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HP, parte 2

Pooooois é.

Cá estamos nós outra vez, eu e a HP. Havia esta possibilidade, eu já tinha sido alertada que nem sempre o primeiro tratamento é eficaz. E… não foi. Regressamos mesmo à casa de partida, desta vez, com 3 antibióticos. Parece que a Helicobacter Pylori é uma bactéria inteligente, que se foi moldando aos tratamentos desenvolvidos ao longo dos anos e está cada vez mais resistente. ÓBVIAMENTE que só podia agarrar-se a mim, uma miúda tão espertiiiinha… eu não podia ter uma ‘coisinha’ qualquer, tinha que ser das especiais, das mais chatinhas!

Nem sei bem que vos diga… Soube do resultado há uns dias. Não me surpreendeu, apesar de tudo… eu sentia-a cá. Voltei ao médico (os valores mostram que o tratamento foi quase ineficaz). Avisei os mais próximos, despachei todo o trabalho que podia ficar pendente, pedi desculpa a quem não vou acompanhar nos próximos tempos e enchi o coração de coragem, ar, força, resistência, serenidade. Já comecei a navegar, as vagas são maiores desta vez e ultrapassam bem os 5 metros. Mas tudo passa, tudo começa e termina, nada é para sempre. Só o amor.

Portanto… cá estamos, eu e ela, de novo a acertar contas com a vida, a parar, a dormir a maior parte do dia, em prisão domiciliária. Isso significa, naturalmente e novamente, o meu afastamento nos próximos tempos.

Mas… é claro que vai passar, HP não te enganes, não estou aqui para te dar tréguas. Estou apenas cansada de ti: caramba, miúda, tanto sítio giro para visitar e resolves estar ainda no meu organismo.

Get a life, tá? Que eu tenho mais que fazer.

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Exagerar é bom!

Com as intolerâncias alimentares deixei de comer imensas coisas mas outras tentei substituir. Uma coisa que adoro e, Graças a Deus, não sou intolerante é côco (cruzes!). No outro dia tive uma vontade terrível daqueles bolinhos pequeninos mas… tem ovos. Não dá. Então inventei e fiz uma coisa a que chamei ‘Exagero de Côco’ porque é mesmo assim, um absurdo. Se não gostam assim tanto… é melhor fazer aqui também uma substituição!!!

A receita:

180 grs de tâmaras, pode ser pasta de tâmara (com tâmaras medjol fica melhor)

3 colheres de sopa de côco ralado

1 colher de sobremesa de óleo de côco

1 scoop (medida) de proteína de baunilha

Triturem tudo durante uns minutos ou até obterem uma pasta que dê para fazer bolinhas. Depois, passem as bolinhas por côco ralado (eu avisei que era um exagero) e guardem num frasco. Dá para cerca de 15 bolinhas que podem ser consumidas como sobremesa ou snack e já foram aprovadas pela minha nutricionista, a Dra. Ana Rita Lopes. Podem guardá-las no frigorífico. Aposto que não duram muito tempo!!

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5 Perguntas a Fátima Lopes

Não precisam mesmo que vos apresente a Fátima Lopes, pois não? Apresentadora da TVI e minha amiga. Chegava, só para esta conversa.

1- O que te fascina, todos os dias, na televisão?

O que me fascina são as pessoas e as suas histórias. É maravilhoso perceber como a vida consegue surpreender-nos muito mais do que a imaginação mais fértil do mundo. As muitas lições que recebo através dos testemunhos diários, são de uma riqueza incalculável.

2- O que ainda te falta fazer, dentro e fora da televisão?

Ui, tanta coisa. Em televisão falta-me tempo para fazer mais reportagens, indo aos locais das vivências de alguns convidados. E gostava de ter oportunidade de fazer mais reportagens temáticas, como já fiz algumas, com o meu enfoque e a minha sensibilidade.

3- O que fazes quando não estás na televisão?

