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Alimentação, pela Dra. Ana Rita Lopes

Congelar alimentos: truques para uma congelação mais eficaz e segura

Muitas pessoas podem ficar doentes devido ao consumo de alimentos ou água contaminada por microrganismos perigosos e/ou químicos tóxicos. Como congelar então os alimentos de forma segura?

A probabilidade de surgir uma doença de origem alimentar diminui quando estão asseguradas boas práticas de manipulação e conservação de alimentos. Estas práticas incluem, entre outras, um adequado controlo da temperatura. É mais propensa a multiplicação de microrganismos potencialmente perigosos entre os 5°C e os 60°C. Logo, se os alimentos estiverem expostos a temperaturas muito elevadas ou muito baixas, a probabilidade de surgir uma doença de origem alimentar é muito diminuta. Desta forma, torna-se essencial garantir boas práticas de conservação e manipulação dos alimentos! A conservação de alimentos através da congelação não elimina os microrganismos potencialmente perigosos mas limita a sua multiplicação, não só pela diminuição da temperatura mas também pela redução da atividade enzimática e da água livre em estado líquido, levando assim a uma conservação mais duradoura comparativamente à refrigeração. A temperatura do seu congelador deve estar regulada nos -18°C, sendo indiferente o local onde se colocam os alimentos, uma vez que a temperatura é uniforme em todo o compartimento.

Em seguida, encontram-se listados alguns truques para uma congelação mais eficaz e segura:

 Não encha demasiado o congelador, pois pode comprometer a circulação do ar frio;
 É fundamental proteger os alimentos a congelar evitando queimaduras pelo frio, particularmente quando se trata de grandes pedaços de carne. Comece por enrolar a carne em papel vegetal e, posteriormente, isole com película aderente. Para os restantes alimentos, use sacos com fecho. Depois de colocar os alimentos no interior dos sacos, deixe uma pequena abertura para que possa retirar todo o ar e só depois feche o saco. Isto diminui a quantidade de ar que está em contacto direto com os alimentos, evitando queimaduras, preservando-os por mais tempo e em melhores condições;
 Quando um alimento congelado apresenta uma alteração de cor para uma cor castanha clara ou acinzentada, estamos na presença de uma queimadura por congelação e o alimento não deve ser consumido;
 Opte por congelar em doses individuais, pois proporciona uma descongelação e confeção mais rápida;
 Não volte a congelar um alimento que foi previamente descongelado;
 Relativamente à congelação das hortícolas: uma rápida imersão dos vegetais frescos em água fervente e de seguida, por água fria, (processo designado de branqueamento) possibilita inativar as enzimas que promovem a degradação dos vegetais, permitindo assim uma melhor manutenção da cor;

 Evite colocar alimentos quentes ou à temperatura ambiente no congelador. Antes de os congelar leve-os ao frigorífico, para reduzir a temperatura;
 Lembre-se que os alimentos dilatam com a congelação, por isso nunca encha os recipientes até à capacidade máxima;
 Certifique-se de que os alimentos a congelar se encontram em boas condições;
 Identifique os alimentos congelados com recurso a etiquetas que possuam a indicação do tipo de alimento e respetiva data de congelação porque apesar de os alimentos estarem congelados, também possuem prazo de validade, a saber:

o Carne de vaca: 12 meses
o Carne de frango: 10 meses
o Carne de borrego: 8 meses
o Carne de caça: 6 meses
o Carne de porco: 6 meses
o Carne picada: 2 meses
o Enchidos: 2 meses
o Peixes magros: 6 meses
o Peixes gordos: 3 meses
o Marisco: 3 meses
o Hortaliças: 12 meses
o Pão e bolos: 3 meses
o Pratos cozinhados: 3 meses
o Salgados: 6 meses
o Queijos de pasta mole: 8 meses
o Manteiga: 6 meses
o Natas: 3 meses

A não esquecer!

O congelador é um ótimo aliado na conservação dos alimentos, no entanto devem ser respeitadas algumas regras que asseguram a manutenção da qualidade dos alimentos congelados. Além disso, com o passar do tempo os alimentos perdem sabor, cor, textura e valor nutricional!

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Deja Vu.

Não pensava, sinceramente, que veria imagens parecidas com as que registámos no ano passado, em Pedrogão Grande, durante os incêndios. Foram tempos complicados, de cobertura noticiosa. Fiquei em estúdio, não fui para o terreno mas nem por isso me consegui distanciar da imagem daquela estrada nacional onde tantas pessoas morreram. De forma voluntária, foi inevitável imaginar a aflição de alguém que percebe que os dias acabaram, que sente o fim, que depois daquilo… não haverá nada. Ter consciência é, ao mesmo tempo, o melhor e o pior que nos pode acontecer, na vida. 

