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Marrocos é já ali.

“-Tu vieste sozinha para Marrocos??”. Foi a frase com que fui recebida, pelo meu guia, em Saïdia.

“- Sim, sozinha. Porquê?”, respondi.

“- Tu és muito corajosa”, respondeu ele, meio atordoado.

Nem sabe quanto. Não me conhecia ou já não teria estranhado a aventura. Apesar de tudo, os meus amigos também ficaram assim um bocadinho desconcertados. Confiantes mas desconcertados. Aposto que lá no fundo pensaram… “pronto, foi desta que ela pirou de vez” mas depois também devem ter lembrado que estão perante alguém que acorda às 4 horas da manhã há mais de 7 anos e que regressa a casa, frequentemente, por volta das 19 horas. Além disso, Marrocos até pode ser uma brincadeira de meninos, se pensarem que ainda me falta o Oriente e toda uma aventura pela Tailândia. E o Egipto. E a Route 66. Bem… posso garantir que ninguém me trocou por camelos, nem sequer tentou, (as mulheres loiras estão sempre em perigo!) e que fiz muitos amigos. E que tive sempre apoio. Fez toda, toda a diferença.

Viajar é abrir a mente a culturas diferentes, é aceitar, é querer fazer parte do desconhecido, é estar disponível para conhecer e sentir coisas novas. Não julgar. Marrocos é o sítio para tudo isso.

Os cheiros, as cores, os hábitos, a língua, a comida, o chá, o clima, as medinas, as mesquitas, as pessoas. Tudo fascinante, não absolutamente desconhecido para quem conhece o sul da Península Ibérica mas, ainda assim, diferente.  Adaptava-me muito a esta vida mas sei que também sentiria a falta de uma cultura mais ocidentalizada, mais moderna, mais nossa. Quem conhece nunca esquece e jamais esquecerei Marrocos. Marraquexe é o próximo destino, está prometido.

Mostro-vos algumas fotografias de sítios que visitei. Nos próximos dias conto-vos melhor cada aventura nas peles, na marroquinaria, na comida, nos mercados, nas ruas estreitas de Fez, no regateio com os comerciantes, na loja de produtos naturais. Quilos de conhecimento que só a experiência pode proporcionar.

Vale muito pena. E, depois, pouca coisa é mais reconfortante que um mergulho no Mediterrâneo. Um Mar tão deles, tão nosso, tão calmo e revolto, ao mesmo tempo.

 

 

 

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O silêncio é estratégia política?

Rui Rio no Conselho Nacional do PSD. [MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA] in www.tiv24.iol.pt

 

O Presidente da República diz que não está preocupado com a aprovação do Orçamento do Estado para  o próximo ano. No entanto, Marcelo Rebelo de Sousa admite que possa tratar-se de um Orçamento eleitoralista por que os partidos já estão em campanha eleitoral.

Concordo. Estão. Uns mais que outros. Tudo tem que ver com estratégia. Quase todos os partidos com representação parlamentar visitaram locais de incêndios, andaram de comboio, falaram sobre medidas que têm de ser aprovadas para 2019. Os líderes, sempre na frente das comitivas, mais ou menos pontuais nas declarações mas… sempre lá ou alguém por eles.

Onde será que anda o líder do PSD…? Está em silêncio absoluto, sem agenda pública desde 31 de Julho, faz amanhã 1 mês. Questiono-me enquanto eleitora, enquanto portuguesa que está absolutamente baralhada sobre o seu sentido de voto, primeiro para as eleições europeias, em Maio, e, depois, para as legislativas, em Outubro. Questiono e fico na dúvida. Não tenho resposta. Não encontro pista, sinal de fumo e código morse  que me esclareça. Dizem que está de férias… O líder do maior partido da oposição tira férias? O mesmo líder que se candidatou para discutir as eleições ‘taco a taco’, como disse aqui?

Que depois admitiu , na TVI, que o PS devia viabilizar uma ‘geringonça à direita’ se o Orçamento não passar na Assembleia. Mas foi também o mesmo que, sendo eleito em Janeiro, não falou sobre a polémica liderança da bancada social-democrata por que… só iria assumir o partido em 19 de Fevereiro.

