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O microfone

 

Podia ter sido noutro sítio qualquer mas foi entre amigos.

Dei por mim a olhar para o microfone e para mim, com o microfone. Se calhar estava escrito. Se calhar o Mundo já sabia que a minha vida ía ser assim, mesmo antes eu de o saber.

Quando acabei a minha licenciatura, os meus pais ofereceram-me… um microfone. Na altura, o objectivo era a rádio. A inscrição que o acompanha fala de ‘um sonho que se tornou realidade’. E havia sempre um microfone. Por estes dias, volto a este objecto, seguro-o por vontade própria, por que jamais deixarei de o querer, de sentir o seu peso, de procurar e perguntar e fazer tudo, como da primeira vez. Eu sou jornalista. Isso define-me. Nunca o negarei.

Acredito nisso.

Espero pelo que ainda está para vir mas só vos digo… Quem pega, assim, com segurança, numa caneta, num microfone ou num estetoscópio, que seja… não tem muitas dúvidas da sua missão nesta vida.

Aliás, não tem nenhumas.

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Vai ser um ano difícil…

… para António Costa.

O verão terminou sem dramas mas o inverno promete muito ‘calor’, atípico, até, para último ano de legislatura.

Os professores prometem não baixar os braços. A manifestação deste 5 de Outubro estava já marcada e o Governo decide publicar a portaria que define 2 anos, 9 meses e 18 dias contra os 9 anos, 4 meses e 2 dias reclamado pelos sindicatos, para a recuperação do tempo de serviço. Sim, a manifestação de hoje promete ser grande e a luta está para dobrar o ano.

E… 1 ano depois… ainda não se sabe o que aconteceu em Tancos. Sabe-se, isso sim, que surgiram sucessivas mentiras que foram justificando o que se passou. O culminar, ontem, com o Major Vasco Brazão a garantir que o Ministro da Defesa sabia da operação para ludibriar as autoridades, sobre o aparecimento do armamento militar, que tinha sido roubado. Os partidos pedem a demissão do Ministro. O Primeiro-Ministro declara confiança política. Vamos assistir à habitual teimosia de António Costa (tantos casos… O último, relacionado com o Ministro das Finanças) mas ainda é cedo para ouvir a frase ‘O assunto está encerrado’. Até por que… não estará. O Presidente da República tem uma palavra a dizer… as primeiras detenções aconteceram com o Presidente em Nova Iorque (coincidência…) e a recente substituição de Joana Marques Vidal enquanto Procuradora Geral da República suscitou incómodo. Esperar para ver.

Depois… O Orçamento do Estado. Os partidos da Geringonça já deixaram as exigências. E também já disseram que ‘são amigos mas não para casar’. No meio de tudo isto, o Primeiro-Ministro negoceia como ninguém mas… será suficiente?

Não me admirava que o panorama mudasse por completo.

Qual a sorte de António Costa e do PS? É que do outro lado está o PSD e Rui Rio.

Eu não disse que 2018 ia ser um ano espectacular? Para as ciências sociais, claro!

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Rebenta a bolha!

Desculpem mas… permitam-me: está tudo louco?

De vez em quando os meus olhos param em alguns anúncios de imobiliário ou recebo alguma newsletter e nem quero acreditar.

Eu até sou capaz de perceber o preço de algumas casas, para arrendar e comprar: o objectivo é selecionar inquilinos e compradores, distinguir pessoas e lugares. Não me choca, na verdade, sempre foi assim. Mas… em alguns lugares, não todos os lugares. Caríssimos, não esperem que alguém nas Olaias queira pagar um T1 por 900 euros. Ou possa dar 1 700 euros por um T2.

Os novos modelos de negócio (Air BnB) fizeram disparar os valores de forma assustadora por que um senhorio prefere ter a casa alugada a turistas que até podem partir tudo mas em 2 ou 3 dias pagam o valor de um mês. Depois? Partiram mas há dinheiro para arranjar. Venha de lá mais um grupo. Nada contra, atenção, mas estes preços não podem servir para definir rendas mensais que as pessoas simplesmente não podem pagar! De que vive uma família que recebe o salário mínimo (cada vez mais comum) e que tem filhos para alimentar? Nem todos os locais servem para este arrendamento de curta duração, apenas os que são servidos de boas redes de transportes e comunicações, aqueles que são mais centrais que outros.

Por outro lado… o problema é que há sempre alguém que paga, há sempre alguém que reclama mas que oferece mais. Até pode achar que o investimento não é vantajoso mas, vamos lá saber porquê, paga. E paga bem.

