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The final Web Summit

 

No balanço da Web Summit tem de constar um GRANDE APLAUSO para as mulheres:

Nesta cimeira:

  • metade das pessoas registadas era do sexo feminino
  • 35,4% dos oradores foram mulheres
  • O espaço ‘Women in Tech‘ recebeu 58% de participantes do sexo feminino

Números bastante simpáticos e que vêm provar que afinal as mulheres também se destacam na indústria do digital e que se querem posicionar, cada vez mais (o Mundo continua sem saber quem será a sucessora de Zuckerberg, apesar de já me ter disponibilizado para tal…). Tenho para mim que a sensibilidade feminina pode ser uma mais-valia para esta indústria, no sentido de afinar pormenores, de difundir mensagens e até de negócio: as mulheres estão sempre cheias de ideias, encontrei muitas nos pavilhões, a ‘vender’ startup.

Mas há mais números…

  • 59,115 pessoas de 170 países estiveram em Lisboa.
  • 2,600 meios de comunicação de todo o Mundo falaram da Web Summit.
  • A quantidade de cabo utilizada dava para escalar o Monte Evereste 8 vezes (80 mil quilómetros)
  • Mais de 205 mil copos recicláveis foram utilizados durante a cimeira.
  • Centre Stage foi composto por 314 reservatórios de água, 140k focos de projeção e 30,000 watts de som.
  • 2.2 milhões de sessões de wi-fi foram registadas durante todo o evento.
  • 45 terabytes de tráfego durante os vários dias.
  • Mais de 2,100 startups estiveram presentes.
  • 1,400 dos mais importantes investidores do Mundo estiveram em Lisboa.
  • 1,200 oradores.

Até o astronauta Paolo Nespoli enviou uma mensagem muito especial do espaço. Podem ver aqui https://media.websummit.com/press-releases/web-summit-is-out-of-this-world

 

Quem ainda acha que a tecnologia não pode fazer nada pelo Mundo e pela Humanidade devia ter escutado Al Gore. Polémico, pertinente, certeiro. Al Gore até rezou em palco para que os Estados Unidos da América (EUA) escolham outro presidente em 2020 (apesar de haver uma sondagem a mostrar que fariam exactamente o contrário, um ano depois), criticou o Reino Unido pelo Brexit e lembrou que os EUA ainda são responsáveis pelo que assinaram no Acordo de Paris e que estão sempre a tempo de voltar atrás… depois de Trump sair. Por um lado, Al Gore não deixou passar a responsabilidade que o seu país tem nas alterações climáticas mas não deixou o Mundo descansar porque a responsabilidade é de todos e está ao alcance de todos. Afinal, como explicou de forma tão simples… a camada de ozono é tão fina que se a quiséssemos percorrer de carro demorávamos entre 5 a 10 minutos.

Minutos depois, com a energia de sempre mas pouca voz, o Presidente da República lembrava que Portugal não estava fora do Acordo de Paris e que mantinha a sua responsabilidade e, também por isso, devia continuar a receber a Web Summit, além de 2018.

Se Portugal merece? Nem pode haver dúvidas.

Deixo mais imagens que registei ontem. O espaço, os voluntários e as muitas dúvidas que o digital suscita.

 

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Falhem, por favor.

“Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.” – Samuel Beckett

Quantas pessoas de sucesso conhecem? Dessas, quantas falharam antes de conseguir alguma coisa? Imensas, aposto. Dados do U.S. Commerce Department, Small Business Administration mostram que 40% dos negócios falham por excesso de optimismo na previsão das perdas, cerca de 20% por falta de competitividade do produto ou serviço e 12% por custos excessivos na fase de arranque e no seu ciclo de vida e 8% por falta de controlo dos objetivos e da cobrança de rendimentos. O mundo moderno  está cheio de pessoas que somam insucessos, antes da glória. Felizmente. De resto, os negócios modernos são muito caracterizados por isso, também. Ontem ouvi dois antigos pugilistas, na Web Summit, que falavam exactamente disso. Da capacidade de resistir perante o falhanço, um deles até perdeu o último combate da carreira de 21 anos. E depois, com imensa graça, lembrou o grande falhanço de Cristóvão Colombo: queria descobrir a a Índia e acabou por encontrar a América. Grande azar, não acham?

