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A política criativa

Sou muito defensora da criatividade, dos rasgos de novidade e da capacidade de inovar. Gosto de ser surpreendida, gosto mesmo e estou sempre a pedir HU-MA-NI-ZA-ÇÃO na comunicação, os meus alunos já sabem que é a’palavra mágica’. Por isso, quando me cruzo com qualquer coisa que me chama a atenção… não hesito e registo. Aqui a humanização é relativa e não quero acreditar que a inspiração vem do Pintrest.

Há dias em que ando mais cansada ou a memória do telefone também já acusa exaustão mas ontem estava tudo certinho… Eu, parada numa fila de trânsito, 17h45, acesso à CRIL e vejo este cartaz. A minha alma fica parva. Este cartaz é real, não é fake news nem montagem. Quero acreditar que a escolha do local para o colocar foi tão pouco inocente como a mensagem que carrega.

Vamos lá à semiótica desta mensagem. Tudo aqui é digno de registo, tudo o que está em torno do óbvio é motivo de análise: um partido que concorria às eleições autárquicas em Loures coligado com o CDS-PP, que deixou de o estar devido às declarações do seu cabeça de lista sobre os ciganos (o CDS-PP retirou o apoio, quem não se lembra disto?!), um candidato polémico que não pediu desculpa, não retirou as declarações e ainda acrescentou mais qualquer coisa, que insiste, neste cartaz, que diz A VERDADE (assim mesmo, em maiúsculas), que faz oposição na vereação de uma câmara liderada pelo PCP e Bernardino Soares.

Não sei que vos diga… acho que não dá muita vontade de fazer festinhas a este gatinho até porque se fica sempre na dúvida: Quem vê o gato? Quem vê o leão? Quem é um e quem é o outro? Cada um vê o que mais lhe convém, é típico do ser humano, na política também (é feita por pessoas) tentar procurar ‘a música para os seus ouvidos’. Nitidamente, isso está a acontecer com o PSD. Este cartaz pode ser utilizado unicamente em Loures? Parece-me que Rui Rio podia aproveitar criatividade toda e ensaiar o rugido, isto se quiser ser o rei da selva, pelos visto em Loures já começaram. Eu ainda dava umas boas gargalhadas, de manhã. Animação, por favor, é urgente e precisa-se na classe política portuguesa.

 

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A fome e a fartura

Às vezes é mesmo assim… E Constância está habituada a ver de tudo. Quando há uns tempos visitei a vila havia fome (ou sede) de água, o Tejo ía tão vazio que metia dó, a situação era mesmo complicada. Mas a verdade é que desde miúda me habituei a ver a vila inundada no inverno. Eu e todas as pessoas, penso, e por isso foi tão difícil lidar com a seca.

Quando passei, nestes últimos dias, o nível das águas já estava mais baixo e o parque de estacionamento operacional mas a rotina é sempre a mesma: retirar as coisas das casas e estabelecimentos comerciais mais próximos do rio e depois… esperar: esperar que suba e esperar que desça, sem fazer grande estrago.

Todos os anos havia a expectativa de até onde chegaria, agora, o caudal? Na Praça do Pelourinho há marcas das piores cheias de sempre, nos anos 70. Ainda hoje fico impressionada e a pensar ‘como foi possível?’ mas foi.

Agora está mais baixo, mesmo a tempo para as Festa da Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira dos pescadores que faziam vida no Tejo, e que acontece sempre no fim de semana da Páscoa. Começam hoje, portanto. 

Ali em baixo encontram-se Tejo e Zêzere, num cenário quase idílico. Vivi neste concelho até aos 12 anos e não me esqueço nunca onde pertenço. Sou uma sortuda.

(Por ali também passou Camões mas isso fica para a próxima.)

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O que fica dos 33. 7 de 7

Dos 33 fica o amor! O amor de tantas formas, com tantas matizes, com tantas cores e tantos sorrisos. Dos amigos, da família, daqueles que escolhemos… e o nosso. Primeiro sempre o nosso amor próprio e depois o outro. Os 33 devolveram-mo e em bom, em mais forte, mais coeso, mais consciente, mais real.

O amor tem um limite: chama-se dignidade. Li esta frase algures, já nem me lembro bem onde, mas nunca mais me esqueci. Não vale tudo, não se aguenta tudo, não se esquece tudo nem se pode querer tudo. Isso, simplesmente, não existe. A perfeição não existe e ainda bem. É por isso que há pessoas mais ‘adaptáveis’ que outras, mais ‘suportáveis’ que outras, mais tolerantes que outras.

