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O regresso

Ontem, o regresso, foi para mim o dia 0.

Assim daquelas vezes que não contam, que são quase como um treino… Ontem senti-me um atleta a treinar pela primeira vez. O que, para mim, é muito estranho. Faço o Diário da Manhã há 7 anos, há 5 em exclusividade. Voltar é bom, tão bom quanto voltar à nossa casa, ao nosso espaço, ao sítio onde somos (sempre) felizes. Aqui, neste estúdio, eu sou muito feliz. é onde passo a maior parte do meu dia. São estas paredes que encerram muitos sentimentos, muitos estados de alma, muitas confissões feitas em silêncio, que ninguém sabe, ninguém ouve nem vê. Lá para casa, sempre no melhor. Não é falsidade, é trabalho. É o que deve ser, o que é suposto ser… the show must go on. Sem lamúrias, sem perder tempo. Siga!

Desejava muito voltar. Muito mesmo. Esta segunda paragem foi terrível, confesso. Fisicamente, o abalo foi enorme e, por isso, ontem foi o dia 0. Tão complicado gerir o cansaço que passei parte da tarde a dormir, outra parte com a minha nutricionista, a definir o plano alimentar para os próximos tempos… voltamos à casa de partida.

Sei que os próximos vão ser mais lentos, mais exigentes fisicamente, com mais tempo de descanso e menos correria, menos tarefas das 50 mil de todos os dias. Vai ser o que tiver de ser. Não estou preocupada. Uma segunda provação é o sinal claro que ainda estou a fazer alguma coisa errada. Se aprendi à primeira, mais aprenderei nesta segunda vez. Isso não quer dizer que não haja projectos novos, ideias novas, vontades a fervilhar!!!! UUUUIIII, se há!!! A seu tempo, a seu tempo saberão.

Só vos posso dizer que encontrei uma equipa com uma vontade de regresso semelhante à minha! Sou tão sortuda. Entre vídeos do Luís Neto, ao piano, o nosso responsável pelo audio…

 

… brindes de café, com a editora Catarina Fonseca e o realizador Pedro Fonseca…

… e os bons dias do jornalista Gonçalo Nuno Cabral (pôs no vidro do estúdio mas não consegui apanhar e fotografei na redacção, ele faz isto várias vezes)…

… e até este momento em que o operador de câmara Miguel Sebastiana se preparava para me tirar uma fotografia e o operador de mistura João Semide diz “A indústria farmacêutica vai criar um antibiótico contra a HP com o teu nome”. Esta equipa não dorme!

Percebem por que não me custa trabalhar? É por isto tudo.

Grata, muito grata por estar de volta. 

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O Henrique

O Henrique.

Sempre o tratámos assim, sempre o tratei assim. Para nós, na redacção da TVI, só há o Henrique. Nunca houve o Henrique Garcia.

Todos falam da sua calma, a característica mais marcante, talvez. Eu quero salientar outra: a enorme discrição por que sempre pautou a vida. No campo pessoal não lhe conheço notícias, no campo profissional… caramba. O Henrique chegava à redacção e só sabíamos que lá estava se o víssemos. Sem alaridos, nem histerismos. Acho que só lhe ouvi um tom de voz mais alto a rir e, aí, não se inibia. No seu lugar, começava a perceber a realidade que iria apresentar, a ler jornais, a definir alinhamento com o editor. No ar, aquela firmeza dava-nos segurança. Quando sabíamos que era ‘o Henrique’ a presentar não havia qualquer dúvida nem preocupação. Ontem, encontrei-o no estúdio, minutos antes do Jornal das 8 começar, a treinar o pivôt de abertura… como se fosse preciso. Como se fosse preciso. E sorriu-me, como sempre.

