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Quando eu fiz 25 anos…

… Tinha o peito cheio de sonhos. No horizonte, havia um futuro, uma vontade, uma perspectiva de vida. Trabalhava muito, trabalhei sempre muito mas (já) fazia o que amava: a televisão tinha surgido na minha vida há 2 pares de anos e eu estava a aprender tudo e tudo. Foram uns 25 felizes, talvez mais marcantes que os 18. Aos 18 anos, ainda não tinha contas para pagar, não havia responsabilidades grandes, nem tinha carro ou apresentava jornais. Mas a responsabilidade era boa, sabia bem ser mais adulta. Nesta altura já tinha apresentado quase todos os horários da TVI e da TVI24.
Quando fiz 25 anos… Tinha a ilusão que já tinha aprendido tudo e que só me faltava aperfeiçoar. Percebi rapidamente que era uma ideia falsa e voltei a estudar, sentia-me estagnada, a emburrecer, havia áreas novas, coisas diferentes que queria ler e explorar. E foi assim que surgiu a política.
Quando fiz 25 anos… Ia a festivais, a concertos, ao teatro, jantava fora, dançava, fazia noitadas e divertia-me tanto. Não partia pedras com os pés (um amigo diz isto com muita graça) mas aproveitei muito.


Quando fiz 25 anos… Sabia que queria mais, que queria o futuro, que queria crescer e não perder tempo… Viver!!!
Sinto que também tens isto, TVI. Hoje, o dia em que fizeste 25 anos, estive ao teu lado, como nos últimos 11. Nunca imaginei que nos déssemos tão bem, não posso ser mais sincera. Já me irritas-te, viras-te a vida do avesso tantas vezes… Por ti, deixei tantas vezes a família em standby… E eu mesma, também. Já choramos mas hoje, não… Todos os dias, invariavelmente, me fazes sorrir.
Fizemos reportagens de saúde, educação, economia, fomos apedrejadas em directo, fizemos jornais em dias tão difíceis, viajamos pelo mundo… Nunca fraquejaste mas eu também nunca te deixei ficar mal.
Acordamos juntas há 5 anos. É bom. Tens bom acordar. Até somos parecidas: tu também bebes café mas estás mais controlada, acordas devagarinho mas cheia de energia, fazes-te notar sem te impores, para ti, está (quase) tudo bem, sempre.
Os desafios dos próximos 25 anos são profundamente diferentes dos anteriores: o futuro é mais exigente, mais imprevisível, mais tecnológico, mais informado e conhecedor.
Se queres saber? SIGA. VAMOS À LUTA. CONTA COMIGO.

Dou-te a mão. Acredito profundamente que estamos no caminho certo.

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Diário da bactéria #4

 

HP, vamos conversar.

Tu já és crescida, tens cerca de 20 anos, eu já vou a caminho dos 40, e já sabes que quando ‘um não quer, dois não fazem’. Eu não quero mais. Desculpa. Mas uma de nós tinha de ser adulta e tomar uma decisão.
Mas não é de ti… é de mim. Esta nossa relação já deu o que tinha dar. Eu sei que tu concordas. E não estar a ter piada nenhuma, confessa.
Eu dei-te oportunidade para estares por cá imenso tempo, nem sei bem quanto. Mas já chega. Daqui a umas semanas quando repetir os exames agradeço que já não estejas ou terei de tomar medidas drásticas.
Apesar de tudo… Não te vou atacar. Não. Quero apenas que vás embora e não voltes mais.
Pronto. Adeus. Nada de dramatismos, nada de choramingas. Nós não somos dessas coisas.

Olha, vou regressar ao trabalho.

Se quiseres saber de mim liga a televisão na TVI e TVI24 entre as 6h30 e as 10h, todos os dias. Não tentes invadir as instalações da empresa porque estão todos avisados e ninguém te vai deixar entrar. Não tentes atacar de surpresa porque já sabes que eu durmo pouco e nem sequer te passe pela cabeça atingir alguém de quem eu goste: aí serei ainda mais reativa.

Faz o que quiseres: vai correr, viajar, vai gerir um banco, pede bilhetes para o futebol, lê.

Addio, adieu, auf wiedersehen, goodbye.

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Diário da Bactéria #3

HP…?! Oláááá!!!

