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DÉFICE vs DÍVIDA

Portugal pertence à União Europeia (U.E.) desde 12 de junho de 1985. O primeiro ministro Mário Soares assinou o documento de formalização da adesão portuguesa, no Mosteiros dos Jerónimos, em simultâneo com a entrada de Espanha.

Depois da revolução de 1974, Portugal enfrentava um período de grave crise financeira. O fim do império colonial ditou também a perda de grande riqueza e receitas, o país estava sob forte dependência externa.

O que começou com o objectivo de progresso económico, paz e liberdade entre os vários países da Europa cresceu desde os primeiros tempo da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e é hoje uma forte comunidade composta por 28 países e com pedidos de adesão de outros 5 (Albânia, Antiga Republica Jugoslava da Macedónia, Montenegro, Turquia e Sérvia) e 2 potenciais candidatos (Bósnia-Herzegovina e Kosovo).

Para fazer parte deste grupo, Portugal aceitou regras comuns aos demais países, entra elas, regras de política fiscal.

Assim, Os países da U.E. devem demonstrar que possuem finanças públicas sãs e devem cumprir dois critérios: o seu défice orçamental não pode exceder 3 % do produto interno bruto (PIB); a dívida pública (dívida do governo e dos organismos públicos) não pode exceder 60 % do PIB.

Quando Portugal pediu ajuda externa em 2010 (sim, passaram 7 anos…) o défice estava nos 8,4% e a dívida em 94%.

Hoje, esses valores estão em 1,9% de défice mas a dívida não para de aumentar: a estimativa é que no final do ano o valor seja de 127,7%.

Falamos/ouvimos falar de défice e dívida todos os dias, nas notícias. Mas afinal… o que é isto? Simples definir, simples perceber.

O défice orçamental é diferença entre as receitas e despesas de um dado período de tempo (normalmente um ano). A contabilidade ao longo do ano é feita por trimestre e semestre.

A dívida pública é o total da dívida que os Estado tem para com terceiros.

Vamos lá pensar nisto de forma prática: pensem no défice como a diferença entre o que ganham e o que gastam, essa diferença é o vosso défice, pode ser positivo ou negativo.

A dívida são os vossos encargos: casa, carro, dívidas que assumem para com outras entidades.

São as duas essenciais para uma saúde financeira saudável, certo? Para um Estado também.

http://europa.eu

www.ine.pt

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The final Web Summit

 

No balanço da Web Summit tem de constar um GRANDE APLAUSO para as mulheres:

Nesta cimeira:

  • metade das pessoas registadas era do sexo feminino
  • 35,4% dos oradores foram mulheres
  • O espaço ‘Women in Tech‘ recebeu 58% de participantes do sexo feminino

Números bastante simpáticos e que vêm provar que afinal as mulheres também se destacam na indústria do digital e que se querem posicionar, cada vez mais (o Mundo continua sem saber quem será a sucessora de Zuckerberg, apesar de já me ter disponibilizado para tal…). Tenho para mim que a sensibilidade feminina pode ser uma mais-valia para esta indústria, no sentido de afinar pormenores, de difundir mensagens e até de negócio: as mulheres estão sempre cheias de ideias, encontrei muitas nos pavilhões, a ‘vender’ startup.

Mas há mais números…

  • 59,115 pessoas de 170 países estiveram em Lisboa.
  • 2,600 meios de comunicação de todo o Mundo falaram da Web Summit.
  • A quantidade de cabo utilizada dava para escalar o Monte Evereste 8 vezes (80 mil quilómetros)
  • Mais de 205 mil copos recicláveis foram utilizados durante a cimeira.
  • Centre Stage foi composto por 314 reservatórios de água, 140k focos de projeção e 30,000 watts de som.
  • 2.2 milhões de sessões de wi-fi foram registadas durante todo o evento.
  • 45 terabytes de tráfego durante os vários dias.
  • Mais de 2,100 startups estiveram presentes.
  • 1,400 dos mais importantes investidores do Mundo estiveram em Lisboa.
  • 1,200 oradores.