Grande parte do tempo dedico-o aos meus filhos. Gosto de participar nas actividades dos meus filhos e fazer programas com eles. Mas também cuido de mim. Faço yoga 3 vezes por semana, retiros espirituais, caminhadas, convívios com os meus amigos. Coisas simples, mas que me fazem feliz.

4- Há mais de um ano lançaste a tua plataforma: Balanço?

É muito positivo, porque aprendemos todos muito. Para muitos dos que nos acompanham, foi a oportunidade de conhecer e mergulhar em áreas que até agora estavam longe da sua vida. Viver de forma saudável e equilibrada, dá muito trabalho, mas são cada vez mais os que se querem atrever a começar a mudar. (Entretanto, o Simplyflow foi lançado com apoio Media Capital, na plataforma IOL). 

5- Tu também és assim… simply flow?

Completamente! Até porque é a forma mais sensata e inteligente de viver. A vida é tão bonita. Porque é que não havemos de a deixar fluir para a conseguirmos saborear ?

 

 

A Fátima tem o melhor abraço do Mundo. E pronto, vou usar esta frase como partida para tudo o resto. O abraço da Fátima é daquelas coisas que percorremos grandes distâncias para ter. Estão a ver aquele momento em que, às vezes, o Mundo pára? É porque está a abraçá-la, só pode. É aquele porto de abrigo, aquele sítio onde podemos baixar os ombros porque não é preciso defendermo-nos de nada, aquele silêncio que diz tudo, aquele conforto que nos enche a alma com a coragem precisa para enfrentar o resto do dia. É o meu caso, eu que tenho a sorte de a abraçar antes do meio dia, seja nos corredores, no guarda roupa ou no recato do seu gabinete. E sim, o abraço é sempre igual em público e em privado, essa é outra das razões para sermos amigas, não há máscaras. Sempre a conheci assim: disponível, afável, carinhosa mas sei que não é para todas as pessoas. É outra das características que mais lhe gabo: discernimento, lucidez. Aprendo tanto com a Fátima, a nível profissional, sempre pronta a aconselhar; a nível pessoal, a fazer crescer. Foi com ela que aprendi que o chakra do amor é verde, a fazer estalinhos com os dedos para invocar boas energias (ahahah… como não?!) a desenvolver o lado mais espiritual e a ver sempre o lado bom da vida, que ainda não estava completamente desenvolvido em mim.

Depois… a sua força. Assim, daquela que arrepia de segura que está, do que enfrenta, do que revela mesmo que por dentro esteja a definhar. Esta mulher é uma força da natureza. É boa pessoa. É inteligente. É divertida. É verdadeira, sabe de onde veio e que regressa para braços quem a ama. É exímia na sua função, o seu trabalho está à vista de todos. Recordo-lhe uma frase que me ficou na memória: ‘somos (nós que trabalhamos em televisão) atletas de alta competição, somos avaliados todos os dias, a cada instante”. Nada mais certo, mais difícil e imediato. (Há outra ainda mas essa vou guardar só para ti) Não é fácil manter a lucidez quando tudo o que mais queremos é… fugir dali. E a Fátima fica, com o maior nível.

É das poucas pessoas com quem me encontro fora da empresa porque tenho um orgulho assim desmedido em ser sua amiga. Quem não conhece esta mulher não sabe o que perde!

 

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E agora, Zuck?

Mark Zuckerberg vai ao Congresso norte-americano esta semana admitir ‘a bondade’ dos fundadores do Facebook. Ou será antes inocência? Falta de visão? Ingenuidade?

O Facebook (FB) surgiu em 2007 quando se deu um boom das grandes potencias digitais (YouTube, Twitter, RB & B) tem mais de 2 biliões de contas, em todo o Mundo, de acordo com a última actualização. Os seus fundadores projectaram a perfeição, como admitem, “o FB é uma companhia idealista e optimista. Durante a maior parte da nossa existência, estivemos focados em todo o bem que  conectar pessoas pode trazer”. Mas a verdade é que a passividade em relação a todo o restante potencial permitiu que alguém aproveitasse a imensa rede que liga pessoas em todo o mundo a uma velocidade estonteante para crescer e praticar o outra lado ‘menos bonito’.