Estás por aí ainda?
Não te sinto, o que me parece bom. Acabou a azia, o mal estar, as náuseas e vómitos mesmo com coisas tão simples como… um copo de água. Caramba… tu és danada.
Ao mesmo tempo também sei que és matreira e podes estar a fazer uma ronha qualquer. Chatinha. A fingir-te desaparecida como nos filmes quando o criminoso procura o inocente debaixo da cama e só se vêm os pés, na imagem. Já sabes que, se aí estiveres, não podes ficar escondida para sempre.
Bem sei que o meu corpo é um sítio simpático: sou uma miúda atinada, não fumo, não como porcarias… e por isso mesmo: tu mereces melhor. A sério, um ecossistema mais propício ao teu crescimento, saudável e cheio de coisas ácidas e pesadas que tu tanto gostas.


Vê lá que até deixei de beber cafés, imagina… Eu que ingeria baldes, de manhã. Agora 1… Vá, 2, em SOS. Já viste a seca que é? Acho que deves ir, sem medos nem remorsos.
Não te preocupes, eu fico bem e vou dar o meu melhor para lidar com a tua ausência.
Vai lá e avisa-me: é preciso declarar o teu óbito para te fazer um funeral decente.

Com carácter de urgência. Por favor. Obrigada.

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Diário da bactéria. #1

Os dias têm começado sempre com um pequeno almoço (mais reforçado do que este da fotografia), drogas lícitas (conseguem ver? Parecem m&m’s de amendoím) e que contém sempre café… Bem sei que a minha amiga HP é maluca por café e alimentos fortes mas ainda não consegui contrariá-la completamente, afinal, estamos nisto juntas.

Por estes dias tenho feito uma coisa espectacular: rigorosamente nada! Desde as férias de verão, no longínquo mês de agosto que eu não sabia o que era isto. Bem… não estou a ser absolutamente rigorosa: tenho-me fartado de viajar… de barco. Tanto que as vezes até perco o norte… Já me estou a imaginar a fazer o Diário da Manhã, a rodopiar no estúdio e cair redondinha no chão. Não que isso não tivesse já acontecendo, assumo, mas… Agora teria mais graça. Mais um momento YouTube! E de certeza que ia provocar imensas gargalhadas a todos.

Bem, além de fazer rigorosamente nada, ontem consegui por um par de horas e muitas paragens pelo meio reunir 7 sacos de revistas e jornais para deitar fora. Imagino os vosso olhos arregalados… Ah, pois é. Também fiquei assim… Como é possível guardar tanta tralha? Acreditem que não custa muito, basta acumular coisas durante 1 mês. Acho que nós, jornalistas, temos muita tendência para uma relação afectiva com o nosso trabalho. Não escrevo para jornais nem para revistas mas acho sempre que ainda não li aquele artigo e quando encontro a dita revista penso : ‘Cá está!! Era mesmo isto que procurava’. Também vos acontece? É uma grande falácia porque eu conheço-me… Ou vejo na hora e dias seguintes ou então… Never mind!

Portanto… Menos!!! Menos coisas cá em casa.  O grande desafio agora é levar isto tudo para o ecoponto… Acho melhor não me arriscar já, com tanta turbulência ainda atiro os jornais escadas abaixo e vão parar à Austrália.

Por falar nisso… Vou só ali acabar de ler o Expresso. Vou ter de o mandar embora no fim de semana. Já que me tornei papperfree não posso perder agora a embalagem, literalmente.

Afinal, esta sacana HP tinha de trazer alguma coisa positiva.

Não posso deixar de vos dar uma palavra de agradecimento. Por todas as mensagens, por todo o carinho demonstrado nestes dias. OBRIGADA.  Tanta gente afectada por isto, não é? Raio da miúda HP. Eu sabia que estavam desse lado, todas as manhãs sinto a energia que partilham comigo. Acreditem que continua a chegar aqui, à clausura, e que estou a criar uma conta poupança energia para quando voltar estar ainda melhor e mais desperta para vos acordar. OBRIGADA. As palavras nunca se esgotam para vos agradecer, nunca nunca. 