Aos 33 li um livro que me vai marcar para sempre: ‘Amor Zero’ de Iñaki Piñuel. Está tudo ali: tudo o que não precisamos que sintam por nós, que não podemos deixar que nos façam. Concretamente, este livro fala de psicopatas e também de narcisistas. O autor admite que, ao longo da vida, nos cruzamos com 60 destas pessoas. E a lição aqui é saber distingui-las das outras e assumir, de uma vez, que não as merecemos. Não as merecemos. O erro de casting é só delas.

Mas não me vou demorar porque quero mesmo é falar-vos do amor pela positiva. Este ano, a minha irmã do meio (irmã do coração, quase como se de sangue) fez-me madrinha da Laura. Este passo vai manter-nos unidas para sempre, se é que já não ía acontecer, e isso é de um amor brutal, de uma confiança cega, de uma partilha inestimável. A Laura é um ‘bebé alegria’, como a Inês a baptizou: está sempre a rir, come a rir, anda a rir, olha para nós a rir, passa uma tarde comigo no carro, sempre a rir. Sim, também faz birrinhas e até chorou no momento do baptismo mas… nunca vi um bebé assim, desculpem a prepotência. Percebem qual a lição que a Laura já nos deu? Que é preciso sorrir, é preciso alegria, que tudo faz mais sentido se for assim, que se torna mais fácil se formos (ou tentarmos ser) felizes. E nós sorrimos apenas porque ela sorri.

Eu já era madrinha da Lara que, aos 13 anos, está mais alta que eu, calça um número maior que o meu, é um génio a matemática e a tocar guitarra (não sai à madrinha) e ainda diz que eu tenho ‘cabelos prateados’ e ‘linhas’ no rosto. Prooooonto, a Laura vai demorar mais tempo a dizer essas coisas (uff…) mas também ainda não dá estes abraços bons!

 

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O que fica dos 33. 6 de 7

Aos 33 pratiquei, finalmente, o desapego! Não é fácil, especialmente quando se vive com a ideia (errada) de que precisamos de muito para viver: muito espaço, muitas coisas e muitas pessoas. E depois a outra parte: muita realização que só se consegue com uma agenda cheia de compromissos. Nada mais errado.

Precisamos só de quem nos faz bem. Neste ano que termina aprendi a libertar-me de pessoas tóxicas, mesmo que não percebesse que o eram. Nem sempre conseguimos ter discernimento para ver isso, daí que quem está de fora veja muito melhor que nós. Às vezes… é preciso recuar, respirar e olhar de novo e perceber que afinal… nada nos prende ali. Isto é válido para todas a gente: conhecidos, amigos, família. ‘Deixar ir’ foi das provas de sobrevivência mais exigentes da minha vida. Mas, a partir do momento em que acontece, acontece para sempre. Tenho um defeito, que me ajudou muito neste processo: quando o meu coração gela, não há qualquer outra hipótese. E eu sei, eu sinto. Até posso tentar, dar outra oportunidade mas… quando a desilusão se instala, meus amigos, já era. Antes, insistia mais, os 33 ajudaram-me a ‘poupar tempo’. A vida é o que é. Sim, tive umas situações (estupidamente) mais difíceis que outras mas não temo ter agido de forma errada. Estou muito tranquila com essas decisões. Afinal, somos nós que mostramos como gostamos de ser tratados. Certo?

As coisas… só coisas. Objectos que são só isso. Por vezes foi/é difícil consegui-los, admito, mas isso não nos pode deixar reféns para sempre. Se já cumpriu o propósito há outra pessoa que precisa mais do que nós. Seguramente, muito mais que nós. O dinheiro é papel, foi das maiores lições da minha vida. Faz-nos falta para viver com o mínimo conforto mas… é só papel. Dá-nos acesso a coisas extraordinárias… mas é só para isso que serve. Para quê querer ter muito se depois falta o tempo e, às vezes, a saúde para o gozar? Apliquem-no bem, ajudem pessoas, proporcionem-se experiências únicas, é isso que levamos desta vida, caramba.