As notícias sucedem-se, o apontar de dedo também (principalmente aos russos) pela intrusão nos mais diversos assuntos, eleições americanas principalmente. Procuram-se razões para as coisas que aconteceram, culpados, mentores.

Esta justificação de que se acreditou no ‘lado idealista’ é lógica? É, não conseguiram perceber o alcance que o FB podia ter  a nível mundial. Num primeiro momento, a rede foi criada para ligar uma comunidade escolar.

Se a explicação é suficiente? Não. Porque surgiu tarde e só depois de provadas as ingerências russas na rede e após o FB perder brutalidades de quantia em bolsa. É óbvio que Zuckerberg tem de assumir esta responsabilidade, é CEO para o bem e para o mal, mas não pode dizer, nesta altura que não imaginava o que pudesse acontecer.

Porque agora…  já ninguém acredita na teoria da ingenuidade. 

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Juntos somos mais fortes? Yes, we are!

Sou pró-Europa. Acredito muito num modelo de União, de concertação de vontades em prol de um objectivo comum. Juntos somos mesmo mais fortes. E não é isso, afinal, a nossa vida? Não pode haver grandes dúvidas. A tarde de domingo foi passada a ouvir quem sabe do assunto: ‘Democracia Europeia: uma ideia cujo tempo chegou?’. Será a democracia que temos suficiente? É preciso fazer mais e melhor? Como? Com que meios?

Ideias partilhadas por um painel de luxo que poucas vezes conseguimos, nós, público, ter tão perto e tão disponível para debater e reflectir. É tão importante ouvir, ouvir, ouvir. Aprender, aprender, aprender.

O Ministro das Finanças de Portugal e Presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, o historiador e fundador do Partido Livre, Rui Tavares, o ex-Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz e o investigador Jan-Werner Müller.

Há várias notas a retirar desta conferência mas o que ficou mais certo foi a ideia que se resume a uma frase de Rui Tavares, “a Europa é indiscutível mas é preciso discuti-la“. É preciso perceber para onde vamos e queremos ir. O Ministro das Finanças lembrou que 74 % dos europeus suportam o Euro, de acordo com dados do Euro Barómetro do outono. Mas também lembrou que, em termos históricos, ” a Europa nunca consegui criar instrumentos que nos unam em objectivos comuns”. E é isto que falta: união, paixão. Sobre isso falou Martin Schulz, muito prático, muito directo, até ao ponto de fazer ir embora o senhor que estava sentado à minha frente. Parece-me que seria pouco entusiasta desta União Europeia (U.E.) e resolveu sair porque já não aguentava os aplausos rasgados. Schulz disse que “a relação entre eleitos e eleitores é que está a afectar a U.E. porque… não existe, não há como chegar às pessoas desta forma carregada, pouco prática de falar da Europa, de mostrar às pessoas por que vale a pena”. E deu 2 exemplos: o Reino Unido e o Brexit e a Grécia e a sua tentativa de enfrentar os credores. Nas diferentes alturas, Schulz reuniu-se com os dois países e recorda o ponto em comum: a paixão, a profunda convicção de que estavam a fazer o correcto pelo seu país, a frase ouvida foi “amo o meu país mais que o meu marido”. E quando assim é… acontece o que aconteceu. Não tão grave no caso grego mas preocupante em termos de coesão, relativamente ao Reino Unido. E a questão surge: como se muda o coração? Como se faz as pessoas sentirem aquilo que não entendem? “Têm de entender, é isso que precisa mudar, é preciso explicar, comunicar com elas, mostrar o que se faz na Europa”, diz. Centeno vai mais longe e fala de uma concertação “de agendas, com tempos políticos, entenda-se, eleições, em todos os países e acabar com o principal entrave para tomar decisões. É um desafio para o futuro, tornar os bancos mais resistentes e os prazos de financiamento mais alargados”. No fundo, a lembrar que “as instituições são incompletas, logo os resultados também, mas que se atravessa um período muito bom, a Europa é um sistema com saldo próximo do equilíbrio, superavit com milhares de euros de poupança.  Só se consegue com mecanismos de confiança com investimentos dos vários países e Portugal está nesse debate”, revelou.