 

 

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Eu tenho uma bactéria…

… E tu não!!
A bactéria de que vos quero falar chama-se helicobacter pylori e infecta cerca de metade da população portuguesa. Não se sabe bem como, por que razão nem de onde vem. Na verdade, só foi descoberta há 20anos e pode tornar-se chatinha chatinha chatinha se não for tratada a tempo. As explicações do meu super-medico sossegaram-me porque se fosse atrás do que diz o Dr. Google… Ui!!! Já estava a subir paredes só de cenários possíveis. Sim… Eu sou positiva… Para a bactéria. Sinto-me coerente até para com isto!!!
A HP, é assim que a vou tratar porque merece ‘importância 0’, mais ou menos como quando Pedro Passos Coelho quis reduzir a nada a importância do Syriza e apenas falava do ‘partido que ganhou as eleições na Grécia’. Eu não tenho tempo para bactérias externas quanto mais para internas e a sacana já conseguiu uma coisa: fez-me parar. Ela é a única responsável pela minha ausência ao trabalho. O tratamento é um agressivo: só a conjunção de antibióticos a faz desaparecer. O cocktail é forte e um bocadinho depois parece que se está no mar, num barco à deriva e com vagas de 5m. Uma animação, já viram? Viagens grátis todos os dias! E eu adoro viajar!
Isto para vos explicar porque não vos estou a acordar nestes dias mas para vos dizer também que esta chata HP vai desaparecer. Esta bactéria adora estados de cansaço e um sistema nervoso beeeeem debilitado… Nem sei o que tem isto a ver comigo mas pronto. (Suspiro…)

Eu sempre disse que 2018 ia ser um ano espectacular e mantenho!!! Vai mesmo.

Esta paragem, além do óbvio que é parar, vem também mostrar que só vale a pena se vivermos bem, alegres, com espírito positivo e na máxima força para nós e para os outros. É um reforço de tudo o que eu já sabia e fazia.
(Podes sair HP, sff) Façam o mesmo mas evitem os antibióticos, sim?

 

 

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Vamos olhar para o trânsito?

 

Sair de casa e enfrentar o trânsito, todos os dias, pode ser uma verdadeira aventura. Nós, de manhã, não temos grandes problemas com isso, a estrada é (quase) toda nossa. Encontramos padeiros, vigilantes, pessoas que vão apanhar transportes muito cedo e, eventualmente, a polícia. Sim, também paramos em operações de fiscalização, assim a uma média de 4 por ano. É uma loucura, acho até que já nos conhecem a todos, tantas são as vezes que nos mandam parar. A pergunta é sempre a mesma, depois de apresentados os documentos, ‘consumiu bebidas alcoólicas?’ (bem sei que faz parte dos procedimentos!!!)… Até deve fazer algum sentido: eu, aquela hora, sozinha, com olheiras que chegam ao queixo, olhos de sono, enrolada com frio e música num volume (muito) alto. Devo estar alcoolizada. Só posso. Preencho todos os requisitos, entendo perfeitamente, mas nunca digo porque estou acordada aquela hora. Quando isso acontece é avisar a equipa ‘estou numa operação STOP’ e pronto. Fazemos todos o mesmo e temos imensa sorte que não demoramos muito: está tudo em ordem e àquela hora a concorrência no trânsito é fraca… Siga para Queluz de Baixo.

Mas… Nem toda a gente tem essa sorte. As pessoas que saem de casa às horas ditas normais podem ganhar ‘um brinde’: pode surgir na A1, IC19, VCI, Ponte da Arrábida… Eu sei lá. Às vezes surge em dose dupla, há manhãs para esquecer. Dias de chuva, então, é certinho, até dá para adivinhar. Alguns dão reportagens, devido à dimensão e problemas que provocam, outros ficam apenas com o meu relato.

 

Mas é sempre assim: No estúdio eu vejo o trânsito pelos olhos do iPad, a informação transmitida por satélite, na aplicação, reproduz e, tempo real, o que se passa nos principais acessos à Lisboa e ao Porto, às vezes, também, noutros pontos do país. Tempo de demora, sinalética com cores dos semáforos, sentidos do trânsito… De manhã tudo conta, tudo é preciso, tudo faz sentido, tudo ajuda a ‘fugir’ por qualquer lado e não demorar uma eternidade a deixar os miúdos na escola, ou para chegar AQUELA reunião a horas… Caramba, há dias difíceis e, mesmo em estúdio, não consigo deixar de sentir aquela dor de quem está preso dentro de um carro, numa qualquer via do país e a pensar ‘tão bem que eu estava na cama’. Sou solidária. Sou mesmo.

