Imagem

A da moda?! A sério?!

HP, há muito tempo que não conversamos por isso vamos lá falar aqui as duas… Agora és a bactéria da moda?! A sério, não me faças rir?! Andas a incomodar ainda mais pessoas? Quando é que isto acaba? Já não bastava seres chatinha como ainda por cima és uma ‘maria vai com todas’. Não sei que te faça, a sério.

Queria acreditar que eu seria daquelas que resistia à tua presença que aguentava e suportava, muito em silêncio, aquilo que tu bem decidias fazer… mas afinal, não: tenho recebido tantos mas tantos relatos de pessoas que estão contigo pelos cabelos. E conheço muitas que nem sequer conseguem o antibiótico porque está esgotado. Sinceramente…

Deixa as pessoas ou, pelo menos, não sejas chata. Deixa-as fazer a vida normal, não provoques mal estar, indigestão. Vá lá, peço-te. Se podes ficar aí sossegada por que não ficas? Que isto seja um assunto só entre nós duas e que ainda não está resolvido, eu bem sei. Não penses que eu ando distraída, tenho-te ‘debaixo de olho’.

Mas olha… já gostei menos de ti… aprendi e aceitei. As pessoas não se mudam, todos os dedos da nossa mão são diferentes, não é…? Quem disse que com as bactérias seria diferente?! Vá, deixa lá a tua marca na minha vida. Eu depois mostro-te o caminho da saída. Em direcção à rua. Tipo labirinto.

Imagem

O amor incondicional

– “Tenho uma coisa para te contar… Hoje abracei um senhor que estava de olhar perdido, a ver o mar. Perguntei se podia ficar com ele, um instante”. A conversa da A. começou desta forma.

– “Sabes qual foi a resposta dele? ‘Olhe… se quiser ficar é a única a querer estar ao meu lado’… Doeu-me tanto que não imaginas”, disse.

– “Eu imagino. Mas… isso foi porquê?”, questionei.

– “Ele  foi viajar com os netos e só os via nas horas das refeições, tirando isso estava sozinho. Eles só precisavam de quem lhes pagasse a viagem”, explicou-me. “Sabes”, continuou, “o universo levou-o até mim e ali ficamos a conversar um bocadinho, os dois. Deu-me o prazer de parar e estar uns minutos a beber um chá, a descansar as pernas e a sentir a brisa do mar. No fim quem agradeceu fui eu”.

Deste lado do ecrã do telefone, eu sorri. A. lembrou-me aquilo que tenho sentido nos últimos tempos: estamos num rodopio constante, numa ansiedade e inércia simultâneas. As prioridades alteram-se, de um momento para o outro. Estamos doentes por falta de amor, pela nossa incapacidade crescente de nos colocarmos no lugar do outro. Fazemos correntes, vestimos camisolas, partilhamos publicações mas não damos um simples sorriso a quem passa. E é triste.

Naquele instante eu senti o que me escreveu, de seguida: “Ainda bem que o meu coração encontrou o teu. Gosto muito de ti”.

Sou uma sortuda. Ponto final.

Imagem

Os dias não se repetem. E é pena.

Não podemos nada contra o tempo perdido, o dia passado, o que já foi. Há dias, todos os dias, que não se repetem e há pena nisso, há magoa pelo bom que não será mais, há tristeza pelo mau que nos tirou em cada minuto, 60 segundos de felicidade.

Encontramos as nossas pessoas e, passados tantos anos, elas são as mesmas, não mudaram. Elas são e nós somos o que deixamos há 15 anos. E isso nunca terá preço.

Os dias têm sido bons. O sol tem sido generoso como que a recompensar por tudo o que passou. A preparar para o que aí vem, que é tanto, e faz encolher o corpo todo. Ao mesmo tempo obriga a encher o diafragma, a levantar a cabeça, sorrir e agradecer… Ainda que a saga não tenha terminado. Sem medos, sem energias negativas. Até porque o cantar dos passarinhos e das cigarras não deixa espaço para isso.

