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A Rosa, a maior!

Acordámos todos com esta notícia maravilhosa: a Rosa Mota, nossa campeã Olímpica em 1988 ganhou uma maratona em Macau. Que maraviha, que inspiração, que força! E porquê? Por que a Rosa Mota tem 60 anos mas tem tanta energia que comove e embaraça. Aposto que esta medalha sabe bem.

Lembro bem deste vídeo promocional que gravámos por altura da Semana Europeia do Desporto. Esta acção foi gravada, digo-vos agora, em tempo recorde. No total, demorámos 1 hora a fazer tudo: a gravar vários takes da mesma fala, vários momentos a correr, a caminhar, a saltar à corda. Pelo meio, muita gente a passar, a falar à Rosa e ela a responder, a incentivar, sem perder o foco. Podia não achar muita piada a estar a ser conduzida por uma miúda que não conhecia de lado nenhum. Não. Nunca questionou, até deu ideias. Mal sabia que tinha ali uma profunda admiradora. Às vezes, esta vida proporciona-nos a possibilidade de estar com quem muito admiramos.

“Acordei, não tinha agenda e resolvi ir correr!”. É isto. Simples.

Parabéns, querida Rosa Mota! E obrigada, que exemplo!

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Dia Mundial das Missões

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor;

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

Onde houver discórdia, que eu leve a união;

Onde houver dúvida, que eu leve a fé;

Onde houver erro, que eu leve a verdade;

Onde houver desespero, que eu leve a esperança;

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais Consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.

São Francisco de Assis
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Rebenta a bolha!

Desculpem mas… permitam-me: está tudo louco?

De vez em quando os meus olhos param em alguns anúncios de imobiliário ou recebo alguma newsletter e nem quero acreditar.

Eu até sou capaz de perceber o preço de algumas casas, para arrendar e comprar: o objectivo é selecionar inquilinos e compradores, distinguir pessoas e lugares. Não me choca, na verdade, sempre foi assim. Mas… em alguns lugares, não todos os lugares. Caríssimos, não esperem que alguém nas Olaias queira pagar um T1 por 900 euros. Ou possa dar 1 700 euros por um T2.

Os novos modelos de negócio (Air BnB) fizeram disparar os valores de forma assustadora por que um senhorio prefere ter a casa alugada a turistas que até podem partir tudo mas em 2 ou 3 dias pagam o valor de um mês. Depois? Partiram mas há dinheiro para arranjar. Venha de lá mais um grupo. Nada contra, atenção, mas estes preços não podem servir para definir rendas mensais que as pessoas simplesmente não podem pagar! De que vive uma família que recebe o salário mínimo (cada vez mais comum) e que tem filhos para alimentar? Nem todos os locais servem para este arrendamento de curta duração, apenas os que são servidos de boas redes de transportes e comunicações, aqueles que são mais centrais que outros.

Por outro lado… o problema é que há sempre alguém que paga, há sempre alguém que reclama mas que oferece mais. Até pode achar que o investimento não é vantajoso mas, vamos lá saber porquê, paga. E paga bem.

Acho que está na hora de parar e pensar. Não espero que o faça quem aluga. Mas quem legisla já devia ter percebido que é preciso fazer alguma coisa. Depressa. Ou ainda acabamos todos a dormir na rua.

E não, não vale a pena dizer ‘É a economia, estúpida!”. É muito, muito para além disso.

Entretanto, encontrei estes dois anúncios. Tão parecidos, tão ridículos. De um requinte… Uma sorte, só vos digo. Uma sorte para quem quiser dar mais de 200 mil euros por 40 metros quadrados no centro histórico de Lisboa. Sim e há quem esteja disposto a fazer o mesmo, para acordar com o mar. Bolas, por este valor até caipirinhas devia ter, uma pulseira dourada e um empregado a fazer massagens, a todas as horas.

Ahhhh. Portugal no seu melhor.

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Mexa-se, pela sua saúde! #8

Terminou a Semana Europeia do Desporto. Uma semana cheia de actividades que começou com uma maratona de bicicletas em Belém e terminou com actividades em Quarteira, no Algarve. Durante estes dias, dezenas de países, milhões de pessoas em todo o continente uniram-se em prol do desporto mas com uma mensagem ainda mais ambiciosa: o desporto é para todos!

