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Rebenta a bolha!

Desculpem mas… permitam-me: está tudo louco?

De vez em quando os meus olhos param em alguns anúncios de imobiliário ou recebo alguma newsletter e nem quero acreditar.

Eu até sou capaz de perceber o preço de algumas casas, para arrendar e comprar: o objectivo é selecionar inquilinos e compradores, distinguir pessoas e lugares. Não me choca, na verdade, sempre foi assim. Mas… em alguns lugares, não todos os lugares. Caríssimos, não esperem que alguém nas Olaias queira pagar um T1 por 900 euros. Ou possa dar 1 700 euros por um T2.

Os novos modelos de negócio (Air BnB) fizeram disparar os valores de forma assustadora por que um senhorio prefere ter a casa alugada a turistas que até podem partir tudo mas em 2 ou 3 dias pagam o valor de um mês. Depois? Partiram mas há dinheiro para arranjar. Venha de lá mais um grupo. Nada contra, atenção, mas estes preços não podem servir para definir rendas mensais que as pessoas simplesmente não podem pagar! De que vive uma família que recebe o salário mínimo (cada vez mais comum) e que tem filhos para alimentar? Nem todos os locais servem para este arrendamento de curta duração, apenas os que são servidos de boas redes de transportes e comunicações, aqueles que são mais centrais que outros.

Por outro lado… o problema é que há sempre alguém que paga, há sempre alguém que reclama mas que oferece mais. Até pode achar que o investimento não é vantajoso mas, vamos lá saber porquê, paga. E paga bem.

Acho que está na hora de parar e pensar. Não espero que o faça quem aluga. Mas quem legisla já devia ter percebido que é preciso fazer alguma coisa. Depressa. Ou ainda acabamos todos a dormir na rua.

E não, não vale a pena dizer ‘É a economia, estúpida!”. É muito, muito para além disso.

Entretanto, encontrei estes dois anúncios. Tão parecidos, tão ridículos. De um requinte… Uma sorte, só vos digo. Uma sorte para quem quiser dar mais de 200 mil euros por 40 metros quadrados no centro histórico de Lisboa. Sim e há quem esteja disposto a fazer o mesmo, para acordar com o mar. Bolas, por este valor até caipirinhas devia ter, uma pulseira dourada e um empregado a fazer massagens, a todas as horas.

Ahhhh. Portugal no seu melhor.

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Mexa-se, pela sua saúde! #5

Estão a ver aquelas pessoas que surgem na nossa vida por acaso e que se tornam profundamente importantes, ao ponto de serem insubstituíveis? Apresento-vos o Humberto Simões. Para falar dele tenho de respirar fundo para não ser tendenciosa. Até porque o que nos traz aqui é o desporto e isso, só por si, vale a pena saber. 

Das primeiras coisas que aprendi, pelo Humberto, foi este amor ao futebol. Perdão, ao Eléctrico! Quando se fala em fins de semana ele lá diz que tem jogo, que vai encontrar os amigos e que não troca isso por nada no Mundo. Sim, o desporto é isso: espírito de equipa, amizade, entreajuda, valores que hoje se tratam por soft skills mas que parecem esquecidos pela maioria das pessoas. E eu fico feliz por que ele é assim. Por que, ao fim destes anos, continua a ir lá, a querer jogar, a estar com os amigos, a dedicar esse tempo ao que também é importante e nos faz pessoas, todos os dias.    

Das últimas vezes que falamos do Eléctrico, o Humberto estava aborrecido: tinha dado um jeito qualquer nos joelho e estava em dúvida para os jogos do fim de semana. Mas… “É um jogo grande, tu já viste? Eu não posso falhar!”. Eu lá dei uma de conselheira e expliquei-lhe que a prudência é tão boa companheira. Esqueçam. 

Querer é poder. Seja a 3 quilómetros. A 30. Ou a 300. Aqui está a prova. Leiam tudo, assim, sem respirar! 

 

 

O meu amor Eléctrico!

Lembro-me de ir ver os jogos do Eléctrico Futebol Clube desde sempre.

