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O rico menino

Cristiano Ronaldo é o melhor do Mundo, não há dúvidas sobre isso nem pode haver. Quando estive na Madeira visitei o seu museu, no Funchal. Só não fiquei mais impressionada por que já reconhecia o seu valor mas, para quem tenha ainda dúvidas, a visita a este espaço pode dissipar todas elas. Mais que palavras deixo-vos as imagens: há troféus desde 1993, atenção: 1993!!! As Bolas de Ouro são de uma beleza estonteante mas a nossa Taça de Campeões Europeus… Caramba! Destaco-vos também as Taças do Rei de Espanha (lindas, lindas!) e todos os troféus enquanto Homem do Jogo, Melhor Marcador do Jogo, do Torneio, acreditações, camisolas, chuteiras, medalhas de participação e bolas de jogo- já agora, a do último jogo com Espanha, no Mundial da Rússia também vai para lá, em breve… Está tudo ali e é ali que deve estar. Esperemos que a bola de hoje também vá parar ao Funchal, será sinal de um jogo memorável e mais uns quantos golos. Incrível, Ronaldo.

 

Vista geral da sala do Museu. 

Acreditações e medalhas de vários jogos.

Uma das primeiras camisolas, já com a marca ‘Campeões Europeus’.

Como marcar um livre ‘à Ronaldo’. O que o Messi devia aprender!!!!!

A última Bola de Ouro. Estonteante!

Uma das Taças da Liga dos Campeões, pelo Real Madrid.

Taça do Rei de Espanha. Não linda?

A nossa Taça de Campeões Europeus!

Adeus, Ronaldo. Até breve!

(Para vos sossegar, deixem dizer que paguei o meu bilhete e pedi para tirar fotos. Calma, calma!)

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Oh meu rico Santo António

Muitos aceitaram o desafio de escrever-me uma quadrinha de Santo António, no Fecebook. Prometi que as transcrevia aqui e aqui estão elas. Mas… esta rica devota do Santo não conseguiu escolher uma ou duas… portanto… aqui estão todas!!!!

Obrigadinha pela colaboração, quando faltarem as ideias já sei o que hei-de fazer!!!!!

 

Ó Santo António de Lisboa
Tu que tens fama de casamenteiro
Se o casamento fosse coisa boa
Tu próprio não ficavas solteiro!

Santo António de Lisboa
Guardador dos olivais
Guardai a minha azeitona
Do biquinho dos pardais.

 

Oh, manjerico bem cheiroso
Pelo regar e por ao luar
Dá-lhe um rapaz bem jeitoso
Para com ela se casar.

 

Santo António milagreiro
Meu rico e bom santinho
Aumenta o meu mealheiro
Eu que sou tão pobrezinho

 

Alegria não paga imposto
Só nos faltava mais esta
Quero tudo bem disposto
Contentes na nossa festa.

 

Alegria não paga imposto
Só nos faltava mais esta
Quero tudo bem disposto
Contentes na nossa festa.

 

Em dia de Santo António
Eu quero casar
Seja homem ou mulher
Eu quero é subir ao altar

 

Querido santo Antônio
Peço que sejas meu amigo
Com respeito aqui o peço
Patrícia Matos, casas comigo?

 

Oh meu rico santo António
Oh meu rico padroeiro
Enviai à Patrícia TVI
um amor que nunca vi.

 

O meu Santo Antonio

Santo casamenteiro

Espero que me arranjes

um Amor verdadeiro

 

Oh meu rico Santo António

olhai pela Patrícia Matos
No dia de hoje levai até ela
Os seus famosos e ricos pratos!

 

O meu rico santo António
Rico Santo Antoninho
Arranja-me uma rica mulher
Que dê muito beijinho

 

E noite de Santo António
Estalam foguetes no ar
Põem o manjarico à janela
E vem para a rua dançar

 

Santo António te agradeço
O feriado de Lisboa
Hoje foi rápido chegar ao trabalho
Sem trânsito, É na BOA!

 

Meu Amigo Santo António
Peço-te para não relaxar
Dá Paixão e Saúde à Patricia
Para nos continuar Acordar

 

Meu rico Santo Antonio, meu Santo Antoninho,
Já que não me arranjas maridinho
Manda lá um dinheirinho

 

Ó meu rico Santo António.

