico neurologista português, autor de várias obras científicas, estudou pessoas que sofreram danos cerebrais, na zona reservada às emoções. Concluiu que não sentem e ao não sentirem, não são capazes de tomar decisões.

Os psicólogos e psiquiatras, quando chamados a avaliar as capacidades cognitivas e emocionais de alguém, podem escrever ou não “esta pessoa não está apta para tomar decisões“. É das opiniões mais validadas judicialmente.

Depois disto, encontrei um estudo publicado na revista de biologia computacional Plos, que incidiu sobre 3. 400 pessoas em França, com idades entre os 4 e os 91 anos. O objetivo do estudo era baralhar umas cartas e depois que os participantes as identificassem, aleatoriamente, em suporte informático. O computador concluiu que o ponto comum era a idade, que aos 25 se consegue enganar o algoritmo, que é nessa idade que se tem mais capacidade criativa para agir e encontrar soluções. Achei piada ao título da notícia sobre este estudo ‘É com 25 anos que se atinge o pico da tomada de decisões’. Ai… estes jornalistas!

Independentemente de todos os critérios, todas os pontos que encontrei tinham em comum uma coisa: inteligência emocional. O termo foi utilizado pela primeira por Wayne Payne em 1985, na tese de doutoramento mas já tinha tido origem em Leuner (1966), Greenspan (1989), depois também mencionado por Salovey e Mayer (1990). Eu gosto muito da definição de Daniel Goleman, jornalista e investigador norte-americano que sigo e com cujos pensamentos me identifico, diz que inteligência emocional é

“A nossa capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.

E há outra que nos faz pensar, um autor coreano, Byung-Chul Han, que descobri no ano passado e escreveu Psicopolítica que é quase uma bíblia para mim (e é um livro tão pequenino):

“A conjuntura da emoção está ligada ao processo económico”.

Faz pensar, não é? ‘Pensei’ o mesmo!

Dito isto… quem toma decisões… utiliza a razão ou a emoção?

A quem interessam essas decisões?

Implicam o dinheiro de alguém?

Implicam a vida de alguém?

Vão parecer bem a alguém?

Depende de nós?

 

Pensem… e tomem a vossa decisão.

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Força!!!

 

Estive com o Ricardo Quaresma na véspera da partida da Selecção para a Rússia. Conhecemo-nos há uns anos, numa reportagem no Vaticano, e ficamos amigos. Além da admiração profissional, nutro pelo Ricardo uma imensa admiração pessoal. É uma pessoa cheia de valores, de trabalho, de espírito de sacrifício e não tem medo nem vergonha de nada. Sabe bem de onde veio e para onde vai.

Ele estava, como sempre, calmo e confiante. Falamos de várias coisas… e no fim só lhe pedi que tivessem força e coragem, que nós, portugueses, estavamos cá todos. Ontem, quando soube que ía ser titular estava a conduzir, parada num semáforo, e dei um grito tão grande que o senhor no carro do lado se assustou!!!!!

Quando lhe pedi ‘força’ respondeu-me… ‘A equipa está bem e eu também ‘. Não tínhamos qualquer dúvida, agora temos a certeza.

Obrigada, n.20!!!!!

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Com os 2 pés… direitos

Depois da ‘convocatória’ para Guimarães era preciso organizar a logística toda: roupa, jóias, sapatos, tudo a obedecer aos nossos compromissos comerciais, como se estivéssemos no estúdio, tudo igual. Assim foi, preparámos os coordenados com 2 dias de antecedência (era mesmo preciso e eu estou estupidamente organizada, às vezes…!), levei tudo para casa, estava tudo resolvido, adiantado. Na 5a feira à tarde fiz a mala e coloquei tudo e o porta fatos no carro. Trabalhei de manhã, na 6a feira, de tarde dei formação e arrancámos para Guimarães por volta das 18h30. Comigo ía uma sensação estranha… aquele pensamento ‘esqueci-me de qualquer coisa…’. Claro, o carregador do telefone. O que vale é que o Rogério Gonçalves, da iluminação, meu colega de viagem tinha um de carregamento universal e serviu até comprar outro. Tudo certo. Siga.