 

Essa característica, o falhar, marca também a história de um grupo de rapazes que conheci ontem. São donos de uma startup que é uma plataforma de software para empresas ligadas à veterinária. O Luís Pinto, o CEO, explicou-me que a ideia surgiu numa altura em que tinha tempo e quis ajudar associações de animais. Desenvolveu um projecto e contou com a ajuda do Vítor Martins e perceberam que podiam fazer mais qualquer coisa… juntaram-se num verão e durante todo o mês de Agosto foram à procura de fragilidades desta área.

Desenvolveram um projecto, falhou.

Desenvolveram outro, voltou a falhar.

Desenvolveram o terceiro,  e aqui estão. O Luís disse que tinha definido, mentalmente, que este seria o último. A sorte (que dá tanto trabalho…) e a resiliência funcionaram.

A eles juntou-se também o Nuno Carvalho. Têm entre 26 e 31 anos. Por esta altura, em que vos escrevo, já devem ter um stand preparado em Barcelona, porque foram participar numa feira empresarial. Encontrei-os ontem porque me enviaram  uma mensagem através da app da Web Summit, que permite relacionar (ainda mais) os participantes. Eu não tenho animais de estimação mas achei que, pela atitude, valia a pena conhecê-los.

Não me arrependi.

 

Não quero acabar esta ‘ronda’ pelo dia de ontem sem vos dizer quem também ‘apareceu’ por lá. Steve Jobs, um dos fundadores da Apple. O grande mentor, inspirador de pessoas em todo o mundo, faz e fará sempre parte do futuro. Alguns autores consideram que a revolução tecnológica é ‘americanizada’. Jobs é, seguramente, um dos grandes responsáveis por isso.

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Web Summit

Há umas semanas recebi uma mensagem de um querido amigo que perguntava: “A 4a Revolução Industrial ou 4.0, a Inteligência Artificial, a Robótica, os Intangíveis e o Motor Impossível (NASA)  põe em causa o paradigma actual e as leis da ciência e da física? Concordas?”. Respondi: “Não, acho que as máquinas não põem nada em causa. O que está em causa é o que se faz com elas, A responsabilidade é de quem programa, de quem projecta, investiga. As máquinas servem para ajudar no desenvolvimento da Humanidade. Facilmente se perde o controlo se não houve a clara noção e certeza do lugar onde se quer chegar”.

Ontem, Stephen Hawking disse na abertura da Web Summit que “a inteligência artificial pode ser boa ou má. depende dos humanos”. Não podia estar mais de acordo.

Dois robots estiveram à conversa na Web Summit, hoje, para espanto de muitas pessoas. Na verdade, falou-se muito de Inteligência Artificial (AI) ao longo do dia. Destaco a ajuda que a AI pode dar na identificação de crianças desaparecidas, através de reconhecimento facial. O sistema está desenvolvido nos Estados Unidos mas o objectivo é que chegue a todo o Mundo.

Brian Krzanich, CEO da Intel, explicou as vantagens de milhões  de dispositivos estarem conectados, ligados em rede, para o desenvolvimento da IA.

 

Enquanto isto… 2.500 jornalistas trabalhavam como podiam, na Media Village.

A minha passagem pela Web Summit foi rápida, hoje, mas ainda deu para descobrir a TICO, uma app de mensagens que tem como objectivo filtrar as mensagens que recebemos, de acordo com o local onde nos encontramos. Ou seja, se definirmos o local para “trabalho“, a app só aceita mensagens de quem está associado a esse grupo. Se chegamos a casa, e mudarmos a localização para “casa”, a app passa a receber mensagens de amigos e família. O objectivo é, além de filtrar, ajudar-nos a focar nas várias tarefas que precisamos desempenhar. Não estou a inventar se disser que TODOS perdemos tempo a mais nas redes sociais quando devemos estar mais focados no trabalho, certo? Eu sei que não me deixam mentir!

Além de ter achado a ideia curiosa (a minha forma de evitar é esquecer o telefone durante umas horas), a pessoa responsável por esta app vem de Taipei, Taiwan, do outro lado do Mundo. Isso demonstra bem o carácter universal desta cimeira. Mais, foi a única pessoa, de todas as startup que vi, que se dirigiu a mim para me convidar a conhecer o seu negócio. Este género de nova economia vive muito da capacidade de a comunicar às pessoas, aos investidores, ao público, em geral. Está disponível para download.