De 15 em 15 dias, aos domingos à tarde, lá ia eu, da pequena aldeia de Tramaga até ao campo do clube mais representativo do concelho de Ponte de Sôr. A maior memória que guardo da infância, é a do dia em que o Eléctrico recebeu o Sporting. O sorteio da Taça de Portugal ditou que os leões fossem ao Alentejo e foi um dia de festa. Lembro-me de mal ter dormido, de acordar cedo para me despachar e de chegar ao campo de terra batida. Lembro-me da surpresa por perceber que não havia lugares à volta do terreno de jogo e ver, pela primeira vez, bandeiras por todo o lado. Lembro-me de estarmos a ganhar 1-0 e, já bem perto do final, o Sporting passar para a frente (1-2). Mas também me lembro de ficar com aquela sensação de que os nossos jogadores foram uns heróis. E foram. Eu tinha pouco mais de seis anos mas lembro-me. Aos 10 anos, fui convidado para ingressar no Eléctrico. Quando pedi ao meu pai, só meteu uma condição. “Eles têm de te vir buscar e levar”. Da Tramaga – curiosamente, nunca joguei oficialmente pelo clube da minha aldeia -, ao campo de jogos eram uns três ou quatros quilómetros. Aceitaram a proposta do meu pai. E estreei-me com o emblema do barquinho ao peito. Dois anos antes de ter idade para jogar na equipa principal, acabaram com o meu escalão e tive de procurar outro clube. Correu tão bem que jogava pelos juniores ao sábado e pelos seniores ao domingo. Correu tão bem que no ano a seguir fui contratado por outro clube. Correu tão bem – sim, não é repetição, foi mesmo noutro ano -, que o Eléctrico voltou a chamar-me. Já com idade para jogar nos “crescidos”, aí estava eu na equipa principal. Com o meu primeiro ordenado. Não era milionário, mas dava para as despesas de um jovem de 19 anos. Aí estive cinco anos, até começar a trabalhar em Lisboa como jornalista. Até ser operado ao joelho pela primeira vez. Sim, coleciono duas operações ao joelho, dois sobrolhos abertos, dois dentes partidos – sim, tudo aos pares e nunca ao mesmo tempo -, mas ganhei muito mais do que perdi. Ganhei mais jogos. Ganhei mais amigos. Ganhei mais armas como homem. Foram 25 anos como jogador federado, em sete clubes, de três distritos. Acabou aos 35. Bom, na verdade, não foi o fim. Eu sei que agora a exigência não é a mesma, mas aos fins-de-semana lá vou eu, do Montijo a Ponte de Sôr. Imaginem que agora até temos dois campos, um relvado e um sintético. Imaginem que agora até temos dois fatos para ir para os jogos, um de inverno e um de verão.

Imagem que agora, mesmo nos veteranos, jogo no clube do meu coração.

Sim, o meu amor é o Eléctrico!

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Mexa-se, pela sua saúde! #4

Este é o André Venda. Não sei apresentá-lo de outra forma que não uma força da natureza, vão perceber quando lerem a história. Não nos conhecemos pessoalmente, partilhamos a paixão pelo desporto e a resiliência. O André é o exemplo de que tudo é possível, de quem nunca desistiu. Tinha tudo e perdeu muito mas lutou sempre. Esta modalidade é uma espécie de catarse na sua vida, acho que não estou enganada! 

Merece a minha vénia e o meu reconhecimento. Não perdeu o foco, não perdeu a alegria, não perdeu a vontade de viver. E podia ter perdido. Conto pelos dedos das mãos as pessoas que reagem desta forma, às chatices da vida. 

Grande André. Agora, leiam e acompanhem-no aqui

 

O meu nome é André Venda e tenho 30 anos.

Sempre me considerei uma pessoa proactiva e cheia de energia para gastar e, por isso, desde cedo procurei ingressar diversas modalidades desportivas: experimentei basquetebol, voleibol, ténis, ténis de mesa mas foi no Downhill que descobri a minha vocação.

Um acidente de viação aos 20 anos tornou-me paraplégico: este percalço fez com que deixasse de conseguir praticar Downhill, a modalidade onde já competia em provas nacionais.

Parar não era opção para mim: procurei arranjar outras alternativas desportivas e descobri o Handcycling. Todo o empenho e treino fizeram com que rapidamente chegasse ao pódio, quer a nível nacional quer internacional.

