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Marrocos, a escolha.

Sabem aqueles acasos felizes? Marrocos foi isso: um acaso. Feliz. 

Eu precisa mesmo sair e desligar. Não dei pelo passar de 2018 mas, ao mesmo tempo, lembro-me de todos os dias. Sim, é mesmo isto. Desde o início do ano que a minha mente dizia “CABO VERDE” por isso, lá fui eu, disposta a ir para África. O facto de ter pouco tempo de férias, ser uma viagem de última hora e, por isso, mais caro empurraram-me, numa primeira fase, para a Croácia. Pareceu-me lindamente. É um dos meus destinos marcados. Voltei à agência no dia seguinte e… não havia hotel. Não era possível confirmar. Plano B?

Pronto. Opções? Cuba. Maravilhoso. 8 horas de avião e possíveis furacões? Não. E, como que por magia… surgiu Marrocos. Uma única vaga, que não havia na véspera, aqui tão pertinho. Ainda hesitei por que não era o que preferia. É um destino mais saturado nesta altura e eu queria mesmo descansar… Mas aceitei. Parti menos de 24 horas depois.

Sinceramente, nem pensei muito. Queria era ir. Sentia que tinha de ir.

Nunca tinha estado em África e assim que saí do avião já estava a sentir o calor e aquela humidade superior a 70 por cento. A segunda sensação foi depois de receber um sms da minha operadora a informar do tarifário praticado, até o Wifi é cobrado. Bem-vinda!

Bem, pelo caminho para o hotel vi homens a guardar rebanhos debaixo de um sol terrível e lembrei-me do meu querido avô que dizia que devemos combater o calor com roupas leves e frescas mas com roupa mesmo por que o sol a bater na pele é que aquece e faz calor. De facto, é exactamente isso, daí as túnicas, as djellabas, aquelas peças largas e compridas que podem ser usadas tanto por homens como por mulheres, serem as preferidas. Povo muito sábio.

Ao fim de 2 dias já estava toda marcada dos mosquitos. Levei medicamentos para tudo o mais alguma coisa, não fosse a hérnia dar sinal de vida (portou-se tãããão bem!!) mas repelente… não.

Marrocos é uma terra de contrastes e tanto podemos estar numa estância balnear como percorrer 400 quilómetros e já estamos numa cidade imperial, noutra realidade completamente diferente. E isso fascinava-me. Lenço na cabeça, pelo sim pelo não e… lá vai ela. Aprendi a atar um turbante, a colocar o lenço de modo a tapar a cabeça… aprendi tanta coisa.

Cheguei sozinha, como já disse, mas andei sempre acompanhada. 2 dias depois conheci a Sara e o António, extraordinários companheiros de viagem, de uma discrição comovente, com uma simplicidade que existe, talvez, só em Marrocos. Quis o destino que nos encontrássemos ali, a tantos quilómetros de casa. Ficámos amigos para a vida, tenho a certeza.

Um vez, sozinha, num sítio qualquer, dei por mim a pensar que a vida é maravilhosa e que nos devolve SEMPRE em dobro o bem que fazemos aos outros. E comovi-me.

Ali percebi que há coisas que estão onde devem estar, que não faz sentido tentar mudar, querer para nós. São dali. Mudar isso é como tentar fazer alguém gostar de uma música que não percebe, abraçar alguém que não ama, calçar um sapato que não lhe serve, comer algo a que se é intolerante. Ali, mais que noutro sítio, percebi que a diferença pode ser fulcral, determinante, abissal. Ainda que possa ser atenuada, compreendida… nunca vai mudar. E há coisas, simplesmente… incompatíveis.

Mas Marrocos mostrou-me também que o que se sente não se disfarça, não se pode dissimular. Que há sempre uma parte de nós que renasce mas outra acaba por desaparecer, por que ficou lá. E que isso é o que é. A vida que no-la devolva, se assim tiver de ser.

Em Marrocos agradeci por que, em muito momentos, eu estive exactamente onde devia ter estado: ali. A sentir, a viver, a cheirar, a receber e a absorver tudo, em cada poro da pele, em cada passo que dei. Em todas as horas que passei a dormir numa espreguiçadeira, todas as tajines que provei, todos os cheiros que inalei.