Depois, falou-se de populismo. Era inevitável. Todos concordaram que a política se alimenta de diferenças. O prof. Jan-Werner Müller fez a plateia descer à realidade: “não podemos fazer nada (em relação ao populismo). É uma evolução. Nigel Farage (Brexit) teve colaboradores, não fez tudo sozinho. Foi à televisão, teve apoios de peso, ninguém ‘o tirou das ruas’, houve apoio”. E, acrescenta, não podemos fazer nada e é preciso perder a ideia de pessoas perigosas, que usam políticas perigosas. Só devemos estar atentos, mesmo com a possibilidade de saída de outros países”.

A comparação entre U.E. e Estados Unidos da América (E.U.A.) surgiu a cada pausa da conversa. “Na Europa a questão dos direitos humanos é fundamental. Aqui, uma das condições básicas para aderir é que um Estado não tenha pena de morte. Mas o Presidente dos E.U.A. não pode decidir se o Texas tem pena de morte, por exemplo”, lembraram. E a verdade é essa, as pessoas não percebem onde vivem, quais os direitos que detêm, quais os seus deveres, também. É preciso que lhes expliquem. Convenhamos, em Portugal, qual a taxa de abstenção das últimas eleições europeias? Foi a maior de sempre, com 66,2 % (dados PORDATA). Assim… não vamos lá.

Rui Tavares pede que a U.E. se comporte como “um clube, que deve eleger na Assembleia da República os dois representantes permanentes de Portugal no Conselho Europeu, para facilitar a negociação dos tratados, racionalizando a sua política”. E termina “nenhuma democracia nacional perde por se virar uma democracia europeia. Ganham todos. O tempo já chegou há muito“.

Está aqui a resposta.

 

 

 

 

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A política criativa

Sou muito defensora da criatividade, dos rasgos de novidade e da capacidade de inovar. Gosto de ser surpreendida, gosto mesmo e estou sempre a pedir HU-MA-NI-ZA-ÇÃO na comunicação, os meus alunos já sabem que é a’palavra mágica’. Por isso, quando me cruzo com qualquer coisa que me chama a atenção… não hesito e registo. Aqui a humanização é relativa e não quero acreditar que a inspiração vem do Pintrest.

Há dias em que ando mais cansada ou a memória do telefone também já acusa exaustão mas ontem estava tudo certinho… Eu, parada numa fila de trânsito, 17h45, acesso à CRIL e vejo este cartaz. A minha alma fica parva. Este cartaz é real, não é fake news nem montagem. Quero acreditar que a escolha do local para o colocar foi tão pouco inocente como a mensagem que carrega.

Vamos lá à semiótica desta mensagem. Tudo aqui é digno de registo, tudo o que está em torno do óbvio é motivo de análise: um partido que concorria às eleições autárquicas em Loures coligado com o CDS-PP, que deixou de o estar devido às declarações do seu cabeça de lista sobre os ciganos (o CDS-PP retirou o apoio, quem não se lembra disto?!), um candidato polémico que não pediu desculpa, não retirou as declarações e ainda acrescentou mais qualquer coisa, que insiste, neste cartaz, que diz A VERDADE (assim mesmo, em maiúsculas), que faz oposição na vereação de uma câmara liderada pelo PCP e Bernardino Soares.