Foi em 2010 que comecei a competir em Handcycling: arrecadei 6 primeiros lugares a nível Nacional (no Campeonato Nacional de Contrarrelógio, nos Campeonatos Nacionais de Pista, na Taça de Portugal de Albergaria, no Campeonato Nacional de Paraciclismo de Torres Vedras, no Grande prémio de Gondomar e no Grande prémio de Viana do Castelo) e o 20º lugar na UCI World Cup Para-Cycling Road na Segóvia (Espanha);

Em 2011, voltei a trazer para casa o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Contrarrelógio, no Grande Prémio de Gondomar e no Grande Prémio de Viana do Castelo e competi pela segunda vez ma UCI World Cup Para-Cycling Road na Segóvia (Espanha), tendo subido para a 17ª posição.

Voltei a conquistar o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Contrarrelógio em 2012, bem como nos Campeonatos Nacionais de Pista, na Taça de Portugal Albergaria, no Campeonato Nacional de Paraciclismo de Torres Vedras e no Grande Prémio de Viana do Castelo. A minha prestação na cidade espanhola, manteve-se igual à do ano anterior: 17º lugar.

O ano de 2013 ficou marcado pelo meu desejo de progredir mais nos campeonatos internacionais: mantive o primeiro lugar em vários campeonatos Portugueses (Campeonato Nacional de Contrarrelógio, Campeonatos Nacionais de Pista, Taça de Portuga de Albergaria, Campeonato Nacional de Paraciclismo de Torres Vedras, Grande Prémio de Gondomar e Grande Prémio de Viana do Castelo), mas foi no estrangeiro que progredi bastante: conquistei o 6º lugar no I Gran Premio Handbike Ciudad Real, o 7º lugar na UCICUP 2013, o 5º lugar na II Certame Handbike Benicarló 2013, o 17º lugar na UCI World Cup Paracycling Road (Itália), o 15º lugar na UCI World Cup Paracycling Road (Segóvia, Espanha), o 3º lugar no Criterium Internacional Ciudad Sounds Real, o 5º lugar no Trofeo de Ciclismo Adaptado, o 5º lugar no IX Criterium Internacional, o 4º lugar no Handbike (Los Alcázares, Espanha) e o 4º lugar em Puerto Lumbreras 2013 (Espanha).

Ainda no início do ano de 2013, juntamente com um amigo fundei a APCA – Associação Portuguesa de Ciclismo Adaptado – que visa dar a conhecer e angariar mais adeptos do Ciclismo Adaptado, promovendo eventos desportivos, efetivando palestras para novos atletas e/ou todos os interessados, assim como foi criado um departamento que tem como principal objetivo estimular os atletas de alta competição para a participação em provas internacionais e de renome.

Em 2014 voltei a competir nos mesmos campeonatos portugueses em que participei no ano anterior conquistando o primeiro lugar em todos eles. Além-fronteiras posicionei-me no 12º lugar na European Handcycling Federation UCI (Castelldefels, Barcelona), o 5º lugar no Biskako Bira 2014, o 6º lugar no Crono Biskaiko Bira 2014, o 22º lugar na UCI World Cup Paracycling Road (Itália) e o 24º lugar na UCI World Cup Paracycling Road de Segóvia (Espanha).

Em 2015 venci o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Viana do Castelo, na Taça de Portugal de Albergaria, no Campeonato de Contrarrelógio de Setúbal, o Grande Prémio de Torres Novas e o Grande Prémio de Gondomar.

Em campeonatos internacionais, fiquei em 14º lugar na UCI World Cup Paracycling Road, em 13º lugar na Verola Paracycling Cup (Itália), 11º lugar na Paracycling Cup Brescia (Itália), 4º lugar no Biskako Bira e o 5º lugar no Crono Biskaiko Bira.

Como resultado do enorme esforço e dedicação ao desporto profissional no decorrer destes anos, sofri um considerável desgaste físico e como tal, fui aconselhado em 2016, por uma equipa médica, a dar por terminada a prática desportiva nos moldes definidos pela Alta Competição. Apesar de adorar praticar Handcycling, descobri recentemente a possibilidade de voltar a praticar o Downhill, desporto este que já praticava antes do meu acidente, mas desta vez adaptado à minha atual condição física. Foi com esta nova realidade que surgiu o meu interesse em desenvolver esta modalidade adaptada que desperta no nosso país. Neste âmbito encontro-me a desenvolver um projeto desportivo de Downhill Adaptado pioneiro em Portugal.

O que o desporto significa para mim?

Posso dizer que quando estou a praticar desporto sinto-me verdadeiramente livre e feliz, é algo que me faz bem tanto física como psicologicamente, pois nesses momentos sinto-me desconectado da cadeira de rodas…como se não precisasse dela realmente a tempo inteiro.