 

Galeria

Uma C.A.S.A. chamada rua

A ajuda a pessoas sem abrigo, sem Lisboa, esteve marcada por 2 ou 3 vezes  mas só aconteceu agora. Há muito que queria fazê-lo, não por caridade ou caridadezinha (são coisas BEM diferentes) mas porque queria ajudar, temos todos essa capacidade. Ajudar não apenas dar dinheiro, dar tempo, estar com as pessoas, ouvi-las, perceber de que são feitas… isso, às vezes, tantas vezes… é a melhor ajuda que se pode dar a alguém.

Associei-me à associação All Humans, que recolhe bens bens de higiene, que fazem tanta falta e que as pessoas que vivem na rua tanto necessitam. Às vezes nem pensamos nisto, a alimentação é, inevitavelmente, a primeira lembrança que temos mas, acreditem, é mesmo muito importante: uma escova ou pasta de dentes, uma lâmina para desfazer a barba, um desodorizante, um sabonete… a história que mais me tocou tem que ver com a distribuição destes bens.

 

A All Humans associou-se ao C.A.S.A., Centro de Apoio aos Sem Abrigo, que já distribui refeições. No fundo, é aproveitar este conhecimento das pessoas que mais precisam de ajuda e dos locais onde estão. O ponto de encontro foi às 19h30, estava um calor infernal de agosto em outubro, e começámos a carregar os carros. Como podem ver, não é preciso muita gente para ajudar, é preciso é gente! As rondas da All Humans estão distribuídas por zonas- Oriente, Saldanha, Cais do Sodré e Santa Apolónia, onde fui. Quem precisa está à espera de quem vai ajudar mas há sempre alguma dúvida se aqueles dois carros que chegam querem mesmo ajudar ou não… é legítimo, claro que é. Uma das senhoras que conheci lembrou que alguém pegou fogo ao sítio onde dormiam. Pura maldade.

 

Debaixo do viaduto distribuímos muitas coisas mas acabamos por ir mais à frente, a pé. Algumas pessoas faziam o jantar numas brasas ateadas perto de uma parede e tentavam esquecer que vivem numa carrinha há cerca de 1 mês.

“Ah, mas eu vou sair daqui que já estou a trabalhar. Só preciso de arranjar um quartinho”, disse um desses homens. Eram 4 homens e uma mulher.

Lisboa é uma cidade de contrastes, como o da fotografia… A Lisboa dos turistas e dos grandes eventos não pode chegar os olhos a quem ‘mora’ ali ao lado.

Fizemos mais uma paragem e depois chegamos frente à estação. O primeiro carro a ser procurado é sempre o da comida mas depois de perceberem o que estávamos a distribuir, chegaram-se a nós. Distribuímos quase tudo: o que sobrou de comida deitaram fora mas os bens de higiene ficam guardados.

Uma senhora, muito velhinha, muito pequenina insistiu muito para lhe dar um sabonete. Não havia sabonetes soltos e não podíamos abrir sacos já compostos, os bens tinham de chegar para todos. A senhora insistiu muito e acabou por ir embora… quando ela se afastou e eu uma das coordenadoras olhamo-nos e percebemos: estavamos no fim da noite e íam sobrar coisas. Abri um saco e corri atrás da senhora. Ela segurou o sabonete como se fosse feito de ouro, pegou-me nas mãos e agradeceu muito e depois disse-me: ‘Dê-me um beijinho. Eu sou assim e sou velhinha mas não tenho nenhuma doença. Deus a ajude muito’…

Quase que fiz directa naquela noite mas depois disto o meu sono passou a ser uma coisa absolutamente relativa.

A All Humans precisa de ajuda, naturalmente. Os bens distribuídos são recolhidos em empresas ou resultam de donativos de pessoas. Se não sabem o que fazer este Natal (mais que não seja isso…) ajudem estas pessoas!

Passem aqui:  www.facebook.com/associacaoallhumans/

(Comprometi-me, obviamente a tirar fotografias que apenas identificassem os sítios e nunca as pessoas. Todos têm direito à privacidade e, além do mais, eu estava ali para ajudar, tinha coisas para fazer. As fotografias são, por isso, poucas e dissimuladas. E é assim que tem de ser.)