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O que fica dos 33. 4 de 7

Os 33 foram o ano das intolerâncias alimentares. E os 34 vão ser o ano da dedicação a este assunto mas… uma coisa de cada vez! Aceitar, é a palavra.

Neste ano que termina fui obrigada a perceber que mudamos, também fisicamente. O nosso metabolismo acelera ou diminui e o nosso organismo reage de forma mais eficaz a tudo o que nos faz mal (principalmente) como que uma campainha que só para de soar quando deixamos de nos sacrificar com coisas que não fazem sentido. A primeira lição foi com o chocolate (ainda antes dos 33) ao ponto de pensar que podia estar associado outro problema mais grave- a reacção era uma brutalidade de aftas que se sucediam, sem dó. Cheguei a ter 7 em simultâneo e só percebi que era do cacau (só comia chocolate com mais de 75 % de cacau) porque fui fazendo uma série de experiências, sozinha.

Depois, os ovos. Um episódio de intolerância e mais 2 recaídas não deixavam grande margem para dúvidas. Foi terrível porque consumia ovos principalmente em situação de pré e pós-treino e são uma boa fonte de proteína. Tive de deixar e encontrar alternativas, ainda não tenho nenhuma que seja tão eficaz. Depois, a minha tendência é para um regime cada vez mais isento de proteína animal: dou preferência ao peixe, sempre, mas quando posso evito.

Uma análise sanguínea fez-me perceber o quadro todo: glúten, lactose, milho, salmão (sushi nem vê-lo), cavala, amendoim, cajú, avelãs, cenoura, lentilhas, soja, ovos, fermento, castanha do pará. Estas são as intolerâncias máximas porque nem vos vou enumerar a lista de alimentos ‘a consumir com moderação’. Visto isto… é aceitar e adaptar. Fui à dispensa e tirei tudo o que não podia consumir, fiquei quase sem nada mas reabasteci. Sem exageros que sou absolutamente contra o desperdício. Acabaram-se ‘as porcarias’, não posso e mesmo que consuma, garanto que não compensa porque os efeitos são horríveis e eu já tenho a minha parte de sofrimento. Não assim tão inconsciente. Naquela lista estão alimentos que fazem parte da alimentação mediterrânica e que todos os profissionais de saúde apregoam como maravilhosos e são, eu é que não os posso consumir. Quando vou comer fora e peço uma sopa, a de legumes está sempre excluída, haverá alguma que não tenha cenoura? Pois…

A parte boa? A minha alimentação é cada mais saudável, mais básica, muito Paleo, ainda que de forma inconsciente.

A parte má? Alguns dos alimentos alternativos são mais caros e nem sempre se encontram. Prometo que também vos vou ajudar nisto, nos próximos tempos.

Exemplo disso é o meu pequeno almoço de hoje, é fim de semana, mereço um bonús: Galão de leite de arroz, maçã sem casca (nunca mais vou conseguir casca… cheira-me) com um bocadinho de canela e pão de espelta e matcha com creme vegetal e um bocadinho de doce de morango caseiro (feito por mim). Eu não me imaginava a comer isto. Mas é bom, acreditem.

 

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O que fica dos 33. 3 de 7

O blog. O meu projecto mais pessoal.

Mais do que um simples espaço onde publico posts, é um espaço onde partilho coisas, onde vos falo de mim. Sim, também gosto de batons e sapatos, não falo só de bactérias e tecnologia, não conto só histórias de pessoas maravilhosas que encontro pelo caminho, nem mostro imagens es-pec-ta-cu-la-res da NASA. Ainda que as minhas colecções de uns e outros sejam demasiado curtas, posso mostrar os favoritos. Um dia, quem sabe, isso vai acontecer… já me deram uma ideia!

Mas aqui o que quero principalmente partilhar são emoções, são experiências positivas, coisas boas, boa energia, alegria e felicidade. E isso aconteceu no dia 13 de Outubro, dia em que reuni algumas das pessoas-luz (adoro esta expressão e morro de pena que não tenha sido inventada por mim!) para celebrar!!! Sim, porque a vida tem de ser celebrada: o bom, o mau, quando as coisas acontecem na nossa vida, devemos ter o ‘comité de sábios’ (mais uma que não é da minha autoria, damm…) a quem recorrer e que nos ajudam, que nos abraçam e nos aconchegam e nos dizem… que vai tudo correr bem. Mais, fazem-nos acreditar nisso. Eu sei que também sou isso na vida deles. E só posso estar feliz, o sentimento e palavra predominantes neste dia.