 

 

 

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Marrocos é já ali.

“-Tu vieste sozinha para Marrocos??”. Foi a frase com que fui recebida, pelo meu guia, em Saïdia.

“- Sim, sozinha. Porquê?”, respondi.

“- Tu és muito corajosa”, respondeu ele, meio atordoado.

Nem sabe quanto. Não me conhecia ou já não teria estranhado a aventura. Apesar de tudo, os meus amigos também ficaram assim um bocadinho desconcertados. Confiantes mas desconcertados. Aposto que lá no fundo pensaram… “pronto, foi desta que ela pirou de vez” mas depois também devem ter lembrado que estão perante alguém que acorda às 4 horas da manhã há mais de 7 anos e que regressa a casa, frequentemente, por volta das 19 horas. Além disso, Marrocos até pode ser uma brincadeira de meninos, se pensarem que ainda me falta o Oriente e toda uma aventura pela Tailândia. E o Egipto. E a Route 66. Bem… posso garantir que ninguém me trocou por camelos, nem sequer tentou, (as mulheres loiras estão sempre em perigo!) e que fiz muitos amigos. E que tive sempre apoio. Fez toda, toda a diferença.

Viajar é abrir a mente a culturas diferentes, é aceitar, é querer fazer parte do desconhecido, é estar disponível para conhecer e sentir coisas novas. Não julgar. Marrocos é o sítio para tudo isso.

Os cheiros, as cores, os hábitos, a língua, a comida, o chá, o clima, as medinas, as mesquitas, as pessoas. Tudo fascinante, não absolutamente desconhecido para quem conhece o sul da Península Ibérica mas, ainda assim, diferente.  Adaptava-me muito a esta vida mas sei que também sentiria a falta de uma cultura mais ocidentalizada, mais moderna, mais nossa. Quem conhece nunca esquece e jamais esquecerei Marrocos. Marraquexe é o próximo destino, está prometido.

Mostro-vos algumas fotografias de sítios que visitei. Nos próximos dias conto-vos melhor cada aventura nas peles, na marroquinaria, na comida, nos mercados, nas ruas estreitas de Fez, no regateio com os comerciantes, na loja de produtos naturais. Quilos de conhecimento que só a experiência pode proporcionar.

Vale muito pena. E, depois, pouca coisa é mais reconfortante que um mergulho no Mediterrâneo. Um Mar tão deles, tão nosso, tão calmo e revolto, ao mesmo tempo.

 

 

 

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O dia em que tudo mudou.

4 de setembro de 2009. A fotografia é a possível.

O que mudou nesse dia? Tudo.

Primeiro, houve uma implosão da pessoa que eu era. Naquela altura eu acreditava que todas as pessoas eram boas e ninguém fazia mal a ninguém. Ainda que não fosse completamente inocente… eu acreditava. Que não havia dessas coisas para comigo. Que eu não tinha nada digno de cobiça. Até este dia. Fiquei a perceber que, de facto, não era assim. Alguém me disse, quase a chamar-me louca, “Não tens noção do alcance do que estás a fazer!”. Mas tinha. Aprendi a olhar por cima do ombro. A ouvir, mais que a falar. Ganhei nervos de aço.

Depois, houve o crescimento da profissional. O grande problema naquele dia… é que só havia um lugar. O Jornal Nacional de 6a Feira, a 4 de setembro, foi o mas visto do ano e a audiência cresceu ao longo do programa. Devo ter feito alguma coisa bem. “Já viu as audiências de ontem? Muitos parabéns!”, esta mensagem vinha acompanhada dos números, no dia seguinte. Só podia estar orgulhosa, como estou hoje, passados 9 anos. Não aproveitei a espuma dos dias, o facilitismo, não havia nenhuma razão para o fazer. Nunca me arrependi.