48 anos… O Henrique tem mais anos de profissão que eu de vida. Só isso já me obrigaria a ter um infinito respeito. Mas o seu rigor, a sua isenção, o cuidado no contraditório, tão ‘esquecido’ pelas novas gerações sempre em busca do imediato, em busca do reconhecimento pelo espectáculo, o discernimento pelo que é a notícia, tão necessário. O Henrique é do tempo da verdade, daquela que não se esconde e se busca sempre, daquela que as redes sociais não ludibriavam e ele nunca quis saber muito disso. Do tempo em que a elegância é a forma como se tratam os outros e não o número do fato que se veste. Do tempo em que não se falha, nunca se falha à palavra, que foi sempre o mais importante.

E a memória. Não, querido Henrique, a memória não está nos computadores, como ontem me disse. Aí está o arquivo. A memória está em nós, naquilo que vivemos, no que absorvemos e aprendemos, no que guardamos e transmitimos. E na hora de transmitir, poucos o faziam assim. Ensinar pelo exemplo, pelo gesto, pela actuação.

Vê-nos aqui todos, ontem, a escutar o seu exemplo? É este o grande legado que nos deixa.

Ainda lembro bem aquela frase “26 de Fevereiro de 2009. Hoje, as notícias, começam aqui”. Foi o arranque da TVI 24. Estávamos todos em êxtase. O Henrique estava calmíssimo e foi ele quem abriu o canal.

Graças a si somos melhores profissionais. Sou melhor profissional. Já não vou herdar os pivôts da 25a Hora de domingo, já não vou ver as inicias HG na linha do ok (cada pivôt põe as suas iniciais numa linha da grelha do alinhamento, para que todos saibam que o texto foi visto por si).

Os jornalistas são, provavelmente, das piores classes laborais. Digo isto sem qualquer problema mas com muita mágoa: já senti na pele várias vezes a ira de colegas de profissão, o desprimor, o ataque fácil. Mas ontem a redacção da TVI deu uma grande lição a todos: estivemos unidos a prestar-lhe uma justa homenagem, nem podia ser de outra maneira.

– ‘Olá, Henrique’, disse.

– ‘Olá. Estás cá?’, respondeu-me.

– ‘É claro que estou, nem podia estar noutro lado’.

E deu-me um abraço forte, sentido. Olhamo-nos nos olhos e só me disse “Estamos vivos”. Como eu o percebo.

Mais tarde aproximei-me e, mais recatados, disse o que tinha de dizer, o que sentia, o imenso orgulho que tive em trabalhar com o Henrique nestes 11 anos de TVI. É uma conversa nossa. Os jornalistas sentem da mesma maneira. Só precisa de se olhar nos olhos e percebem tudo. E os olhos do Henrique não mentem. Apesar daquela “poker face” característica, ontem não foi possível disfarçar. Havia emoção nele e em nós. Em todos nós.

OBRIGADA, HENRIQUE. Estamos vivos. 

 

 

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O que fica dos 33. 7 de 7

Dos 33 fica o amor! O amor de tantas formas, com tantas matizes, com tantas cores e tantos sorrisos. Dos amigos, da família, daqueles que escolhemos… e o nosso. Primeiro sempre o nosso amor próprio e depois o outro. Os 33 devolveram-mo e em bom, em mais forte, mais coeso, mais consciente, mais real.

O amor tem um limite: chama-se dignidade. Li esta frase algures, já nem me lembro bem onde, mas nunca mais me esqueci. Não vale tudo, não se aguenta tudo, não se esquece tudo nem se pode querer tudo. Isso, simplesmente, não existe. A perfeição não existe e ainda bem. É por isso que há pessoas mais ‘adaptáveis’ que outras, mais ‘suportáveis’ que outras, mais tolerantes que outras.

Aos 33 li um livro que me vai marcar para sempre: ‘Amor Zero’ de Iñaki Piñuel. Está tudo ali: tudo o que não precisamos que sintam por nós, que não podemos deixar que nos façam. Concretamente, este livro fala de psicopatas e também de narcisistas. O autor admite que, ao longo da vida, nos cruzamos com 60 destas pessoas. E a lição aqui é saber distingui-las das outras e assumir, de uma vez, que não as merecemos. Não as merecemos. O erro de casting é só delas.