Acho que está na hora de parar e pensar. Não espero que o faça quem aluga. Mas quem legisla já devia ter percebido que é preciso fazer alguma coisa. Depressa. Ou ainda acabamos todos a dormir na rua.

E não, não vale a pena dizer ‘É a economia, estúpida!”. É muito, muito para além disso.

Entretanto, encontrei estes dois anúncios. Tão parecidos, tão ridículos. De um requinte… Uma sorte, só vos digo. Uma sorte para quem quiser dar mais de 200 mil euros por 40 metros quadrados no centro histórico de Lisboa. Sim e há quem esteja disposto a fazer o mesmo, para acordar com o mar. Bolas, por este valor até caipirinhas devia ter, uma pulseira dourada e um empregado a fazer massagens, a todas as horas.

Ahhhh. Portugal no seu melhor.

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Mexa-se, pela sua saúde! #8

Terminou a Semana Europeia do Desporto. Uma semana cheia de actividades que começou com uma maratona de bicicletas em Belém e terminou com actividades em Quarteira, no Algarve. Durante estes dias, dezenas de países, milhões de pessoas em todo o continente uniram-se em prol do desporto mas com uma mensagem ainda mais ambiciosa: o desporto é para todos!

 

É para os que correm maratonas, para os que praticam judo, para os que vão ao ginásio, para os que caminham, para os que preferem ioga ou pilates, escalada, badminton, canoagem, vela, ciclismo, futebol. É para todos! E é urgente que assim também o seja: Portugal é um país cada vez mais sedentário, 60 % da população é obesa- é mais de metade!!!!- e cada vez mais jovens sofrem desta doença. A obesidade é o principal factor desencadeador de um série de problemas: diabetes, hipertensão arterial.

A obesidade comportamental, que se resume na nossa incapacidade de acção, sedentarismo ou preguiça, se quiserem que seja mais directa, faz mal à nossa saúde. Sim, eu também sofro de preguiça, também há dias em que não me apetece nada mexer, há dias em que só vejo sofá e há dias em que não faço, mesmo. Arrependo-me sempre. A minha saúde piora, a minha condição agrava-se, desempenho muito pior o meu trabalho e, por fim, o sono não é relaxado. Está tudo relacionado, não haja ilusões.

Para viver bem é preciso fazer por isso. Não é uma questão de metabolismo, nem apenas de ‘não ser preciso’. A principal razão que me levou a participar, pela segunda vez, nesta iniciativa é essa consciência, é essa certeza de que a mensagem é verdadeira! Felizmente, somos vários a pensar o mesmo mas queremos ser muitos mais!

Mexam-se, pela vossa saúde. #BEACTIVE

Partilho algumas fotografias da Semana e também os bastidores da gravação dos vídeos que gravámos.

 

 

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Mexa-se, pela sua saúde! #5

Estão a ver aquelas pessoas que surgem na nossa vida por acaso e que se tornam profundamente importantes, ao ponto de serem insubstituíveis? Apresento-vos o Humberto Simões. Para falar dele tenho de respirar fundo para não ser tendenciosa. Até porque o que nos traz aqui é o desporto e isso, só por si, vale a pena saber. 

Das primeiras coisas que aprendi, pelo Humberto, foi este amor ao futebol. Perdão, ao Eléctrico! Quando se fala em fins de semana ele lá diz que tem jogo, que vai encontrar os amigos e que não troca isso por nada no Mundo. Sim, o desporto é isso: espírito de equipa, amizade, entreajuda, valores que hoje se tratam por soft skills mas que parecem esquecidos pela maioria das pessoas. E eu fico feliz por que ele é assim. Por que, ao fim destes anos, continua a ir lá, a querer jogar, a estar com os amigos, a dedicar esse tempo ao que também é importante e nos faz pessoas, todos os dias.    

Das últimas vezes que falamos do Eléctrico, o Humberto estava aborrecido: tinha dado um jeito qualquer nos joelho e estava em dúvida para os jogos do fim de semana. Mas… “É um jogo grande, tu já viste? Eu não posso falhar!”. Eu lá dei uma de conselheira e expliquei-lhe que a prudência é tão boa companheira. Esqueçam. 

Querer é poder. Seja a 3 quilómetros. A 30. Ou a 300. Aqui está a prova. Leiam tudo, assim, sem respirar! 

 

 

O meu amor Eléctrico!

Lembro-me de ir ver os jogos do Eléctrico Futebol Clube desde sempre.