Todos os dias me deito e levanto muito tranquila: não dependo de nada nem de ninguém. Nunca dependi. Esse é o meu maior orgulho. Posso perder hoje tudo o que tenho, que amanhã começo do zero. Não, do -1. E vou conseguir fazer tudo outra vez. Como disse numa entrevista no final de 2017, ‘se deixar de ser jornalista posso ser outra coisas qualquer’ e posso! Ah, posso mesmo!

Aprendi a receber o que Universo me quiser oferecer, estou nessa situação de braços bem abertos, acreditem. Sei que nem sempre é bom (…) e por isso também já aprendi a agir de forma a que isso não me desgaste, não me seque por dentro, não me deixe exausta. Esse é o meu superpoder! A vida é o que é e há coisas que não controlamos. É só isso. Sou uma pessoa muito bem resolvida, sem cobranças para fazer nem contas para acertar e também não deixo que mo façam a mim. Somos todos pessoas, cheios de virtudes e defeitos. Vamos é viver!     

Cada vez acredito mais nesta hashtag #pessoasqueprecisamdepessoas

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O que fica dos 33. 5 de 7

Aos 33 repeti a amarga experiência do luto. Sim, também houve momentos de profunda tristeza neste ano que termina.

O preto é, por defeito cultural, a cor escolhida para representar a perda, a ausência de alguém que não mais volta… Para mim, não. Para mim, a cor do luto é o branco: a total imensidão, ao mesmo tempo que acalma, que sossega, que transmite paz. Como esta fotografia da nuvens, daquilo que existe acima de nós, do que não conseguimos ver nem é, sequer, palpável. E isso também faz parte do processo.

Recupero o que escrevi no final de 2017:

“Os 33 levaram-me uma pessoa que amo. E nunca vou deixar de amar. Um pessoa que me ensinou o sentido da família, que me ensinou a amar mesmo quando não é tudo perfeito. A falta é brutal, mesmo à distância… a falta é brutal. O amor pode ter várias formas. A distância física é muito pouco quando se ama alguém que foi um exemplo para nós. E que, sabemos, nos amava de volta. Mas não quero ficar na perda… Quero celebrar a sua vida. A imensa gratidão de o ter tido comigo 33 anos, de me ter dado nome, de me ter embalado e baptizado. As lições que deu. O dever que cumpriu. O olhar meigo, a bondade, o discernimento, a inteligência… Sim, era o mais inteligente de todos nós. As salvas no seu funeral que ainda hoje ecoam na minha cabeça lembram-me isto tudo”.

E sobre isto, não pretendo dizer mais nada. Não posso, mesmo, dizer mais nada. Porque eu ainda não fiz este luto e não sei se o conseguirei fazer.

Mas, infelizmente, os 33 levaram-me outra pessoa, talvez um dos primeiros responsáveis por aquilo que sou hoje. No seu funeral li-lhe uma pequena homenagem. Quando terminei, choravam todos menos eu, que não podia. O meu professor de História e Geografia de Portugal, Emílio Serra, cego, um homem FABULOSO. Pediram-me para partilhar o texto e hesitei sempre… agora é o momento.

“Querido amigo, a primeira coisa que lhe quero dizer é ‘desculpe’.
Por não ter chegado a tempo. Soube há poucas semanas que estava doente e a vida que me incentivou a seguir não deixa tempo para muito. Ou para quase nada.
E se aqui estou é por sua causa. Essa é a segunda coisa que lhe quero dizer. Há mais de 20 anos levou-me a um estúdio de rádio… Tudo começou aí, nessa segunda feira na Rádio Tágide, o programa chamava-se ‘Letras Sonoras’. O resto da história já sabemos.
Consigo ouvir agora a sua bengala a bater na tijoleira das escadas do bloco onde tínhamos aula. A sala 7, se não me falha a memória, era a sua. Nós, miúdos, nem conseguíamos perceber como lia braille. Foi das primeiras lições que nos deu. Mas houve mais: Ensinou-nós a ir contra a corrente quando dinamizou uma escola, levantou um grupo de teatro e o fez resistir várias décadas. Mostrou o que era a resiliência quando contou a história de uma namorada com quem não casou poque os pais imploraram pela alma do irmão que não casasse com um homem cego.
Era isso que o tornava especial. O facto de lhe faltar um sentido apurava todos os outros e também nos fez perceber isso. Era um profundo conhecedor de todas as matérias. Figura pouco consensual, aliás nunca o ouvi dizer que queria agradar a todos… sabia bem que esse era o caminho para o fracasso.
Poucas coisas o emocionavam como uma estreia de uma peça de teatro ou uma conversa em torno de uma mesa. Obrigada por nos ter dado também essa experiência, de uma riqueza imensa e que hoje ainda todos recordamos.
Fomos amigos 23 anos. E mesmo não estando juntos muitas vezes sei que nos compreendíamos como poucos.
Obrigada por ter sido o primeiro a acreditar em mim e naquilo que eu sou hoje, pelas mensagens no natal, e pela companhia de manhã.
Até sempre”.