Mas não me vou demorar porque quero mesmo é falar-vos do amor pela positiva. Este ano, a minha irmã do meio (irmã do coração, quase como se de sangue) fez-me madrinha da Laura. Este passo vai manter-nos unidas para sempre, se é que já não ía acontecer, e isso é de um amor brutal, de uma confiança cega, de uma partilha inestimável. A Laura é um ‘bebé alegria’, como a Inês a baptizou: está sempre a rir, come a rir, anda a rir, olha para nós a rir, passa uma tarde comigo no carro, sempre a rir. Sim, também faz birrinhas e até chorou no momento do baptismo mas… nunca vi um bebé assim, desculpem a prepotência. Percebem qual a lição que a Laura já nos deu? Que é preciso sorrir, é preciso alegria, que tudo faz mais sentido se for assim, que se torna mais fácil se formos (ou tentarmos ser) felizes. E nós sorrimos apenas porque ela sorri.

Eu já era madrinha da Lara que, aos 13 anos, está mais alta que eu, calça um número maior que o meu, é um génio a matemática e a tocar guitarra (não sai à madrinha) e ainda diz que eu tenho ‘cabelos prateados’ e ‘linhas’ no rosto. Prooooonto, a Laura vai demorar mais tempo a dizer essas coisas (uff…) mas também ainda não dá estes abraços bons!

 

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O que fica dos 33. 5 de 7

Aos 33 repeti a amarga experiência do luto. Sim, também houve momentos de profunda tristeza neste ano que termina.

O preto é, por defeito cultural, a cor escolhida para representar a perda, a ausência de alguém que não mais volta… Para mim, não. Para mim, a cor do luto é o branco: a total imensidão, ao mesmo tempo que acalma, que sossega, que transmite paz. Como esta fotografia da nuvens, daquilo que existe acima de nós, do que não conseguimos ver nem é, sequer, palpável. E isso também faz parte do processo.

Recupero o que escrevi no final de 2017:

“Os 33 levaram-me uma pessoa que amo. E nunca vou deixar de amar. Um pessoa que me ensinou o sentido da família, que me ensinou a amar mesmo quando não é tudo perfeito. A falta é brutal, mesmo à distância… a falta é brutal. O amor pode ter várias formas. A distância física é muito pouco quando se ama alguém que foi um exemplo para nós. E que, sabemos, nos amava de volta. Mas não quero ficar na perda… Quero celebrar a sua vida. A imensa gratidão de o ter tido comigo 33 anos, de me ter dado nome, de me ter embalado e baptizado. As lições que deu. O dever que cumpriu. O olhar meigo, a bondade, o discernimento, a inteligência… Sim, era o mais inteligente de todos nós. As salvas no seu funeral que ainda hoje ecoam na minha cabeça lembram-me isto tudo”.

E sobre isto, não pretendo dizer mais nada. Não posso, mesmo, dizer mais nada. Porque eu ainda não fiz este luto e não sei se o conseguirei fazer.

Mas, infelizmente, os 33 levaram-me outra pessoa, talvez um dos primeiros responsáveis por aquilo que sou hoje. No seu funeral li-lhe uma pequena homenagem. Quando terminei, choravam todos menos eu, que não podia. O meu professor de História e Geografia de Portugal, Emílio Serra, cego, um homem FABULOSO. Pediram-me para partilhar o texto e hesitei sempre… agora é o momento.