Até o astronauta Paolo Nespoli enviou uma mensagem muito especial do espaço. Podem ver aqui https://media.websummit.com/press-releases/web-summit-is-out-of-this-world

 

Quem ainda acha que a tecnologia não pode fazer nada pelo Mundo e pela Humanidade devia ter escutado Al Gore. Polémico, pertinente, certeiro. Al Gore até rezou em palco para que os Estados Unidos da América (EUA) escolham outro presidente em 2020 (apesar de haver uma sondagem a mostrar que fariam exactamente o contrário, um ano depois), criticou o Reino Unido pelo Brexit e lembrou que os EUA ainda são responsáveis pelo que assinaram no Acordo de Paris e que estão sempre a tempo de voltar atrás… depois de Trump sair. Por um lado, Al Gore não deixou passar a responsabilidade que o seu país tem nas alterações climáticas mas não deixou o Mundo descansar porque a responsabilidade é de todos e está ao alcance de todos. Afinal, como explicou de forma tão simples… a camada de ozono é tão fina que se a quiséssemos percorrer de carro demorávamos entre 5 a 10 minutos.

Minutos depois, com a energia de sempre mas pouca voz, o Presidente da República lembrava que Portugal não estava fora do Acordo de Paris e que mantinha a sua responsabilidade e, também por isso, devia continuar a receber a Web Summit, além de 2018.

Se Portugal merece? Nem pode haver dúvidas.

Deixo mais imagens que registei ontem. O espaço, os voluntários e as muitas dúvidas que o digital suscita.

 

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Falhem, por favor.

“Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better.” – Samuel Beckett

Quantas pessoas de sucesso conhecem? Dessas, quantas falharam antes de conseguir alguma coisa? Imensas, aposto. Dados do U.S. Commerce Department, Small Business Administration mostram que 40% dos negócios falham por excesso de optimismo na previsão das perdas, cerca de 20% por falta de competitividade do produto ou serviço e 12% por custos excessivos na fase de arranque e no seu ciclo de vida e 8% por falta de controlo dos objetivos e da cobrança de rendimentos. O mundo moderno  está cheio de pessoas que somam insucessos, antes da glória. Felizmente. De resto, os negócios modernos são muito caracterizados por isso, também. Ontem ouvi dois antigos pugilistas, na Web Summit, que falavam exactamente disso. Da capacidade de resistir perante o falhanço, um deles até perdeu o último combate da carreira de 21 anos. E depois, com imensa graça, lembrou o grande falhanço de Cristóvão Colombo: queria descobrir a a Índia e acabou por encontrar a América. Grande azar, não acham?

 

Essa característica, o falhar, marca também a história de um grupo de rapazes que conheci ontem. São donos de uma startup que é uma plataforma de software para empresas ligadas à veterinária. O Luís Pinto, o CEO, explicou-me que a ideia surgiu numa altura em que tinha tempo e quis ajudar associações de animais. Desenvolveu um projecto e contou com a ajuda do Vítor Martins e perceberam que podiam fazer mais qualquer coisa… juntaram-se num verão e durante todo o mês de Agosto foram à procura de fragilidades desta área.

Desenvolveram um projecto, falhou.

Desenvolveram outro, voltou a falhar.

Desenvolveram o terceiro,  e aqui estão. O Luís disse que tinha definido, mentalmente, que este seria o último. A sorte (que dá tanto trabalho…) e a resiliência funcionaram.

A eles juntou-se também o Nuno Carvalho. Têm entre 26 e 31 anos. Por esta altura, em que vos escrevo, já devem ter um stand preparado em Barcelona, porque foram participar numa feira empresarial. Encontrei-os ontem porque me enviaram  uma mensagem através da app da Web Summit, que permite relacionar (ainda mais) os participantes. Eu não tenho animais de estimação mas achei que, pela atitude, valia a pena conhecê-los.