 

É para os que correm maratonas, para os que praticam judo, para os que vão ao ginásio, para os que caminham, para os que preferem ioga ou pilates, escalada, badminton, canoagem, vela, ciclismo, futebol. É para todos! E é urgente que assim também o seja: Portugal é um país cada vez mais sedentário, 60 % da população é obesa- é mais de metade!!!!- e cada vez mais jovens sofrem desta doença. A obesidade é o principal factor desencadeador de um série de problemas: diabetes, hipertensão arterial.

A obesidade comportamental, que se resume na nossa incapacidade de acção, sedentarismo ou preguiça, se quiserem que seja mais directa, faz mal à nossa saúde. Sim, eu também sofro de preguiça, também há dias em que não me apetece nada mexer, há dias em que só vejo sofá e há dias em que não faço, mesmo. Arrependo-me sempre. A minha saúde piora, a minha condição agrava-se, desempenho muito pior o meu trabalho e, por fim, o sono não é relaxado. Está tudo relacionado, não haja ilusões.

Para viver bem é preciso fazer por isso. Não é uma questão de metabolismo, nem apenas de ‘não ser preciso’. A principal razão que me levou a participar, pela segunda vez, nesta iniciativa é essa consciência, é essa certeza de que a mensagem é verdadeira! Felizmente, somos vários a pensar o mesmo mas queremos ser muitos mais!

Mexam-se, pela vossa saúde. #BEACTIVE

Partilho algumas fotografias da Semana e também os bastidores da gravação dos vídeos que gravámos.

 

 

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Mexa-se, pela sua saúde! #6

E que tal fechar a semana com uma mulher maravilhosa, e outra força da natureza? Eu sou um sortuda por que me cruzo com histórias incríveis! Eis a Cristina Azevedo, gestora de negócios numa das maiores seguradoras do Mundo e campeã em contra-relógio! Ah, e também é uma das pessoas com mais seguidores no LinkdIn. Que mistura improvável, hein?! Começou tarde, ganhou e… voltou, 14 anos depois. Habituei-me a ver a bicicleta na casa dela, a ouvir as histórias das corridas e o brilho nos olhos a cada desafio para correr, pedalar ou caminhar, apenas. Sim, o contra-relógio foi feito para pessoas como a Cristina, focadas, ponderadas e que sabem muito bem onde podemos aplicar o melhor de nós. 

Destaco o profundo exemplo que dá a todos: a entrega, o empenho, a dedicação, a alegria, o positivismo. Meus amigos… A Cristina tem pernas para tudo e prova que vamos sempre a tempo! Deixem passar esta minha amiga cheia de luz!

O Regresso

Sou Cristina Azevedo e tenho 44 anos .
Sou Mãe, tenho uma Família de 4 irmãos, órfã de Pai e tenho a Mãe confidente.
Os Amigos e os Muito Amigos, tenho-os no coração e também espalhadas pelo Mundo
Durante 3 Anos, já veterana e aos 30 anos, fui federada e conquistei 6 medalhas em Campeonatos Nacionais de Ciclismo na categoria de elite. Não porque não aceitasse a idade mas porque é na classe elite que está o prestígio da competição nesta modalidade.
Ser Campeã Nacional de Contra Relógio era uma ambição ! Foi sem dúvida a camisola que mais me deu prazer vestir e a medalha mais acarinhada. (CN – CRI ou Time Trail 2006)
No meu entender é no Contra relógio que o atleta está só e só depende dele e das indicações do carro que o acompanha (onde segue o director desportivo).
Nesse dia tudo correu bem e lá fui eu… Feliz e Contente pelo sonho alcançado.
12 Anos depois e já no decorrer de 2018 houve alguém que me desafiou a pegar na bicicleta e ir de Lisboa a Cascais… Fui com interrupções mecânicas e regressei com falhas físicas… Duríssimo para quem não andava há mais de 12 anos.

Em menos de 6 meses fui fazer três mediofondos, Gerês, Marvão e Monção sendo estas etapas de 100 quilómetros, aproximadamente, com algum acumulado de subida e como gosto mesmo é de ir ao pódio… lá fui eu na conquista de mais três pódios!

Tudo isto tem “um” segredo ! Tu e todos nós sabemos que o trabalho, a dedicação e a paixão leva-nos a subir as montanhas mais elevadas do mundo.
Mesmo sem tempo, mesmo sem vontade e mesmo motivo para ir treinar, pega no teu equipamento… e vai!