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O que fica dos 33. 4 de 7

Os 33 foram o ano das intolerâncias alimentares. E os 34 vão ser o ano da dedicação a este assunto mas… uma coisa de cada vez! Aceitar, é a palavra.

Neste ano que termina fui obrigada a perceber que mudamos, também fisicamente. O nosso metabolismo acelera ou diminui e o nosso organismo reage de forma mais eficaz a tudo o que nos faz mal (principalmente) como que uma campainha que só para de soar quando deixamos de nos sacrificar com coisas que não fazem sentido. A primeira lição foi com o chocolate (ainda antes dos 33) ao ponto de pensar que podia estar associado outro problema mais grave- a reacção era uma brutalidade de aftas que se sucediam, sem dó. Cheguei a ter 7 em simultâneo e só percebi que era do cacau (só comia chocolate com mais de 75 % de cacau) porque fui fazendo uma série de experiências, sozinha.

Depois, os ovos. Um episódio de intolerância e mais 2 recaídas não deixavam grande margem para dúvidas. Foi terrível porque consumia ovos principalmente em situação de pré e pós-treino e são uma boa fonte de proteína. Tive de deixar e encontrar alternativas, ainda não tenho nenhuma que seja tão eficaz. Depois, a minha tendência é para um regime cada vez mais isento de proteína animal: dou preferência ao peixe, sempre, mas quando posso evito.

Uma análise sanguínea fez-me perceber o quadro todo: glúten, lactose, milho, salmão (sushi nem vê-lo), cavala, amendoim, cajú, avelãs, cenoura, lentilhas, soja, ovos, fermento, castanha do pará. Estas são as intolerâncias máximas porque nem vos vou enumerar a lista de alimentos ‘a consumir com moderação’. Visto isto… é aceitar e adaptar. Fui à dispensa e tirei tudo o que não podia consumir, fiquei quase sem nada mas reabasteci. Sem exageros que sou absolutamente contra o desperdício. Acabaram-se ‘as porcarias’, não posso e mesmo que consuma, garanto que não compensa porque os efeitos são horríveis e eu já tenho a minha parte de sofrimento. Não assim tão inconsciente. Naquela lista estão alimentos que fazem parte da alimentação mediterrânica e que todos os profissionais de saúde apregoam como maravilhosos e são, eu é que não os posso consumir. Quando vou comer fora e peço uma sopa, a de legumes está sempre excluída, haverá alguma que não tenha cenoura? Pois…

A parte boa? A minha alimentação é cada mais saudável, mais básica, muito Paleo, ainda que de forma inconsciente.

A parte má? Alguns dos alimentos alternativos são mais caros e nem sempre se encontram. Prometo que também vos vou ajudar nisto, nos próximos tempos.

Exemplo disso é o meu pequeno almoço de hoje, é fim de semana, mereço um bonús: Galão de leite de arroz, maçã sem casca (nunca mais vou conseguir casca… cheira-me) com um bocadinho de canela e pão de espelta e matcha com creme vegetal e um bocadinho de doce de morango caseiro (feito por mim). Eu não me imaginava a comer isto. Mas é bom, acreditem.

 

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O que fica dos 33. 3 de 7

O blog. O meu projecto mais pessoal.

Mais do que um simples espaço onde publico posts, é um espaço onde partilho coisas, onde vos falo de mim. Sim, também gosto de batons e sapatos, não falo só de bactérias e tecnologia, não conto só histórias de pessoas maravilhosas que encontro pelo caminho, nem mostro imagens es-pec-ta-cu-la-res da NASA. Ainda que as minhas colecções de uns e outros sejam demasiado curtas, posso mostrar os favoritos. Um dia, quem sabe, isso vai acontecer… já me deram uma ideia!