Não me arrependi.

 

Não quero acabar esta ‘ronda’ pelo dia de ontem sem vos dizer quem também ‘apareceu’ por lá. Steve Jobs, um dos fundadores da Apple. O grande mentor, inspirador de pessoas em todo o mundo, faz e fará sempre parte do futuro. Alguns autores consideram que a revolução tecnológica é ‘americanizada’. Jobs é, seguramente, um dos grandes responsáveis por isso.

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Web Summit

Há umas semanas recebi uma mensagem de um querido amigo que perguntava: “A 4a Revolução Industrial ou 4.0, a Inteligência Artificial, a Robótica, os Intangíveis e o Motor Impossível (NASA)  põe em causa o paradigma actual e as leis da ciência e da física? Concordas?”. Respondi: “Não, acho que as máquinas não põem nada em causa. O que está em causa é o que se faz com elas, A responsabilidade é de quem programa, de quem projecta, investiga. As máquinas servem para ajudar no desenvolvimento da Humanidade. Facilmente se perde o controlo se não houve a clara noção e certeza do lugar onde se quer chegar”.

Ontem, Stephen Hawking disse na abertura da Web Summit que “a inteligência artificial pode ser boa ou má. depende dos humanos”. Não podia estar mais de acordo.

Dois robots estiveram à conversa na Web Summit, hoje, para espanto de muitas pessoas. Na verdade, falou-se muito de Inteligência Artificial (AI) ao longo do dia. Destaco a ajuda que a AI pode dar na identificação de crianças desaparecidas, através de reconhecimento facial. O sistema está desenvolvido nos Estados Unidos mas o objectivo é que chegue a todo o Mundo.

Brian Krzanich, CEO da Intel, explicou as vantagens de milhões  de dispositivos estarem conectados, ligados em rede, para o desenvolvimento da IA.

 

Enquanto isto… 2.500 jornalistas trabalhavam como podiam, na Media Village.

A minha passagem pela Web Summit foi rápida, hoje, mas ainda deu para descobrir a TICO, uma app de mensagens que tem como objectivo filtrar as mensagens que recebemos, de acordo com o local onde nos encontramos. Ou seja, se definirmos o local para “trabalho“, a app só aceita mensagens de quem está associado a esse grupo. Se chegamos a casa, e mudarmos a localização para “casa”, a app passa a receber mensagens de amigos e família. O objectivo é, além de filtrar, ajudar-nos a focar nas várias tarefas que precisamos desempenhar. Não estou a inventar se disser que TODOS perdemos tempo a mais nas redes sociais quando devemos estar mais focados no trabalho, certo? Eu sei que não me deixam mentir!

Além de ter achado a ideia curiosa (a minha forma de evitar é esquecer o telefone durante umas horas), a pessoa responsável por esta app vem de Taipei, Taiwan, do outro lado do Mundo. Isso demonstra bem o carácter universal desta cimeira. Mais, foi a única pessoa, de todas as startup que vi, que se dirigiu a mim para me convidar a conhecer o seu negócio. Este género de nova economia vive muito da capacidade de a comunicar às pessoas, aos investidores, ao público, em geral. Está disponível para download.

 

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Globalização, empresas e borboletas

“Num mundo globalizado, o bater de asas de uma borboleta na Amazónia bastaria para desencadear um terramoto no Texas”.

A frase do matemático Edward Lorenz não podia fazer mais sentido nem estar cada vez mais perto da realidade. Mas é preciso perceber o que é a globalização. Esta palavra que anda na boca de toda a gente, ainda mais nestes dias de Web Summit em Lisboa (um dos evento mais importantes para o país, já lá vamos).