Partidos a nascer, professores em luta, enfermeiros, polémicas de dirigentes, incêndios, entrevistas do Primeiro Ministro…? Desculpem… mas estou baralhada com tanta estratégia do silêncio.

Bem… parece que afinal Rui Rio vai visitar os locais mais afectados pelo incêndio de Monchique. 20 dias depois. Depois de voltar de férias. Se Rui Rio for eleito Primeiro Ministro (ou se viabilizar um governo minoritário do PS, como já deu a perceber que faria…) e acontecer uma catástrofe em Portugal só vai dar sinal de vida depois de terminadas as férias…?

Parece que estou com dúvidas a mais. E respostas a menos. Que chatice o país fazer perguntas.

Assim vai ser fácil, muito fácil, para o PS que normalmente aproveita do demérito do PSD. A História a repetir-se e 2011 foi apenas há 8 anos.

 

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Vai ser. Eu sei que vai ser.

 

Há em mim um sentimento que me invade desde o final de 2017: 2018 vai ser um ano fantástico! Não perguntem o que eu acho que vai acontecer por que… eu não sei! Só sei que vai ser espectacular!

Estou doente há 8 meses, o cenário é para gerir muitos danos mas, mesmo assim… não vos sei explicar. Dia após dia, acredito cada vez mais.

Sinto. Quero. Vai acontecer.

Digo a toda a gente, acho que a minha mãe até já sabe a frase de cor…

Ofereceu-me esta agenda uma grande amiga, no aniversário dos 34. Escrevo nela todos os dias e não posso deixar de sorrir quando olho a capa.

Vai ser. 2018 vai ser um ano maravilhoso. EU SINTO!

Também sentem o mesmo?

 

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O tempo. Esse sacana.

Vivemos com o tempo.

Com a falsa ideia de que sabemos tudo sobre ele.

Sobre o que fazer com ele. Às vezes, na esperança de o saber, mesmo.

De que o consigamos gerir bem.

Sem pressas mas sem perder… tempo.

Vivemos com o nosso e o dos outros.

O que fazemos com o nosso tempo diz tudo, mostra tudo. Prova tudo. Dúvidas houvesse.

 

Vivemos pelo tempo.

Por mais 5 minutos de manhã.

Pela hora da reunião, do almoço, do jantar, do noticiário, de ir buscar os miúdos à escola, da entrega do projecto, de um fecho de edição.

Pela vida toda estruturada, organizada e cheia de percalços e presunções.

Pelo que nos fazem ganhar, a vida é sempre a perder.

Pela tentativa de encaixar tudo. Ali.

 

Vivemos contra o tempo.

A única coisa que não volta atrás.

O momento na vida que já faz parte do passado.

Com a ilusão que seríamos mais felizes se tivéssemos mais.

Com o relógio sempre presente. Na mente, a hora de sair ou de chegar.

Com as 24 horas que a vida nos dá. Todos os dias. A todos, por igual.

O tempo é o que fizermos com ele.

Na busca daquela que será ‘A’ hora: “Se chegares às 4 horas, desde as 3h que serei feliz”.

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Onde é o paraíso?

Para chegar ao Casalinho passamos pelas estradas mais movimentadas até chegar às mais estreitas, que já são de alcatrão. Até chegar ao Casalinho, o calor aperta, lá aperta mais. A vegetação tomba para a estrada, os carros é que têm de se desviar. Os pinheiros cresceram desordenados depois dos incêndios de 2003, a memória tem de voltar a este ano (também) tão difícil para Portugal, ainda que 2017 tenha batido recordes de área ardida. Os pinheiros vêem-se e cheiram… tão bem. Há muito tempo que não sentia este odor, esta natureza tão… natural.

