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Saber sair antes do fim

Saber sair.

Uma virtude maior que saber dizer ‘não’, ainda que as duas se unam.

Perceber.

Quando estamos a mais, quando a nossa presença já não faz qualquer sentido, estar ou não é igual, é banal, é hábito.

Quando o nosso amor já não significa nada, já não move nenhuma montanha, já não resolve o indecifrável, já não faz a diferença nos dias maus, aqueles em que só queremos voltar a casa.

Quando não nos procuram, não buscam nos detalhes, nas mensagens de telemóvel ou no registo das ‘chamadas efectuadas’ o nosso número até já não aparece há tantos dias.

Quando não querem o nosso abraço, não procuram o nosso refúgio, o nosso calor, o nosso fôlego, as nossas palavras.

Quando a vida já não faz sentido connosco, o futuro já não aponta para aquela direcção, o pensamento já não vai mais além.

Quando uma tarefa já não nos preenche, não nos motiva, pesa, é dor, causa muito sofrimento, mesmo que seja o sonho de uma vida.

Quando as campainhas soam, quando os alertas disparam e nós ignoramos, ignoramos e voltamos a ignorar.

Até ao dia em que o Mundo cai, o corpo cede e a mente não ajuda.

Deixa ir. Entregar. A lucidez.

Quando é preciso saber sair antes do fim.

Perceber que uma vida, uma tarefa, um ciclo acabou. É, provavelmente, das questões mais aterradoras, para mim.

Respirar, levantar a cabeça e seguir, qualquer que seja o destino, qualquer que seja a previsão, não importa o caminho. Importa é a certeza, a fé de que tudo começa e acaba. Menos o amor, que tudo pode. Mas não chega.

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Onde é o paraíso?

Para chegar ao Casalinho passamos pelas estradas mais movimentadas até chegar às mais estreitas, que já são de alcatrão. Até chegar ao Casalinho, o calor aperta, lá aperta mais. A vegetação tomba para a estrada, os carros é que têm de se desviar. Os pinheiros cresceram desordenados depois dos incêndios de 2003, a memória tem de voltar a este ano (também) tão difícil para Portugal, ainda que 2017 tenha batido recordes de área ardida. Os pinheiros vêem-se e cheiram… tão bem. Há muito tempo que não sentia este odor, esta natureza tão… natural.

Cheguei ao Casalinho através do Miguel, um querido amigo, que quis mostrar-me das melhores coisas que tem. O ‘Refúgio do Raposo’ era a casa dos avós (Raposo, de nome) e os país resolveram recuperar tudo e melhorar, para deixar aos filhos algo mais que dinheiro: deixar-lhes valores (mais, ainda), um património com sentido, com verdade, evocar a história da vida de todos. Eu tive a sorte de o partilharem comigo. Sou do campo, muito do que está ali eu conhecia, valorizava, mas são as pessoas que contam. O silêncio, os passarinhos, as casas de xisto, o passeio na carrinha de caixa aberta, o queijo de cabra com mel (não, hérnia, isto não aconteceu!) têm mais sentido com esta família fantástica.

O ‘Refúgio do Raposo’ é um alojamento local, perto de Proença-a-Nova, decorado com tanta simplicidade que não tem falta nada, muito menos de bom gosto. O Miguel é apaixonado por astronomia, vi lá o eclipse e tive direito a explicação detalhada. Indescritível! Também por causa disto, cada casa tem o nome de uma estrela. A minha era Altair.

Muito e muito obrigada. Foi um renovar de alma, em 2 dias perdi 10 anos, dizem eles. E eu acredito.

(Esta fotografia fantástica é do Paulo Ferreira (PTLAPSE), as outras são minhas! Não tenho um alcance tão grande! )

      

 

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Deja Vu.

Não pensava, sinceramente, que veria imagens parecidas com as que registámos no ano passado, em Pedrogão Grande, durante os incêndios. Foram tempos complicados, de cobertura noticiosa. Fiquei em estúdio, não fui para o terreno mas nem por isso me consegui distanciar da imagem daquela estrada nacional onde tantas pessoas morreram. De forma voluntária, foi inevitável imaginar a aflição de alguém que percebe que os dias acabaram, que sente o fim, que depois daquilo… não haverá nada. Ter consciência é, ao mesmo tempo, o melhor e o pior que nos pode acontecer, na vida. 