“Querido amigo, a primeira coisa que lhe quero dizer é ‘desculpe’.
Por não ter chegado a tempo. Soube há poucas semanas que estava doente e a vida que me incentivou a seguir não deixa tempo para muito. Ou para quase nada.
E se aqui estou é por sua causa. Essa é a segunda coisa que lhe quero dizer. Há mais de 20 anos levou-me a um estúdio de rádio… Tudo começou aí, nessa segunda feira na Rádio Tágide, o programa chamava-se ‘Letras Sonoras’. O resto da história já sabemos.
Consigo ouvir agora a sua bengala a bater na tijoleira das escadas do bloco onde tínhamos aula. A sala 7, se não me falha a memória, era a sua. Nós, miúdos, nem conseguíamos perceber como lia braille. Foi das primeiras lições que nos deu. Mas houve mais: Ensinou-nós a ir contra a corrente quando dinamizou uma escola, levantou um grupo de teatro e o fez resistir várias décadas. Mostrou o que era a resiliência quando contou a história de uma namorada com quem não casou poque os pais imploraram pela alma do irmão que não casasse com um homem cego.
Era isso que o tornava especial. O facto de lhe faltar um sentido apurava todos os outros e também nos fez perceber isso. Era um profundo conhecedor de todas as matérias. Figura pouco consensual, aliás nunca o ouvi dizer que queria agradar a todos… sabia bem que esse era o caminho para o fracasso.
Poucas coisas o emocionavam como uma estreia de uma peça de teatro ou uma conversa em torno de uma mesa. Obrigada por nos ter dado também essa experiência, de uma riqueza imensa e que hoje ainda todos recordamos.
Fomos amigos 23 anos. E mesmo não estando juntos muitas vezes sei que nos compreendíamos como poucos.
Obrigada por ter sido o primeiro a acreditar em mim e naquilo que eu sou hoje, pelas mensagens no natal, e pela companhia de manhã.
Até sempre”.

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A comida. Sempre a comida.

A minha mãe tem um conjunto de frascos castanhos de acrílico, semi-transparentes, com uma tampa vermelha, daqueles que havia em tantos lares. Na casa dos meus pais ainda existem, são frascos que guardam açúcar, arroz, farinha, pão ralado, folhas de louro. Conheço-os desde sempre e até os estou a ver neste instante, na minha frente. Na verdade foi ali que, pela primeira vez, vi estes alimentos. Para mim, o açúcar, arroz, farinha, pão ralado e folhas de louro vinham dali. Claro que o tempo me fez perceber que os alimentos vinham de outros sítios e que apenas terminavam a viagem ali e, depois, no nosso prato (calma, eu sei de onde vêm os ovos e a massa!). O conteúdo daqueles frascos era a comida como sempre a conheci. Mas tudo muda. E, apesar de já não ter associado à minha existência apenas aqueles alimentos, recentemente tive de mudar ainda mais.

Fonte: Google.pt

A querida HP obrigou-me a um tratamento mais agressivo, com 2 antibióticos e isso enfraqueceu o meu organismo. Era (e é) preciso recuperar tudo porque viver sem sistema imunitário é semelhante a viver exposto a temperaturas extremas: o calor queima-nos mas o frio também e as consequências são imprevisíveis. Equilíbrio, precisa-se e urgente! Devido a esta ‘aventura’ com a HP optei por um aconselhamento mais sério e pela ajuda de outros profissionais (menos o meu super-médico) para me ajudarem na recuperação. A Dra. Ana Rita Lopes que já conhecem e podem ler nas ‘5 perguntas a…’ falou-me de um plano alimentar que tem resultado com vários pacientes. O plano chama-se Low FODMAPs, o nome é estranho mas é muito fácil explicar: FODMAPs são um conjunto de nutrientes que são mal absorvidos pelo organismo e que podem causar desconforto intestinal- distensão abdominal, dor abdominal, flatulência, diarreia e/ou obstipação. Estes nutrientes incluem a frutose, a lactose, os oligossacáridos (frutanas e galacto-oligossacáridos) e os poliálcoois.

Há nomes mais estranhos e por isso vou utilizar a tabela que a Dra. Ana Rita me facultou também para que percebam ainda melhor do que se trata.