Santo António de Lisboa.

Protege a Patrícia Matos.

Ela é uma menina muito boa

 

Santo António já se acabou
O Sporting está acabar..
São João são João..
Da cá uma rescisão para eu assinar

 

Ó meu xará Santantoninho/
Olha o pedido da Patrícia Matos/
Arranja-lhe um moço jeitosinho/
Mas que não seja daqueles chatos!!!

 

Dentro do meu peito mora um sonho

que ao Santo Antonio hei-de contar.

Não sei mas suponho

que terei que voltar a sonhar…

 

Santo António milagreiro
Eu não te peço p´ra casar
Peço que eu possa ir à praia
Sem ter que me constipar..

 

Santo António milagrão.

Acaba com o Inverno.

Trás de volta o Verão.

Que isto está um Inferno.

 

Oh meu rico Santo António

passamos de palavras aos actos

mas nunca o Bom dia Portugal

sem a nossa Patricia Matos

 

Ó meu rico Santo António

ajuda quem trabalha

Um amor perfeito à Patrícia

para partilhar

 

Ó meu rico Santo António,

daí-me sempre boa vista,

para todos os dias acordar

e ver esta linda jornalista

 

O meu rico Sto Antônio
Dame amor e alegria .
Fazei com que o Sporting
Encontre nova vida

 

Viva o Santo António,
Viva a nossa TVI,
Boa apresentadora como a Patrícia,
Nunca conheci

 

Ó meu rico Sto António

da Patrícia Matos TVI monge

quero muito a tua ajuda

leva-me a bactéria pra longe

 

Meu querido st Antonio,
Santo casamenteiro
Abençoa todos os noivos
Oh sr Padroeiro!

 

Santo António, santo popular .
Tens muitos pedidos para atender.
Hoje vai ser só trabalhar,
com tantas cartas para ler.

Ó meu santo casamenteiro,
Tens uma tarefa complicada
Tenta ser verdadeiro.
Para a solteirona e encalhada.
(IE)
Viva o Santo António !

 

 

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RE.

Não sei qual é o vosso filme preferido, o meu é “A vida é bela“. Pela capacidade estonteante de desarmar, de emocionar, de ensinar, se arrepiar, de ser resiliente, positivo e nunca mas nunca baixar os braços. A adaptação a uma realidade tão dura é desarmante. E aquela criança acredita mesmo mas mesmo que tudo não passa de uma festa. Impressionante!

Quando algo não está bem também devemos REinventar, REciclar, REtentar, REmexer, REcomeçar (é permitido inventar palavras!).

Na verdade, tudo pode ser o que quisermos. Tudo é apenas e só aquilo que quisermos. Ao ver esta fotografia lembrei-me disso e do filme. É na Somália, são os escombros de uma antiga escola secundária que foi destruída em 1981. Os miúdos usa-nos como estádio. Improvisaram, inventaram e deu magia. Digam lá que as bancadas não têm vista privilegiada? Simples. Siga.

Fotografia: Mohamed Abdiwahab/AFP GEtty Images

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Viva o Santo António

Ninguém tinha manjericos mais bonitos e viçosos que a minha avó paterna, é o que é. Estavam ali, no muro da varanda, todos alinhadinhos, a apanhar sol e ao luar. Cada vez que um crescia mais, tirava um pé e punha noutro vaso, e depois noutro e noutro… numa verdadeira reprodução que chegava aos vizinhos e à família, sempre por esta altura.

Em miúda eu achava muita piada a isto. Punha a mão da rama e depois cheirava. Era uma animação. Quase que partia as ramas, só de calcar com a palma da mão!

Dava-me sempre um, num vasinho pequenino. O majerico resistia ali um mês… depois já era. Sempre tive esta dificuldade em manter plantas vivas em casa. Não percebo, a sério que não percebo.

A minha avó perdeu o hábito, perdeu a casa e perderam-se os manjericos.

Depois, comprei alguns. Acabava por encontrá-los em qualquer lado e comprava. Este ano não comprei um manjerico, ofereceram-me e ofereci. Acredito que não vai morrer.