Deus dá as maiores batalhas aos seus melhores soldados. Em frente! Siga!

 

 

Imagem

E… a Madeira?

Achavam que me tinha esquecido? Na…. Eu nunca me esqueço dos sítios onde sou feliz e bem tratada. Foi o caso da Madeira. A conferência na Inspecção Regional de Educação estava marcada há vários meses: primeiro foi a HP, depois foi a TAP que cancelou o voo… Acabou por acontecer no dia 15 de junho.

O assunto foi o ‘O poder da decisão’ e já o expliquei aqui.

Foi dia de provas de aferição e a plateia não estava esgotada mas foi muito interessante o debate de ideias que conseguimos fazer.

Mas, como sabem, a Madeira tem 50 mil encantos e eu andei a visitar alguns. Claro que não dispensa outra visita, muito em breve, até porque havia duas opções: ou visitava ou aproveitava as pessoas, amigas. Para mim as pessoas contam mais, sempre, e por isso fui a poucos sítios. Ficam as fotografias.

O Funchal é uma cidade muito bonita e por isso estive empenhada em vivê-la e senti-la!

Fajã dos Padres e a magnífica descida de teleférico, uma vez que é quase inacessível por terra. São cerca 300 metros de altura, cravados no sopé do Cabo Girão, onde fomos depois. A descida demorou 2 ou 3 minutos, nem consegui perceber por que estava completamente fascinada com a vista. Aqui, além da paisagem ma-ra-vi-lho-sa, tivemos outro presente. O Engenheiro Jardim Fernandes teve a amabilidade de nos mostrar a sua pequena adega, cheia de história e riqueza. Ao longo dos tempos, a Fajã foi casa de verão de padres Jesuítas, que ali plantaram vinhas e onde durante muito tempo se produziu o Vinho Madeira. As vinhas perderam-se mas o Eng. Jardim Fernandes não desistiu de procurar a Malvasia, de uvas brancas e tintas, de origem grega. Esta espécie estava por todo o Mar Mediterrâneo a também na Madeira. Procurou, encontrou, plantou e multiplicou-as. Hoje, nesta pequena adega, há um verdadeiro tesouro que nos deu a provar. As pipas são de várias produções e garanto-vos que esta de 2005 é qualquer coisa de extraordinário. É fácil perceber pelo copo cristalino, ainda que estivesse a ser usado. Uma verdadeira honra.

    

O Malvasia foi aperitivo para o almoço dividido entre o bife de atum, bidão, pargo e lapas.

Depois do almoço fomos então espreitar o Cabo Girão, 580 metros acima do nível do mar. Uma vista de cortar a respiração, mais uma vez. Estonteante e que permite uma vista linda de parte da ilha.

Foi uma viagem curta mas muito bonita, que incluiu também fruta, poncha de Hortelã, um agradecimento especial e, claro… um voo cancelado! Memorável!

Imagem

Sozinha, só que não #1

 

Os momentos mais sagrados para mim, durante o programa, são os intervalos. Agora mais longos, outras alturas mais curtos mas sempre, sempre sagrados. Toda a gente sai, não chegam convidados, só a João para retocar a maquilhagem. Porquê? É nestes momentos que me calo. Sim. Isso mesmo. Pausa. Silêncio. Numa emissão de 3 horas e meia estas suspensões fazem tanta, tanta diferença. E acreditem… eu também me canso de me ouvir. E não é raro.

Quando paro, gosto de estar recatada e este ponto aqui, no centro da mesa do jornal, é o meu preferido. Para a frentes, só as câmaras, minhas amigas de há anos, para trás, uma estrutura que me esconde e me protege. E ali passam os minutos, até aos 50 segundos em que me levanto e ocupo o meu lugar.

Quando se está muitas horas em estúdio vamos procurando recantos, como se estivesse em casa e precisasse de um espaço para o momento zen. É aqui que organizo o meu dia, que penso nas minhas coisas, que reflicto e analiso o que está a correr bem ou menos bem, na emissão.

