Imagem

Alimentação, pela Dra Ana Rita Lopes

 

KOMBUCHA

O QUE É A KOMBUCHA?
A Kombucha é o nome dado a uma bebida de origem chinesa com mais de 2000 anos. É ligeiramente gaseificada de sabor agridoce e avinagrado, semelhante ao da cidra, características que tornam esta bebida facilmente aceite pelos consumidores. A produção típica de kombucha é feita com base de chá preto ou verde ao qual é adicionado sacarose (açúcar) e a SCOBY (Symbiotic Colony Of Bacteria and Yeast), uma cultura de bactérias e leveduras. A kombucha pode variar de acordo com o tipo de chá usado como base, concentração de sacarose, tipo de SCOBY, temperatura do chá antes da adição da SCOBY (não deve ser superior a 20º) e tempo de fermentação (3 a 60 dias).

QUAIS OS SEUS BENEFÍCIOS?
O consumo de kombucha tem sido associado a alguns efeitos benéficos na saúde dos consumidores, nomeadamente na melhoria da microbiota intestinal e do sistema imunitário. Tal facto deve-se à presença de vitaminas do complexo B (B1, B2, B6, B12), vitamina C e probióticos, que atuam como anti-inflamatórios.
Os efeitos benéficos da kombucha são atribuídos ainda à presença de chá preto ou chá verde, ricos em catequinas e flavenóis, dois polifenóis antioxidantes capazes de eliminar radicais livres e metais pesados, tendo assim um potencial desentoxificante elevado. Devido à sua componente “detox”, estes polifenois apresentam um bom potencial na redução do colesterol sérico e pressão arterial (fatores de risco para o desenvolvimeto de doenças cardiovasculares), diabetes, insuficiência renal e doenças oncológicas. A bebida de Kombucha destaca-se também na prevenção e recuperação da saúde osteoarticular, contendo na sua constituição glucosamina e condroitina, agentes anti-inflamatórios importantes na síntese de colagénio e combate ao desgaste das articulações. As principais bactérias e leveduras constituintes da Kombuncha pertecem ao género Acetobacter, Gluconobacter, Sacharomyces e são responsáveis pela atividade antibacteriana e resguardando a contaminação da bebida por bactérias patogénicas.

HÁ CONTRAINDICAÇÕES?
A U.S. Food and Drug Administration e a Kappa Laboratories referem que o consumo desta bebida é seguro para o ser humano, não se verificando evidência suficiente que demonstre toxicidade e efeitos adversos associados ao seu consumo.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention), um consumo diário de 120 ml não apresenta qualquer risco para a saúde. Contudo, há contraindicação para o consumo desta bebida em gestantes e lactantes, uma vez que o consumo de kombucha pode favorecer a produção de heparina, um componente glicosaminoglicano que inibe a produção de proteínas do sistema de coagulação, sendo prejudicial no terceiro trimestre da gravidez. Ainda assim, alguns estudos fazem referência a sintomas como náuseas, tonturas, distúrbios gastroinestinais, hepáticos, reações alérgicas aquando o consumo excessivo, especialmente em pessoais mais sensíveis a bebidas ácidas e gaseificadas, insuficientes renais e doentes hepáticos.

REFERÊNCIAS:
– Jayabalan, Rasu, et al. "A review on kombucha tea—microbiology, composition, fermentation, beneficial effects, toxicity, and tea fungus." Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety 13.4 (2014): 538-550.
– Martínez Leal, Jessica, et al. "A review on health benefits of kombucha nutritional compounds and metabolites." CyTA-Journal of Food 16.1 (2018): 390-399.

Imagem

Alimentação, pela Dra. Ana Rita Lopes

 

Excluir o glúten ajuda-nos a perder peso?
Atualmente há cada vez mais pessoas a optar por produtos sem glúten por acreditarem que são mais saudáveis e que auxiliam no emagrecimento. Será mesmo assim? A popularidade das dietas sem glúten tem vindo a aumentar, conquistando cada vez mais adeptos, e sendo já considerada a dieta da década.
Inicialmente os produtos sem glúten foram criados para responder às  necessidades das pessoas com doença celíaca – e também das pessoas não celíacas com sensibilidade ao glúten – que se viam obrigadas a seguir uma dieta restritiva. No entanto, atualmente há cada vez mais pessoas a optarem por estes produtos por acreditarem que são mais saudáveis e que ajudam na perda de peso. A questão que se coloca é se a adoção deste regime alimentar, por si só, é mais saudável.

