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Contra a violência doméstica, em todo o lado

Estas imagens são da Praça Habima, em Tel Aviv, Israel. São sapatos vermelhos, de mulheres que os usam ou… já usaram. O que está aqui é um protesto contra a falta de actuação do Governo pela violência doméstica. Este ano, pelo menos 24 mulheres morreram devido a abusos dentro da família ou pelas mãos de pessoas com quem mantinham relações afectivas. TODAS contactaram as autoridades e disseram que temiam pela sua segurança e sobrevivência. O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu prometeu medidas recorde para parar esta situação. Esta realidade dramática e animalesca afecta o Mundo inteiro, independentemente da cultura, credo ou raça.

E as imagens não precisam de mais legendas. 

Fonte: The Guardian

Fotos: Oded Balilty/AP+ Jim Hollander/EPA

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A Rosa, a maior!

Acordámos todos com esta notícia maravilhosa: a Rosa Mota, nossa campeã Olímpica em 1988 ganhou uma maratona em Macau. Que maraviha, que inspiração, que força! E porquê? Por que a Rosa Mota tem 60 anos mas tem tanta energia que comove e embaraça. Aposto que esta medalha sabe bem.

Lembro bem deste vídeo promocional que gravámos por altura da Semana Europeia do Desporto. Esta acção foi gravada, digo-vos agora, em tempo recorde. No total, demorámos 1 hora a fazer tudo: a gravar vários takes da mesma fala, vários momentos a correr, a caminhar, a saltar à corda. Pelo meio, muita gente a passar, a falar à Rosa e ela a responder, a incentivar, sem perder o foco. Podia não achar muita piada a estar a ser conduzida por uma miúda que não conhecia de lado nenhum. Não. Nunca questionou, até deu ideias. Mal sabia que tinha ali uma profunda admiradora. Às vezes, esta vida proporciona-nos a possibilidade de estar com quem muito admiramos.

“Acordei, não tinha agenda e resolvi ir correr!”. É isto. Simples.

Parabéns, querida Rosa Mota! E obrigada, que exemplo!

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Rebenta a bolha!

Desculpem mas… permitam-me: está tudo louco?

De vez em quando os meus olhos param em alguns anúncios de imobiliário ou recebo alguma newsletter e nem quero acreditar.

Eu até sou capaz de perceber o preço de algumas casas, para arrendar e comprar: o objectivo é selecionar inquilinos e compradores, distinguir pessoas e lugares. Não me choca, na verdade, sempre foi assim. Mas… em alguns lugares, não todos os lugares. Caríssimos, não esperem que alguém nas Olaias queira pagar um T1 por 900 euros. Ou possa dar 1 700 euros por um T2.

Os novos modelos de negócio (Air BnB) fizeram disparar os valores de forma assustadora por que um senhorio prefere ter a casa alugada a turistas que até podem partir tudo mas em 2 ou 3 dias pagam o valor de um mês. Depois? Partiram mas há dinheiro para arranjar. Venha de lá mais um grupo. Nada contra, atenção, mas estes preços não podem servir para definir rendas mensais que as pessoas simplesmente não podem pagar! De que vive uma família que recebe o salário mínimo (cada vez mais comum) e que tem filhos para alimentar? Nem todos os locais servem para este arrendamento de curta duração, apenas os que são servidos de boas redes de transportes e comunicações, aqueles que são mais centrais que outros.

Por outro lado… o problema é que há sempre alguém que paga, há sempre alguém que reclama mas que oferece mais. Até pode achar que o investimento não é vantajoso mas, vamos lá saber porquê, paga. E paga bem.

Acho que está na hora de parar e pensar. Não espero que o faça quem aluga. Mas quem legisla já devia ter percebido que é preciso fazer alguma coisa. Depressa. Ou ainda acabamos todos a dormir na rua.

E não, não vale a pena dizer ‘É a economia, estúpida!”. É muito, muito para além disso.

Entretanto, encontrei estes dois anúncios. Tão parecidos, tão ridículos. De um requinte… Uma sorte, só vos digo. Uma sorte para quem quiser dar mais de 200 mil euros por 40 metros quadrados no centro histórico de Lisboa. Sim e há quem esteja disposto a fazer o mesmo, para acordar com o mar. Bolas, por este valor até caipirinhas devia ter, uma pulseira dourada e um empregado a fazer massagens, a todas as horas.

