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34 a acabar em… 3

Tenho imensa coisa para dizer sobre os 34. Coisas boas, balanços positivos que mostram que foi um ano que valeu muito a pena.

E valeu. Mesmo.

Foi o ano da aceitação e do desapego. Desisti de fazer tudo, de ser eficaz simplesmente por que … deixei de o conseguir. E, acreditem, não há nada pior que ‘querer e não poder’. Nunca achei que era a super mulher mas sei que conseguia fazer muitas coisas, resolver questões chatas em menos de nada e agendar 50 mil coisas para o mesmo dia. Executava, cumpria, descansava depois. Aos 34… teve de ser ao contrário. Descansei antes, passei muitos dias deitada, sem conseguir por-me de pé. Um tratamento (ou a vida, nem sei…) teve a capacidade inacreditável de me atirar ao tapete para mostrar ‘Minha menina, não aprendeste a lição à primeira, já sabes que à segunda custa sempre mais”. E custou mas eu aprendi. Aprendi a ter memória de peixinho dourado (como me escreveram carinhosamente num e-mail) e a saber distinguir o que posso mudar do que não posso mudar. Perceber e aceitar isso… é das maiores libertações da alma, acreditem em mim!

Fiquei leve, muito leve. E com a certeza que, mesmo para um carneiro que vai para lá do limite do improvável, pela coragem de ‘erguer uma bandeira no meio da multidão’ (tão eu…)… há mínimos. Que a independência é uma utopia quando precisamos verdadeiramente de ajuda e que tudo o que é nosso, a nós virá. Essa certeza, esse desapego dá paz e, principalmente, força para agarrar os dias que virão.

SIGA!

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Sujar as botas!

Sujar as botas. Das expressões que os jornalistas mais gostam de usar. Literalmente. Do que mais se orgulham de fazer. Quanto mais sujas as botas, mais carregado o bloco de notas (rima e é verdade!). Do que significa estar lá, procurar, sair, andar, correr e encontrar ou… confirmar que, apenas, não existe.

Do que mais tenho feito nestes dias. Do que mais nos dignifica e ensina. Do que tenho aprendido tanto. Do que é mais admirável… ir atrás de uma história e encontrar outra. E outra e tantas outras que se atravessam no nosso caminho.

Aqui. Ali. Na China. No fim do Mundo. Onde for preciso ir.

Não fechar os olhos. Perceber o que está à nossa frente e que pode ser… um Mundo!

 

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Vai ser um ano difícil…

… para António Costa.

O verão terminou sem dramas mas o inverno promete muito ‘calor’, atípico, até, para último ano de legislatura.

Os professores prometem não baixar os braços. A manifestação deste 5 de Outubro estava já marcada e o Governo decide publicar a portaria que define 2 anos, 9 meses e 18 dias contra os 9 anos, 4 meses e 2 dias reclamado pelos sindicatos, para a recuperação do tempo de serviço. Sim, a manifestação de hoje promete ser grande e a luta está para dobrar o ano.

E… 1 ano depois… ainda não se sabe o que aconteceu em Tancos. Sabe-se, isso sim, que surgiram sucessivas mentiras que foram justificando o que se passou. O culminar, ontem, com o Major Vasco Brazão a garantir que o Ministro da Defesa sabia da operação para ludibriar as autoridades, sobre o aparecimento do armamento militar, que tinha sido roubado. Os partidos pedem a demissão do Ministro. O Primeiro-Ministro declara confiança política. Vamos assistir à habitual teimosia de António Costa (tantos casos… O último, relacionado com o Ministro das Finanças) mas ainda é cedo para ouvir a frase ‘O assunto está encerrado’. Até por que… não estará. O Presidente da República tem uma palavra a dizer… as primeiras detenções aconteceram com o Presidente em Nova Iorque (coincidência…) e a recente substituição de Joana Marques Vidal enquanto Procuradora Geral da República suscitou incómodo. Esperar para ver.

Depois… O Orçamento do Estado. Os partidos da Geringonça já deixaram as exigências. E também já disseram que ‘são amigos mas não para casar’. No meio de tudo isto, o Primeiro-Ministro negoceia como ninguém mas… será suficiente?

Não me admirava que o panorama mudasse por completo.

Qual a sorte de António Costa e do PS? É que do outro lado está o PSD e Rui Rio.

Eu não disse que 2018 ia ser um ano espectacular? Para as ciências sociais, claro!

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O silêncio é estratégia política?

Rui Rio no Conselho Nacional do PSD. [MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA] in www.tiv24.iol.pt

 

O Presidente da República diz que não está preocupado com a aprovação do Orçamento do Estado para  o próximo ano. No entanto, Marcelo Rebelo de Sousa admite que possa tratar-se de um Orçamento eleitoralista por que os partidos já estão em campanha eleitoral.