Não esperes por mim, não esperes pela vontade que pode não chegar e não esperes por um dia melhor …
Eu sou daquelas que dizia eu “nunca regresso” nem olho para trás …
Afinal, Regresso sim, a tudo o que me faça feliz, a todos os que me completam e ao que acresça em muito a minha felicidade !

Podemos viver muito felizes ! Basta acreditar, Confiar e deixar fluir.
Todos os dias temos que dar o passo na direcção que queremos alcançar e as medalhas são apenas a recompensa do esforço e o reconhecimento do teu mérito.
Se treinas porque sim e não queres competir estás no caminho e na direcção que um dia eu quero chegar!

Grata pela sorte de poder escrever um texto com uma história feliz e cheia vontade de vencer.

Como eu digo aos meus Amigos
Um beijinho enorme e até já!

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Mexa-se, pela sua saúde! #5

Estão a ver aquelas pessoas que surgem na nossa vida por acaso e que se tornam profundamente importantes, ao ponto de serem insubstituíveis? Apresento-vos o Humberto Simões. Para falar dele tenho de respirar fundo para não ser tendenciosa. Até porque o que nos traz aqui é o desporto e isso, só por si, vale a pena saber. 

Das primeiras coisas que aprendi, pelo Humberto, foi este amor ao futebol. Perdão, ao Eléctrico! Quando se fala em fins de semana ele lá diz que tem jogo, que vai encontrar os amigos e que não troca isso por nada no Mundo. Sim, o desporto é isso: espírito de equipa, amizade, entreajuda, valores que hoje se tratam por soft skills mas que parecem esquecidos pela maioria das pessoas. E eu fico feliz por que ele é assim. Por que, ao fim destes anos, continua a ir lá, a querer jogar, a estar com os amigos, a dedicar esse tempo ao que também é importante e nos faz pessoas, todos os dias.    

Das últimas vezes que falamos do Eléctrico, o Humberto estava aborrecido: tinha dado um jeito qualquer nos joelho e estava em dúvida para os jogos do fim de semana. Mas… “É um jogo grande, tu já viste? Eu não posso falhar!”. Eu lá dei uma de conselheira e expliquei-lhe que a prudência é tão boa companheira. Esqueçam. 

Querer é poder. Seja a 3 quilómetros. A 30. Ou a 300. Aqui está a prova. Leiam tudo, assim, sem respirar! 

 

 

O meu amor Eléctrico!

Lembro-me de ir ver os jogos do Eléctrico Futebol Clube desde sempre.

De 15 em 15 dias, aos domingos à tarde, lá ia eu, da pequena aldeia de Tramaga até ao campo do clube mais representativo do concelho de Ponte de Sôr. A maior memória que guardo da infância, é a do dia em que o Eléctrico recebeu o Sporting. O sorteio da Taça de Portugal ditou que os leões fossem ao Alentejo e foi um dia de festa. Lembro-me de mal ter dormido, de acordar cedo para me despachar e de chegar ao campo de terra batida. Lembro-me da surpresa por perceber que não havia lugares à volta do terreno de jogo e ver, pela primeira vez, bandeiras por todo o lado. Lembro-me de estarmos a ganhar 1-0 e, já bem perto do final, o Sporting passar para a frente (1-2). Mas também me lembro de ficar com aquela sensação de que os nossos jogadores foram uns heróis. E foram. Eu tinha pouco mais de seis anos mas lembro-me. Aos 10 anos, fui convidado para ingressar no Eléctrico. Quando pedi ao meu pai, só meteu uma condição. “Eles têm de te vir buscar e levar”. Da Tramaga – curiosamente, nunca joguei oficialmente pelo clube da minha aldeia -, ao campo de jogos eram uns três ou quatros quilómetros. Aceitaram a proposta do meu pai. E estreei-me com o emblema do barquinho ao peito. Dois anos antes de ter idade para jogar na equipa principal, acabaram com o meu escalão e tive de procurar outro clube. Correu tão bem que jogava pelos juniores ao sábado e pelos seniores ao domingo. Correu tão bem que no ano a seguir fui contratado por outro clube. Correu tão bem – sim, não é repetição, foi mesmo noutro ano -, que o Eléctrico voltou a chamar-me. Já com idade para jogar nos “crescidos”, aí estava eu na equipa principal. Com o meu primeiro ordenado. Não era milionário, mas dava para as despesas de um jovem de 19 anos. Aí estive cinco anos, até começar a trabalhar em Lisboa como jornalista. Até ser operado ao joelho pela primeira vez. Sim, coleciono duas operações ao joelho, dois sobrolhos abertos, dois dentes partidos – sim, tudo aos pares e nunca ao mesmo tempo -, mas ganhei muito mais do que perdi. Ganhei mais jogos. Ganhei mais amigos. Ganhei mais armas como homem. Foram 25 anos como jogador federado, em sete clubes, de três distritos. Acabou aos 35. Bom, na verdade, não foi o fim. Eu sei que agora a exigência não é a mesma, mas aos fins-de-semana lá vou eu, do Montijo a Ponte de Sôr. Imaginem que agora até temos dois campos, um relvado e um sintético. Imaginem que agora até temos dois fatos para ir para os jogos, um de inverno e um de verão.