Mas aqui o que quero principalmente partilhar são emoções, são experiências positivas, coisas boas, boa energia, alegria e felicidade. E isso aconteceu no dia 13 de Outubro, dia em que reuni algumas das pessoas-luz (adoro esta expressão e morro de pena que não tenha sido inventada por mim!) para celebrar!!! Sim, porque a vida tem de ser celebrada: o bom, o mau, quando as coisas acontecem na nossa vida, devemos ter o ‘comité de sábios’ (mais uma que não é da minha autoria, damm…) a quem recorrer e que nos ajudam, que nos abraçam e nos aconchegam e nos dizem… que vai tudo correr bem. Mais, fazem-nos acreditar nisso. Eu sei que também sou isso na vida deles. E só posso estar feliz, o sentimento e palavra predominantes neste dia.

Quando os convoquei para um brunch, poucos sabiam do lançamento do blog, disse apenas que ‘ía ter um filho’. Íam tendo um ataque cardíaco, acho que alguns até acreditaram!! Por isso, fui presenteada de forma correspondente: fraldas e loção hidratante! Até posso caminhar sozinha mas na hora de atravessar a estrada, acreditem, surge sempre o meu ‘exército sem medo’ (esta é minha! YES!). Não sei se já vos disse… tenho os melhores amigos do mundo. Os que se alegram pelas conquistas, sem mentira, sem inveja, nem frustrações. E isso é tão difícil hoje em dia. E disse ‘difícil’? Queria mesmo dizer ‘raro’. 

Pela primeira vez… a fotografia de todos os que estiveram naquele dia, naquele brunch, que riram, que abraçaram, que deram força, que apertaram quase até saltarem os olhos, que acreditaram até mais do que eu… Falta gente aqui, daquela que me ampara todos os dias. São só meus. E eu tenho tanta sorte.

P.S.– Quando um filho meu chegar, a forma de o revelar vai ser muuuuuito mais gira! Descansem, não está para breve!

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O que fica dos 33. 2 de 7.

Aos 33… voltei ao Porto Santo. Voltei três vezes: uma em reportagem, outra nas férias e depois no final de ano. A palavra que levo daqui é energia.

Podem não acreditar mas quando se aterra no Porto Santo a alma é inundada da mais profunda paz, da mais real serenidade. É como se o ar que por lá se respira fosse mais puro- ali raramente tenho crises alérgicas, levo a bomba da asma (amiga fiel) apenas para usar em SOS. Nunca foi precisa. Nunca há risco de comer coisas menos boas, o que a terra dá, é do melhor que pode existir: o tomate é doce, a batata doce é mais perfumada ainda, o maracujá-banana é tão sumarento e o physalis é mesmo biológico. Já tentei comprar para trazer mas como-os sempre, antes da viagem. Não dá. Desta vez só evitei mais o bolo do caco mas vinguei-me nas lapas.

Gosto muito desta fotografia porque me mostra a tranquilidade que sempre ali encontro. As férias do verão foram um lavar de alma, um renascer, um começar de novo, a implosão. Nada mais foi igual. No dia que cheguei aconteceu o mesmo de sempre: dormi profundamente e durante muitas horas. Que banal, não é? Parece tão simples desligar, ‘puxar a ficha e perder a corrente’. Mas não é. Precisava muito fazer isso, vinha de um ano extenuante, e ali aconteceu assim. Fiz do colme da praia o meu poiso mais constante e durante 10 dias não fiz rigorosamente nada a não ser descansar. Já conheço de cor as tábuas do passadiço da praia, os puffs do bar, as poltronas do beach club onde tantas tardes me perdi a ler, as espreguiçadeiras onde apanhei escaldões (adormeci ao sol…)… Mas parece que é sempre a primeira vez. É sempre regressar a casa. Ali, a minha profissão não interessa para nada, não importa se tenho uma jóia bonita, a marca dos meus sapatos ou qual o meu peso. Ali importa a essência, a energia, a verdade do que somos e do melhor que conseguimos ser. Ali nem é preciso carro, que se faz tudo a pé. No ano passado, por causa dos ventos fortes no Funchal, a ilha ficou sem abastecimento de comida e outras coisas. Não foi preciso muito tempo para recuar à existência básica, apesar das imensas reservas: precisamos de pouco para viver e de menos ainda, para sermos felizes.