Ahhhh. Portugal no seu melhor.

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Marrocos, a escolha.

Sabem aqueles acasos felizes? Marrocos foi isso: um acaso. Feliz. 

Eu precisava mesmo sair e desligar. Não dei pelo passar de 2018 mas, ao mesmo tempo, lembro-me de todos os dias. Sim, é mesmo isto. Desde o início do ano que a minha mente dizia “CABO VERDE” por isso, lá fui eu, disposta a ir para África. O facto de ter pouco tempo de férias, ser uma viagem de última hora e, por isso, mais caro empurraram-me, numa primeira fase, para a Croácia. Pareceu-me lindamente. É um dos meus destinos marcados. Voltei à agência no dia seguinte e… não havia hotel. Não era possível confirmar. Plano B?

Pronto. Opções? Cuba. Maravilhoso. 8 horas de avião e possíveis furacões? Não. E, como que por magia… surgiu Marrocos. Uma única vaga, que não havia na véspera, aqui tão pertinho. Ainda hesitei por que não era o que preferia. É um destino mais saturado nesta altura e eu queria mesmo descansar… Mas aceitei. Parti menos de 24 horas depois.

Sinceramente, nem pensei muito. Queria era ir. Sentia que tinha de ir.

Nunca tinha estado em África e assim que saí do avião já estava a sentir o calor e aquela humidade superior a 70 por cento. A segunda sensação foi depois de receber um sms da minha operadora a informar do tarifário praticado, até o Wifi é cobrado. Bem-vinda!

Bem, pelo caminho para o hotel vi homens a guardar rebanhos debaixo de um sol terrível e lembrei-me do meu querido avô que dizia que devemos combater o calor com roupas leves e frescas mas com roupa mesmo por que o sol a bater na pele é que aquece e faz calor. De facto, é exactamente isso, daí as túnicas, as djellabas, aquelas peças largas e compridas que podem ser usadas tanto por homens como por mulheres, serem as preferidas. Povo muito sábio.

Ao fim de 2 dias já estava toda marcada dos mosquitos. Levei medicamentos para tudo o mais alguma coisa, não fosse a hérnia dar sinal de vida (portou-se tãããão bem!!) mas repelente… não.

Marrocos é uma terra de contrastes e tanto podemos estar numa estância balnear como percorrer 400 quilómetros e já estamos numa cidade imperial, noutra realidade completamente diferente. E isso fascinava-me. Lenço na cabeça, pelo sim pelo não e… lá vai ela. Aprendi a atar um turbante, a colocar o lenço de modo a tapar a cabeça… aprendi tanta coisa.

Cheguei sozinha, como já disse, mas andei sempre acompanhada. 2 dias depois conheci a Sara e o António, extraordinários companheiros de viagem, de uma discrição comovente, com uma simplicidade que existe, talvez, só em Marrocos. Quis o destino que nos encontrássemos ali, a tantos quilómetros de casa. Ficámos amigos para a vida, tenho a certeza.

Um vez, sozinha, num sítio qualquer, dei por mim a pensar que a vida é maravilhosa e que nos devolve SEMPRE em dobro o bem que fazemos aos outros. E comovi-me.

Ali percebi que há coisas que estão onde devem estar, que não faz sentido tentar mudar, querer para nós. São dali. Mudar isso é como tentar fazer alguém gostar de uma música que não percebe, abraçar alguém que não ama, calçar um sapato que não lhe serve, comer algo a que se é intolerante. Ali, mais que noutro sítio, percebi que a diferença pode ser fulcral, determinante, abissal. Ainda que possa ser atenuada, compreendida… nunca vai mudar. E há coisas, simplesmente… incompatíveis.

Mas Marrocos mostrou-me também que o que se sente não se disfarça, não se pode dissimular. Que há sempre uma parte de nós que renasce mas outra acaba por desaparecer, por que ficou lá. E que isso é o que é. A vida que no-la devolva, se assim tiver de ser.

Em Marrocos agradeci por que, em muito momentos, eu estive exactamente onde devia ter estado: ali. A sentir, a viver, a cheirar, a receber e a absorver tudo, em cada poro da pele, em cada passo que dei. Em todas as horas que passei a dormir numa espreguiçadeira, todas as tajines que provei, todos os cheiros que inalei.