Imagem que agora, mesmo nos veteranos, jogo no clube do meu coração.

Sim, o meu amor é o Eléctrico!

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Mexa-se, pela sua saúde! #4

Este é o André Venda. Não sei apresentá-lo de outra forma que não uma força da natureza, vão perceber quando lerem a história. Não nos conhecemos pessoalmente, partilhamos a paixão pelo desporto e a resiliência. O André é o exemplo de que tudo é possível, de quem nunca desistiu. Tinha tudo e perdeu muito mas lutou sempre. Esta modalidade é uma espécie de catarse na sua vida, acho que não estou enganada! 

Merece a minha vénia e o meu reconhecimento. Não perdeu o foco, não perdeu a alegria, não perdeu a vontade de viver. E podia ter perdido. Conto pelos dedos das mãos as pessoas que reagem desta forma, às chatices da vida. 

Grande André. Agora, leiam e acompanhem-no aqui

 

O meu nome é André Venda e tenho 30 anos.

Sempre me considerei uma pessoa proactiva e cheia de energia para gastar e, por isso, desde cedo procurei ingressar diversas modalidades desportivas: experimentei basquetebol, voleibol, ténis, ténis de mesa mas foi no Downhill que descobri a minha vocação.

Um acidente de viação aos 20 anos tornou-me paraplégico: este percalço fez com que deixasse de conseguir praticar Downhill, a modalidade onde já competia em provas nacionais.

Parar não era opção para mim: procurei arranjar outras alternativas desportivas e descobri o Handcycling. Todo o empenho e treino fizeram com que rapidamente chegasse ao pódio, quer a nível nacional quer internacional.

Foi em 2010 que comecei a competir em Handcycling: arrecadei 6 primeiros lugares a nível Nacional (no Campeonato Nacional de Contrarrelógio, nos Campeonatos Nacionais de Pista, na Taça de Portugal de Albergaria, no Campeonato Nacional de Paraciclismo de Torres Vedras, no Grande prémio de Gondomar e no Grande prémio de Viana do Castelo) e o 20º lugar na UCI World Cup Para-Cycling Road na Segóvia (Espanha);

Em 2011, voltei a trazer para casa o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Contrarrelógio, no Grande Prémio de Gondomar e no Grande Prémio de Viana do Castelo e competi pela segunda vez ma UCI World Cup Para-Cycling Road na Segóvia (Espanha), tendo subido para a 17ª posição.

Voltei a conquistar o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Contrarrelógio em 2012, bem como nos Campeonatos Nacionais de Pista, na Taça de Portugal Albergaria, no Campeonato Nacional de Paraciclismo de Torres Vedras e no Grande Prémio de Viana do Castelo. A minha prestação na cidade espanhola, manteve-se igual à do ano anterior: 17º lugar.

O ano de 2013 ficou marcado pelo meu desejo de progredir mais nos campeonatos internacionais: mantive o primeiro lugar em vários campeonatos Portugueses (Campeonato Nacional de Contrarrelógio, Campeonatos Nacionais de Pista, Taça de Portuga de Albergaria, Campeonato Nacional de Paraciclismo de Torres Vedras, Grande Prémio de Gondomar e Grande Prémio de Viana do Castelo), mas foi no estrangeiro que progredi bastante: conquistei o 6º lugar no I Gran Premio Handbike Ciudad Real, o 7º lugar na UCICUP 2013, o 5º lugar na II Certame Handbike Benicarló 2013, o 17º lugar na UCI World Cup Paracycling Road (Itália), o 15º lugar na UCI World Cup Paracycling Road (Segóvia, Espanha), o 3º lugar no Criterium Internacional Ciudad Sounds Real, o 5º lugar no Trofeo de Ciclismo Adaptado, o 5º lugar no IX Criterium Internacional, o 4º lugar no Handbike (Los Alcázares, Espanha) e o 4º lugar em Puerto Lumbreras 2013 (Espanha).