Ali, eu tento tudo, em tempo real: receber a informação do editor, que é o primeiro a ver o mapa e a ter contacto com a realidade e, depois ma transmite a mim, e ler-vos tudo de forma clara, curta e concisa. E, também eu, faço tudo para evitar ‘acidentes’: o trânsito é feito em andamento. Esta é a sequência: sair do ecrã 4×4, caminhar com alguma segurança pelos 20 metros que me separam da mesa, olhar para os monitores e confirmar que a informação está correcta e… Sentar!

 

E… Respirar porque correu tudo bem: ninguém caiu, ninguém se enganou e a informação foi transmitida. Não importa fazer, queremos fazer bem!! Não é um esforço hercúleo mas exige grande coordenação entre toda a equipa: de estúdio e régie: o alinhamento é alterado e posso não ir para a mesa… Num segundo tudo muda, a actualidade impõe-se!

Nem eu imaginava que conseguia acompanhar este ritmo que o Diário da Manhã impõe mas a verdade é que tudo é possível. Depois do trânsito, seguimos alinhamento. Felizes.

 

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Citius, altius, fortius.

Contar a história do livro “Tocando os extremos” é contar a história do Nuno España, uma pessoa que ‘resolveu’ dar a volta a uma volta que a vida lhe deu. Não há como fugir a este início porque a verdade não tem nuances: o Nuno começou a correr para reagir à perda de uma das pessoas mais importantes da sua vida: o pai. A corrida já existia sem ser um hábito, a mãe conta que, quando regressavam a Lisboa, da casa de família em Colares, o Nuno ía a correr e só queria chegar mais longe, sempre. Nuno tinha 13 anos e muito longe de imaginar a importância que a corrida ía ter na sua vida, como escreve a Carla  Rocha. E é bem verdade. O cunhado desafiou-o para a meia-maratona da ponte Vasco da Gama e como  não resiste a desafios, aceitou. Achou que eram favas contadas… mas a falta de preparação deu-lhe logo ali a primeira aula para a vida. Depois disso veio mais outra, e outra corrida… e o Nuno a querer sempre mais. Até que achou que devia fazer uma maratona. A atleta olímpica Rosa Mota ainda o tentou  demover, a pedido da mãe: “ah, meu filho, olhe que não é o dobro, é pior! Tem de ter cuidado!”. Aquelas palavras foram o estímulo de que precisava… para avançar. Tudo ao contrário. A primeira maratona “100 maratonas, 100 amigos” foi a que lhe custou mais mas também aquela a que mais significado teve: é uma prova com uma vertente social, as inscrições revertem para várias instituições entre elas o Movimento ao Serviço da Vida, com o qual tem uma ligação estreita (faz parte da Direcção).


Azores Trail

 

Depois disto… veio a maratona de Lisboa e a do Porto… e a Comrades Marathon. Nada mais que uns ‘simples’ 89 quilómetros a subir, na África do Sul. O slogan desta maratona é “It will define you” e definiu, de facto: “a Comrades é a maratona de uma vida”, admite. Mas antes disto, sim… ainda antes, o Nuno se tinha proposto a fazer uma maratona por fim-de-semana. Acontece que um desses fins de semana estava em branco. E agora? Claro que procurou uma alternativa. Havia a prova Challenge Lisboa, um triatlo: nadava, pedalava e corria. Desafio novo. Gostou tanto que… partiu para o IronMan, o triatlo mais difícil do mundo. A estreia foi em Frankfurt mas depois já esteve Sevilha, Lanzarote, Copenhaga, Barcelona, Cascais, Roterdão.

IronMan Copenhaga

E agora? Parar aqui? Nem pensar. Depois de tudo isto, surgiu a ideia de fazer um triatlo nas condições mais difíceis do mundo. Portanto, seriam os IronMan Xtreme. Qual a diferença? Desta vez quase 4 quilómetros a nadar em águas com temperaturas a rondar os 10graus (ou menos), 180 quilómetros a pedalar, sempre a subir, e depois uma maratona, 42quilómetros em condições de montanha, com frio e gelo. Tudo seguido, tudo sem parar. No limite os atletas podem demorar até 17horas para completar a prova. Em todo o mundo, apenas 19 pessoas concluíram estas provas, Nuno foi uma delas:  Norseman (Noruega), Swissman (Suiça) e Celtman (Escócia) a ultima já em 2017. Fazendo as contas, em 4 anos, o Nuno participou em 46 provas, entre Maratonas, Meias-maratonas, Triatlo, IronMan, Trails, Corridas.