Cheguei ao Casalinho através do Miguel, um querido amigo, que quis mostrar-me das melhores coisas que tem. O ‘Refúgio do Raposo’ era a casa dos avós (Raposo, de nome) e os país resolveram recuperar tudo e melhorar, para deixar aos filhos algo mais que dinheiro: deixar-lhes valores (mais, ainda), um património com sentido, com verdade, evocar a história da vida de todos. Eu tive a sorte de o partilharem comigo. Sou do campo, muito do que está ali eu conhecia, valorizava, mas são as pessoas que contam. O silêncio, os passarinhos, as casas de xisto, o passeio na carrinha de caixa aberta, o queijo de cabra com mel (não, hérnia, isto não aconteceu!) têm mais sentido com esta família fantástica.

O ‘Refúgio do Raposo’ é um alojamento local, perto de Proença-a-Nova, decorado com tanta simplicidade que não tem falta nada, muito menos de bom gosto. O Miguel é apaixonado por astronomia, vi lá o eclipse e tive direito a explicação detalhada. Indescritível! Também por causa disto, cada casa tem o nome de uma estrela. A minha era Altair.

Muito e muito obrigada. Foi um renovar de alma, em 2 dias perdi 10 anos, dizem eles. E eu acredito.

(Esta fotografia fantástica é do Paulo Ferreira (PTLAPSE), as outras são minhas! Não tenho um alcance tão grande! )

      

 

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Dia dos Avós

Imagem: Pinterest

Neste dia dos avós recupero um texto que escrevi aqui em Janeiro deste ano. Recordava os tempos que passei com os meus avós maternos, durante a infância, na quinta onde viviam. Tenho muitas saudades, hoje faria muitas coisas diferentes. Aproveitava-os mais. O meu avô Henrique é a minha estrelinha. Sei que onde está, onde estão… estão sempre a olhar por nós.

 

O essencial é invisível aos olhos

Passei muito tempo com os meus avós maternos.
Quando eu era pequenina era assim que se fazia quando os pais não podiam estar sempre connosco. Depois mudou tudo e agora os netos já vão para casa dos avós, outra vez. E que bom que é, imagino. Os meus avós maternos já não estão fisicamente comigo mas sinto-os cá todos os dias. O meu avô Henrique era só a melhor pessoa do mundo. Ainda não tínhamos chegado perto dele e já os olhos brilhavam, rasos de água. Tinha-nos um amor excepcional, uma coisa sem medida. Quando eu e a minha mãe chegávamos lá estava ele, sentado na sua cadeira de madeira, virada ao contrário, a fumar o seu cigarrinho e a ver os comboios passar. Sempre à espera de ver alguém, nos dias tão longos da velhice, que o separavam de momentos mais preenchidos, de quando era novo e fugia da minha avó para ir beber o seu copinho de vinho à taberna. O meu avô tinha os olhos doces, de uma calma que já não existe, de uma ponderação que ja não se pratica. O meu avô deu-nos, a nós netos, um exemplo de tudo: de trabalho, de força, de humanidade, de carinho e resiliência: nunca, até morrer, se queixou do que quer que fosse. A frase foi ‘Eu estou bem’… Até ao fim.
Há muito tempo que acredito que ele é a minha estrelinha lá em cima, sinto-o. E sei que os meus primos também. Um de nós herdou o seu nome.
A minha avó Esperança era igual no exemplo: mulher danada para criar os filhos e ainda tomar conta dos netos, mas menos dada aos afectos. As suas manifestações de ternura eram sob a forma de qualquer coisa: uma saia de peitilho cosida na máquina, uma travessa cheia de batatas fritas às rodelas (chefes de todos o mundo, podem tentar… nunca hão-de conseguir sabor igual), toucinho assado (idem), café na cafeteira que estava todo o dia no lume, e saquinhos de retalhos que combinava como ninguém, com a mestria de quem aprendeu a fazer pachtwork numa qualquer escola de arte, tão maravilhoso para alguém que nem sabia escrever.
Nesta altura, o nosso chá ainda não chegava a casa em saquetas, eram infusões de plantas que havia no quintal. Hoje fiz chá de lúcia lima, com as mesmas folhas. A minha casa ficou perfumada com este cheiro tão rural, tão nosso, tão distante.

Ao senti-lo, viajei. E voltei a percorrer a casa dos meus avós, a ouvir os risos dos primos, felizes, a correr pela quinta e a abrir a porta do galinheiro.
Caramba… Tenho tantas saudades deles.