Doença celíaca
A doença celíaca é uma doença auto-imune causada por uma sensibilidade permanente ao glúten e em que por erro do sistema imunitário se desenvolve uma reação imunológica contra o próprio intestino, levando à inflamação do intestino delgado e, por consequência, à sua incapacidade para absorver os nutrientes.
Os principais sintomas da doença celíaca são:
– Desconforto abdominal;
– Alterações do trânsito intestinal;
– Sintomatologia cutânea;
– Fadiga.

Além da doença celíaca, pode também ocorrer a sensibilidade ao glúten não celíaca, situação em que não se verificam marcadores genéticos (anticorpos da doença celíaca), nem danos nas vilosidades intestinais. Nestes casos, os principais sintomas (diarreia, dor abdominal, perda de peso, entre outros) são
semelhantes aos sintomas de outras doenças como a síndrome do intestino irritável e a alergia ao trigo, o que dificulta o seu diagnóstico.

O que é o glúten e quando deve ser excluído?
O glúten é uma proteína presente nos cereais trigo, centeio, cevada, espelta, aveia, entre outros. Estes ingredientes estão presentes em alimentos do dia a dia como o pão, tostas, massa, crepes, pizzas e sobremesas. Além destes, o glúten está frequentemente “escondido” noutros produtos, como é o caso das sopas, molhos, cerveja, entre outros. O glúten deve ser excluído da alimentação de pessoas com doença celíaca, com alergia ao trigo ou com intolerância ao glúten não celíaca, o que dificulta naturalmente a sua vida, uma vez que as obriga a consultar a lista de ingredientes de todos os produtos para garantir a ausência de glúten. Tradicionalmente, a exclusão do glúten na alimentação traduzia-se, por isso, na eliminação de inúmeros alimentos, o que impedia a ingestão de uma dieta variada. No entanto, hoje praticamente todos estes produtos têm já uma variedade enorme de versões sem glúten.

As dietas sem glúten incluem produtos à base de arroz, milho, tapioca e grãos como a quinoa, amaranto, millet e teff. Para o pão e outros produtos sem glúten são maioritariamente usadas as farinhas de trigo sarraceno, farinha de arroz integral, farinha de amêndoa, farinha de grão-de-bico, fécula de mandioca e de batata.

Excluir o glúten da dieta ajuda-nos a perder peso?
O que se pretende perceber é se a exclusão do glúten na dieta está ou não associada ao emagrecimento. Se a exclusão de alimentos com glúten se traduzir na exclusão da maioria dos alimentos com hidratos de carbono, naturalmente leva a uma menor ingestão alimentar e, consequentemente, a uma perda ponderal. Outra situação é a substituição dos hidratos de carbono com glúten por alimentos do mesmo grupo, mas sem glúten. Neste caso, o que se verifica em muitos casos é que produtos designados sem glúten acabam por ser mais ricos em gorduras, açúcares do que as versões convencionais, possuindo assim um valor calórico elevado. Além disso, os cereais isentos de glúten são tendencialmente mais pobres em ferro e em vitaminas do complexo B. Deste modo, nestes casos é indispensável o acompanhamento de um profissional da área da nutrição para evitar défices nutricionais. Importa ainda referir que os produtos sem glúten são tendencialmente mais dispendiosos e nem sempre se encontram disponíveis em qualquer mercearia de bairro.

Em suma:
Atualmente, não existe evidência científica de que produtos sem glúten sejam benéficos para pessoas que não sofram de doença celíaca ou de hipersensibilidade ao glúten. Ou seja, a ausência de glúten nos alimentos, por si só, não está relacionada com a qualidade da dieta nem com a perda de peso. Muito pelo contrário: pode mesmo aumentar o risco de excesso de peso. O que muitas vezes se verifica é que pessoas saudáveis que excluem o glúten da sua
alimentação referem melhoria do funcionamento gastrointestinal. Importa, no entanto, referir que a adoção deste regime alimentar, se realizado de modo restritivo, ou seja, excluindo por completo os alimentos acima referidos, está por vezes associado a perda de peso e a carências nutricionais graves, consequência particularmente contraindicada em grupos de risco como
grávidas, idosos, crianças em fase de crescimento e indivíduos com baixo peso.

Imagem

Alimentação, pela Dra. Ana Rita Lopes

Congelar alimentos: truques para uma congelação mais eficaz e segura

Muitas pessoas podem ficar doentes devido ao consumo de alimentos ou água contaminada por microrganismos perigosos e/ou químicos tóxicos. Como congelar então os alimentos de forma segura?