Desafio vos a passar um dia comigo para perceber melhor o que sinto 😊

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Marrocos, a escolha.

Sabem aqueles acasos felizes? Marrocos foi isso: um acaso. Feliz. 

Eu precisava mesmo sair e desligar. Não dei pelo passar de 2018 mas, ao mesmo tempo, lembro-me de todos os dias. Sim, é mesmo isto. Desde o início do ano que a minha mente dizia “CABO VERDE” por isso, lá fui eu, disposta a ir para África. O facto de ter pouco tempo de férias, ser uma viagem de última hora e, por isso, mais caro empurraram-me, numa primeira fase, para a Croácia. Pareceu-me lindamente. É um dos meus destinos marcados. Voltei à agência no dia seguinte e… não havia hotel. Não era possível confirmar. Plano B?

Pronto. Opções? Cuba. Maravilhoso. 8 horas de avião e possíveis furacões? Não. E, como que por magia… surgiu Marrocos. Uma única vaga, que não havia na véspera, aqui tão pertinho. Ainda hesitei por que não era o que preferia. É um destino mais saturado nesta altura e eu queria mesmo descansar… Mas aceitei. Parti menos de 24 horas depois.

Sinceramente, nem pensei muito. Queria era ir. Sentia que tinha de ir.

Nunca tinha estado em África e assim que saí do avião já estava a sentir o calor e aquela humidade superior a 70 por cento. A segunda sensação foi depois de receber um sms da minha operadora a informar do tarifário praticado, até o Wifi é cobrado. Bem-vinda!

Bem, pelo caminho para o hotel vi homens a guardar rebanhos debaixo de um sol terrível e lembrei-me do meu querido avô que dizia que devemos combater o calor com roupas leves e frescas mas com roupa mesmo por que o sol a bater na pele é que aquece e faz calor. De facto, é exactamente isso, daí as túnicas, as djellabas, aquelas peças largas e compridas que podem ser usadas tanto por homens como por mulheres, serem as preferidas. Povo muito sábio.

Ao fim de 2 dias já estava toda marcada dos mosquitos. Levei medicamentos para tudo o mais alguma coisa, não fosse a hérnia dar sinal de vida (portou-se tãããão bem!!) mas repelente… não.

Marrocos é uma terra de contrastes e tanto podemos estar numa estância balnear como percorrer 400 quilómetros e já estamos numa cidade imperial, noutra realidade completamente diferente. E isso fascinava-me. Lenço na cabeça, pelo sim pelo não e… lá vai ela. Aprendi a atar um turbante, a colocar o lenço de modo a tapar a cabeça… aprendi tanta coisa.

Cheguei sozinha, como já disse, mas andei sempre acompanhada. 2 dias depois conheci a Sara e o António, extraordinários companheiros de viagem, de uma discrição comovente, com uma simplicidade que existe, talvez, só em Marrocos. Quis o destino que nos encontrássemos ali, a tantos quilómetros de casa. Ficámos amigos para a vida, tenho a certeza.

Um vez, sozinha, num sítio qualquer, dei por mim a pensar que a vida é maravilhosa e que nos devolve SEMPRE em dobro o bem que fazemos aos outros. E comovi-me.

Ali percebi que há coisas que estão onde devem estar, que não faz sentido tentar mudar, querer para nós. São dali. Mudar isso é como tentar fazer alguém gostar de uma música que não percebe, abraçar alguém que não ama, calçar um sapato que não lhe serve, comer algo a que se é intolerante. Ali, mais que noutro sítio, percebi que a diferença pode ser fulcral, determinante, abissal. Ainda que possa ser atenuada, compreendida… nunca vai mudar. E há coisas, simplesmente… incompatíveis.

Mas Marrocos mostrou-me também que o que se sente não se disfarça, não se pode dissimular. Que há sempre uma parte de nós que renasce mas outra acaba por desaparecer, por que ficou lá. E que isso é o que é. A vida que no-la devolva, se assim tiver de ser.

Em Marrocos agradeci por que, em muito momentos, eu estive exactamente onde devia ter estado: ali. A sentir, a viver, a cheirar, a receber e a absorver tudo, em cada poro da pele, em cada passo que dei. Em todas as horas que passei a dormir numa espreguiçadeira, todas as tajines que provei, todos os cheiros que inalei.

 

 

 

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O silêncio é estratégia política?