Não me lembro a última vez que fui aos Santos Populares, estou sempre a trabalhar. Também não sou grande adepta do ‘tira o pé do chão e deixa-te ir com a maré’… Não, há coisas que não são para mim (desculpem dos mais adeptos, não me atirem com nenhum manjerico!). Não há nenhum Santo que me valha nesta vida louca de acordar com as galinhas… Espero que se divirtam! Bom feriado, para quem mora ou trabalha em Lisboa.

 

 

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Política sem glúten

Fonte: www.google.pt

O glúten está para os cereais como o poder está para a política: é intrínseco, é subliminar, faz parte e não se deve dissociar. Mas pode.

Os alérgicos ao glúten deixam de comer pão, massas, e todos os alimentos compostos por farinha de trigo. Hoje já há substitutos que garantem o mesmo valor nutricional, o mesmo nível de hidratos de carbono e, mais importante, o mesmo sabor (o glúten é insípido). Mas, os não-intolerantes ou não-alérgicos não devem afastá-lo da alimentação: o glúten é uma proteína que garante elasticidade ao pão, que o torna mais fofo, mais… apetecível.

Assim é também o poder: é possível apreciá-lo, olhá-lo de longe, da montra, e perceber exactamente o que nos apetece. Até o conseguir, a pessoa saliva; depois de o ter, saboreia… um bocadinho e depois outro. O grande problema é quando o poder tem sabor, assim mais ou menos, como o pão de Mafra, quente, com manteiga derretida. Comemos. Comemos mais. E cada vez mais vontade de comer, mesmo que ao início digamos que ‘vamos comer só um bocadinho’. A gula é mais forte, passando rapidamente da fome à vontade de comer.

Sem glúten, o pão não cresce. Sem poder, a política também não.

Os entendidos dizem que os problemas de saúde relacionados com a ingestão de pão têm que ver com o tempo de levedura: que é rápido, acelerado demais, que não obedece ‘à forma do antigamente’ e que por causa disso que tantos mitos surgem.

Quando se substitui o pão por outra coisa qualquer, parece que o sabor acaba, mesmo que não seja nada disso. É o inconsciente que dá as ordens, que diz o que se quer, o que se deseja. Mas o poder, esse, não é substituível: ou se tem ou não se tem.

As referências ao pão já surgem na Bíblia, como o “o pão nosso de cada dia”. São antigas, assim como as referencias ao poder, Aristóteles escrevia que “Aquilo que temos poder de fazer, também temos poder de não fazer”.

Na política há tantas pessoas a quem o glúten faz bem, outras que deviam comer mais pão, outras ainda que deviam, simplesmente, desistir de todo o qualquer alimento com trigo. Há por aí ‘mais olhos que barriga’.

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O regresso

Ontem, o regresso, foi para mim o dia 0.

Assim daquelas vezes que não contam, que são quase como um treino… Ontem senti-me um atleta a treinar pela primeira vez. O que, para mim, é muito estranho. Faço o Diário da Manhã há 7 anos, há 5 em exclusividade. Voltar é bom, tão bom quanto voltar à nossa casa, ao nosso espaço, ao sítio onde somos (sempre) felizes. Aqui, neste estúdio, eu sou muito feliz. é onde passo a maior parte do meu dia. São estas paredes que encerram muitos sentimentos, muitos estados de alma, muitas confissões feitas em silêncio, que ninguém sabe, ninguém ouve nem vê. Lá para casa, sempre no melhor. Não é falsidade, é trabalho. É o que deve ser, o que é suposto ser… the show must go on. Sem lamúrias, sem perder tempo. Siga!

Desejava muito voltar. Muito mesmo. Esta segunda paragem foi terrível, confesso. Fisicamente, o abalo foi enorme e, por isso, ontem foi o dia 0. Tão complicado gerir o cansaço que passei parte da tarde a dormir, outra parte com a minha nutricionista, a definir o plano alimentar para os próximos tempos… voltamos à casa de partida.

Sei que os próximos vão ser mais lentos, mais exigentes fisicamente, com mais tempo de descanso e menos correria, menos tarefas das 50 mil de todos os dias. Vai ser o que tiver de ser. Não estou preocupada. Uma segunda provação é o sinal claro que ainda estou a fazer alguma coisa errada. Se aprendi à primeira, mais aprenderei nesta segunda vez. Isso não quer dizer que não haja projectos novos, ideias novas, vontades a fervilhar!!!! UUUUIIII, se há!!! A seu tempo, a seu tempo saberão.