Não sei que vos diga… acho que não dá muita vontade de fazer festinhas a este gatinho até porque se fica sempre na dúvida: Quem vê o gato? Quem vê o leão? Quem é um e quem é o outro? Cada um vê o que mais lhe convém, é típico do ser humano, na política também (é feita por pessoas) tentar procurar ‘a música para os seus ouvidos’. Nitidamente, isso está a acontecer com o PSD. Este cartaz pode ser utilizado unicamente em Loures? Parece-me que Rui Rio podia aproveitar criatividade toda e ensaiar o rugido, isto se quiser ser o rei da selva, pelos visto em Loures já começaram. Eu ainda dava umas boas gargalhadas, de manhã. Animação, por favor, é urgente e precisa-se na classe política portuguesa.

 

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O que fica dos 33. 6 de 7

Aos 33 pratiquei, finalmente, o desapego! Não é fácil, especialmente quando se vive com a ideia (errada) de que precisamos de muito para viver: muito espaço, muitas coisas e muitas pessoas. E depois a outra parte: muita realização que só se consegue com uma agenda cheia de compromissos. Nada mais errado.

Precisamos só de quem nos faz bem. Neste ano que termina aprendi a libertar-me de pessoas tóxicas, mesmo que não percebesse que o eram. Nem sempre conseguimos ter discernimento para ver isso, daí que quem está de fora veja muito melhor que nós. Às vezes… é preciso recuar, respirar e olhar de novo e perceber que afinal… nada nos prende ali. Isto é válido para todas a gente: conhecidos, amigos, família. ‘Deixar ir’ foi das provas de sobrevivência mais exigentes da minha vida. Mas, a partir do momento em que acontece, acontece para sempre. Tenho um defeito, que me ajudou muito neste processo: quando o meu coração gela, não há qualquer outra hipótese. E eu sei, eu sinto. Até posso tentar, dar outra oportunidade mas… quando a desilusão se instala, meus amigos, já era. Antes, insistia mais, os 33 ajudaram-me a ‘poupar tempo’. A vida é o que é. Sim, tive umas situações (estupidamente) mais difíceis que outras mas não temo ter agido de forma errada. Estou muito tranquila com essas decisões. Afinal, somos nós que mostramos como gostamos de ser tratados. Certo?

As coisas… só coisas. Objectos que são só isso. Por vezes foi/é difícil consegui-los, admito, mas isso não nos pode deixar reféns para sempre. Se já cumpriu o propósito há outra pessoa que precisa mais do que nós. Seguramente, muito mais que nós. O dinheiro é papel, foi das maiores lições da minha vida. Faz-nos falta para viver com o mínimo conforto mas… é só papel. Dá-nos acesso a coisas extraordinárias… mas é só para isso que serve. Para quê querer ter muito se depois falta o tempo e, às vezes, a saúde para o gozar? Apliquem-no bem, ajudem pessoas, proporcionem-se experiências únicas, é isso que levamos desta vida, caramba.

Todos os dias me deito e levanto muito tranquila: não dependo de nada nem de ninguém. Nunca dependi. Esse é o meu maior orgulho. Posso perder hoje tudo o que tenho, que amanhã começo do zero. Não, do -1. E vou conseguir fazer tudo outra vez. Como disse numa entrevista no final de 2017, ‘se deixar de ser jornalista posso ser outra coisas qualquer’ e posso! Ah, posso mesmo!

Aprendi a receber o que Universo me quiser oferecer, estou nessa situação de braços bem abertos, acreditem. Sei que nem sempre é bom (…) e por isso também já aprendi a agir de forma a que isso não me desgaste, não me seque por dentro, não me deixe exausta. Esse é o meu superpoder! A vida é o que é e há coisas que não controlamos. É só isso. Sou uma pessoa muito bem resolvida, sem cobranças para fazer nem contas para acertar e também não deixo que mo façam a mim. Somos todos pessoas, cheios de virtudes e defeitos. Vamos é viver!     

Cada vez acredito mais nesta hashtag #pessoasqueprecisamdepessoas

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O que fica dos 33. 5 de 7

Aos 33 repeti a amarga experiência do luto. Sim, também houve momentos de profunda tristeza neste ano que termina.