Ao ver as imagens da Grécia tive um arrepio. Achei que não iria ver isto de novo e… enganei-me.

Não vos consigo explicar o que se sente ao ler e repetir “26 pessoas pessoas foram encontradas carbonizadas, abraçadas”. Não consigo. Isto é um filme de terror.

13 meses separam as imagens.

Grécia, Julho 2018

Pedrogão Grande, Junho 2017

 

Fotografias: Google.pt

 

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5 Perguntas a Catarina Canelas

Em semana de Aniversário da TVI e TVI 24 faz todo o sentido questionar uma das maiores promessas (e já certeza, também) da redacção. Tenho a certeza que já viram reportagens da Catarina.

1 – O que é uma boa história?

Uma boa história é aquela que nos cria desassossego de alma, que nos faz parar e pensar! É a que nos faz ficar agarrados frente a um ecrã, um jornal ou um livro, como se estivéssemos a ver o mundo pela primeira vez. E também aquela que nos faz desligar dos “likes e tweets”e nos faz voltar ao mundo real, onde há pessoas, lugares, dramas e até choro e risos. Se não houver arte para este “choque” com quem está a ver, nunca será uma boa história. Ou seja, se não soubermos contar uma boa história, ela nunca será uma boa história. E já vi tantas boas histórias “assassinadas” por serem mal contadas.

2- O que te apaixona na reportagem?

Ouvir ! É importante saber ouvir as pessoas e conversar com elas. Saber ser fiel quando transmito as emoções, as memórias, os estados de alma de quem fala comigo, sejam as inquietações ou a felicidade. É um privilégio poder ser os olhos e a voz das pessoas. Nos dias das notícias rápidas é bom ter uma pausa no discurso e ouvir com tempo, com toda a atenção, o que têm para nos dizer. Há cada vez menos momentos destes e é uma pena.

3 – Qual a história que mais te marcou?

Podia dizer-te que a que mais me marcou foi a dos sem abrigo “Um Lar Debaixo da Ponte” por ser uma história inédita, de uma beleza rara e por ter sido a minha primeira grande reportagem, que teve um fabuloso e raro impacto no país e na reação das pessoas. Mas depois disso fiz outras grandes reportagens que me marcaram ainda mais. A fuga dos portugueses de Angola em 1975 “O Lugar Onde Eu Fiquei” e “O Renascer das Cinzas” que conta a tragédia deste ano em Pedrogão Grande, onde morreram 65 pessoas.

4 – Porquê?

Escolhi as 3 reportagens porque embora em tempos, momentos e circunstâncias diferentes, têm tanto de igual. O que existe nelas é perda, é dor, angústia, drama, mas é sobretudo superação e resiliência. São pessoas que perderam tudo mas que seguem em frente e, em muitos casos, são aquele exemplo que precisamos para sentir que afinal os nossos problemas são irrelevantes.

5- Porque é que ainda vale a pena ser jornalista?

Tenho pensado nisso muitas vezes. Mas cada vez que me envolvo num trabalho de grande escala tenho seguramente a certeza de que as pessoas precisam deste jornalismo com rigor, exigência e dedicação. Ser jornalista é uma questão de ADN, é uma missão e um grande compromisso com a sociedade, com a nossa alma e o nosso ser. Quem não sentir isto, não venha! Ou fuja!

(É sempre assim: ela fresca e eu a morrer!! Aqui, no dia de aniversário da TVI.)

 

Não sei há quantos anos ouço a Catarina, nunca lhe perguntei, mas certamente há tantos quantos aqueles a que estou na TVI (vai para 11). Sempre registei a sua voz doce, o rigor no trabalho, a sua dicção sem igual… ficou no ouvido por que não a conhecia pessoalmente- eu estava em Queluz de Baixo, a Catarina em Coimbra. Depois de a conhecer, a minha ideia só saiu mais reforçada. Ficámos mais próximas quando eu fazia Jornal da Uma, ao fim de semana, aproveitávamos e passávamos mais tempo juntas, a redacção ao fim de semana tem sempre menos gente. A Catarina é daquelas pessoas que sentem, que conseguem estar no seu lugar e no lugar dos outros e é por isso que conta tão bem as histórias: nunca se esquece do seu lado mas isso não a impede de sentir, viver, cheirar, tocar, provar… tudo aquilo que um jornalista deve fazer, colocar todos os sentidos ao serviço de uma reportagem. Só assim se consegue fazer bem e, entre elas, a Catarina faz do melhor que já vi. Em cada trabalho, a repórter é os olhos de quem vai depois assistir. Tenho a certeza que em 99,9% das vezes o meu olhar não seria diferente. Não é apenas um dia de inspiração, não é apenas uma frase que lhe sai bem… por que saem todas bem. A Catarina sente, sem medo (nunca me vou cansar de dizer isto) e isso permite-lhe fazer uma reportagem sobre a tragédia dos incêndios, uma sala de matinés na margem sul ou uma peça com material de envios internacionais, sobre as tartarugas em vias de extinção que vão desovar a uma praia paradisíaca. Ela é jornalista mas é espectadora, é profissional mas é eficaz, é isenta mas é curiosa. E sabe perceber tão bem onde está uma boa história. Sim, ser jornalista é mesmo uma questão de ADN.