 


IronMan Lanzarote

Sim, é viciado na corrida “claro que é um vício que começou por ser uma catarse, mas que hoje é um
vício. Se não corro, sinto falta. E, sendo um vício, é um vício controlado, ou seja, não quero que o
desporto que faço hoje signifique mais do que o meu bem-estar”, assume. Os amigos revelam no livro que “há atletas que fazem uma maratona em 3h30 e depois querem fazem a maratona em 3h25 e depois em 3h25 e assim sucessivamente. Ser cada vez mais rápidos. O Nuno não. O Nuno não quer fazer o mesmo caminho duas vezes. Não lhe interessa o tempo. Ele fez uma maratona e está feita. Agora ele quer fazer uma ultramaratona”. Por isso é que agora o objectivo se chama Maratona das Areias, 250 quilómetros no deserto do Sahara, o percurso muda todos os anos e é composto por 6 estágios em 7 dias. Coisa pouca.

E pronto. É esta a história do Nuno. Ficamos por aqui, certo? Errado.

Soube deste livro através de um convite da Carla Rocha para o lançamento. Assim que li a sinopse achei a história fantástica e pedi para falar com os dois. O Nuno e a Carla foram convidados do Diário da Manhã e, depois, acabámos por combinar um almoço. Foi tudo um bocado tipo blind date. Tal como a Carla, que não conhecia o Nuno, também achei que ía encontrar um ‘maluquinho das corridas’, com calção de lycra, que se inscreve em todas as provas e sabe todos os nomes de suplementos proteicos na ponta da língua. Errado. Profundamente errado. Durante esse almoço, o Nuno repetiu com alguma insistência a frase “não escolhes o que sentes, mas podes escolher o que fazes com isso”. Percebi que esse era um dos seus pontos cardeais, aquelas máximas de vida que se tem mas que também se escolhem ter. Na verdade, quem nunca lidou com a perda? Com o vazio? Com o chão a fugir debaixo dos pés? E depois… qual a solução? Seguir, não é? O que se faz com isso é que muda tudo. A vida ensinou-o a pensar assim. O Nuno começou a correr depois da morte do pai. Na altura não percebeu mas isso veio a salvá-lo, funcionava como uma catarse. “Começas a corrida de uma maneira e acabas de outra”, diz, e essa reinvenção é uma adição. É um vicio, porque faz sentir bem, porque a pessoa não quer parar, só quer mais, novas experiências, novas sensações. Foi esse desejo que o levou às provas mais duras do mundo.


IronMan Frankfurt

Naquela mesa de restaurante percebi que o Nuno era um inconformado (o livro só li depois, logo no dia seguinte, confesso): nas provas de atletismo, de triatlo… e nos negócios… “depois de um MBA no Dubai vim para Portugal com uma vontade imensa de abrir um negócio. Com os amigos, optámos por um negócio de cerveja artesanal. No início era complicado, a distribuição era feita em pequena escala, depois alargámos os objetivos e começou a correr melhor mas a verdade é que o negócio precisava de tempo e nenhum de nós iria deixar os seus empregos para se dedicar exclusivamente aquilo”. Mas a marca existe, a vontade está lá e quando for possível… vai (re) surgir o homem de negócios. Não tenho dúvida que vai acontecer.

Enquanto escrevia esta história perguntei ao Nuno se gostava de Jorge Palma porque me pareceu que sim. Acertei. ‘A gente vai continuar’ diz várias coisas que parecem a vida do Nuno: enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar. Neste caso, enquanto houver pessoas para ajudar, o Nuno vai continuar. Porque este livro é para ajudar a Casa das Cores, os meninos que quando nascem, às vezes, já têm uma ‘prova definida’, um caminho traçado, um destino escolhido e, normalmente, é mau. Mas também… enquanto houver vida e provas e superações… o Nuno lá estará.

Esta história é do Nuno mas foi contada pela Carla Rocha, de forma excepcional. A Carla odeia desporto… ou odiava… já não sei bem. E já tinha escrito uma outra biografia mas… este foi um desafio tão grande que deu por ela “a correr à volta de casa, até ao meu limite, para depois parar e escrever e descrever o que estava a sentir”. Porque ‘tocar os extremos’ cada um saberá o que é: 200metros, 3 quilómetros, 10, 20, 250. Ou, às vezes, nada disto: uma prova de superação é levantar da cadeira, atravessar a estrada, ou apenas andar.