Globalização pode ser tanta coisa… que fiquemos por estas duas possibilidades: “significa ligar as acções e os destinos de cada indivíduo, organização complexa- seja ela uma sociedade comercial ou uma universidade- e comunidade, por exemplo, a uma nação, às de outros indivíduos, organizações e comunidades” (Bonaglia e Goldstein, 2003). Zygmunt Bauman é mais pragmático e tem a definição que pode reunir o maior número de adeptos: “a globalização é a desvalorização da ordem enquanto tal”, era/é vista fundamentalmente do ponto de vista mercantil.

No entanto, é a definição de Anthony Giddens que, talvez, mais faça sentido: “a globalização significa a intensificação das relações sociais à escala mundial de tal forma que faz depende aquilo que sucede a nível local de acontecimentos que se verificam a grande distância e vice-versa”.

Voltamos à borboleta, certo?

Outros autores que defendem que a globalização é apenas uma versão moderna do colonialismo. O principal argumento desta ideia analisada, por exemplo, por Martin Khor, é a existência de normas, acordos e instituições que vêm definir, fora dos espaços restritos de cada Nação, as regras comuns de cada processo.

Eu acredito que a globalização e a tecnologia andam de mãos dadas. Concordo muito com Thomas L. Friedman do The York Times (já falei dele no post sobre os avanços tecnológicos do anos de 2007) quando diz que “ a inexorável integração de mercados, estados-nações e tecnologias a um nível nunca antes atingido, com a consequência de permitir aos indivíduos, às empresas e aos estados-nações estender a própria acção por todos o mundo mais rapidamente, mais profundamente e com menor custo do que alguma vez foi possível anteriormente”.

A globalização vem aproveitar os sistemas de ligação que nasceram com a 3ª Revolução Industrial (3ª RI) mas que, com a 4ª Revolução Industrial (4ª RI) aproveitaram a transição que cresceu desse processo. Novo, aqui, é a capacidade de estar num canto do mundo, a fazer negócio com outro canto.

Dou-vos um exemplo muito simples: em maio desenvolvi uma reportagem sobre a 4ª RI e as várias áreas em que estava a ser aproveitada em Portugal. Falei com muitas pessoas, conheci muitas realidades que me deixaram fascinada; uma empresa em Câmara de Lobos, na Madeira, altamente tecnológica, que faz a gestão de parques de estacionamento de Portugal inteiro e de Espanha e gere o recrutamento de algumas das autarquias mais importantes do país. Tudo, a partir da ilha, com poucas dezenas de trabalhadores mas com recursos humanos altamente dotados e tecnologia da mais desenvolvida a nível nacional. E depois, um escritório de advogados bem no centro de Lisboa, onde já praticamente não se utiliza papel, todos os dados são armazenados em cloud, disponíveis em qualquer lugar, desde a rua à sala de audiências, em qualquer parte do mundo.

O que se está a negociar por estes dias na Web Summit, em Lisboa, é este conhecimento, são estas oportunidades, são estas formas de fazer avançar a humanidade para que possa viver melhor, de forma mais saudável e exequível.

No ano passado estiveram representadas em Portugal 1.490 startups de todo o mundo, mais de 1.330 investidores (ainda hoje ouvi num canal de televisão uma senhora a dizer que tinha vindo da África do Sul), 677 oradores e 2 mil jornalistas. Foram precisos 3 7mil quilómetros de cabos de fibra, o suficiente para subir o Monte Evereste quatro vezes. A organização revelou que estiveram em Lisboa 53.056 pessoas, de 166 países diferentes. Este ano são 60 mil participantes.

As transmissões via Facebook chegaram a 4 milhões e foram trocadas mais de 1,8 milhões de mensagens.

Não é difícil de acreditar que a receita deste ano seja projectada em 300 milhões de euros.

Ah, e este ano, a Web Summit vai contar com 2 oradores robot. Um dos robots chama-se Sophia, tem forma humana, capaz de recriar uma série de expressões, identificar e reconhecer rostos e manter conversas fluídas.

Curiosos? Eu também.

 

(Imagens: Google)