Ao ver as imagens da Grécia tive um arrepio. Achei que não iria ver isto de novo e… enganei-me.

Não vos consigo explicar o que se sente ao ler e repetir “26 pessoas pessoas foram encontradas carbonizadas, abraçadas”. Não consigo. Isto é um filme de terror.

13 meses separam as imagens.

Grécia, Julho 2018

Pedrogão Grande, Junho 2017

 

Fotografias: Google.pt

 

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Sozinha, só que não #1

 

Os momentos mais sagrados para mim, durante o programa, são os intervalos. Agora mais longos, outras alturas mais curtos mas sempre, sempre sagrados. Toda a gente sai, não chegam convidados, só a João para retocar a maquilhagem. Porquê? É nestes momentos que me calo. Sim. Isso mesmo. Pausa. Silêncio. Numa emissão de 3 horas e meia estas suspensões fazem tanta, tanta diferença. E acreditem… eu também me canso de me ouvir. E não é raro.

Quando paro, gosto de estar recatada e este ponto aqui, no centro da mesa do jornal, é o meu preferido. Para a frentes, só as câmaras, minhas amigas de há anos, para trás, uma estrutura que me esconde e me protege. E ali passam os minutos, até aos 50 segundos em que me levanto e ocupo o meu lugar.

Quando se está muitas horas em estúdio vamos procurando recantos, como se estivesse em casa e precisasse de um espaço para o momento zen. É aqui que organizo o meu dia, que penso nas minhas coisas, que reflicto e analiso o que está a correr bem ou menos bem, na emissão.

Para muitos é um ponto central, para mim é um oásis: sossegado, escondido e silencioso.

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O poder da decisão

O que é tomar uma decisão? Difícil ter uma resposta certa, universal, que seja óptima para todas as pessoas porque há sempre alguém a quem não serve tão bem. Tudo na vida é uma decisão: a que horas acordar, o que comer, a quem telefonar, com quem estar, que correio distribuir primeiro… qual a primeira notícia. Decidir tira-nos de um lugar e leva-nos para o outro. Sempre.

A definição é estreita mas podemos e devemos tentar:

“Tomar uma decisão é um processo cognitivo derivado da escolha entre várias opções, com as mais variadas consequências e que faz despoletar uma acção. A decisão representa, sob o ponto de vista ético, a melhor escolha, isto é, a que defende melhor os interesses envolvidos. Subjacente a cada decisão encontram-se razões de diferentes tipos, são estas que influenciam a escolha das acções. Decisão é já uma atitude de desencadear uma acção”.

 A ajuda nesta explicação é da minha querida amiga Dra. Margarida Vieitez. 

E ajuda mesmo a perceber o que está, afinal, em questão. Na Madeira, no passado dia 15 de junho falei de decisão, da importância que tem para nós, para quem nos rodeia, para quem está, até, mais afastado de nós. O que decidimos influencia a vida dos outros, inevitavelmente, e uma acção gera uma reacção e outra, e outra e por aí adiante.  Não vou vou massacrar com explicações mas tenho de vos fazer pensar, penso que o consegui fazer, também, lá.

O que está na base das decisões? Razão ou emoção?

António Damásio, (re)conhecido médico neurologista português, autor de várias obras científicas, estudou pessoas que sofreram danos cerebrais, na zona reservada às emoções. Concluiu que não sentem e ao não sentirem, não são capazes de tomar decisões.

Os psicólogos e psiquiatras, quando chamados a avaliar as capacidades cognitivas e emocionais de alguém, podem escrever ou não “esta pessoa não está apta para tomar decisões“. É das opiniões mais validadas judicialmente.

Depois disto, encontrei um estudo publicado na revista de biologia computacional Plos, que incidiu sobre 3. 400 pessoas em França, com idades entre os 4 e os 91 anos. O objetivo do estudo era baralhar umas cartas e depois que os participantes as identificassem, aleatoriamente, em suporte informático. O computador concluiu que o ponto comum era a idade, que aos 25 se consegue enganar o algoritmo, que é nessa idade que se tem mais capacidade criativa para agir e encontrar soluções. Achei piada ao título da notícia sobre este estudo ‘É com 25 anos que se atinge o pico da tomada de decisões’. Ai… estes jornalistas!