Lembro-me de quase tudo, nesse dia. E dos dias anteriores, também. Sei quem esteve ao meu lado, estou a vê-los, todos encostados a uma secretária, na redacção. A olhar para mim. São os mesmos, hoje. Lembro-me de estar a escolher jóias com a Dora Rogério e ela tirar os brincos que estava a usar e mos oferecer. Foi uma espécie de amuleto. Ela pode não se lembrar mas eu não me esqueci. Guardo um papel que a Ana Leal me deu umas horas antes, para ter comigo.

Lembro-me de todas as mensagens que recebi: as que me transmitiram pessoalmente, de ternura e carinho mas também as dissimuladas, oportunas, as facas nas costas. Lembro dos SMS: “Confio em ti”, “Estou aí, sentada ao teu lado”, “Não havia melhor escolha”, “É claro que vais fazer isso. E bem”. E uma, que recebi depois. “Quem esperava que caísses… pode continuar à espera”. Eu sei que também havia disso.

Sabem o que me sossega? É saber, também, que quem tomou a decisão, ainda hoje, não está arrependido da escolha. E isso… é inabalável.

 

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O silêncio é estratégia política?

Rui Rio no Conselho Nacional do PSD. [MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA] in www.tiv24.iol.pt

 

O Presidente da República diz que não está preocupado com a aprovação do Orçamento do Estado para  o próximo ano. No entanto, Marcelo Rebelo de Sousa admite que possa tratar-se de um Orçamento eleitoralista por que os partidos já estão em campanha eleitoral.

Concordo. Estão. Uns mais que outros. Tudo tem que ver com estratégia. Quase todos os partidos com representação parlamentar visitaram locais de incêndios, andaram de comboio, falaram sobre medidas que têm de ser aprovadas para 2019. Os líderes, sempre na frente das comitivas, mais ou menos pontuais nas declarações mas… sempre lá ou alguém por eles.

Onde será que anda o líder do PSD…? Está em silêncio absoluto, sem agenda pública desde 31 de Julho, faz amanhã 1 mês. Questiono-me enquanto eleitora, enquanto portuguesa que está absolutamente baralhada sobre o seu sentido de voto, primeiro para as eleições europeias, em Maio, e, depois, para as legislativas, em Outubro. Questiono e fico na dúvida. Não tenho resposta. Não encontro pista, sinal de fumo e código morse  que me esclareça. Dizem que está de férias… O líder do maior partido da oposição tira férias? O mesmo líder que se candidatou para discutir as eleições ‘taco a taco’, como disse aqui?

Que depois admitiu , na TVI, que o PS devia viabilizar uma ‘geringonça à direita’ se o Orçamento não passar na Assembleia. Mas foi também o mesmo que, sendo eleito em Janeiro, não falou sobre a polémica liderança da bancada social-democrata por que… só iria assumir o partido em 19 de Fevereiro.

Partidos a nascer, professores em luta, enfermeiros, polémicas de dirigentes, incêndios, entrevistas do Primeiro Ministro…? Desculpem… mas estou baralhada com tanta estratégia do silêncio.

Bem… parece que afinal Rui Rio vai visitar os locais mais afectados pelo incêndio de Monchique. 20 dias depois. Depois de voltar de férias. Se Rui Rio for eleito Primeiro Ministro (ou se viabilizar um governo minoritário do PS, como já deu a perceber que faria…) e acontecer uma catástrofe em Portugal só vai dar sinal de vida depois de terminadas as férias…?

Parece que estou com dúvidas a mais. E respostas a menos. Que chatice o país fazer perguntas.

Assim vai ser fácil, muito fácil, para o PS que normalmente aproveita do demérito do PSD. A História a repetir-se e 2011 foi apenas há 8 anos.

 

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Vai ser. Eu sei que vai ser.

 

Há em mim um sentimento que me invade desde o final de 2017: 2018 vai ser um ano fantástico! Não perguntem o que eu acho que vai acontecer por que… eu não sei! Só sei que vai ser espectacular!

Estou doente há 8 meses, o cenário é para gerir muitos danos mas, mesmo assim… não vos sei explicar. Dia após dia, acredito cada vez mais.

Sinto. Quero. Vai acontecer.