Quando os convoquei para um brunch, poucos sabiam do lançamento do blog, disse apenas que ‘ía ter um filho’. Íam tendo um ataque cardíaco, acho que alguns até acreditaram!! Por isso, fui presenteada de forma correspondente: fraldas e loção hidratante! Até posso caminhar sozinha mas na hora de atravessar a estrada, acreditem, surge sempre o meu ‘exército sem medo’ (esta é minha! YES!). Não sei se já vos disse… tenho os melhores amigos do mundo. Os que se alegram pelas conquistas, sem mentira, sem inveja, nem frustrações. E isso é tão difícil hoje em dia. E disse ‘difícil’? Queria mesmo dizer ‘raro’. 

Pela primeira vez… a fotografia de todos os que estiveram naquele dia, naquele brunch, que riram, que abraçaram, que deram força, que apertaram quase até saltarem os olhos, que acreditaram até mais do que eu… Falta gente aqui, daquela que me ampara todos os dias. São só meus. E eu tenho tanta sorte.

P.S.– Quando um filho meu chegar, a forma de o revelar vai ser muuuuuito mais gira! Descansem, não está para breve!

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O que fica dos 33. 2 de 7.

Aos 33… voltei ao Porto Santo. Voltei três vezes: uma em reportagem, outra nas férias e depois no final de ano. A palavra que levo daqui é energia.

Podem não acreditar mas quando se aterra no Porto Santo a alma é inundada da mais profunda paz, da mais real serenidade. É como se o ar que por lá se respira fosse mais puro- ali raramente tenho crises alérgicas, levo a bomba da asma (amiga fiel) apenas para usar em SOS. Nunca foi precisa. Nunca há risco de comer coisas menos boas, o que a terra dá, é do melhor que pode existir: o tomate é doce, a batata doce é mais perfumada ainda, o maracujá-banana é tão sumarento e o physalis é mesmo biológico. Já tentei comprar para trazer mas como-os sempre, antes da viagem. Não dá. Desta vez só evitei mais o bolo do caco mas vinguei-me nas lapas.

Gosto muito desta fotografia porque me mostra a tranquilidade que sempre ali encontro. As férias do verão foram um lavar de alma, um renascer, um começar de novo, a implosão. Nada mais foi igual. No dia que cheguei aconteceu o mesmo de sempre: dormi profundamente e durante muitas horas. Que banal, não é? Parece tão simples desligar, ‘puxar a ficha e perder a corrente’. Mas não é. Precisava muito fazer isso, vinha de um ano extenuante, e ali aconteceu assim. Fiz do colme da praia o meu poiso mais constante e durante 10 dias não fiz rigorosamente nada a não ser descansar. Já conheço de cor as tábuas do passadiço da praia, os puffs do bar, as poltronas do beach club onde tantas tardes me perdi a ler, as espreguiçadeiras onde apanhei escaldões (adormeci ao sol…)… Mas parece que é sempre a primeira vez. É sempre regressar a casa. Ali, a minha profissão não interessa para nada, não importa se tenho uma jóia bonita, a marca dos meus sapatos ou qual o meu peso. Ali importa a essência, a energia, a verdade do que somos e do melhor que conseguimos ser. Ali nem é preciso carro, que se faz tudo a pé. No ano passado, por causa dos ventos fortes no Funchal, a ilha ficou sem abastecimento de comida e outras coisas. Não foi preciso muito tempo para recuar à existência básica, apesar das imensas reservas: precisamos de pouco para viver e de menos ainda, para sermos felizes.

A ilha de Porto Santo é mágica: une pessoas, fá-las encontrarem-se. Conheci ali quem vai comigo para o resto da vida: o Hugo, o Rui, a Andrea, o Bruno, a Dalila, o Miguel, a Margarida, a Andreia, o Roberto, o Nélio.