De 15 em 15 dias, aos domingos à tarde, lá ia eu, da pequena aldeia de Tramaga até ao campo do clube mais representativo do concelho de Ponte de Sôr. A maior memória que guardo da infância, é a do dia em que o Eléctrico recebeu o Sporting. O sorteio da Taça de Portugal ditou que os leões fossem ao Alentejo e foi um dia de festa. Lembro-me de mal ter dormido, de acordar cedo para me despachar e de chegar ao campo de terra batida. Lembro-me da surpresa por perceber que não havia lugares à volta do terreno de jogo e ver, pela primeira vez, bandeiras por todo o lado. Lembro-me de estarmos a ganhar 1-0 e, já bem perto do final, o Sporting passar para a frente (1-2). Mas também me lembro de ficar com aquela sensação de que os nossos jogadores foram uns heróis. E foram. Eu tinha pouco mais de seis anos mas lembro-me. Aos 10 anos, fui convidado para ingressar no Eléctrico. Quando pedi ao meu pai, só meteu uma condição. “Eles têm de te vir buscar e levar”. Da Tramaga – curiosamente, nunca joguei oficialmente pelo clube da minha aldeia -, ao campo de jogos eram uns três ou quatros quilómetros. Aceitaram a proposta do meu pai. E estreei-me com o emblema do barquinho ao peito. Dois anos antes de ter idade para jogar na equipa principal, acabaram com o meu escalão e tive de procurar outro clube. Correu tão bem que jogava pelos juniores ao sábado e pelos seniores ao domingo. Correu tão bem que no ano a seguir fui contratado por outro clube. Correu tão bem – sim, não é repetição, foi mesmo noutro ano -, que o Eléctrico voltou a chamar-me. Já com idade para jogar nos “crescidos”, aí estava eu na equipa principal. Com o meu primeiro ordenado. Não era milionário, mas dava para as despesas de um jovem de 19 anos. Aí estive cinco anos, até começar a trabalhar em Lisboa como jornalista. Até ser operado ao joelho pela primeira vez. Sim, coleciono duas operações ao joelho, dois sobrolhos abertos, dois dentes partidos – sim, tudo aos pares e nunca ao mesmo tempo -, mas ganhei muito mais do que perdi. Ganhei mais jogos. Ganhei mais amigos. Ganhei mais armas como homem. Foram 25 anos como jogador federado, em sete clubes, de três distritos. Acabou aos 35. Bom, na verdade, não foi o fim. Eu sei que agora a exigência não é a mesma, mas aos fins-de-semana lá vou eu, do Montijo a Ponte de Sôr. Imaginem que agora até temos dois campos, um relvado e um sintético. Imaginem que agora até temos dois fatos para ir para os jogos, um de inverno e um de verão.

Imagem que agora, mesmo nos veteranos, jogo no clube do meu coração.

Sim, o meu amor é o Eléctrico!

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Mexa-se, pela sua saúde! #4

Este é o André Venda. Não sei apresentá-lo de outra forma que não uma força da natureza, vão perceber quando lerem a história. Não nos conhecemos pessoalmente, partilhamos a paixão pelo desporto e a resiliência. O André é o exemplo de que tudo é possível, de quem nunca desistiu. Tinha tudo e perdeu muito mas lutou sempre. Esta modalidade é uma espécie de catarse na sua vida, acho que não estou enganada! 

Merece a minha vénia e o meu reconhecimento. Não perdeu o foco, não perdeu a alegria, não perdeu a vontade de viver. E podia ter perdido. Conto pelos dedos das mãos as pessoas que reagem desta forma, às chatices da vida. 

Grande André. Agora, leiam e acompanhem-no aqui

 

O meu nome é André Venda e tenho 30 anos.

Sempre me considerei uma pessoa proactiva e cheia de energia para gastar e, por isso, desde cedo procurei ingressar diversas modalidades desportivas: experimentei basquetebol, voleibol, ténis, ténis de mesa mas foi no Downhill que descobri a minha vocação.

Um acidente de viação aos 20 anos tornou-me paraplégico: este percalço fez com que deixasse de conseguir praticar Downhill, a modalidade onde já competia em provas nacionais.

Parar não era opção para mim: procurei arranjar outras alternativas desportivas e descobri o Handcycling. Todo o empenho e treino fizeram com que rapidamente chegasse ao pódio, quer a nível nacional quer internacional.