 

 

 

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Marrocos é já ali.

“-Tu vieste sozinha para Marrocos??”. Foi a frase com que fui recebida, pelo meu guia, em Saïdia.

“- Sim, sozinha. Porquê?”, respondi.

“- Tu és muito corajosa”, respondeu ele, meio atordoado.

Nem sabe quanto. Não me conhecia ou já não teria estranhado a aventura. Apesar de tudo, os meus amigos também ficaram assim um bocadinho desconcertados. Confiantes mas desconcertados. Aposto que lá no fundo pensaram… “pronto, foi desta que ela pirou de vez” mas depois também devem ter lembrado que estão perante alguém que acorda às 4 horas da manhã há mais de 7 anos e que regressa a casa, frequentemente, por volta das 19 horas. Além disso, Marrocos até pode ser uma brincadeira de meninos, se pensarem que ainda me falta o Oriente e toda uma aventura pela Tailândia. E o Egipto. E a Route 66. Bem… posso garantir que ninguém me trocou por camelos, nem sequer tentou, (as mulheres loiras estão sempre em perigo!) e que fiz muitos amigos. E que tive sempre apoio. Fez toda, toda a diferença.

Viajar é abrir a mente a culturas diferentes, é aceitar, é querer fazer parte do desconhecido, é estar disponível para conhecer e sentir coisas novas. Não julgar. Marrocos é o sítio para tudo isso.

Os cheiros, as cores, os hábitos, a língua, a comida, o chá, o clima, as medinas, as mesquitas, as pessoas. Tudo fascinante, não absolutamente desconhecido para quem conhece o sul da Península Ibérica mas, ainda assim, diferente.  Adaptava-me muito a esta vida mas sei que também sentiria a falta de uma cultura mais ocidentalizada, mais moderna, mais nossa. Quem conhece nunca esquece e jamais esquecerei Marrocos. Marraquexe é o próximo destino, está prometido.

Mostro-vos algumas fotografias de sítios que visitei. Nos próximos dias conto-vos melhor cada aventura nas peles, na marroquinaria, na comida, nos mercados, nas ruas estreitas de Fez, no regateio com os comerciantes, na loja de produtos naturais. Quilos de conhecimento que só a experiência pode proporcionar.

Vale muito pena. E, depois, pouca coisa é mais reconfortante que um mergulho no Mediterrâneo. Um Mar tão deles, tão nosso, tão calmo e revolto, ao mesmo tempo.

 

 

 

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Vai ser. Eu sei que vai ser.

 

Há em mim um sentimento que me invade desde o final de 2017: 2018 vai ser um ano fantástico! Não perguntem o que eu acho que vai acontecer por que… eu não sei! Só sei que vai ser espectacular!

Estou doente há 8 meses, o cenário é para gerir muitos danos mas, mesmo assim… não vos sei explicar. Dia após dia, acredito cada vez mais.

Sinto. Quero. Vai acontecer.

Digo a toda a gente, acho que a minha mãe até já sabe a frase de cor…

Ofereceu-me esta agenda uma grande amiga, no aniversário dos 34. Escrevo nela todos os dias e não posso deixar de sorrir quando olho a capa.

Vai ser. 2018 vai ser um ano maravilhoso. EU SINTO!

Também sentem o mesmo?

 

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O regresso

Ontem, o regresso, foi para mim o dia 0.

Assim daquelas vezes que não contam, que são quase como um treino… Ontem senti-me um atleta a treinar pela primeira vez. O que, para mim, é muito estranho. Faço o Diário da Manhã há 7 anos, há 5 em exclusividade. Voltar é bom, tão bom quanto voltar à nossa casa, ao nosso espaço, ao sítio onde somos (sempre) felizes. Aqui, neste estúdio, eu sou muito feliz. é onde passo a maior parte do meu dia. São estas paredes que encerram muitos sentimentos, muitos estados de alma, muitas confissões feitas em silêncio, que ninguém sabe, ninguém ouve nem vê. Lá para casa, sempre no melhor. Não é falsidade, é trabalho. É o que deve ser, o que é suposto ser… the show must go on. Sem lamúrias, sem perder tempo. Siga!

