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Dever cumprido

Foram semanas intensas, cheias de alegria e percalços. Encontrei neste grupo de pessoas aquilo que já não havia há muito: interesse, fascínio, trabalho. O últimos alunos com quem tenho contactado estavam ainda a perceber em que mundo viviam e que contributo lhe podiam dar para o tornar melhor. Eles sabem. E sabem também que trabalhar em televisão pode não ser a única saída. Não querem aparecer, querem fazer! Foi um gosto imenso, obrigada pelos ensinamentos constantes, meninos, e por pensarem comigo! Voem!

Como é possível perceber… eles acabaram em melhor estado do que eu!

 

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2018 termina em …5!

É a última contagem que se dá em televisão, os 5 segundos. A partir daí é prestar muita atenção por que qualquer coisa pode acontecer.

Assim são, também, os últimos dias do ano e fazemos a contagem decrescente. Parece que nada pode acontecer mas a verdade é que ainda faltam 5 dias; acontece o mesmo com os prolongamentos nos jogos de futebol… e por aí fora.

Dalai Lama encoraja-nos a, uma vez por ano, visitar um lugar novo, onde nunca tenhamos estado. 2018 deu-me muito disso: sítios novos, experiências fabulosas, pessoas que ficam para sempre na minha vida. Guimarães, Braga, Beirã, Marrocos.

Mas voltei a outros sítios tão queridos para mim: o Porto, Gaia (como não, Gaia…?), Marvão, Portalegre, Évora.

De todas, escolho esta fotografia, na cidade imperial de Fez, uma experiência sem igual e que toda a gente devia ter uma vez na vida. Uma selfie tão básica, tão sem graça mas tão oportuna, ao ponto de captar entusiasmo, serenidade, alegria, paz, gratidão.

Os nossos olhos são mensageiros fabulosos.

 

“Quem entra em Fez sozinho é um homem morto mas quem consegue sair pode considerar-se renascido”.

Nada mais certo. Renasci ali, também.

 

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Contra a violência doméstica, em todo o lado

Estas imagens são da Praça Habima, em Tel Aviv, Israel. São sapatos vermelhos, de mulheres que os usam ou… já usaram. O que está aqui é um protesto contra a falta de actuação do Governo pela violência doméstica. Este ano, pelo menos 24 mulheres morreram devido a abusos dentro da família ou pelas mãos de pessoas com quem mantinham relações afectivas. TODAS contactaram as autoridades e disseram que temiam pela sua segurança e sobrevivência. O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu prometeu medidas recorde para parar esta situação. Esta realidade dramática e animalesca afecta o Mundo inteiro, independentemente da cultura, credo ou raça.

E as imagens não precisam de mais legendas. 

Fonte: The Guardian

Fotos: Oded Balilty/AP+ Jim Hollander/EPA

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A Rosa, a maior!

Acordámos todos com esta notícia maravilhosa: a Rosa Mota, nossa campeã Olímpica em 1988 ganhou uma maratona em Macau. Que maraviha, que inspiração, que força! E porquê? Por que a Rosa Mota tem 60 anos mas tem tanta energia que comove e embaraça. Aposto que esta medalha sabe bem.

Lembro bem deste vídeo promocional que gravámos por altura da Semana Europeia do Desporto. Esta acção foi gravada, digo-vos agora, em tempo recorde. No total, demorámos 1 hora a fazer tudo: a gravar vários takes da mesma fala, vários momentos a correr, a caminhar, a saltar à corda. Pelo meio, muita gente a passar, a falar à Rosa e ela a responder, a incentivar, sem perder o foco. Podia não achar muita piada a estar a ser conduzida por uma miúda que não conhecia de lado nenhum. Não. Nunca questionou, até deu ideias. Mal sabia que tinha ali uma profunda admiradora. Às vezes, esta vida proporciona-nos a possibilidade de estar com quem muito admiramos.

“Acordei, não tinha agenda e resolvi ir correr!”. É isto. Simples.

Parabéns, querida Rosa Mota! E obrigada, que exemplo!

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Rebenta a bolha!

Desculpem mas… permitam-me: está tudo louco?

De vez em quando os meus olhos param em alguns anúncios de imobiliário ou recebo alguma newsletter e nem quero acreditar.

Eu até sou capaz de perceber o preço de algumas casas, para arrendar e comprar: o objectivo é selecionar inquilinos e compradores, distinguir pessoas e lugares. Não me choca, na verdade, sempre foi assim. Mas… em alguns lugares, não todos os lugares. Caríssimos, não esperem que alguém nas Olaias queira pagar um T1 por 900 euros. Ou possa dar 1 700 euros por um T2.

Os novos modelos de negócio (Air BnB) fizeram disparar os valores de forma assustadora por que um senhorio prefere ter a casa alugada a turistas que até podem partir tudo mas em 2 ou 3 dias pagam o valor de um mês. Depois? Partiram mas há dinheiro para arranjar. Venha de lá mais um grupo. Nada contra, atenção, mas estes preços não podem servir para definir rendas mensais que as pessoas simplesmente não podem pagar! De que vive uma família que recebe o salário mínimo (cada vez mais comum) e que tem filhos para alimentar? Nem todos os locais servem para este arrendamento de curta duração, apenas os que são servidos de boas redes de transportes e comunicações, aqueles que são mais centrais que outros.