Independentemente de todos os critérios, todas os pontos que encontrei tinham em comum uma coisa: inteligência emocional. O termo foi utilizado pela primeira por Wayne Payne em 1985, na tese de doutoramento mas já tinha tido origem em Leuner (1966), Greenspan (1989), depois também mencionado por Salovey e Mayer (1990). Eu gosto muito da definição de Daniel Goleman, jornalista e investigador norte-americano que sigo e com cujos pensamentos me identifico, diz que inteligência emocional é

“A nossa capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.

E há outra que nos faz pensar, um autor coreano, Byung-Chul Han, que descobri no ano passado e escreveu Psicopolítica que é quase uma bíblia para mim (e é um livro tão pequenino):

“A conjuntura da emoção está ligada ao processo económico”.

Faz pensar, não é? ‘Pensei’ o mesmo!

Dito isto… quem toma decisões… utiliza a razão ou a emoção?

A quem interessam essas decisões?

Implicam o dinheiro de alguém?

Implicam a vida de alguém?

Vão parecer bem a alguém?

Depende de nós?

 

Pensem… e tomem a vossa decisão.

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O rico menino

Cristiano Ronaldo é o melhor do Mundo, não há dúvidas sobre isso nem pode haver. Quando estive na Madeira visitei o seu museu, no Funchal. Só não fiquei mais impressionada por que já reconhecia o seu valor mas, para quem tenha ainda dúvidas, a visita a este espaço pode dissipar todas elas. Mais que palavras deixo-vos as imagens: há troféus desde 1993, atenção: 1993!!! As Bolas de Ouro são de uma beleza estonteante mas a nossa Taça de Campeões Europeus… Caramba! Destaco-vos também as Taças do Rei de Espanha (lindas, lindas!) e todos os troféus enquanto Homem do Jogo, Melhor Marcador do Jogo, do Torneio, acreditações, camisolas, chuteiras, medalhas de participação e bolas de jogo- já agora, a do último jogo com Espanha, no Mundial da Rússia também vai para lá, em breve… Está tudo ali e é ali que deve estar. Esperemos que a bola de hoje também vá parar ao Funchal, será sinal de um jogo memorável e mais uns quantos golos. Incrível, Ronaldo.

 

Vista geral da sala do Museu. 

Acreditações e medalhas de vários jogos.

Uma das primeiras camisolas, já com a marca ‘Campeões Europeus’.

Como marcar um livre ‘à Ronaldo’. O que o Messi devia aprender!!!!!

A última Bola de Ouro. Estonteante!

Uma das Taças da Liga dos Campeões, pelo Real Madrid.

Taça do Rei de Espanha. Não linda?

A nossa Taça de Campeões Europeus!

Adeus, Ronaldo. Até breve!

(Para vos sossegar, deixem dizer que paguei o meu bilhete e pedi para tirar fotos. Calma, calma!)

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Oh meu rico Santo António

Muitos aceitaram o desafio de escrever-me uma quadrinha de Santo António, no Fecebook. Prometi que as transcrevia aqui e aqui estão elas. Mas… esta rica devota do Santo não conseguiu escolher uma ou duas… portanto… aqui estão todas!!!!

Obrigadinha pela colaboração, quando faltarem as ideias já sei o que hei-de fazer!!!!!

 

Ó Santo António de Lisboa
Tu que tens fama de casamenteiro
Se o casamento fosse coisa boa
Tu próprio não ficavas solteiro!

Santo António de Lisboa
Guardador dos olivais
Guardai a minha azeitona
Do biquinho dos pardais.

 

Oh, manjerico bem cheiroso
Pelo regar e por ao luar
Dá-lhe um rapaz bem jeitoso
Para com ela se casar.

 

Santo António milagreiro
Meu rico e bom santinho
Aumenta o meu mealheiro
Eu que sou tão pobrezinho

 

Alegria não paga imposto
Só nos faltava mais esta
Quero tudo bem disposto
Contentes na nossa festa.

 

Alegria não paga imposto
Só nos faltava mais esta
Quero tudo bem disposto
Contentes na nossa festa.