Desejava muito voltar. Muito mesmo. Esta segunda paragem foi terrível, confesso. Fisicamente, o abalo foi enorme e, por isso, ontem foi o dia 0. Tão complicado gerir o cansaço que passei parte da tarde a dormir, outra parte com a minha nutricionista, a definir o plano alimentar para os próximos tempos… voltamos à casa de partida.

Sei que os próximos vão ser mais lentos, mais exigentes fisicamente, com mais tempo de descanso e menos correria, menos tarefas das 50 mil de todos os dias. Vai ser o que tiver de ser. Não estou preocupada. Uma segunda provação é o sinal claro que ainda estou a fazer alguma coisa errada. Se aprendi à primeira, mais aprenderei nesta segunda vez. Isso não quer dizer que não haja projectos novos, ideias novas, vontades a fervilhar!!!! UUUUIIII, se há!!! A seu tempo, a seu tempo saberão.

Só vos posso dizer que encontrei uma equipa com uma vontade de regresso semelhante à minha! Sou tão sortuda. Entre vídeos do Luís Neto, ao piano, o nosso responsável pelo audio…

 

… brindes de café, com a editora Catarina Fonseca e o realizador Pedro Fonseca…

… e os bons dias do jornalista Gonçalo Nuno Cabral (pôs no vidro do estúdio mas não consegui apanhar e fotografei na redacção, ele faz isto várias vezes)…

… e até este momento em que o operador de câmara Miguel Sebastiana se preparava para me tirar uma fotografia e o operador de mistura João Semide diz “A indústria farmacêutica vai criar um antibiótico contra a HP com o teu nome”. Esta equipa não dorme!

Percebem por que não me custa trabalhar? É por isto tudo.

Grata, muito grata por estar de volta. 

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O Henrique

O Henrique.

Sempre o tratámos assim, sempre o tratei assim. Para nós, na redacção da TVI, só há o Henrique. Nunca houve o Henrique Garcia.

Todos falam da sua calma, a característica mais marcante, talvez. Eu quero salientar outra: a enorme discrição por que sempre pautou a vida. No campo pessoal não lhe conheço notícias, no campo profissional… caramba. O Henrique chegava à redacção e só sabíamos que lá estava se o víssemos. Sem alaridos, nem histerismos. Acho que só lhe ouvi um tom de voz mais alto a rir e, aí, não se inibia. No seu lugar, começava a perceber a realidade que iria apresentar, a ler jornais, a definir alinhamento com o editor. No ar, aquela firmeza dava-nos segurança. Quando sabíamos que era ‘o Henrique’ a presentar não havia qualquer dúvida nem preocupação. Ontem, encontrei-o no estúdio, minutos antes do Jornal das 8 começar, a treinar o pivôt de abertura… como se fosse preciso. Como se fosse preciso. E sorriu-me, como sempre.

48 anos… O Henrique tem mais anos de profissão que eu de vida. Só isso já me obrigaria a ter um infinito respeito. Mas o seu rigor, a sua isenção, o cuidado no contraditório, tão ‘esquecido’ pelas novas gerações sempre em busca do imediato, em busca do reconhecimento pelo espectáculo, o discernimento pelo que é a notícia, tão necessário. O Henrique é do tempo da verdade, daquela que não se esconde e se busca sempre, daquela que as redes sociais não ludibriavam e ele nunca quis saber muito disso. Do tempo em que a elegância é a forma como se tratam os outros e não o número do fato que se veste. Do tempo em que não se falha, nunca se falha à palavra, que foi sempre o mais importante.

E a memória. Não, querido Henrique, a memória não está nos computadores, como ontem me disse. Aí está o arquivo. A memória está em nós, naquilo que vivemos, no que absorvemos e aprendemos, no que guardamos e transmitimos. E na hora de transmitir, poucos o faziam assim. Ensinar pelo exemplo, pelo gesto, pela actuação.

Vê-nos aqui todos, ontem, a escutar o seu exemplo? É este o grande legado que nos deixa.

Ainda lembro bem aquela frase “26 de Fevereiro de 2009. Hoje, as notícias, começam aqui”. Foi o arranque da TVI 24. Estávamos todos em êxtase. O Henrique estava calmíssimo e foi ele quem abriu o canal.