Ainda no início do ano de 2013, juntamente com um amigo fundei a APCA – Associação Portuguesa de Ciclismo Adaptado – que visa dar a conhecer e angariar mais adeptos do Ciclismo Adaptado, promovendo eventos desportivos, efetivando palestras para novos atletas e/ou todos os interessados, assim como foi criado um departamento que tem como principal objetivo estimular os atletas de alta competição para a participação em provas internacionais e de renome.

Em 2014 voltei a competir nos mesmos campeonatos portugueses em que participei no ano anterior conquistando o primeiro lugar em todos eles. Além-fronteiras posicionei-me no 12º lugar na European Handcycling Federation UCI (Castelldefels, Barcelona), o 5º lugar no Biskako Bira 2014, o 6º lugar no Crono Biskaiko Bira 2014, o 22º lugar na UCI World Cup Paracycling Road (Itália) e o 24º lugar na UCI World Cup Paracycling Road de Segóvia (Espanha).

Em 2015 venci o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Viana do Castelo, na Taça de Portugal de Albergaria, no Campeonato de Contrarrelógio de Setúbal, o Grande Prémio de Torres Novas e o Grande Prémio de Gondomar.

Em campeonatos internacionais, fiquei em 14º lugar na UCI World Cup Paracycling Road, em 13º lugar na Verola Paracycling Cup (Itália), 11º lugar na Paracycling Cup Brescia (Itália), 4º lugar no Biskako Bira e o 5º lugar no Crono Biskaiko Bira.

Como resultado do enorme esforço e dedicação ao desporto profissional no decorrer destes anos, sofri um considerável desgaste físico e como tal, fui aconselhado em 2016, por uma equipa médica, a dar por terminada a prática desportiva nos moldes definidos pela Alta Competição. Apesar de adorar praticar Handcycling, descobri recentemente a possibilidade de voltar a praticar o Downhill, desporto este que já praticava antes do meu acidente, mas desta vez adaptado à minha atual condição física. Foi com esta nova realidade que surgiu o meu interesse em desenvolver esta modalidade adaptada que desperta no nosso país. Neste âmbito encontro-me a desenvolver um projeto desportivo de Downhill Adaptado pioneiro em Portugal.

O que o desporto significa para mim?

Posso dizer que quando estou a praticar desporto sinto-me verdadeiramente livre e feliz, é algo que me faz bem tanto física como psicologicamente, pois nesses momentos sinto-me desconectado da cadeira de rodas…como se não precisasse dela realmente a tempo inteiro.

Desafio vos a passar um dia comigo para perceber melhor o que sinto 😊

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Mexa-se, pela sua saúde! #2

Nesta Semana Europeia do Desporto resolvi dar voz, espaço, o que queiram chamar, a alguns testemunhos reais e verdadeiramente inspiradores de quem superou uma situação de que não gostava, que não servia e que hoje vive com mais alegria, mais saúde, mais vida! Pessoas com quem me fui cruzando e que merecem ser conhecidas por vocês, também!

O Alexandre Andrade é meu amigo de Instagram, dos poucos que adicionei e aceitei sem conhecer. Ao longo deste tempo fui descobrindo uma pessoa empenhada, focada na vida e na saúde, que quer melhorar sempre, em todas as áreas. Alguém que não abdica do que lhe faz bem, do que trata da mente e do corpo, em doses recomendadas e iguais! O Alexandre é uma das provas vivas que a mudança está ali, à distância da nossa vontade!!! INSPIREM-SE! 

 

No âmbito da semana Europeia do Desporto 2018, uma iniciativa da Comissão Europeia destinada a promover o desporto e a atividade física em toda a Europa – #BeActive, a Embaixadora Patrícia Matos desafiou-me para escrever algumas palavras sobre a minha história. Aceitei, com muita satisfação. Obrigado. Obrigado mesmo!

Em 2012, talvez tenha atingido o número dos 100kg.

No entanto, registado, na minha médica “de família”, tenho “apenas” 98kg.

É muito provável que o primeiro número falado tenha sido atingido, ou mesmo ultrapassado.