Sábado com algum descanso, maquilhagem e cabelo no hotel, descemos para o centro histórico e preparámos tudo: mudar de roupa, retocar make up, ligar computador, confirmar alinhamento, colocar microfones e auricular, escrever umas notas finais… tudo a postos. Levei a lona com os sapatos e revolvi trocar os meus rasos pelos 10 cm de salto já bem perto da hora de começar, ía ficar de pé, dá-me mais jeito. Tiro os sapatos e… achei logo que havia li qualquer coisa estranha… um deles tinha a biqueira diferente. Claro que tinha… tinha a biqueira igual à do outro sapato. Ou seja…. Eram 2 pés direitos do mesmo sapato. No momento de preparar tudo, houve confusão entre 2 pares iguais, por que temos sempre 2, é tão automático, aqueles sapatos são só meus (ninguém calça o 36!)… e… pronto. Bem… conseguem imaginar a reacção?! Eu fiquei com cara de tonta, o assistente não respirava… e… agora?!

‘E agora?!’, disse eu, ‘agora calçamos os dois, e fazemos o jornal’. Eles não queriam acreditar… Depois disto estivemos meia hora a rir. E repetimos a dose no Jornal das 8. Sim, calcei 2 pés direitos, sim, foi incómodo, sim, faz mal aos pés. Tinha melhor solução? Não? Então, siga! The show must go on! O mais importante: ninguém percebeu e correu tuuuuudo bem!

E… às vezes temos mesmo de sofrer um bocadinho.

Mas… Não tentem fazer isto em casa, ok?!

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‘Aqui nasceu Portugal!’

Televisão é trabalho de equipa. Ninguém pense o contrário. Ninguém pode pensar o contrário. Para o bom e para o mal, estamos sempre juntos. No fim de semana estivemos todos em Guimarães.

A semana foi de trabalho para toda a gente e chegamos já tarde, na 6a feira. Eu consegui descansar mas esta equipa não: às 8h da manhã já estavam a montar o que seria o nosso espaço, no Largo da Oliveira. Guimarães recebeu também, ontem, a Corrida dos Conquistadores, na rota das EDP Running Wonders, corridas que percorrem os lugares Património da Humanidade, como Évora ou a Região Demarcada do Douro.

Guimarães encheu-se de sol para nos receber, sol e muito calor. A uns quilómetros dali, o Presidente da República desmaiou, em Braga. No Centro Histórico de Guimarães os termómetros marcavam 37 graus celsius, não corria um vento, uma brisa, nada. No sábado, eu tomei 3 banhos mas a equipa não conseguiu. Deixou o suor secar no corpo por que… era preciso estar ali. Era preciso garantir que tudo aquilo funcionava, que nenhuma luz estava a apontar para o sítio errado, que todos os cabos estavam ligados, que todos os aparelhos funcionavam e que eu tinha tudo o que era preciso para representar bem o esforço de todos.  A equipa que esteve na cidade-berço era composta por cerca de 50 pessoas. Repito, 50 pessoas, meia centena. Muitas eu conhecia, outras não. Aqui, não estamos todos, alguns ainda estavam a trabalhar.

Acreditem, é uma responsabilidade por que eu sou apenas o fim da linha. Eu sou apenas uma pessoa mas sou a pessoa que tem de fazer tudo bem. A iluminação pode estar perfeita, o cenário pode ser lindo, a minha roupa ficar maravilhosamente bem, assim como a maquilhagem e cabelos… se eu falhar, me enganar ou disser algum disparate é o trabalho de 50 pessoas que vai por água abaixo, acaba ali, naquele instante. A responsabilidade é grande mas não faz sentido pensar nisso, antes. Por que a carga emocional aumenta e, aí, a probabilidade de correr menos bem é maior, os nervos são inimigos.