Foi em 2010 que comecei a competir em Handcycling: arrecadei 6 primeiros lugares a nível Nacional (no Campeonato Nacional de Contrarrelógio, nos Campeonatos Nacionais de Pista, na Taça de Portugal de Albergaria, no Campeonato Nacional de Paraciclismo de Torres Vedras, no Grande prémio de Gondomar e no Grande prémio de Viana do Castelo) e o 20º lugar na UCI World Cup Para-Cycling Road na Segóvia (Espanha);

Em 2011, voltei a trazer para casa o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Contrarrelógio, no Grande Prémio de Gondomar e no Grande Prémio de Viana do Castelo e competi pela segunda vez ma UCI World Cup Para-Cycling Road na Segóvia (Espanha), tendo subido para a 17ª posição.

Voltei a conquistar o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Contrarrelógio em 2012, bem como nos Campeonatos Nacionais de Pista, na Taça de Portugal Albergaria, no Campeonato Nacional de Paraciclismo de Torres Vedras e no Grande Prémio de Viana do Castelo. A minha prestação na cidade espanhola, manteve-se igual à do ano anterior: 17º lugar.

O ano de 2013 ficou marcado pelo meu desejo de progredir mais nos campeonatos internacionais: mantive o primeiro lugar em vários campeonatos Portugueses (Campeonato Nacional de Contrarrelógio, Campeonatos Nacionais de Pista, Taça de Portuga de Albergaria, Campeonato Nacional de Paraciclismo de Torres Vedras, Grande Prémio de Gondomar e Grande Prémio de Viana do Castelo), mas foi no estrangeiro que progredi bastante: conquistei o 6º lugar no I Gran Premio Handbike Ciudad Real, o 7º lugar na UCICUP 2013, o 5º lugar na II Certame Handbike Benicarló 2013, o 17º lugar na UCI World Cup Paracycling Road (Itália), o 15º lugar na UCI World Cup Paracycling Road (Segóvia, Espanha), o 3º lugar no Criterium Internacional Ciudad Sounds Real, o 5º lugar no Trofeo de Ciclismo Adaptado, o 5º lugar no IX Criterium Internacional, o 4º lugar no Handbike (Los Alcázares, Espanha) e o 4º lugar em Puerto Lumbreras 2013 (Espanha).

Ainda no início do ano de 2013, juntamente com um amigo fundei a APCA – Associação Portuguesa de Ciclismo Adaptado – que visa dar a conhecer e angariar mais adeptos do Ciclismo Adaptado, promovendo eventos desportivos, efetivando palestras para novos atletas e/ou todos os interessados, assim como foi criado um departamento que tem como principal objetivo estimular os atletas de alta competição para a participação em provas internacionais e de renome.

Em 2014 voltei a competir nos mesmos campeonatos portugueses em que participei no ano anterior conquistando o primeiro lugar em todos eles. Além-fronteiras posicionei-me no 12º lugar na European Handcycling Federation UCI (Castelldefels, Barcelona), o 5º lugar no Biskako Bira 2014, o 6º lugar no Crono Biskaiko Bira 2014, o 22º lugar na UCI World Cup Paracycling Road (Itália) e o 24º lugar na UCI World Cup Paracycling Road de Segóvia (Espanha).

Em 2015 venci o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Viana do Castelo, na Taça de Portugal de Albergaria, no Campeonato de Contrarrelógio de Setúbal, o Grande Prémio de Torres Novas e o Grande Prémio de Gondomar.

Em campeonatos internacionais, fiquei em 14º lugar na UCI World Cup Paracycling Road, em 13º lugar na Verola Paracycling Cup (Itália), 11º lugar na Paracycling Cup Brescia (Itália), 4º lugar no Biskako Bira e o 5º lugar no Crono Biskaiko Bira.

Como resultado do enorme esforço e dedicação ao desporto profissional no decorrer destes anos, sofri um considerável desgaste físico e como tal, fui aconselhado em 2016, por uma equipa médica, a dar por terminada a prática desportiva nos moldes definidos pela Alta Competição. Apesar de adorar praticar Handcycling, descobri recentemente a possibilidade de voltar a praticar o Downhill, desporto este que já praticava antes do meu acidente, mas desta vez adaptado à minha atual condição física. Foi com esta nova realidade que surgiu o meu interesse em desenvolver esta modalidade adaptada que desperta no nosso país. Neste âmbito encontro-me a desenvolver um projeto desportivo de Downhill Adaptado pioneiro em Portugal.

O que o desporto significa para mim?

Posso dizer que quando estou a praticar desporto sinto-me verdadeiramente livre e feliz, é algo que me faz bem tanto física como psicologicamente, pois nesses momentos sinto-me desconectado da cadeira de rodas…como se não precisasse dela realmente a tempo inteiro.

Desafio vos a passar um dia comigo para perceber melhor o que sinto 😊