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Mexa-se, pela sua saúde! #5

Estão a ver aquelas pessoas que surgem na nossa vida por acaso e que se tornam profundamente importantes, ao ponto de serem insubstituíveis? Apresento-vos o Humberto Simões. Para falar dele tenho de respirar fundo para não ser tendenciosa. Até porque o que nos traz aqui é o desporto e isso, só por si, vale a pena saber. 

Das primeiras coisas que aprendi, pelo Humberto, foi este amor ao futebol. Perdão, ao Eléctrico! Quando se fala em fins de semana ele lá diz que tem jogo, que vai encontrar os amigos e que não troca isso por nada no Mundo. Sim, o desporto é isso: espírito de equipa, amizade, entreajuda, valores que hoje se tratam por soft skills mas que parecem esquecidos pela maioria das pessoas. E eu fico feliz por que ele é assim. Por que, ao fim destes anos, continua a ir lá, a querer jogar, a estar com os amigos, a dedicar esse tempo ao que também é importante e nos faz pessoas, todos os dias.    

Das últimas vezes que falamos do Eléctrico, o Humberto estava aborrecido: tinha dado um jeito qualquer nos joelho e estava em dúvida para os jogos do fim de semana. Mas… “É um jogo grande, tu já viste? Eu não posso falhar!”. Eu lá dei uma de conselheira e expliquei-lhe que a prudência é tão boa companheira. Esqueçam. 

Querer é poder. Seja a 3 quilómetros. A 30. Ou a 300. Aqui está a prova. Leiam tudo, assim, sem respirar! 

 

 

O meu amor Eléctrico!

Lembro-me de ir ver os jogos do Eléctrico Futebol Clube desde sempre.

De 15 em 15 dias, aos domingos à tarde, lá ia eu, da pequena aldeia de Tramaga até ao campo do clube mais representativo do concelho de Ponte de Sôr. A maior memória que guardo da infância, é a do dia em que o Eléctrico recebeu o Sporting. O sorteio da Taça de Portugal ditou que os leões fossem ao Alentejo e foi um dia de festa. Lembro-me de mal ter dormido, de acordar cedo para me despachar e de chegar ao campo de terra batida. Lembro-me da surpresa por perceber que não havia lugares à volta do terreno de jogo e ver, pela primeira vez, bandeiras por todo o lado. Lembro-me de estarmos a ganhar 1-0 e, já bem perto do final, o Sporting passar para a frente (1-2). Mas também me lembro de ficar com aquela sensação de que os nossos jogadores foram uns heróis. E foram. Eu tinha pouco mais de seis anos mas lembro-me. Aos 10 anos, fui convidado para ingressar no Eléctrico. Quando pedi ao meu pai, só meteu uma condição. “Eles têm de te vir buscar e levar”. Da Tramaga – curiosamente, nunca joguei oficialmente pelo clube da minha aldeia -, ao campo de jogos eram uns três ou quatros quilómetros. Aceitaram a proposta do meu pai. E estreei-me com o emblema do barquinho ao peito. Dois anos antes de ter idade para jogar na equipa principal, acabaram com o meu escalão e tive de procurar outro clube. Correu tão bem que jogava pelos juniores ao sábado e pelos seniores ao domingo. Correu tão bem que no ano a seguir fui contratado por outro clube. Correu tão bem – sim, não é repetição, foi mesmo noutro ano -, que o Eléctrico voltou a chamar-me. Já com idade para jogar nos “crescidos”, aí estava eu na equipa principal. Com o meu primeiro ordenado. Não era milionário, mas dava para as despesas de um jovem de 19 anos. Aí estive cinco anos, até começar a trabalhar em Lisboa como jornalista. Até ser operado ao joelho pela primeira vez. Sim, coleciono duas operações ao joelho, dois sobrolhos abertos, dois dentes partidos – sim, tudo aos pares e nunca ao mesmo tempo -, mas ganhei muito mais do que perdi. Ganhei mais jogos. Ganhei mais amigos. Ganhei mais armas como homem. Foram 25 anos como jogador federado, em sete clubes, de três distritos. Acabou aos 35. Bom, na verdade, não foi o fim. Eu sei que agora a exigência não é a mesma, mas aos fins-de-semana lá vou eu, do Montijo a Ponte de Sôr. Imaginem que agora até temos dois campos, um relvado e um sintético. Imaginem que agora até temos dois fatos para ir para os jogos, um de inverno e um de verão.

Imagem que agora, mesmo nos veteranos, jogo no clube do meu coração.

Sim, o meu amor é o Eléctrico!

Galeria

Outubro em imagens

Outubro foi um mês rico em imagens, nem sempre as melhores.

Fernando Medina vence as eleições autárquicas em Lisboa mas perde a maioria, numa noite de pesadelo para PSD e PCP.

O Primeiro Ministro presta explicações no Parlamento, depois dos incêndios no centro do país.

A GNR retira uma moradora de uma das aldeias cercadas pelas chamas. Este é, para mim, dos exemplos mais reais de desespero, coragem e força, tudo junto numa só imagem.

O Presidente da República conforta quem perdeu a família e tudo o resto, nos incêndios.

Obituário das vítimas da tragédia de 15 de outubro, no centro do país.

Depois das tragédias em Pedrogão Grande (Junho) e no centro do país (Outubro) as reuniões entre Primeiro Ministro e Presidente da  República deixaram de ser tão descontraídas. As trocas de acusações protagonizadas por fontes do executivo dominaram a imprensa, depois dos avisos e ultimatos no discurso de Marcelo Rebelo de Sousa.

Os Estados Unidos da América abandonam a UNESCO, a agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura..

Nasceu o ‘Deve ser de mim’. Não poderia deixar de assinalar esta data.

 

Que Novembro seja rico em (boas) notícias.

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DEJÁ VU

6h30. bom dia.
Seja bemvindo ao diário da manha. Os incêndios já provocaram 6 mortos e 25 feridos. É o último balanço feito pela Protecção Civil já de madrugada. Uma pessoa está desaparecida em Nelas. O Governo já declarou calamidade pública em todos os distritos a norte do Tejo.

Este foi o texto de abertura do Diário da Manhã de hoje. 

Às 7h30:

Neste momento, há registo de 124 incêndios, metade está activa e 22 são considerados muito graves. No terreno estão mais de 6 mil operacionais.  

Às 8h30:

As escolas de Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande estão hoje encerradas.

Às 9h30:

Os incêndios terão provocado pelos menos 11 mortos e 25 feridos. O presidente da Câmara de Vouzela confirmou que morreram 4 pessoas de madrugada na freguesia de Ventosa. Há notícia de uma vítima mortal em Santa Comba Dão. 

Às 9h50:

É uma notícia de última hora… os incêndios podem ter provocado pelo menos 20 mortos. A informação foi adiantada à TVI 24 pela Porta-Voz da Protecção Civil. 

 

Balanço às 11h: 27 mortos e 51 feridos. Provavelmente, daqui a umas horas, este post estará desactualizado.

 

 

 

 

 

Às vezes… ser jornalista é quase como ser condutor de um comboio de alta velocidade: sabemos qual a estação de partida, conhecemos o caminho mas nunca podemos imaginar quando surge uma curva perigosa. Tentamos evitar o despiste e chegamos ao fim arrasados. E já é a segunda vez este ano que fazemos esta viagem.