O preto é, por defeito cultural, a cor escolhida para representar a perda, a ausência de alguém que não mais volta… Para mim, não. Para mim, a cor do luto é o branco: a total imensidão, ao mesmo tempo que acalma, que sossega, que transmite paz. Como esta fotografia da nuvens, daquilo que existe acima de nós, do que não conseguimos ver nem é, sequer, palpável. E isso também faz parte do processo.

Recupero o que escrevi no final de 2017:

“Os 33 levaram-me uma pessoa que amo. E nunca vou deixar de amar. Um pessoa que me ensinou o sentido da família, que me ensinou a amar mesmo quando não é tudo perfeito. A falta é brutal, mesmo à distância… a falta é brutal. O amor pode ter várias formas. A distância física é muito pouco quando se ama alguém que foi um exemplo para nós. E que, sabemos, nos amava de volta. Mas não quero ficar na perda… Quero celebrar a sua vida. A imensa gratidão de o ter tido comigo 33 anos, de me ter dado nome, de me ter embalado e baptizado. As lições que deu. O dever que cumpriu. O olhar meigo, a bondade, o discernimento, a inteligência… Sim, era o mais inteligente de todos nós. As salvas no seu funeral que ainda hoje ecoam na minha cabeça lembram-me isto tudo”.

E sobre isto, não pretendo dizer mais nada. Não posso, mesmo, dizer mais nada. Porque eu ainda não fiz este luto e não sei se o conseguirei fazer.

Mas, infelizmente, os 33 levaram-me outra pessoa, talvez um dos primeiros responsáveis por aquilo que sou hoje. No seu funeral li-lhe uma pequena homenagem. Quando terminei, choravam todos menos eu, que não podia. O meu professor de História e Geografia de Portugal, Emílio Serra, cego, um homem FABULOSO. Pediram-me para partilhar o texto e hesitei sempre… agora é o momento.

“Querido amigo, a primeira coisa que lhe quero dizer é ‘desculpe’.
Por não ter chegado a tempo. Soube há poucas semanas que estava doente e a vida que me incentivou a seguir não deixa tempo para muito. Ou para quase nada.
E se aqui estou é por sua causa. Essa é a segunda coisa que lhe quero dizer. Há mais de 20 anos levou-me a um estúdio de rádio… Tudo começou aí, nessa segunda feira na Rádio Tágide, o programa chamava-se ‘Letras Sonoras’. O resto da história já sabemos.
Consigo ouvir agora a sua bengala a bater na tijoleira das escadas do bloco onde tínhamos aula. A sala 7, se não me falha a memória, era a sua. Nós, miúdos, nem conseguíamos perceber como lia braille. Foi das primeiras lições que nos deu. Mas houve mais: Ensinou-nós a ir contra a corrente quando dinamizou uma escola, levantou um grupo de teatro e o fez resistir várias décadas. Mostrou o que era a resiliência quando contou a história de uma namorada com quem não casou poque os pais imploraram pela alma do irmão que não casasse com um homem cego.
Era isso que o tornava especial. O facto de lhe faltar um sentido apurava todos os outros e também nos fez perceber isso. Era um profundo conhecedor de todas as matérias. Figura pouco consensual, aliás nunca o ouvi dizer que queria agradar a todos… sabia bem que esse era o caminho para o fracasso.
Poucas coisas o emocionavam como uma estreia de uma peça de teatro ou uma conversa em torno de uma mesa. Obrigada por nos ter dado também essa experiência, de uma riqueza imensa e que hoje ainda todos recordamos.
Fomos amigos 23 anos. E mesmo não estando juntos muitas vezes sei que nos compreendíamos como poucos.
Obrigada por ter sido o primeiro a acreditar em mim e naquilo que eu sou hoje, pelas mensagens no natal, e pela companhia de manhã.
Até sempre”.