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E… a Madeira?

Achavam que me tinha esquecido? Na…. Eu nunca me esqueço dos sítios onde sou feliz e bem tratada. Foi o caso da Madeira. A conferência na Inspecção Regional de Educação estava marcada há vários meses: primeiro foi a HP, depois foi a TAP que cancelou o voo… Acabou por acontecer no dia 15 de junho.

O assunto foi o ‘O poder da decisão’ e já o expliquei aqui.

Foi dia de provas de aferição e a plateia não estava esgotada mas foi muito interessante o debate de ideias que conseguimos fazer.

Mas, como sabem, a Madeira tem 50 mil encantos e eu andei a visitar alguns. Claro que não dispensa outra visita, muito em breve, até porque havia duas opções: ou visitava ou aproveitava as pessoas, amigas. Para mim as pessoas contam mais, sempre, e por isso fui a poucos sítios. Ficam as fotografias.

O Funchal é uma cidade muito bonita e por isso estive empenhada em vivê-la e senti-la!

Fajã dos Padres e a magnífica descida de teleférico, uma vez que é quase inacessível por terra. São cerca 300 metros de altura, cravados no sopé do Cabo Girão, onde fomos depois. A descida demorou 2 ou 3 minutos, nem consegui perceber por que estava completamente fascinada com a vista. Aqui, além da paisagem ma-ra-vi-lho-sa, tivemos outro presente. O Engenheiro Jardim Fernandes teve a amabilidade de nos mostrar a sua pequena adega, cheia de história e riqueza. Ao longo dos tempos, a Fajã foi casa de verão de padres Jesuítas, que ali plantaram vinhas e onde durante muito tempo se produziu o Vinho Madeira. As vinhas perderam-se mas o Eng. Jardim Fernandes não desistiu de procurar a Malvasia, de uvas brancas e tintas, de origem grega. Esta espécie estava por todo o Mar Mediterrâneo a também na Madeira. Procurou, encontrou, plantou e multiplicou-as. Hoje, nesta pequena adega, há um verdadeiro tesouro que nos deu a provar. As pipas são de várias produções e garanto-vos que esta de 2005 é qualquer coisa de extraordinário. É fácil perceber pelo copo cristalino, ainda que estivesse a ser usado. Uma verdadeira honra.

    

O Malvasia foi aperitivo para o almoço dividido entre o bife de atum, bidão, pargo e lapas.

Depois do almoço fomos então espreitar o Cabo Girão, 580 metros acima do nível do mar. Uma vista de cortar a respiração, mais uma vez. Estonteante e que permite uma vista linda de parte da ilha.

Foi uma viagem curta mas muito bonita, que incluiu também fruta, poncha de Hortelã, um agradecimento especial e, claro… um voo cancelado! Memorável!

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A Teresa e o 9C

O lugar da Teresa era o mesmo que o meu. Quando cheguei ela já estava sentada e, rapidamente, se mudou e chegou à janela. O rosto pareceu-me familiar mas a verdade é que nunca a tinha visto.

Ela dormiu quase toda a viagem para o Funchal. Acho que eu também… travámos conversa apenas na altura da refeição, uma sandwich de ovo e um pastel de nata. Precisavam ver a cara dela quando devolvi o bolo e retirei o ovo do pão: ‘é vegan?!’, perguntou muito chocada. ‘Não’, respondi, ‘sou intolerante’.

Depois dela ter achado aquilo a coisa mais estranha da vida (confesso que eu também, toda a vida comi ovos) lá me contou que os pais viviam no continente mas a mãe era madeirense, que estudava no Colégio Moderno e tocava violino. Vinha passar férias ao Funchal e principalmente, a Porto Santo. Ah, e tinha estado fora de casa até à meia noite, na véspera. Uma loucura para uma menina de 14 anos.

Pegámos no violino, saímos do avião e fomos recolher bagagem. Estavam uns miúdos franceses, muito excitados  com o momento (ponham muito nisso!). Deviam ter a idade dela mas a Teresa olhou para mim e, com toda a propriedade de uma menina crescida, disse “bolas, já reparou que as malas são mais educadas que as pessoas… ?”.

Naquele instante, eu agradeci que aquela miúda estivesse sentada no lugar que estava marcado para mim. (Será que estava mesmo…?)