Rui Rio no Conselho Nacional do PSD. [MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA] in www.tiv24.iol.pt

 

O Presidente da República diz que não está preocupado com a aprovação do Orçamento do Estado para  o próximo ano. No entanto, Marcelo Rebelo de Sousa admite que possa tratar-se de um Orçamento eleitoralista por que os partidos já estão em campanha eleitoral.

Concordo. Estão. Uns mais que outros. Tudo tem que ver com estratégia. Quase todos os partidos com representação parlamentar visitaram locais de incêndios, andaram de comboio, falaram sobre medidas que têm de ser aprovadas para 2019. Os líderes, sempre na frente das comitivas, mais ou menos pontuais nas declarações mas… sempre lá ou alguém por eles.

Onde será que anda o líder do PSD…? Está em silêncio absoluto, sem agenda pública desde 31 de Julho, faz amanhã 1 mês. Questiono-me enquanto eleitora, enquanto portuguesa que está absolutamente baralhada sobre o seu sentido de voto, primeiro para as eleições europeias, em Maio, e, depois, para as legislativas, em Outubro. Questiono e fico na dúvida. Não tenho resposta. Não encontro pista, sinal de fumo e código morse  que me esclareça. Dizem que está de férias… O líder do maior partido da oposição tira férias? O mesmo líder que se candidatou para discutir as eleições ‘taco a taco’, como disse aqui?

Que depois admitiu , na TVI, que o PS devia viabilizar uma ‘geringonça à direita’ se o Orçamento não passar na Assembleia. Mas foi também o mesmo que, sendo eleito em Janeiro, não falou sobre a polémica liderança da bancada social-democrata por que… só iria assumir o partido em 19 de Fevereiro.

Partidos a nascer, professores em luta, enfermeiros, polémicas de dirigentes, incêndios, entrevistas do Primeiro Ministro…? Desculpem… mas estou baralhada com tanta estratégia do silêncio.

Bem… parece que afinal Rui Rio vai visitar os locais mais afectados pelo incêndio de Monchique. 20 dias depois. Depois de voltar de férias. Se Rui Rio for eleito Primeiro Ministro (ou se viabilizar um governo minoritário do PS, como já deu a perceber que faria…) e acontecer uma catástrofe em Portugal só vai dar sinal de vida depois de terminadas as férias…?

Parece que estou com dúvidas a mais. E respostas a menos. Que chatice o país fazer perguntas.

Assim vai ser fácil, muito fácil, para o PS que normalmente aproveita do demérito do PSD. A História a repetir-se e 2011 foi apenas há 8 anos.

 

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Sorria, está a ser filmado

Alguém pensa nos dias maus?

Alguém pensa no que custa levantar a cabeça, inspirar e falar?

Alguém pensa que sorrir… pode custar tanto? Encarar as pessoas, a família, o público, o chefe, o país, a audiência.

Alguém alguma vez pensou que esse é um dos maiores desafios desta vida?

Sorrir. Devia ser tão simples, tão natural, tão espontâneo, tão generoso.

Alguém alguma vez calçou os sapatos do outro? O maior acto de humildade- colocar-se do outro lado. Sentir o que se sente. Sentir as pedras todas do caminho.

Alguém alguma vez pensou que se daria a vida para não ter de sorrir ali, naquele instante, naquela situação?

Às vezes… ninguém sabe. Ninguém imagina o que custa sorrir, apenas.

 

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Saber sair antes do fim

Saber sair.

Uma virtude maior que saber dizer ‘não’, ainda que as duas se unam.

Perceber.

Quando estamos a mais, quando a nossa presença já não faz qualquer sentido, estar ou não é igual, é banal, é hábito.

Quando o nosso amor já não significa nada, já não move nenhuma montanha, já não resolve o indecifrável, já não faz a diferença nos dias maus, aqueles em que só queremos voltar a casa.

Quando não nos procuram, não buscam nos detalhes, nas mensagens de telemóvel ou no registo das ‘chamadas efectuadas’ o nosso número até já não aparece há tantos dias.

Quando não querem o nosso abraço, não procuram o nosso refúgio, o nosso calor, o nosso fôlego, as nossas palavras.

Quando a vida já não faz sentido connosco, o futuro já não aponta para aquela direcção, o pensamento já não vai mais além.

Quando uma tarefa já não nos preenche, não nos motiva, pesa, é dor, causa muito sofrimento, mesmo que seja o sonho de uma vida.