Correu tudo bem, no final conseguimos sorrir, acho que se percebe. Mas, mais importante, sorrimos durante o processo, desfrutamos, fomos pessoas, em vez de máquinas. Máquinas de trabalho seremos sempre, está-nos no sangue. Estou muito grata por este fim de semana. Foi a minha primeira experiência nas Running Wonders e espero que se repita. Ambiente fantástico, pessoas maravilhosas, recepção mais que calorosa (literalmente)! OBRIGADA, GUIMARÃES.

Não deu para visitar muita coisa, nem para tirar fotografias. Um mar de gente e acreditem que caminhar com 37 graus é mesmo só para quem é corajoso, que não é o meu caso.

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O rico menino

Cristiano Ronaldo é o melhor do Mundo, não há dúvidas sobre isso nem pode haver. Quando estive na Madeira visitei o seu museu, no Funchal. Só não fiquei mais impressionada por que já reconhecia o seu valor mas, para quem tenha ainda dúvidas, a visita a este espaço pode dissipar todas elas. Mais que palavras deixo-vos as imagens: há troféus desde 1993, atenção: 1993!!! As Bolas de Ouro são de uma beleza estonteante mas a nossa Taça de Campeões Europeus… Caramba! Destaco-vos também as Taças do Rei de Espanha (lindas, lindas!) e todos os troféus enquanto Homem do Jogo, Melhor Marcador do Jogo, do Torneio, acreditações, camisolas, chuteiras, medalhas de participação e bolas de jogo- já agora, a do último jogo com Espanha, no Mundial da Rússia também vai para lá, em breve… Está tudo ali e é ali que deve estar. Esperemos que a bola de hoje também vá parar ao Funchal, será sinal de um jogo memorável e mais uns quantos golos. Incrível, Ronaldo.

 

Vista geral da sala do Museu. 

Acreditações e medalhas de vários jogos.

Uma das primeiras camisolas, já com a marca ‘Campeões Europeus’.

Como marcar um livre ‘à Ronaldo’. O que o Messi devia aprender!!!!!

A última Bola de Ouro. Estonteante!

Uma das Taças da Liga dos Campeões, pelo Real Madrid.

Taça do Rei de Espanha. Não linda?

A nossa Taça de Campeões Europeus!

Adeus, Ronaldo. Até breve!

(Para vos sossegar, deixem dizer que paguei o meu bilhete e pedi para tirar fotos. Calma, calma!)

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Oh meu rico Santo António

Muitos aceitaram o desafio de escrever-me uma quadrinha de Santo António, no Fecebook. Prometi que as transcrevia aqui e aqui estão elas. Mas… esta rica devota do Santo não conseguiu escolher uma ou duas… portanto… aqui estão todas!!!!

Obrigadinha pela colaboração, quando faltarem as ideias já sei o que hei-de fazer!!!!!

 

Ó Santo António de Lisboa
Tu que tens fama de casamenteiro
Se o casamento fosse coisa boa
Tu próprio não ficavas solteiro!

Santo António de Lisboa
Guardador dos olivais
Guardai a minha azeitona
Do biquinho dos pardais.

 

Oh, manjerico bem cheiroso
Pelo regar e por ao luar
Dá-lhe um rapaz bem jeitoso
Para com ela se casar.

 

Santo António milagreiro
Meu rico e bom santinho
Aumenta o meu mealheiro
Eu que sou tão pobrezinho

 

Alegria não paga imposto
Só nos faltava mais esta
Quero tudo bem disposto
Contentes na nossa festa.

 

Alegria não paga imposto
Só nos faltava mais esta
Quero tudo bem disposto
Contentes na nossa festa.

 

Em dia de Santo António
Eu quero casar
Seja homem ou mulher
Eu quero é subir ao altar

 

Querido santo Antônio
Peço que sejas meu amigo
Com respeito aqui o peço
Patrícia Matos, casas comigo?