Digo a toda a gente, acho que a minha mãe até já sabe a frase de cor…

Ofereceu-me esta agenda uma grande amiga, no aniversário dos 34. Escrevo nela todos os dias e não posso deixar de sorrir quando olho a capa.

Vai ser. 2018 vai ser um ano maravilhoso. EU SINTO!

Também sentem o mesmo?

 

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O tempo. Esse sacana.

Vivemos com o tempo.

Com a falsa ideia de que sabemos tudo sobre ele.

Sobre o que fazer com ele. Às vezes, na esperança de o saber, mesmo.

De que o consigamos gerir bem.

Sem pressas mas sem perder… tempo.

Vivemos com o nosso e o dos outros.

O que fazemos com o nosso tempo diz tudo, mostra tudo. Prova tudo. Dúvidas houvesse.

 

Vivemos pelo tempo.

Por mais 5 minutos de manhã.

Pela hora da reunião, do almoço, do jantar, do noticiário, de ir buscar os miúdos à escola, da entrega do projecto, de um fecho de edição.

Pela vida toda estruturada, organizada e cheia de percalços e presunções.

Pelo que nos fazem ganhar, a vida é sempre a perder.

Pela tentativa de encaixar tudo. Ali.

 

Vivemos contra o tempo.

A única coisa que não volta atrás.

O momento na vida que já faz parte do passado.

Com a ilusão que seríamos mais felizes se tivéssemos mais.

Com o relógio sempre presente. Na mente, a hora de sair ou de chegar.

Com as 24 horas que a vida nos dá. Todos os dias. A todos, por igual.

O tempo é o que fizermos com ele.

Na busca daquela que será ‘A’ hora: “Se chegares às 4 horas, desde as 3h que serei feliz”.

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O melhor elogio que já recebi

Sei elogiar. Faço-o quando sinto. Quando acho que as pessoas merecem. Quando percebo que fazem e agem por amor. Sem interesse. Com o coração. Posso não ter ligação, não ter amizade, mas se reconheço, sou capaz de o dizer.

Os melhores elogios que recebi foram de dois homens. Em duas situações diferentes da minha vida. Curiosamente, duas pessoas que não se conhecem. Separados por mais de 10 anos.

Foi uma vez, no fim de uma emissão, ainda no meio de toda a confusão, quando os níveis de adrenalina estão bem lá bem no alto. Estavamos todos a começar a descomprimir. Não sei como começou a conversa. Não sei como chegamos ali. Estou a ver a expressão, estou a ouvir as palavras. E, assim, sem mais, ele diz “Quando és tu quem está no ar estamos todos muito descansados“. Eu petrifiquei. Depois emocionei-me. Ele fugiu. Eu ‘estava no ar’ há muito pouco tempo. Nem sei se ainda se lembra de me ter dito isto mas acredito que sim.

Da outra vez, foi durante uma troca de mensagens. Sobre a vida, a minha doença, o trabalho, as limitações da vida, livros, política, pessoas. Sim, falamos mesmo sobre isto tudo, a qualquer hora, em qualquer momento. Ao mesmo tempo. A contabilidade dos dias de conversa estava já bem para lá dos 100. E assim, no meio daquela amálgama toda, surge a frase… “Gostava que a minha filha fosse como tu, quando crescer“. Tenho a certeza que a emoção de quem as escreveu foi tão grande como a minha, ao ler. Não me lembro da resposta que dei. Acho que não foi preciso dar nenhuma, em concreto. Quando as pessoas se gostam, quando se têm no coração, quando sabem de onde vêem e ao lado de quem caminham… não são precisas muitas palavras.

Por isso vos digo… “As jóias bonitas, o sorriso luminoso, a roupa gira, os sapatos distintos”… são coisas boas de se ouvir mas tão relativas. São só coisas.

As duas frases acompanham-me todos os dias. Quando tenho dúvidas do que posso ser ou de onde consigo chegar… lembro-me delas. Nos dias maus, lembro-me delas. Nos dias felizes, lembro-me delas. E, assim, nunca me esqueço do que sou.