Efetivamente, o descontrolo foi total. O desequilíbrio físico e mental foi levado ao limite.

Durante anos, fugi, conscientemente, diga-se, da balança.

O “Eu” não era prioridade. O “Eu” não tinha, para mim, qualquer importância.

Nesse mesmo ano de 2012, ao olhar, por acaso, acho, para uma balança com o “Eu” em cima, fiquei em choque.

Não queria acreditar naqueles números…! No imediato, decidi mudar.

No entanto, física e mentalmente desequilibrado e consciente desse facto, bem sabia que tinha de ir buscar forças “lá ao fundinho”.

Foi, digo já, uma vigem muito longa. Foi, não, é, porque a viagem não acabou. Já muito foi feito, mas ainda há muito para fazer. Tem sido uma aprendizagem extraordinária. Uma aventura muito difícil, mas muito enriquecedora.

Talvez ninguém se tenha apercebido bem do que passei “cá dentro”. Nem mesmo os mais chegados. Muitas vezes, fiz-me de forte, sabendo que, na realidade, tudo se desmoronava “cá dentro”. Mas fui resistindo. Essa resistência deu-me força (ainda dá). Deu-me tanta força.

Procurei ajuda. Numa primeira fase, porque o peso era muito, procurei ajuda de uma nutricionista.

O #BeActive (desporto) e a força mental, importante, fui fazendo e aprendendo, por mim. Tal tornou-me mais forte e essa opção, foi, penso, essencial.

A pouco e pouco, com o ajustamento alimentar dado pela nutricionista, fui reduzindo o peso. Nessa altura, com mudanças profissionais, consegui baixar o ritmo e focar-me no “Eu”.

Sei que baixei dos 98kg (ou mais), para os 73/ 74kg. Isto em finais de 2014, inicio de 2015. Sentia-me bem. Fazia algum desporto.

Mas, em rigor, não tinha grandes objetivos definidos.

E isso, considero-o agora, foi a primeira “grande dor de crescimento” desta mudança. É essencial definir objetivos exequíveis e motivadores.

Coloquei muita coisa em questão. Sabia o que já tinha feito, e era muito, mas, por uma qualquer razão (que não consigo, ainda, explicar), coloquei esse trabalho todo em causa. Talvez o desequilíbrio a que tinha chegado em 2012, explique o sucedido…

Consultei, nessa altura, a minha médica de família. E que enorme conversa que tivemos. Lembro-me bem das suas palavras: Isso que estás a passar aí dentro, só tu o conseguirás ultrapassar…. Basicamente, precisava de equilíbrios.

Quando os objetivos não estão definidos, ao mínimo desleixo, mesmo que inconsciente, tudo “volta a abanar”. E abanou. Em Fevereiro de 2016 cheguei perto dos 84/ 85kg.

A grande diferença é que, naquele momento, sabia o porquê. Não foi desleixo inconsciente. Também não lhe chamo desleixo consciente. Fico-me apenas por falta de objetivos.

Dizem que na vida nada acontece por acaso. Um dia, uma leitura simples pela internet fez-me chegar à “moda” dos desportos de combate. No caso, ao kickboxing. Lia, nessa altura, que tinha aberto uma nova Academia, com um conceito fight 4 fitness.

Apesar de nunca ter andado “à bulha” na escola, aliás, era sempre o primeiro a fugir, naquele momento, algo me dizia que tinha de experimentar.

Marquei um treino. Para uma 4.ª-feira. Lá fui eu. Levei uns calções, uma camisola anti-transpiração, uma t-shirt e uns chinelos. O treino era descalço.

Conheci nesse dia o Treinador que até hoje me acompanha. Treinador de Excelência. Pessoa genuína, sincera e de um profissionalismo dedicado e apaixonante.

O treino foi normal. Contei um pouco da minha história. O Treinador explicou-me como fazia o treino. Explicou-me o básico. Correu bem. Nesse dia, no final do treino, comprei as luvas e as ligaduras, porque senti, ali, depois do treino, que aquele era o caminho. Confidencio aqui uma conversa que tive há pouco tempo com o meu Treinador. Ele confessou-me que, quando me viu a comprar o equipamento todo, após o primeiro treino, pensou: lá está mais um que vem treinar 3 ou 4 vezes e depois nunca mais aparece

Mas apareci.

Comecei a treinar com regularidade. No mínimo, 2 a 3 vezes por semana. Raramente faltava.