Ali, o mar é mais azul, de um azul que não encontro mais, de vários tons como se uma paleta fosse colocada na nossa frente, a cada passo na areia. Percorrer os 9 quilómetros de praia é algo único. Neste momento em que vos escrevo, sinto o ar no cara, ouço as pessoas e tenho areia debaixo dos pés. Porto Santo é um postal verdadeiro que acontece perante os nossos olhos em tempo real: miradouros, paisagens completamente diferentes entre o Norte e o Sul da ilha, o Ilhéu da Cal e o do Farol, fragatas afundadas para mergulho, passeios a cavalo, um pontão digno de filme, tratamentos com areia (psamoterapia) e com água (talassoterapia, a maior do país) que nos fazem sentir nas nuvens, vão por mim. Nas nuvens! Nesta ilha parece que nunca faz frio, ao ponto de se tomar banho no final de ano, o sol não engana! Depois há a parte segura: as coisas ficam todas e ninguém mexe, no espaço de 100 metros não há toalhas à nossa volta e… a pista do aeroporto chega de uma ponta à outra da ilha, já imaginaram sítio mais seguro para aterrar? Morro de medo da pista do Funchal, pronto, já disse!

A ilha de Porto Santo foi descoberta em 1418, por João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo mas o nome mais sonante é o de Cristóvão Colombo. Diz-se, sem certezas históricas da data, que Colombo passou pela ilha para se refugiar de um temporal e… apaixonou-se. Era por isso um ‘porto seguro’… E para mim também passou a ser. Porque será?

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Semana 6.

E chegámos à sexta (e última) semana de dieta Low FoodMaps, quis o destino que fosse no Dia Mundial da Felicidade. Sim, eu estou feliz porque me sinto bem. Finalmente.

6 semanas da restrição que vos contei e que me ajudaram e muito a recuperar a força. Voltei a comer hidratos, coisa que fazia em menos quantidade (ou quase nenhuma) porque teve mesmo de ser… não tinha força, não tinha resistência e para voltar ao ginásio tinha de procurar a primeira para conseguir a outra. De resto, posso dizer-vos que não me custou rigorosamente nada. Eu já tinha muitos cuidados. A regra sempre igual: 1/4 do prato com proteína, 1/4 com hidratos e o restante com legumes.

Neste tempo eliminei vários alimentos. Aconteceu que alguns que faziam parte deste regime estavam também na minha lista de intolerâncias: glúten, lactose, ovos, milho, cenoura, salmão, chocolate, leguminosas. Outros passei a consumir de forma muito doseada: batata doce (partiu-me o coração, mesmo), queijo, espargos, bróculos, grelos. O que me custou mais? Deixar de comer fruta com casca (tem muita fibra e não podia ser, agora) e sushi… não como há 3 meses. Só não estou a ressacar porque bloqueei a memória gustativa do meu cérebro (gostava tanto de ser capaz…). Pronto, assumo, estou a morrer por sushi mas é o que é, não dá não dá. Depois, outras coisas que percebi que me faziam mal: banana e atum. Tenho imensa dificuldade em fazer a digestão destes dois alimentos, o que, no caso da banana é bastante dramático: quando deixei os ovos, passou a ser a minha opção no pré-treino.

Depois, passei a andar com 2 lancheiras com fruta fresca, galetes de arroz e pouco mais. E claro… refeições fora só com a garantia que seria qualquer coisa grelhada e sempre acompanhada de legumes.

Agora é re-introduzir alimentos. A Dra. Ana Rita queria que o primeiro fosse o glúten mas já conversamos sobre isso e vamos passar a outro.

De resto, regressei ao ginásio 3 vezes por semana e agora almoço antes e tudo com muita calma. Outra das grandes novidades no meu dia é que a lancheira também inclui o almoço. É um desses exemplos que vos deixo, um almoço dos meus em que incluo um super alimento: a quinoa. Não é consensual porque tem imensa fibra mas eu consumo em quantidades pequenas, é mesmo só antes do treino. Aqui, usei curgete que fiz no forno só temperada com um fio de azeite e coentros e espinafres, cozidos a vapor, acrescentei ainda umas nozes e pronto.

Bom treino para mim e bom apetite para vocês.