 

FODMAPs ALIMENTOS
Frutose Mel, frutos, vegetais
Lactose Leite e derivados
Frutanas Cereais e farináceos, legumes, frutos
Galacto-oligossacáridos Leguminosas
Poliálcoois Adoçantes, frutos, vegetais

 

Este tratamento consiste em 6 semanas de um regime alimentar em que são restringidos alimentos mais ricos em FODMaps, de forma que o tecido intestinal mas também a flora gástrica consigam recuperar de forma muito eficaz e consistente. Durante todo este tempo, é importante anotar (escrever mesmo, sim) a reação do organismo aos vários alimentos: o que funciona para umas pessoas não é indicado para outras. Por exemplo, eu sou intolerante à cenoura (isto é outra conversa, a das intolerâncias) mas a cenoura surge como alimento a preferir nestas semanas; a laranja é aconselhada mas no meu caso não convém porque ainda estou a recuperar da HP. Mas, mais importante ainda, é seguir as indicações. Se se consumir algo que não está indicado, não tenham dúvidas: o organismo vai mesmo reagir.

Não espero com isto emagrecer (perdi 4 kgs e estou a recuperar) mas quero muito viver bem e, acima de tudo, viver melhor. Estou quase na quarta semana e sinto-me lindamente.

Isto funciona como tratamento e é mesmo. Não há alimentos melhores nem piores (excepção ao açúcar refinado, um veneno!), há alimentos que toleramos e outros que não nos fazem assim tão bem, pelo menos em algumas alturas. Acredito que a minha saúde vai melhorar muito, confio plenamente na Dra. Ana Rita.

No meu caso, é reaprender a comer, procurar, analisar, pesquisar e crescer muito enquanto consumidora. Se me virem num supermercado a ler rótulos, deixem-me ficar. Agora, é mesmo assim!

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Diário da bactéria #4

 

HP, vamos conversar.

Tu já és crescida, tens cerca de 20 anos, eu já vou a caminho dos 40, e já sabes que quando ‘um não quer, dois não fazem’. Eu não quero mais. Desculpa. Mas uma de nós tinha de ser adulta e tomar uma decisão.
Mas não é de ti… é de mim. Esta nossa relação já deu o que tinha dar. Eu sei que tu concordas. E não estar a ter piada nenhuma, confessa.
Eu dei-te oportunidade para estares por cá imenso tempo, nem sei bem quanto. Mas já chega. Daqui a umas semanas quando repetir os exames agradeço que já não estejas ou terei de tomar medidas drásticas.
Apesar de tudo… Não te vou atacar. Não. Quero apenas que vás embora e não voltes mais.
Pronto. Adeus. Nada de dramatismos, nada de choramingas. Nós não somos dessas coisas.

Olha, vou regressar ao trabalho.

Se quiseres saber de mim liga a televisão na TVI e TVI24 entre as 6h30 e as 10h, todos os dias. Não tentes invadir as instalações da empresa porque estão todos avisados e ninguém te vai deixar entrar. Não tentes atacar de surpresa porque já sabes que eu durmo pouco e nem sequer te passe pela cabeça atingir alguém de quem eu goste: aí serei ainda mais reativa.

Faz o que quiseres: vai correr, viajar, vai gerir um banco, pede bilhetes para o futebol, lê.

Addio, adieu, auf wiedersehen, goodbye.

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2017… Em fotos.

Começámos o ano a estrear casa nova, o novo estúdio da TVI. Foi em Fevereiro.

O ano em que ser feliz… Deixou de ser opcional e passou para o topo das prioridades. Ericeira, Março.

O lançamento do livro da minha querida amiga Margarida Vieitez. Março.

O ano dos 33… Inesquecível. Março.

O Diário da Manhã foi líder durante 4 meses. Obrigada! Abril.

A turma fabulosa de doutoramento. A tese pode não valer de nada porque eles valem tudo. Primeiro ano completo. Maio.

O meu trabalho faz-me voar. Porto Santo, Junho.

Paz. Férias, Agosto.

Embaixadora Semana Europeia do Desporto. Que orgulho!!! Setembro.

Renovar de alma. Barcelona, Outubro.

Sevilha, Outubro.

Este blog… Sem palavras. Outubro

O Centro Sagrada Família que conheci este ano. Novembro.

A equipa fabulosa que faz todos os dias o Diário da Manhã.

FELIZ 2017, sem dúvida que foi.

 

 

 

 

 

 

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2017… em palavras.