Para muitos é um ponto central, para mim é um oásis: sossegado, escondido e silencioso.

Imagem

O poder da decisão

O que é tomar uma decisão? Difícil ter uma resposta certa, universal, que seja óptima para todas as pessoas porque há sempre alguém a quem não serve tão bem. Tudo na vida é uma decisão: a que horas acordar, o que comer, a quem telefonar, com quem estar, que correio distribuir primeiro… qual a primeira notícia. Decidir tira-nos de um lugar e leva-nos para o outro. Sempre.

A definição é estreita mas podemos e devemos tentar:

“Tomar uma decisão é um processo cognitivo derivado da escolha entre várias opções, com as mais variadas consequências e que faz despoletar uma acção. A decisão representa, sob o ponto de vista ético, a melhor escolha, isto é, a que defende melhor os interesses envolvidos. Subjacente a cada decisão encontram-se razões de diferentes tipos, são estas que influenciam a escolha das acções. Decisão é já uma atitude de desencadear uma acção”.

 A ajuda nesta explicação é da minha querida amiga Dra. Margarida Vieitez. 

E ajuda mesmo a perceber o que está, afinal, em questão. Na Madeira, no passado dia 15 de junho falei de decisão, da importância que tem para nós, para quem nos rodeia, para quem está, até, mais afastado de nós. O que decidimos influencia a vida dos outros, inevitavelmente, e uma acção gera uma reacção e outra, e outra e por aí adiante.  Não vou vou massacrar com explicações mas tenho de vos fazer pensar, penso que o consegui fazer, também, lá.

O que está na base das decisões? Razão ou emoção?

António Damásio, (re)conhecido médico neurologista português, autor de várias obras científicas, estudou pessoas que sofreram danos cerebrais, na zona reservada às emoções. Concluiu que não sentem e ao não sentirem, não são capazes de tomar decisões.

Os psicólogos e psiquiatras, quando chamados a avaliar as capacidades cognitivas e emocionais de alguém, podem escrever ou não “esta pessoa não está apta para tomar decisões“. É das opiniões mais validadas judicialmente.

Depois disto, encontrei um estudo publicado na revista de biologia computacional Plos, que incidiu sobre 3. 400 pessoas em França, com idades entre os 4 e os 91 anos. O objetivo do estudo era baralhar umas cartas e depois que os participantes as identificassem, aleatoriamente, em suporte informático. O computador concluiu que o ponto comum era a idade, que aos 25 se consegue enganar o algoritmo, que é nessa idade que se tem mais capacidade criativa para agir e encontrar soluções. Achei piada ao título da notícia sobre este estudo ‘É com 25 anos que se atinge o pico da tomada de decisões’. Ai… estes jornalistas!

Independentemente de todos os critérios, todas os pontos que encontrei tinham em comum uma coisa: inteligência emocional. O termo foi utilizado pela primeira por Wayne Payne em 1985, na tese de doutoramento mas já tinha tido origem em Leuner (1966), Greenspan (1989), depois também mencionado por Salovey e Mayer (1990). Eu gosto muito da definição de Daniel Goleman, jornalista e investigador norte-americano que sigo e com cujos pensamentos me identifico, diz que inteligência emocional é

“A nossa capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.

E há outra que nos faz pensar, um autor coreano, Byung-Chul Han, que descobri no ano passado e escreveu Psicopolítica que é quase uma bíblia para mim (e é um livro tão pequenino):

“A conjuntura da emoção está ligada ao processo económico”.

Faz pensar, não é? ‘Pensei’ o mesmo!

Dito isto… quem toma decisões… utiliza a razão ou a emoção?

A quem interessam essas decisões?

Implicam o dinheiro de alguém?

Implicam a vida de alguém?

Vão parecer bem a alguém?

Depende de nós?

 

Pensem… e tomem a vossa decisão.