Por outro lado… o problema é que há sempre alguém que paga, há sempre alguém que reclama mas que oferece mais. Até pode achar que o investimento não é vantajoso mas, vamos lá saber porquê, paga. E paga bem.

Acho que está na hora de parar e pensar. Não espero que o faça quem aluga. Mas quem legisla já devia ter percebido que é preciso fazer alguma coisa. Depressa. Ou ainda acabamos todos a dormir na rua.

E não, não vale a pena dizer ‘É a economia, estúpida!”. É muito, muito para além disso.

Entretanto, encontrei estes dois anúncios. Tão parecidos, tão ridículos. De um requinte… Uma sorte, só vos digo. Uma sorte para quem quiser dar mais de 200 mil euros por 40 metros quadrados no centro histórico de Lisboa. Sim e há quem esteja disposto a fazer o mesmo, para acordar com o mar. Bolas, por este valor até caipirinhas devia ter, uma pulseira dourada e um empregado a fazer massagens, a todas as horas.

Ahhhh. Portugal no seu melhor.

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Marrocos, a escolha.

Sabem aqueles acasos felizes? Marrocos foi isso: um acaso. Feliz. 

Eu precisava mesmo sair e desligar. Não dei pelo passar de 2018 mas, ao mesmo tempo, lembro-me de todos os dias. Sim, é mesmo isto. Desde o início do ano que a minha mente dizia “CABO VERDE” por isso, lá fui eu, disposta a ir para África. O facto de ter pouco tempo de férias, ser uma viagem de última hora e, por isso, mais caro empurraram-me, numa primeira fase, para a Croácia. Pareceu-me lindamente. É um dos meus destinos marcados. Voltei à agência no dia seguinte e… não havia hotel. Não era possível confirmar. Plano B?

Pronto. Opções? Cuba. Maravilhoso. 8 horas de avião e possíveis furacões? Não. E, como que por magia… surgiu Marrocos. Uma única vaga, que não havia na véspera, aqui tão pertinho. Ainda hesitei por que não era o que preferia. É um destino mais saturado nesta altura e eu queria mesmo descansar… Mas aceitei. Parti menos de 24 horas depois.

Sinceramente, nem pensei muito. Queria era ir. Sentia que tinha de ir.

Nunca tinha estado em África e assim que saí do avião já estava a sentir o calor e aquela humidade superior a 70 por cento. A segunda sensação foi depois de receber um sms da minha operadora a informar do tarifário praticado, até o Wifi é cobrado. Bem-vinda!

Bem, pelo caminho para o hotel vi homens a guardar rebanhos debaixo de um sol terrível e lembrei-me do meu querido avô que dizia que devemos combater o calor com roupas leves e frescas mas com roupa mesmo por que o sol a bater na pele é que aquece e faz calor. De facto, é exactamente isso, daí as túnicas, as djellabas, aquelas peças largas e compridas que podem ser usadas tanto por homens como por mulheres, serem as preferidas. Povo muito sábio.

Ao fim de 2 dias já estava toda marcada dos mosquitos. Levei medicamentos para tudo o mais alguma coisa, não fosse a hérnia dar sinal de vida (portou-se tãããão bem!!) mas repelente… não.

Marrocos é uma terra de contrastes e tanto podemos estar numa estância balnear como percorrer 400 quilómetros e já estamos numa cidade imperial, noutra realidade completamente diferente. E isso fascinava-me. Lenço na cabeça, pelo sim pelo não e… lá vai ela. Aprendi a atar um turbante, a colocar o lenço de modo a tapar a cabeça… aprendi tanta coisa.

Cheguei sozinha, como já disse, mas andei sempre acompanhada. 2 dias depois conheci a Sara e o António, extraordinários companheiros de viagem, de uma discrição comovente, com uma simplicidade que existe, talvez, só em Marrocos. Quis o destino que nos encontrássemos ali, a tantos quilómetros de casa. Ficámos amigos para a vida, tenho a certeza.

Um vez, sozinha, num sítio qualquer, dei por mim a pensar que a vida é maravilhosa e que nos devolve SEMPRE em dobro o bem que fazemos aos outros. E comovi-me.

Ali percebi que há coisas que estão onde devem estar, que não faz sentido tentar mudar, querer para nós. São dali. Mudar isso é como tentar fazer alguém gostar de uma música que não percebe, abraçar alguém que não ama, calçar um sapato que não lhe serve, comer algo a que se é intolerante. Ali, mais que noutro sítio, percebi que a diferença pode ser fulcral, determinante, abissal. Ainda que possa ser atenuada, compreendida… nunca vai mudar. E há coisas, simplesmente… incompatíveis.

Mas Marrocos mostrou-me também que o que se sente não se disfarça, não se pode dissimular. Que há sempre uma parte de nós que renasce mas outra acaba por desaparecer, por que ficou lá. E que isso é o que é. A vida que no-la devolva, se assim tiver de ser.

Em Marrocos agradeci por que, em muito momentos, eu estive exactamente onde devia ter estado: ali. A sentir, a viver, a cheirar, a receber e a absorver tudo, em cada poro da pele, em cada passo que dei. Em todas as horas que passei a dormir numa espreguiçadeira, todas as tajines que provei, todos os cheiros que inalei.