Só vos posso dizer que encontrei uma equipa com uma vontade de regresso semelhante à minha! Sou tão sortuda. Entre vídeos do Luís Neto, ao piano, o nosso responsável pelo audio…

 

… brindes de café, com a editora Catarina Fonseca e o realizador Pedro Fonseca…

… e os bons dias do jornalista Gonçalo Nuno Cabral (pôs no vidro do estúdio mas não consegui apanhar e fotografei na redacção, ele faz isto várias vezes)…

… e até este momento em que o operador de câmara Miguel Sebastiana se preparava para me tirar uma fotografia e o operador de mistura João Semide diz “A indústria farmacêutica vai criar um antibiótico contra a HP com o teu nome”. Esta equipa não dorme!

Percebem por que não me custa trabalhar? É por isto tudo.

Grata, muito grata por estar de volta. 

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Diário da bactéria #6

Espero, sinceramente, que seja das últimas vezes que te dedico um post, HP. Já ninguém te aguenta, nem eu. É tudo tão chatinho que até há quem pense que me tens mantido de baixa médica desde janeiro, achas normal? Garanto-te que não tenho trabalhado num televisão fictícia e nem sou um holograma: aquelas 3h30 são mesmo reais, em directo de Queluz de Baixo, em simultâneo para os 2 canais. Eu estou lá, falo, entrevisto, leio jornais, converso com as pessoas, abraço-as. Palavra de honra. Tão certo como regressar lá já na próxima segunda feira.

Acabou a clausura. Já chega. Foram 140 comprimidos em 10 dias. Consegues perceber como me deixaste? Eu, intolerante a tudo e mais alguma coisa, aguentei a lactose, o potássio, as náuseas, os vómitos e as outras coisas coisas que tu bem sabes, afinal, já somos repetentes. Mas tiro-te o chapéu: desta vez foste mais agressiva, mais matreira e obrigaste-me a parar de forma diferente.

A parar. A nova provação. Sabes, devias sentir-te contente porque eu raramente dou segundas oportunidades (sim, conheço o ditado ‘toda a gente merece uma segunda oportunidade’). Terceiras, é que não dou mesmo. Portanto… é mesmo a tua derradeira hipótese para ir embora. Já disse isto da outra vez, bem sei, mas agora é que não vai dar mesmo: quero voltar a trabalhar, ao ginásio, às pessoas e às coisas.

Fotografia: Carlos Ramos

Dito isto, adeus, HP. Até segunda feira, a todos. Às 6h30. Com energia, alegria e vontade de viver. Até lá!

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Supervisionar

Nos últimos tempos, antes da HP voltar a atacar, assumi uma tarefa nova: a de revisora de artigos científicos.

Um trabalho muito interessante, especialmente por não ser na minha área de conhecimento, a ciência política. Que bom que é sair da zona de conforto e ganhar conhecimento, admito que nunca pensei um dia desempenhar esta tarefa. E também é bom, muito bom, perceber o que se faz de novo, o que se investiga e procura e de que forma é que isso pode alterar o trabalho de cada pessoa, que se dedica a esta vida académica. O balanço é bom, muito positivo mesmo!

Missões como esta (sim, olho para essa tarefa desta forma) são sempre ingratas. O americano Seth Godin lembra e muito bem que “Nós não somos o nosso currículum, nós somos o nosso trabalho“. E é essa ideia que tento honrar todos os dias.

 

Esta tarefa fez-me lembrar também que é melhor focar-me na minha tese e, depois, na conferência em que irei participar, em Julho, em Lisboa, na Academia Militar, a IJCIEOM- International Joint Conference on Industrial Engineering and Operations Managment. Quem quiser inscrever-se ainda tem até dia 15 da Maio para o fazer, o prazo para submeter artigos é 5 dias antes, dia 10 de Maio.

 

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E…

Ao décimo dia… ela descansou. Da lactose, do potássio. Dos 14 comprimidos diários.

Ao décimo dia… ela apanhou ar.

Ao décimo dia… ela teve a certeza que nada na nossa vida acontece por acaso. Há sempre um momento, um dia em  que tudo muda.