A probabilidade de surgir uma doença de origem alimentar diminui quando estão asseguradas boas práticas de manipulação e conservação de alimentos. Estas práticas incluem, entre outras, um adequado controlo da temperatura. É mais propensa a multiplicação de microrganismos potencialmente perigosos entre os 5°C e os 60°C. Logo, se os alimentos estiverem expostos a temperaturas muito elevadas ou muito baixas, a probabilidade de surgir uma doença de origem alimentar é muito diminuta. Desta forma, torna-se essencial garantir boas práticas de conservação e manipulação dos alimentos! A conservação de alimentos através da congelação não elimina os microrganismos potencialmente perigosos mas limita a sua multiplicação, não só pela diminuição da temperatura mas também pela redução da atividade enzimática e da água livre em estado líquido, levando assim a uma conservação mais duradoura comparativamente à refrigeração. A temperatura do seu congelador deve estar regulada nos -18°C, sendo indiferente o local onde se colocam os alimentos, uma vez que a temperatura é uniforme em todo o compartimento.

Em seguida, encontram-se listados alguns truques para uma congelação mais eficaz e segura:

 Não encha demasiado o congelador, pois pode comprometer a circulação do ar frio;
 É fundamental proteger os alimentos a congelar evitando queimaduras pelo frio, particularmente quando se trata de grandes pedaços de carne. Comece por enrolar a carne em papel vegetal e, posteriormente, isole com película aderente. Para os restantes alimentos, use sacos com fecho. Depois de colocar os alimentos no interior dos sacos, deixe uma pequena abertura para que possa retirar todo o ar e só depois feche o saco. Isto diminui a quantidade de ar que está em contacto direto com os alimentos, evitando queimaduras, preservando-os por mais tempo e em melhores condições;
 Quando um alimento congelado apresenta uma alteração de cor para uma cor castanha clara ou acinzentada, estamos na presença de uma queimadura por congelação e o alimento não deve ser consumido;
 Opte por congelar em doses individuais, pois proporciona uma descongelação e confeção mais rápida;
 Não volte a congelar um alimento que foi previamente descongelado;
 Relativamente à congelação das hortícolas: uma rápida imersão dos vegetais frescos em água fervente e de seguida, por água fria, (processo designado de branqueamento) possibilita inativar as enzimas que promovem a degradação dos vegetais, permitindo assim uma melhor manutenção da cor;

 Evite colocar alimentos quentes ou à temperatura ambiente no congelador. Antes de os congelar leve-os ao frigorífico, para reduzir a temperatura;
 Lembre-se que os alimentos dilatam com a congelação, por isso nunca encha os recipientes até à capacidade máxima;
 Certifique-se de que os alimentos a congelar se encontram em boas condições;
 Identifique os alimentos congelados com recurso a etiquetas que possuam a indicação do tipo de alimento e respetiva data de congelação porque apesar de os alimentos estarem congelados, também possuem prazo de validade, a saber:

o Carne de vaca: 12 meses
o Carne de frango: 10 meses
o Carne de borrego: 8 meses
o Carne de caça: 6 meses
o Carne de porco: 6 meses
o Carne picada: 2 meses
o Enchidos: 2 meses
o Peixes magros: 6 meses
o Peixes gordos: 3 meses
o Marisco: 3 meses
o Hortaliças: 12 meses
o Pão e bolos: 3 meses
o Pratos cozinhados: 3 meses
o Salgados: 6 meses
o Queijos de pasta mole: 8 meses
o Manteiga: 6 meses
o Natas: 3 meses

A não esquecer!

O congelador é um ótimo aliado na conservação dos alimentos, no entanto devem ser respeitadas algumas regras que asseguram a manutenção da qualidade dos alimentos congelados. Além disso, com o passar do tempo os alimentos perdem sabor, cor, textura e valor nutricional!

Imagem

Comme il faut

Fazes tudo. Todo os dias.

Como é suposto. Como as expectativas te ditam. As dos outros. As tuas estão lá em baixo. Nem existem, sequer. Não se elevam e não te toldam. Fazes por que é assim. Por que sempre foi assim. Achas que fazes bem, ficam todos felizes.

Plantaste um hábito e agora não o consegues arrancar, como se fosse a erva daninha. Como se aquela terra já tivesse dado todo o cereal, como se aquela terra precisasse de pousio.

Um dia atiras as folhas ao ar. E, só para contrariar as expectativas, escolhes as que caírem no chão.