Graças a si somos melhores profissionais. Sou melhor profissional. Já não vou herdar os pivôts da 25a Hora de domingo, já não vou ver as inicias HG na linha do ok (cada pivôt põe as suas iniciais numa linha da grelha do alinhamento, para que todos saibam que o texto foi visto por si).

Os jornalistas são, provavelmente, das piores classes laborais. Digo isto sem qualquer problema mas com muita mágoa: já senti na pele várias vezes a ira de colegas de profissão, o desprimor, o ataque fácil. Mas ontem a redacção da TVI deu uma grande lição a todos: estivemos unidos a prestar-lhe uma justa homenagem, nem podia ser de outra maneira.

– ‘Olá, Henrique’, disse.

– ‘Olá. Estás cá?’, respondeu-me.

– ‘É claro que estou, nem podia estar noutro lado’.

E deu-me um abraço forte, sentido. Olhamo-nos nos olhos e só me disse “Estamos vivos”. Como eu o percebo.

Mais tarde aproximei-me e, mais recatados, disse o que tinha de dizer, o que sentia, o imenso orgulho que tive em trabalhar com o Henrique nestes 11 anos de TVI. É uma conversa nossa. Os jornalistas sentem da mesma maneira. Só precisa de se olhar nos olhos e percebem tudo. E os olhos do Henrique não mentem. Apesar daquela “poker face” característica, ontem não foi possível disfarçar. Havia emoção nele e em nós. Em todos nós.

OBRIGADA, HENRIQUE. Estamos vivos. 

 

 

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O que fica dos 33. 7 de 7

Dos 33 fica o amor! O amor de tantas formas, com tantas matizes, com tantas cores e tantos sorrisos. Dos amigos, da família, daqueles que escolhemos… e o nosso. Primeiro sempre o nosso amor próprio e depois o outro. Os 33 devolveram-mo e em bom, em mais forte, mais coeso, mais consciente, mais real.

O amor tem um limite: chama-se dignidade. Li esta frase algures, já nem me lembro bem onde, mas nunca mais me esqueci. Não vale tudo, não se aguenta tudo, não se esquece tudo nem se pode querer tudo. Isso, simplesmente, não existe. A perfeição não existe e ainda bem. É por isso que há pessoas mais ‘adaptáveis’ que outras, mais ‘suportáveis’ que outras, mais tolerantes que outras.

Aos 33 li um livro que me vai marcar para sempre: ‘Amor Zero’ de Iñaki Piñuel. Está tudo ali: tudo o que não precisamos que sintam por nós, que não podemos deixar que nos façam. Concretamente, este livro fala de psicopatas e também de narcisistas. O autor admite que, ao longo da vida, nos cruzamos com 60 destas pessoas. E a lição aqui é saber distingui-las das outras e assumir, de uma vez, que não as merecemos. Não as merecemos. O erro de casting é só delas.

Mas não me vou demorar porque quero mesmo é falar-vos do amor pela positiva. Este ano, a minha irmã do meio (irmã do coração, quase como se de sangue) fez-me madrinha da Laura. Este passo vai manter-nos unidas para sempre, se é que já não ía acontecer, e isso é de um amor brutal, de uma confiança cega, de uma partilha inestimável. A Laura é um ‘bebé alegria’, como a Inês a baptizou: está sempre a rir, come a rir, anda a rir, olha para nós a rir, passa uma tarde comigo no carro, sempre a rir. Sim, também faz birrinhas e até chorou no momento do baptismo mas… nunca vi um bebé assim, desculpem a prepotência. Percebem qual a lição que a Laura já nos deu? Que é preciso sorrir, é preciso alegria, que tudo faz mais sentido se for assim, que se torna mais fácil se formos (ou tentarmos ser) felizes. E nós sorrimos apenas porque ela sorri.

Eu já era madrinha da Lara que, aos 13 anos, está mais alta que eu, calça um número maior que o meu, é um génio a matemática e a tocar guitarra (não sai à madrinha) e ainda diz que eu tenho ‘cabelos prateados’ e ‘linhas’ no rosto. Prooooonto, a Laura vai demorar mais tempo a dizer essas coisas (uff…) mas também ainda não dá estes abraços bons!