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Rebenta a bolha!

Desculpem mas… permitam-me: está tudo louco?

De vez em quando os meus olhos param em alguns anúncios de imobiliário ou recebo alguma newsletter e nem quero acreditar.

Eu até sou capaz de perceber o preço de algumas casas, para arrendar e comprar: o objectivo é selecionar inquilinos e compradores, distinguir pessoas e lugares. Não me choca, na verdade, sempre foi assim. Mas… em alguns lugares, não todos os lugares. Caríssimos, não esperem que alguém nas Olaias queira pagar um T1 por 900 euros. Ou possa dar 1 700 euros por um T2.

Os novos modelos de negócio (Air BnB) fizeram disparar os valores de forma assustadora por que um senhorio prefere ter a casa alugada a turistas que até podem partir tudo mas em 2 ou 3 dias pagam o valor de um mês. Depois? Partiram mas há dinheiro para arranjar. Venha de lá mais um grupo. Nada contra, atenção, mas estes preços não podem servir para definir rendas mensais que as pessoas simplesmente não podem pagar! De que vive uma família que recebe o salário mínimo (cada vez mais comum) e que tem filhos para alimentar? Nem todos os locais servem para este arrendamento de curta duração, apenas os que são servidos de boas redes de transportes e comunicações, aqueles que são mais centrais que outros.

Por outro lado… o problema é que há sempre alguém que paga, há sempre alguém que reclama mas que oferece mais. Até pode achar que o investimento não é vantajoso mas, vamos lá saber porquê, paga. E paga bem.

Acho que está na hora de parar e pensar. Não espero que o faça quem aluga. Mas quem legisla já devia ter percebido que é preciso fazer alguma coisa. Depressa. Ou ainda acabamos todos a dormir na rua.

E não, não vale a pena dizer ‘É a economia, estúpida!”. É muito, muito para além disso.

Entretanto, encontrei estes dois anúncios. Tão parecidos, tão ridículos. De um requinte… Uma sorte, só vos digo. Uma sorte para quem quiser dar mais de 200 mil euros por 40 metros quadrados no centro histórico de Lisboa. Sim e há quem esteja disposto a fazer o mesmo, para acordar com o mar. Bolas, por este valor até caipirinhas devia ter, uma pulseira dourada e um empregado a fazer massagens, a todas as horas.

Ahhhh. Portugal no seu melhor.