 

Oh meu rico santo António
Oh meu rico padroeiro
Enviai à Patrícia TVI
um amor que nunca vi.

 

O meu Santo Antonio

Santo casamenteiro

Espero que me arranjes

um Amor verdadeiro

 

Oh meu rico Santo António

olhai pela Patrícia Matos
No dia de hoje levai até ela
Os seus famosos e ricos pratos!

 

O meu rico santo António
Rico Santo Antoninho
Arranja-me uma rica mulher
Que dê muito beijinho

 

E noite de Santo António
Estalam foguetes no ar
Põem o manjarico à janela
E vem para a rua dançar

 

Santo António te agradeço
O feriado de Lisboa
Hoje foi rápido chegar ao trabalho
Sem trânsito, É na BOA!

 

Meu Amigo Santo António
Peço-te para não relaxar
Dá Paixão e Saúde à Patricia
Para nos continuar Acordar

 

Meu rico Santo Antonio, meu Santo Antoninho,
Já que não me arranjas maridinho
Manda lá um dinheirinho

 

Ó meu rico Santo António.

Santo António de Lisboa.

Protege a Patrícia Matos.

Ela é uma menina muito boa

 

Santo António já se acabou
O Sporting está acabar..
São João são João..
Da cá uma rescisão para eu assinar

 

Ó meu xará Santantoninho/
Olha o pedido da Patrícia Matos/
Arranja-lhe um moço jeitosinho/
Mas que não seja daqueles chatos!!!

 

Dentro do meu peito mora um sonho

que ao Santo Antonio hei-de contar.

Não sei mas suponho

que terei que voltar a sonhar…

 

Santo António milagreiro
Eu não te peço p´ra casar
Peço que eu possa ir à praia
Sem ter que me constipar..

 

Santo António milagrão.

Acaba com o Inverno.

Trás de volta o Verão.

Que isto está um Inferno.

 

Oh meu rico Santo António

passamos de palavras aos actos

mas nunca o Bom dia Portugal

sem a nossa Patricia Matos

 

Ó meu rico Santo António

ajuda quem trabalha

Um amor perfeito à Patrícia

para partilhar

 

Ó meu rico Santo António,

daí-me sempre boa vista,

para todos os dias acordar

e ver esta linda jornalista

 

O meu rico Sto Antônio
Dame amor e alegria .
Fazei com que o Sporting
Encontre nova vida

 

Viva o Santo António,
Viva a nossa TVI,
Boa apresentadora como a Patrícia,
Nunca conheci

 

Ó meu rico Sto António

da Patrícia Matos TVI monge

quero muito a tua ajuda

leva-me a bactéria pra longe

 

Meu querido st Antonio,
Santo casamenteiro
Abençoa todos os noivos
Oh sr Padroeiro!

 

Santo António, santo popular .
Tens muitos pedidos para atender.
Hoje vai ser só trabalhar,
com tantas cartas para ler.

Ó meu santo casamenteiro,
Tens uma tarefa complicada
Tenta ser verdadeiro.
Para a solteirona e encalhada.
(IE)
Viva o Santo António !

 

 

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RE.

Não sei qual é o vosso filme preferido, o meu é “A vida é bela“. Pela capacidade estonteante de desarmar, de emocionar, de ensinar, se arrepiar, de ser resiliente, positivo e nunca mas nunca baixar os braços. A adaptação a uma realidade tão dura é desarmante. E aquela criança acredita mesmo mas mesmo que tudo não passa de uma festa. Impressionante!

Quando algo não está bem também devemos REinventar, REciclar, REtentar, REmexer, REcomeçar (é permitido inventar palavras!).

Na verdade, tudo pode ser o que quisermos. Tudo é apenas e só aquilo que quisermos. Ao ver esta fotografia lembrei-me disso e do filme. É na Somália, são os escombros de uma antiga escola secundária que foi destruída em 1981. Os miúdos usa-nos como estádio. Improvisaram, inventaram e deu magia. Digam lá que as bancadas não têm vista privilegiada? Simples. Siga.