O ano passado foi particularmente grande e, um dia, numa das minhas muitas manhãs, a Catarina chegou a mim com um abraço cheio de carinho, um sorriso enorme (como habitualmente) e o olhar parado… e disse que precisava falar comigo. Puxou-me para uma sala de reuniões e sentámo-nos. Naquele instante passou-me tudo pela cabeça… e ela diz “tenho andado muito ausente nestas últimas semanas e isso tem uma razão”. Sustive a respiração, o tom era sério. “Nos próximos dias vou lançar um livro, tive uma proposta de uma editora sobre o tema de Moçambique e aceitei o desafio”. Naquele instante não sabia se lhe batia ou se respirava de alívio. Fizemos a festa, ali e depois no dia do lançamento. Fiquei e fico muito feliz por que sei o que a move, quais os seus valores, qual o seu foco: fazer mais, melhor, todos os dias, todos os assuntos. Respira, come, bebe jornalismo. E sonoriza como ninguém, a palavra mais difícil vira flor.

Nunca lhe disse mas tenho muito orgulho na nossa amizade.

 

Galeria

Outubro em imagens

Outubro foi um mês rico em imagens, nem sempre as melhores.

Fernando Medina vence as eleições autárquicas em Lisboa mas perde a maioria, numa noite de pesadelo para PSD e PCP.

O Primeiro Ministro presta explicações no Parlamento, depois dos incêndios no centro do país.

A GNR retira uma moradora de uma das aldeias cercadas pelas chamas. Este é, para mim, dos exemplos mais reais de desespero, coragem e força, tudo junto numa só imagem.

O Presidente da República conforta quem perdeu a família e tudo o resto, nos incêndios.

Obituário das vítimas da tragédia de 15 de outubro, no centro do país.

Depois das tragédias em Pedrogão Grande (Junho) e no centro do país (Outubro) as reuniões entre Primeiro Ministro e Presidente da  República deixaram de ser tão descontraídas. As trocas de acusações protagonizadas por fontes do executivo dominaram a imprensa, depois dos avisos e ultimatos no discurso de Marcelo Rebelo de Sousa.

Os Estados Unidos da América abandonam a UNESCO, a agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura..

Nasceu o ‘Deve ser de mim’. Não poderia deixar de assinalar esta data.

 

Que Novembro seja rico em (boas) notícias.

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DEJÁ VU

6h30. bom dia.
Seja bemvindo ao diário da manha. Os incêndios já provocaram 6 mortos e 25 feridos. É o último balanço feito pela Protecção Civil já de madrugada. Uma pessoa está desaparecida em Nelas. O Governo já declarou calamidade pública em todos os distritos a norte do Tejo.

Este foi o texto de abertura do Diário da Manhã de hoje. 

Às 7h30:

Neste momento, há registo de 124 incêndios, metade está activa e 22 são considerados muito graves. No terreno estão mais de 6 mil operacionais.  

Às 8h30:

As escolas de Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande estão hoje encerradas.

Às 9h30:

Os incêndios terão provocado pelos menos 11 mortos e 25 feridos. O presidente da Câmara de Vouzela confirmou que morreram 4 pessoas de madrugada na freguesia de Ventosa. Há notícia de uma vítima mortal em Santa Comba Dão. 

Às 9h50:

É uma notícia de última hora… os incêndios podem ter provocado pelo menos 20 mortos. A informação foi adiantada à TVI 24 pela Porta-Voz da Protecção Civil. 

 

Balanço às 11h: 27 mortos e 51 feridos. Provavelmente, daqui a umas horas, este post estará desactualizado.

 

 

 

 

 

Às vezes… ser jornalista é quase como ser condutor de um comboio de alta velocidade: sabemos qual a estação de partida, conhecemos o caminho mas nunca podemos imaginar quando surge uma curva perigosa. Tentamos evitar o despiste e chegamos ao fim arrasados. E já é a segunda vez este ano que fazemos esta viagem.