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É importante falar disto

Estas questões da violência doméstica tiram-me o fôlego e nem gosto muito de falar sobre mas abri uma excepção. Quanto mais se falar, mais se pode agir. São as notícias que nunca gostaríamos de dar, os assuntos que não queríamos debater, a atenção que não queremos dar. A respiração fica suspensa de cada vez que penso o que mulheres sofrem, o que passam e o que tentam até conseguirem sair de uma relação tóxica com um qualquer psicopata que se cruze no seu caminho. Sim, não tenhamos medo de chamar as coisas pelos nomes: as pessoas que fazem mal assim, às outras, só podem ter desvios de personalidade, só podem ter vivido algo terrível na vida que os faça também ter ficado assim. Não sei de onde vem tanta capacidade para praticar o mal, não consigo perceber. Mas acredito que haja ali também muito sofrimento interior. Só pode haver. Sinto pena de pessoas assim. Mas a minha compaixão é toda para as vítimas, para aquelas que por 7, 12, 20 vezes tentam sair deste pesadelo, deste drama que lhes surgiu na vida. É para elas que importa olhar, são elas que importa ouvir, olhar e ajudar. Foi isso que dissemos ontem, n’A Tarde é Sua, eu, a Fátima Lopes e o Pedro Lima. E ouvimos a história da Cláudia que, 13 anos depois, teve coragem para dizer ‘BASTA’ e fugir desta realidade. É um fôlego, é uma esperança. É possível, sim, reagir e lutar contra isto, contra estas pessoas.

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Ode às mulheres

 

Ser mulher é nascer com uma condição. E ter consciência dela. E aceitá-la. E fazer com isso o melhor que se souber.

Ser mulher é saber que há um momento em que somos só nós. Há uma altura em que por mais mãos que tenhamos a agarrar a nossa… só nós é que vamos em frente.

Ser mulher é cair 7 vezes e levantar 8, ao pé coxinho e a carregar sacos e livros nas mãos.

Ser mulher é usar saltos de 12 centímetros, partir um e continuar a desfilar com se nada fosse.

Ser mulher é fazer o jantar, estender a roupa, dar comida à criança e ainda falar ao telefone, nos intervalos.

Ser mulher é ir à lavandaria, ao supermercado, ao banco, em hora e meia.

Ser mulher é ser rocha, ser fortaleza, ser aço quando o mundo está a cair.

Ser mulher é transformar fraquezas em mais-valias.

Ser mulher é ter ‘os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão”.

Ser mulher é agradecer quando alguém diz que te ama e de modo igual quando alguém te faz saber que não te quer.

Ser mulher é escolher o que se quer, o que se tem e o que se deseja.

Ser mulher é ter sensibilidade para perceber que tudo passa, tudo muda, nada é eterno.

Ser mulher é ter resiliência para continuar a caminhar, mesmo sozinha, mesmo quando o Mundo está contra nós.

Ser mulher é acreditar que o Mundo tem algo de muito bom preparado para nós.

Ser mulher é arriscar uma palavra, um gesto, um olhar.

Ser mulher é saber parar e dizer ‘eu não mereço isto e não quero isto para mim’.

Ser mulher é sorrir para o Mundo inteiro, todos os dias, e fingir que se é feliz. Mas também correr atrás dessa felicidade, sempre, com todas as forças.

Ser mulher é receber aquela notícia, aquele diagnóstico e seguir para estúdio.

Ser mulher é seguir em frente quando toda a gente te diz ‘isso não vai funcionar’.

Ser mulher é não ter medo. De nada. Nem de um ‘não’.

Ser mulher é o melhor que uma mulher pode desejar.

 

 

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As gavetas

As pessoas não são gavetas, disseram-me um dia.

Admito que, na altura, não percebi. Fruto da minha insensatez ou pouca maturidade, demorei a perceber o sentido do ‘pó’, dos ‘papéis intactos’, da inércia envolvente. Anos mais tarde, usei a frase para mim por que me fez todo o sentido.