A ilha de Porto Santo é mágica: une pessoas, fá-las encontrarem-se. Conheci ali quem vai comigo para o resto da vida: o Hugo, o Rui, a Andrea, o Bruno, a Dalila, o Miguel, a Margarida, a Andreia, o Roberto, o Nélio.

Ali, o mar é mais azul, de um azul que não encontro mais, de vários tons como se uma paleta fosse colocada na nossa frente, a cada passo na areia. Percorrer os 9 quilómetros de praia é algo único. Neste momento em que vos escrevo, sinto o ar no cara, ouço as pessoas e tenho areia debaixo dos pés. Porto Santo é um postal verdadeiro que acontece perante os nossos olhos em tempo real: miradouros, paisagens completamente diferentes entre o Norte e o Sul da ilha, o Ilhéu da Cal e o do Farol, fragatas afundadas para mergulho, passeios a cavalo, um pontão digno de filme, tratamentos com areia (psamoterapia) e com água (talassoterapia, a maior do país) que nos fazem sentir nas nuvens, vão por mim. Nas nuvens! Nesta ilha parece que nunca faz frio, ao ponto de se tomar banho no final de ano, o sol não engana! Depois há a parte segura: as coisas ficam todas e ninguém mexe, no espaço de 100 metros não há toalhas à nossa volta e… a pista do aeroporto chega de uma ponta à outra da ilha, já imaginaram sítio mais seguro para aterrar? Morro de medo da pista do Funchal, pronto, já disse!

A ilha de Porto Santo foi descoberta em 1418, por João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo mas o nome mais sonante é o de Cristóvão Colombo. Diz-se, sem certezas históricas da data, que Colombo passou pela ilha para se refugiar de um temporal e… apaixonou-se. Era por isso um ‘porto seguro’… E para mim também passou a ser. Porque será?

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Semana 6.

E chegámos à sexta (e última) semana de dieta Low FoodMaps, quis o destino que fosse no Dia Mundial da Felicidade. Sim, eu estou feliz porque me sinto bem. Finalmente.

6 semanas da restrição que vos contei e que me ajudaram e muito a recuperar a força. Voltei a comer hidratos, coisa que fazia em menos quantidade (ou quase nenhuma) porque teve mesmo de ser… não tinha força, não tinha resistência e para voltar ao ginásio tinha de procurar a primeira para conseguir a outra. De resto, posso dizer-vos que não me custou rigorosamente nada. Eu já tinha muitos cuidados. A regra sempre igual: 1/4 do prato com proteína, 1/4 com hidratos e o restante com legumes.

Neste tempo eliminei vários alimentos. Aconteceu que alguns que faziam parte deste regime estavam também na minha lista de intolerâncias: glúten, lactose, ovos, milho, cenoura, salmão, chocolate, leguminosas. Outros passei a consumir de forma muito doseada: batata doce (partiu-me o coração, mesmo), queijo, espargos, bróculos, grelos. O que me custou mais? Deixar de comer fruta com casca (tem muita fibra e não podia ser, agora) e sushi… não como há 3 meses. Só não estou a ressacar porque bloqueei a memória gustativa do meu cérebro (gostava tanto de ser capaz…). Pronto, assumo, estou a morrer por sushi mas é o que é, não dá não dá. Depois, outras coisas que percebi que me faziam mal: banana e atum. Tenho imensa dificuldade em fazer a digestão destes dois alimentos, o que, no caso da banana é bastante dramático: quando deixei os ovos, passou a ser a minha opção no pré-treino.

Depois, passei a andar com 2 lancheiras com fruta fresca, galetes de arroz e pouco mais. E claro… refeições fora só com a garantia que seria qualquer coisa grelhada e sempre acompanhada de legumes.

Agora é re-introduzir alimentos. A Dra. Ana Rita queria que o primeiro fosse o glúten mas já conversamos sobre isso e vamos passar a outro.

De resto, regressei ao ginásio 3 vezes por semana e agora almoço antes e tudo com muita calma. Outra das grandes novidades no meu dia é que a lancheira também inclui o almoço. É um desses exemplos que vos deixo, um almoço dos meus em que incluo um super alimento: a quinoa. Não é consensual porque tem imensa fibra mas eu consumo em quantidades pequenas, é mesmo só antes do treino. Aqui, usei curgete que fiz no forno só temperada com um fio de azeite e coentros e espinafres, cozidos a vapor, acrescentei ainda umas nozes e pronto.

Bom treino para mim e bom apetite para vocês.