Ao décimo dia… a sorte alinhou-se com a vontade.

Ao décimo dia… ficou tudo bem.

Ao décimo dia… ela sorriu mais.

Ao décimo dia… ela descansou. Onde devia.

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O Henrique

O Henrique.

Sempre o tratámos assim, sempre o tratei assim. Para nós, na redacção da TVI, só há o Henrique. Nunca houve o Henrique Garcia.

Todos falam da sua calma, a característica mais marcante, talvez. Eu quero salientar outra: a enorme discrição por que sempre pautou a vida. No campo pessoal não lhe conheço notícias, no campo profissional… caramba. O Henrique chegava à redacção e só sabíamos que lá estava se o víssemos. Sem alaridos, nem histerismos. Acho que só lhe ouvi um tom de voz mais alto a rir e, aí, não se inibia. No seu lugar, começava a perceber a realidade que iria apresentar, a ler jornais, a definir alinhamento com o editor. No ar, aquela firmeza dava-nos segurança. Quando sabíamos que era ‘o Henrique’ a presentar não havia qualquer dúvida nem preocupação. Ontem, encontrei-o no estúdio, minutos antes do Jornal das 8 começar, a treinar o pivôt de abertura… como se fosse preciso. Como se fosse preciso. E sorriu-me, como sempre.

48 anos… O Henrique tem mais anos de profissão que eu de vida. Só isso já me obrigaria a ter um infinito respeito. Mas o seu rigor, a sua isenção, o cuidado no contraditório, tão ‘esquecido’ pelas novas gerações sempre em busca do imediato, em busca do reconhecimento pelo espectáculo, o discernimento pelo que é a notícia, tão necessário. O Henrique é do tempo da verdade, daquela que não se esconde e se busca sempre, daquela que as redes sociais não ludibriavam e ele nunca quis saber muito disso. Do tempo em que a elegância é a forma como se tratam os outros e não o número do fato que se veste. Do tempo em que não se falha, nunca se falha à palavra, que foi sempre o mais importante.

E a memória. Não, querido Henrique, a memória não está nos computadores, como ontem me disse. Aí está o arquivo. A memória está em nós, naquilo que vivemos, no que absorvemos e aprendemos, no que guardamos e transmitimos. E na hora de transmitir, poucos o faziam assim. Ensinar pelo exemplo, pelo gesto, pela actuação.

Vê-nos aqui todos, ontem, a escutar o seu exemplo? É este o grande legado que nos deixa.

Ainda lembro bem aquela frase “26 de Fevereiro de 2009. Hoje, as notícias, começam aqui”. Foi o arranque da TVI 24. Estávamos todos em êxtase. O Henrique estava calmíssimo e foi ele quem abriu o canal.

Graças a si somos melhores profissionais. Sou melhor profissional. Já não vou herdar os pivôts da 25a Hora de domingo, já não vou ver as inicias HG na linha do ok (cada pivôt põe as suas iniciais numa linha da grelha do alinhamento, para que todos saibam que o texto foi visto por si).

Os jornalistas são, provavelmente, das piores classes laborais. Digo isto sem qualquer problema mas com muita mágoa: já senti na pele várias vezes a ira de colegas de profissão, o desprimor, o ataque fácil. Mas ontem a redacção da TVI deu uma grande lição a todos: estivemos unidos a prestar-lhe uma justa homenagem, nem podia ser de outra maneira.

– ‘Olá, Henrique’, disse.

– ‘Olá. Estás cá?’, respondeu-me.

– ‘É claro que estou, nem podia estar noutro lado’.

E deu-me um abraço forte, sentido. Olhamo-nos nos olhos e só me disse “Estamos vivos”. Como eu o percebo.

Mais tarde aproximei-me e, mais recatados, disse o que tinha de dizer, o que sentia, o imenso orgulho que tive em trabalhar com o Henrique nestes 11 anos de TVI. É uma conversa nossa. Os jornalistas sentem da mesma maneira. Só precisa de se olhar nos olhos e percebem tudo. E os olhos do Henrique não mentem. Apesar daquela “poker face” característica, ontem não foi possível disfarçar. Havia emoção nele e em nós. Em todos nós.

OBRIGADA, HENRIQUE. Estamos vivos.