 

Em dia de Santo António
Eu quero casar
Seja homem ou mulher
Eu quero é subir ao altar

 

Querido santo Antônio
Peço que sejas meu amigo
Com respeito aqui o peço
Patrícia Matos, casas comigo?

 

Oh meu rico santo António
Oh meu rico padroeiro
Enviai à Patrícia TVI
um amor que nunca vi.

 

O meu Santo Antonio

Santo casamenteiro

Espero que me arranjes

um Amor verdadeiro

 

Oh meu rico Santo António

olhai pela Patrícia Matos
No dia de hoje levai até ela
Os seus famosos e ricos pratos!

 

O meu rico santo António
Rico Santo Antoninho
Arranja-me uma rica mulher
Que dê muito beijinho

 

E noite de Santo António
Estalam foguetes no ar
Põem o manjarico à janela
E vem para a rua dançar

 

Santo António te agradeço
O feriado de Lisboa
Hoje foi rápido chegar ao trabalho
Sem trânsito, É na BOA!

 

Meu Amigo Santo António
Peço-te para não relaxar
Dá Paixão e Saúde à Patricia
Para nos continuar Acordar

 

Meu rico Santo Antonio, meu Santo Antoninho,
Já que não me arranjas maridinho
Manda lá um dinheirinho

 

Ó meu rico Santo António.

Santo António de Lisboa.

Protege a Patrícia Matos.

Ela é uma menina muito boa

 

Santo António já se acabou
O Sporting está acabar..
São João são João..
Da cá uma rescisão para eu assinar

 

Ó meu xará Santantoninho/
Olha o pedido da Patrícia Matos/
Arranja-lhe um moço jeitosinho/
Mas que não seja daqueles chatos!!!

 

Dentro do meu peito mora um sonho

que ao Santo Antonio hei-de contar.

Não sei mas suponho

que terei que voltar a sonhar…

 

Santo António milagreiro
Eu não te peço p´ra casar
Peço que eu possa ir à praia
Sem ter que me constipar..

 

Santo António milagrão.

Acaba com o Inverno.

Trás de volta o Verão.

Que isto está um Inferno.

 

Oh meu rico Santo António

passamos de palavras aos actos

mas nunca o Bom dia Portugal

sem a nossa Patricia Matos

 

Ó meu rico Santo António

ajuda quem trabalha

Um amor perfeito à Patrícia

para partilhar

 

Ó meu rico Santo António,

daí-me sempre boa vista,

para todos os dias acordar

e ver esta linda jornalista

 

O meu rico Sto Antônio
Dame amor e alegria .
Fazei com que o Sporting
Encontre nova vida

 

Viva o Santo António,
Viva a nossa TVI,
Boa apresentadora como a Patrícia,
Nunca conheci

 

Ó meu rico Sto António

da Patrícia Matos TVI monge

quero muito a tua ajuda

leva-me a bactéria pra longe

 

Meu querido st Antonio,
Santo casamenteiro
Abençoa todos os noivos
Oh sr Padroeiro!

 

Santo António, santo popular .
Tens muitos pedidos para atender.
Hoje vai ser só trabalhar,
com tantas cartas para ler.

Ó meu santo casamenteiro,
Tens uma tarefa complicada
Tenta ser verdadeiro.
Para a solteirona e encalhada.
(IE)
Viva o Santo António !

 

 

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RE.

Não sei qual é o vosso filme preferido, o meu é “A vida é bela“. Pela capacidade estonteante de desarmar, de emocionar, de ensinar, se arrepiar, de ser resiliente, positivo e nunca mas nunca baixar os braços. A adaptação a uma realidade tão dura é desarmante. E aquela criança acredita mesmo mas mesmo que tudo não passa de uma festa. Impressionante!

Quando algo não está bem também devemos REinventar, REciclar, REtentar, REmexer, REcomeçar (é permitido inventar palavras!).

Na verdade, tudo pode ser o que quisermos. Tudo é apenas e só aquilo que quisermos. Ao ver esta fotografia lembrei-me disso e do filme. É na Somália, são os escombros de uma antiga escola secundária que foi destruída em 1981. Os miúdos usa-nos como estádio. Improvisaram, inventaram e deu magia. Digam lá que as bancadas não têm vista privilegiada? Simples. Siga.

Fotografia: Mohamed Abdiwahab/AFP GEtty Images