Tinha 39 anos. Defini um primeiro objetivo. Perder peso e volume.

Comecei a estudar a modalidade.

Ajustei, com os ensinamentos que já tinha (do ajustamento alimentar), os hábitos alimentares.

Fui, gradualmente e de forma sustentada, perdendo peso e volume.

O objetivo estava a ser atingido.

Ia vivendo o meu treino. Mas ia também vivendo os treinos do meu Treinador e de outros atletas da Academia e de outras Academias que seguia. Via o empenho, a motivação, os sacrifícios. Ganhava, cada vez mais respeito por estes atletas. Ganhava, cada vez mais respeito por mim.

Fisicamente, a evolução foi brutal. Mentalmente, a evolução foi brutal. Sim, quero individualizar.

Todos os treinos eram (são) um grande desafio.

Cheguei aos 40 anos (25-10-2016) com 73/ 74kg. Sentia-me bem.

Cada vez mais apaixonado pelo kickboxing, apenas queria melhorar um pouco mais, todos os dias.

Os treinos de kickboxing são duros. São duros para o corpo. São muito duros para a mente. Em cada movimento temos de ir para além do nosso limite. Descobri que temos “cá dentro” muito mais do que pensamos.

Nesta fase, a alimentação andava a ser ajustada. Diga-se, até nisto a evolução foi brutal. Aprendi uma nova paixão. A cozinha.

Continuava a treinar com regularidade. Até já corria.

Para melhorar todos os dias, sabia que tinha de fazer mais. Queria fazer mais. Não me contentava, não me contentei. Treinava kickboxing, mas sentia necessidade de mais “cardio” e mais “força muscular”. Além da corrida, decidi começar num ginásio, a fazer trabalho mais especifico. Também aqui, a ajuda de pessoas experientes foi essencial.

Em 31 de Junho de 2017, pesava 66,3kg.

Que sofrimento. Saía dos treinos muito satisfeito (apesar do sofrimento, faz parte), mas completamente ko dos braços e pernas. “Perguntei-me” tantas vezes: como vou levar a mota até casa agora?

Depois da perda de peso e volume, defini dois objetivos. Definir o meu corpo e melhorar fisicamente para aguentar, cada vez mais forte, o kickboxing e a vida (sim, a vida, o dia-a-dia). Um corpo fisicamente melhor, uma mente mais forte, aguenta a vida com mais “garra”, com mais animo, com mais força.

Segui (sigo) o meu caminho.

Tinha, desde o momento que havia decidido mudar (algures em 2012), outro objetivo bem definido. Talvez o mais difícil. Fortalecer mentalmente. Esse caminho, o mais importante, tem de ser feito “cá dentro”. As dúvidas foram tantas (mas sei que se não fossem essas dúvidas, tinha sido impossível avançar). Coloquei tudo em causa. Abanava interiormente todos os dias, mas todos os dias, ou ganhava mais qualquer coisa ou aprendia algo mais.

Hoje, 16 de Setembro de 2018, a caminho dos 42 anos, peso 60kg.

Treino 4 a 5 vezes por semana.

Tenho, por opção, um cuidado redobrado com a alimentação. Não tenho vergonha de pedir uma garrafa de água em vez de uma cerveja ou de uma “cola”, ou de pedir uma salada em vez de um bife com batatas fritas. Peço algo equilibrado e que sei que me vai ajudar. Não sou fundamentalista, mas sigo o meu caminho, aquilo que me faz bem. Faço-o, por mim.

Sinto-me bem. Melhor que nunca.

No momento em que conciliei o kickboxing (desporto) com a vontade de fortalecer a minha força interior, tudo mudou. Não foi nada fácil, aliás, não é fácil. Mas recomendo. Recomendo mesmo. Da minha história/ experiência, deixo uma pequena dica, descobre um desporto que te equilibre, que te apaixone (não o pratiques por praticar, pratica porque queres mesmo fazê-lo) e que te mantenha ativo. Questiona-te. Prepara-te. Muda “por ti”. Trabalha “por ti”. Preocupa-te contigo. Valoriza-te. Os resultados aparecem. Como em tudo na vida, trabalha bem (treina bem), come bem e descansa bem.

Mudei “por mim”. Não pretendo ser “exemplo”, mas também não esqueço os “exemplos” que vejo e me influenciam, por isso, termino, citando, Albert Scweitzer, o exemplo não é a melhor forma de influenciar alguém, é a única. #BeActive.