Acredito muito que apenas nós podemos salvar a nossa vida mas há pessoas que podem acrescentar coisas boas à nossa existência. O Nuno é, seguramente, uma delas. A Carla escreveu que é fácil gostar-se do Nuno, que ele é entusiasta, meigo, inconformado. Podia descrever-vos todas as qualidades  numeradas pelos amigos no livro mas não faz sentido. Digo-vos apenas que, no lugar do Nuno, outra pessoa teria avançado para este livro há 2 anos, logo quando surgiu a proposta. Ele não, quis apresentar uma história estruturada, com sentido, com lógica ou seja, quis acabar todas as provas a que se propunha para que a história fosse completa, exemplar.

 

No prefácio da obra, o Professor Gentil Martins recupera o que o padre Henry Didon, católico, afirmou
pela, primeira vez em 1881 «Citius, Altius, Fortius» (o mais rápido, o mais alto e o mais forte) e lembra que ‘ o mais importante não é ganhar mas dar sempre o seu melhor em todas as situações que a vida proporciona’(…) o propagar estes princípios é contribuir para uma sociedade mais valente, mais
forte, mais recta, mais generosa e mais solidária’.

Para terminar, deixo-vos com aquele que é, talvez, o maior ensinamento do Nuno: Se passarmos algo negativo na vida e não aprendermos nada com isso… aconteceu porquê? Vale a pena pensar nisto.


O livro ‘Tocando os Extremos’ estará nas livrarias no próximo mês de fevereiro. As vendas revertem
na totalidade para a Casa das Cores.

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5 Perguntas ao Chefe Manuel Santos

 

O chefe Manuel é o responsável pela cozinha doHotel Vila Baleira na ilha de Porto Santo. Este ano tem 600 pessoas para o jantar de passagem do ano, as mesmas que estão na unidade hoteleira desde dia 29. A logística toda obriga a uma organização tremenda porque o hotel está a funcionar todo o ano. (Mais logo mostro-vos imagens da sala de jantar… Agora ainda não posso! Partilho apenas o nascer do sol nesta ilha fantástica!)

1- O que é mais difícil para fazer está preparação de final de ano?
Tempo. Muitos clientes, os timings tem de ser feitos…. A passagem de ano tem data e hora marcadas e são coisas diferentes do resto do ano. São coisas mais elaboradas que precisam de mais tempo de preparação.

2- E o facto de Porto santo ser uma ilha dificulta tudo, não é?
Sim, a parte da logística, armazenamento tem de ser tudo pensado previamente mais ou menos 1 mês, 1 mês e meio, para ter tudo aqui a nível de matéria prima. Temos as novidades das esculturas de gelo este ano, teve de ser tudo pensado com 2 meses de antecedência para ter tudo aqui a tempo.

3- O que não pode faltar numa noite destas?
Nada. Numa noite destas não pode faltar nada. Tem de ter tudo: desde o serviço, à gastronomia, à decoração… Tudo isto faz a noite de final de ano diferente de todas as outras.

4- E números? Pessoas e quantidades de comida necessários?
A nível de staff na cozinha neste momento somos 16. No restaurante são cerca de 30. Depois há a parte das compras, da organização… No total cerca de 50/60 pessoas envolvidas neste processo. Depois, comida: peito de pato são 40 quilos, lombo de vaca à volta disso também, bacalhau um bocadinho mais, uns 50/60 quilos e leitão, também. Marisco são 30 quilos de camarão e mexilhão. Depois há uma parte importante que é da fruta e dos legumes, não é tanta quantidade mas é muito importante. É o que as pessoas comem mais.

5- E, para um chefe, é mais desafiante uma noite destas ou ter um hotel a funcionar todo o ano?
É desafiante por causa do timing que é pouco, leva-nos ao limite porque temos de estar sempre focados no que temos para fazer e não dá para relaxar. Tenho a minha equipa a trabalhar de manhã à noite, há 3 dias. Se fosse só esta noite, se fossem só os 600 jantares era mais simples mas esses clientes já estão cá desde dia 29, e é preciso pequeno almoço, almoço e jantar. Todo o tempinho que temos, temos de aproveitar para a passagem de ano.
O desafio ainda maior vai ser amanhã… O pessoal vai estar todo de rastos e amanhã é preciso fazer pequeno almoço e Brunch. Volta tudo ao início… Amanhã é que vai ser difícil porque hoje não devemos terminar antes das 3h da manhã.