Quando as campainhas soam, quando os alertas disparam e nós ignoramos, ignoramos e voltamos a ignorar.

Até ao dia em que o Mundo cai, o corpo cede e a mente não ajuda.

Deixa ir. Entregar. A lucidez.

Quando é preciso saber sair antes do fim.

Perceber que uma vida, uma tarefa, um ciclo acabou. É, provavelmente, das questões mais aterradoras, para mim.

Respirar, levantar a cabeça e seguir, qualquer que seja o destino, qualquer que seja a previsão, não importa o caminho. Importa é a certeza, a fé de que tudo começa e acaba. Menos o amor, que tudo pode. Mas não chega.

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Os dias não se repetem. E é pena.

Não podemos nada contra o tempo perdido, o dia passado, o que já foi. Há dias, todos os dias, que não se repetem e há pena nisso, há magoa pelo bom que não será mais, há tristeza pelo mau que nos tirou em cada minuto, 60 segundos de felicidade.

Encontramos as nossas pessoas e, passados tantos anos, elas são as mesmas, não mudaram. Elas são e nós somos o que deixamos há 15 anos. E isso nunca terá preço.

Os dias têm sido bons. O sol tem sido generoso como que a recompensar por tudo o que passou. A preparar para o que aí vem, que é tanto, e faz encolher o corpo todo. Ao mesmo tempo obriga a encher o diafragma, a levantar a cabeça, sorrir e agradecer… Ainda que a saga não tenha terminado. Sem medos, sem energias negativas. Até porque o cantar dos passarinhos e das cigarras não deixa espaço para isso.

Deus dá as maiores batalhas aos seus melhores soldados. Em frente! Siga!

 

 

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E… a Madeira?

Achavam que me tinha esquecido? Na…. Eu nunca me esqueço dos sítios onde sou feliz e bem tratada. Foi o caso da Madeira. A conferência na Inspecção Regional de Educação estava marcada há vários meses: primeiro foi a HP, depois foi a TAP que cancelou o voo… Acabou por acontecer no dia 15 de junho.

O assunto foi o ‘O poder da decisão’ e já o expliquei aqui.

Foi dia de provas de aferição e a plateia não estava esgotada mas foi muito interessante o debate de ideias que conseguimos fazer.

Mas, como sabem, a Madeira tem 50 mil encantos e eu andei a visitar alguns. Claro que não dispensa outra visita, muito em breve, até porque havia duas opções: ou visitava ou aproveitava as pessoas, amigas. Para mim as pessoas contam mais, sempre, e por isso fui a poucos sítios. Ficam as fotografias.

O Funchal é uma cidade muito bonita e por isso estive empenhada em vivê-la e senti-la!

Fajã dos Padres e a magnífica descida de teleférico, uma vez que é quase inacessível por terra. São cerca 300 metros de altura, cravados no sopé do Cabo Girão, onde fomos depois. A descida demorou 2 ou 3 minutos, nem consegui perceber por que estava completamente fascinada com a vista. Aqui, além da paisagem ma-ra-vi-lho-sa, tivemos outro presente. O Engenheiro Jardim Fernandes teve a amabilidade de nos mostrar a sua pequena adega, cheia de história e riqueza. Ao longo dos tempos, a Fajã foi casa de verão de padres Jesuítas, que ali plantaram vinhas e onde durante muito tempo se produziu o Vinho Madeira. As vinhas perderam-se mas o Eng. Jardim Fernandes não desistiu de procurar a Malvasia, de uvas brancas e tintas, de origem grega. Esta espécie estava por todo o Mar Mediterrâneo a também na Madeira. Procurou, encontrou, plantou e multiplicou-as. Hoje, nesta pequena adega, há um verdadeiro tesouro que nos deu a provar. As pipas são de várias produções e garanto-vos que esta de 2005 é qualquer coisa de extraordinário. É fácil perceber pelo copo cristalino, ainda que estivesse a ser usado. Uma verdadeira honra.

    

O Malvasia foi aperitivo para o almoço dividido entre o bife de atum, bidão, pargo e lapas.

Depois do almoço fomos então espreitar o Cabo Girão, 580 metros acima do nível do mar. Uma vista de cortar a respiração, mais uma vez. Estonteante e que permite uma vista linda de parte da ilha.

Foi uma viagem curta mas muito bonita, que incluiu também fruta, poncha de Hortelã, um agradecimento especial e, claro… um voo cancelado! Memorável!