Fotografia: Mohamed Abdiwahab/AFP GEtty Images

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Viva o Santo António

Ninguém tinha manjericos mais bonitos e viçosos que a minha avó paterna, é o que é. Estavam ali, no muro da varanda, todos alinhadinhos, a apanhar sol e ao luar. Cada vez que um crescia mais, tirava um pé e punha noutro vaso, e depois noutro e noutro… numa verdadeira reprodução que chegava aos vizinhos e à família, sempre por esta altura.

Em miúda eu achava muita piada a isto. Punha a mão da rama e depois cheirava. Era uma animação. Quase que partia as ramas, só de calcar com a palma da mão!

Dava-me sempre um, num vasinho pequenino. O majerico resistia ali um mês… depois já era. Sempre tive esta dificuldade em manter plantas vivas em casa. Não percebo, a sério que não percebo.

A minha avó perdeu o hábito, perdeu a casa e perderam-se os manjericos.

Depois, comprei alguns. Acabava por encontrá-los em qualquer lado e comprava. Este ano não comprei um manjerico, ofereceram-me e ofereci. Acredito que não vai morrer.

Não me lembro a última vez que fui aos Santos Populares, estou sempre a trabalhar. Também não sou grande adepta do ‘tira o pé do chão e deixa-te ir com a maré’… Não, há coisas que não são para mim (desculpem dos mais adeptos, não me atirem com nenhum manjerico!). Não há nenhum Santo que me valha nesta vida louca de acordar com as galinhas… Espero que se divirtam! Bom feriado, para quem mora ou trabalha em Lisboa.

 

 

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Política sem glúten

Fonte: www.google.pt

O glúten está para os cereais como o poder está para a política: é intrínseco, é subliminar, faz parte e não se deve dissociar. Mas pode.

Os alérgicos ao glúten deixam de comer pão, massas, e todos os alimentos compostos por farinha de trigo. Hoje já há substitutos que garantem o mesmo valor nutricional, o mesmo nível de hidratos de carbono e, mais importante, o mesmo sabor (o glúten é insípido). Mas, os não-intolerantes ou não-alérgicos não devem afastá-lo da alimentação: o glúten é uma proteína que garante elasticidade ao pão, que o torna mais fofo, mais… apetecível.

Assim é também o poder: é possível apreciá-lo, olhá-lo de longe, da montra, e perceber exactamente o que nos apetece. Até o conseguir, a pessoa saliva; depois de o ter, saboreia… um bocadinho e depois outro. O grande problema é quando o poder tem sabor, assim mais ou menos, como o pão de Mafra, quente, com manteiga derretida. Comemos. Comemos mais. E cada vez mais vontade de comer, mesmo que ao início digamos que ‘vamos comer só um bocadinho’. A gula é mais forte, passando rapidamente da fome à vontade de comer.

Sem glúten, o pão não cresce. Sem poder, a política também não.

Os entendidos dizem que os problemas de saúde relacionados com a ingestão de pão têm que ver com o tempo de levedura: que é rápido, acelerado demais, que não obedece ‘à forma do antigamente’ e que por causa disso que tantos mitos surgem.

Quando se substitui o pão por outra coisa qualquer, parece que o sabor acaba, mesmo que não seja nada disso. É o inconsciente que dá as ordens, que diz o que se quer, o que se deseja. Mas o poder, esse, não é substituível: ou se tem ou não se tem.

As referências ao pão já surgem na Bíblia, como o “o pão nosso de cada dia”. São antigas, assim como as referencias ao poder, Aristóteles escrevia que “Aquilo que temos poder de fazer, também temos poder de não fazer”.

Na política há tantas pessoas a quem o glúten faz bem, outras que deviam comer mais pão, outras ainda que deviam, simplesmente, desistir de todo o qualquer alimento com trigo. Há por aí ‘mais olhos que barriga’.