Concordo. Estão. Uns mais que outros. Tudo tem que ver com estratégia. Quase todos os partidos com representação parlamentar visitaram locais de incêndios, andaram de comboio, falaram sobre medidas que têm de ser aprovadas para 2019. Os líderes, sempre na frente das comitivas, mais ou menos pontuais nas declarações mas… sempre lá ou alguém por eles.

Onde será que anda o líder do PSD…? Está em silêncio absoluto, sem agenda pública desde 31 de Julho, faz amanhã 1 mês. Questiono-me enquanto eleitora, enquanto portuguesa que está absolutamente baralhada sobre o seu sentido de voto, primeiro para as eleições europeias, em Maio, e, depois, para as legislativas, em Outubro. Questiono e fico na dúvida. Não tenho resposta. Não encontro pista, sinal de fumo e código morse  que me esclareça. Dizem que está de férias… O líder do maior partido da oposição tira férias? O mesmo líder que se candidatou para discutir as eleições ‘taco a taco’, como disse aqui?

Que depois admitiu , na TVI, que o PS devia viabilizar uma ‘geringonça à direita’ se o Orçamento não passar na Assembleia. Mas foi também o mesmo que, sendo eleito em Janeiro, não falou sobre a polémica liderança da bancada social-democrata por que… só iria assumir o partido em 19 de Fevereiro.

Partidos a nascer, professores em luta, enfermeiros, polémicas de dirigentes, incêndios, entrevistas do Primeiro Ministro…? Desculpem… mas estou baralhada com tanta estratégia do silêncio.

Bem… parece que afinal Rui Rio vai visitar os locais mais afectados pelo incêndio de Monchique. 20 dias depois. Depois de voltar de férias. Se Rui Rio for eleito Primeiro Ministro (ou se viabilizar um governo minoritário do PS, como já deu a perceber que faria…) e acontecer uma catástrofe em Portugal só vai dar sinal de vida depois de terminadas as férias…?

Parece que estou com dúvidas a mais. E respostas a menos. Que chatice o país fazer perguntas.

Assim vai ser fácil, muito fácil, para o PS que normalmente aproveita do demérito do PSD. A História a repetir-se e 2011 foi apenas há 8 anos.

 

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Política sem glúten

Fonte: www.google.pt

O glúten está para os cereais como o poder está para a política: é intrínseco, é subliminar, faz parte e não se deve dissociar. Mas pode.

Os alérgicos ao glúten deixam de comer pão, massas, e todos os alimentos compostos por farinha de trigo. Hoje já há substitutos que garantem o mesmo valor nutricional, o mesmo nível de hidratos de carbono e, mais importante, o mesmo sabor (o glúten é insípido). Mas, os não-intolerantes ou não-alérgicos não devem afastá-lo da alimentação: o glúten é uma proteína que garante elasticidade ao pão, que o torna mais fofo, mais… apetecível.

Assim é também o poder: é possível apreciá-lo, olhá-lo de longe, da montra, e perceber exactamente o que nos apetece. Até o conseguir, a pessoa saliva; depois de o ter, saboreia… um bocadinho e depois outro. O grande problema é quando o poder tem sabor, assim mais ou menos, como o pão de Mafra, quente, com manteiga derretida. Comemos. Comemos mais. E cada vez mais vontade de comer, mesmo que ao início digamos que ‘vamos comer só um bocadinho’. A gula é mais forte, passando rapidamente da fome à vontade de comer.

Sem glúten, o pão não cresce. Sem poder, a política também não.

Os entendidos dizem que os problemas de saúde relacionados com a ingestão de pão têm que ver com o tempo de levedura: que é rápido, acelerado demais, que não obedece ‘à forma do antigamente’ e que por causa disso que tantos mitos surgem.

Quando se substitui o pão por outra coisa qualquer, parece que o sabor acaba, mesmo que não seja nada disso. É o inconsciente que dá as ordens, que diz o que se quer, o que se deseja. Mas o poder, esse, não é substituível: ou se tem ou não se tem.

As referências ao pão já surgem na Bíblia, como o “o pão nosso de cada dia”. São antigas, assim como as referencias ao poder, Aristóteles escrevia que “Aquilo que temos poder de fazer, também temos poder de não fazer”.

Na política há tantas pessoas a quem o glúten faz bem, outras que deviam comer mais pão, outras ainda que deviam, simplesmente, desistir de todo o qualquer alimento com trigo. Há por aí ‘mais olhos que barriga’.