No momento que escrevo este post estou no cabeleireiro. Sitio mais inusitado para escrever, não é? Devia era estar a ler revistas com sugestões de vestidos para o fim de ano…
Dou por mim a pensar que talvez o cabeleireiro tenha sido das minhas acções mais constantes de 2017, assim como o ginásio. Não posso, não devo, nem quero fugir.
Mas…. Quem não gosta de quebrar a regra e escapar a um dever?

2017 foi ano de retomar esta capacidade de cumprir e quebrar, sem culpa. Metade do ano foi a fazer trabalhos de doutoramento. Incluindo aquele que tens 2 meses para fazer e a 2 semanas de entregar… É preciso começar do 0 porque está tudo fora do sítio. Trabalhos, aulas, conferências… Não há como escapar. A verdade é que metade do meu ano foi passado com olhos na política, na geoestratégia, na economia (que passei a adorar), na governance. Tão rica, tão feliz, tão mais adulta que me tornei com este conhecimento que adquiri. Se foi fácil? Prefiro dizer que valeu muiiiiito a pena. E valeu. Faria tudo outra vez. Mas agora… O caminho é outro.

2017 fez de mim uma pessoa ainda mais focada. Aprendi a dizer não. Voltei a conseguir perceber o que não quero e isso… É meio caminho andado para a resolução e revalidação pessoais. Durante uns 2/3 anos houve um hiato de alegria na minha vida. Acontece, às vezes acontece. Vamos ao fundo para depois apreciar melhor a subida. Deixamos de ver o sol para poder apreciar as estrelas. Hoje sei que foi isso mesmo: eu tinha as prioridades trocadas e não percebia. Só pela subida, pela conquista, que infindável capacidade de sorrir que readquiri… Valeu tudo. Voltei ao sorriso sem culpa, ao viver sem medo, ao coração aberto, à ajuda ao próximo, voltei a ter os meus amigos e a ter tempo com eles. Mas percebi também que se não conseguir fazer alguma coisa… Está tudo bem. O mundo não acaba, a vida não castiga… É só isso. Dou sempre o meu melhor, sempre. É isso é que conta.

Aprendi a ter expectativas -4. A não me desiludir com aquilo ou aquelas pessoas que afinal não são vitais para a minha existência. Aprendi a seleccionar. A filtrar más energias, toxicidade, show off, para bem da minha saúde. E posso dizer-vos… É maravilhoso.

Passei mais tempo com quem amo. Disse muito mais vezes ‘gosto de ti’ e recebi de volta. Cimentei amizades, renovei laços e votos… E tornei-me leve.

Reforcei a ideia que os estranhos são amigos que não conheço. Ganhei 10 pessoas maravilhosas na minha turma de doutoramento que vão ficar para toda a vida. Conheci convidados maravilhosos, histórias de vida apaixonantes, exemplos desconcertantes de quem tinha tudo para desistir e está ali, firme para o que vier mais.

Lancei um blog, este blog, que tanto me orgulha e me dá vontade para continuar.

Mas 2017 também me levou uma pessoa que amo. E nunca vou deixar de amar. Um pessoa que me ensinou o sentido da família, que me ensinou a amar mesmo quando não é tudo perfeito. A falta é brutal, mesmo à distância… a falta é brutal. O amor pode ter várias formas. A distância física é muito pouco quando se ama alguém que foi um exemplo para nós. E que, sabemos, nos amava de volta. Mas não quero ficar na perda… Quero celebrar a sua vida. A imensa gratidão de o ter tido comigo 33 anos, de me ter dado nome, de me ter embalado e baptizado. As lições que deu. O dever que cumpriu. O olhar meigo, a bondade, o discernimento, a inteligência… Sim, era o mais inteligente de todos nós. As salvas no seu funeral que ainda hoje ecoam na minha cabeça lembram-me isto tudo.

Sou uma pessoa com tanta sorte. E sou profundamente grata à vida por esta oportunidade de, dia após dia, ano após ano… Poder começar de novo.
Eu acredito tanto mas tanto que 2018 vai ser FA-BU-LO-SO.
Acreditem também. Juntos somos mais fortes.