As pessoas não são gavetas mas os outros pensam que sim. Que é possível deixar tudo quieto, sossegado, parado, sem vida, sem memória durante muito tempo. E, depois, abrir a gaveta como se nada fosse na esperança que uma ideia, uma memória ou um coração… esteja igual.

Compartimentam, isso sim, os assuntos. Segmentam e separam. Em alguns, não mexem mais. Esses estão arrumados e mesmo destinados ao pó. Mas outros precisam de organização. Para se viver bem. Para se sorrir. Para se viver.   

Tal como não é possível encontrar roupa numa gaveta desarrumada, também não se encontra nada num sítio apenas cheio de partículas de sujidade, que foi deixado ao abandono.

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O cansaço.

É quando estás mais cansado que mais duvidas de ti. Que pensas até onde consegues aguentar. Até quando vais conseguir. Já subiste tantas montanhas. Já percorreste tantas rectas e já viste tantas flores nascer. É por que te dói, por que te pesa, por que tu fazes mas… às vezes parece que és invisível. És, quase, um dado adquirido.

Quando isso acontece… só precisas perceber por que estás cansado. É isso fruto do remar de todos os dias? É isso o estado normal? É isso assim, só por que sim? Não sabes para onde vais, não tens um plano, não sabes para onde caminhas? Então, pára. E percebe o que estás a fazer mal.

Por outro lado… pensa: Estás cansado por que te tens realizado? Por que não tens parado? Por que a vida e, principalmente, as pessoas confiam em ti? Por que vais e estás lá? Desafias-te e concretizas? Por que há uma estrelinha que te guia e te diz, para dentro, que tu vais conseguir? E alguém te lembra, sempre, todas os dias que tu NUNCA DESISTES?

Caramba… então… não reclames. Jamais te revoltes. Agradece. Confia. Continua. Só. Muito. Todos os dias. Há sempre alguém a olhar por ti e para ti.

O universo é maravilho e Deus nunca dorme.

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Dever cumprido

Foram semanas intensas, cheias de alegria e percalços. Encontrei neste grupo de pessoas aquilo que já não havia há muito: interesse, fascínio, trabalho. O últimos alunos com quem tenho contactado estavam ainda a perceber em que mundo viviam e que contributo lhe podiam dar para o tornar melhor. Eles sabem. E sabem também que trabalhar em televisão pode não ser a única saída. Não querem aparecer, querem fazer! Foi um gosto imenso, obrigada pelos ensinamentos constantes, meninos, e por pensarem comigo! Voem!

Como é possível perceber… eles acabaram em melhor estado do que eu!

 

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Mais circos, precisam-se!

Somos uns artistas.

Passamos a perna a todos, fintamos o outro só pela ilusão de estar lá na frente. Só por essa sensação de… poder.

Somos uns artistas.

Fingimos que sentimos, fazemos acreditar que dissemos, que partilhámos, que apoiamos, que estivemos sempre lá.

Somos uns artistas.

Seduzimos com a doçura que nunca tivemos, com as verdades que nunca existiram, com as intenções que nunca vamos cumprir.

Somos uns artistas.

Incentivamos, reconhecemos, damos ‘o empurrão’ apenas pela vontade de… ver a pessoa longe.

Somos uns artistas.

Corremos atrás do dinheiro para comprar a saúde e depois perdemos a saúde e gastamos o dinheiro para a recuperar. Gandhi tem sempre razão.

Somos uns artistas.

Procuramos as pessoas mas não as queremos, ocupamo-las mas não as amamos, interrompemos a sua vida e não deixamos andar. Apenas pela sensação de… conquista.

Somos uns artistas.

Tão artistas que não percebemos que tudo o que temos é-nos permitido pelos outros, todos os lugares onde chegamos estão à nossa espera por que alguém os deixou vagos, todo o poder que possuímos é atribuído por quem nos acompanha.

Somos uns artistas.

Precisamos de mais circos.