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Vamos olhar para o trânsito?

 

Sair de casa e enfrentar o trânsito, todos os dias, pode ser uma verdadeira aventura. Nós, de manhã, não temos grandes problemas com isso, a estrada é (quase) toda nossa. Encontramos padeiros, vigilantes, pessoas que vão apanhar transportes muito cedo e, eventualmente, a polícia. Sim, também paramos em operações de fiscalização, assim a uma média de 4 por ano. É uma loucura, acho até que já nos conhecem a todos, tantas são as vezes que nos mandam parar. A pergunta é sempre a mesma, depois de apresentados os documentos, ‘consumiu bebidas alcoólicas?’ (bem sei que faz parte dos procedimentos!!!)… Até deve fazer algum sentido: eu, aquela hora, sozinha, com olheiras que chegam ao queixo, olhos de sono, enrolada com frio e música num volume (muito) alto. Devo estar alcoolizada. Só posso. Preencho todos os requisitos, entendo perfeitamente, mas nunca digo porque estou acordada aquela hora. Quando isso acontece é avisar a equipa ‘estou numa operação STOP’ e pronto. Fazemos todos o mesmo e temos imensa sorte que não demoramos muito: está tudo em ordem e àquela hora a concorrência no trânsito é fraca… Siga para Queluz de Baixo.

Mas… Nem toda a gente tem essa sorte. As pessoas que saem de casa às horas ditas normais podem ganhar ‘um brinde’: pode surgir na A1, IC19, VCI, Ponte da Arrábida… Eu sei lá. Às vezes surge em dose dupla, há manhãs para esquecer. Dias de chuva, então, é certinho, até dá para adivinhar. Alguns dão reportagens, devido à dimensão e problemas que provocam, outros ficam apenas com o meu relato.

 

Mas é sempre assim: No estúdio eu vejo o trânsito pelos olhos do iPad, a informação transmitida por satélite, na aplicação, reproduz e, tempo real, o que se passa nos principais acessos à Lisboa e ao Porto, às vezes, também, noutros pontos do país. Tempo de demora, sinalética com cores dos semáforos, sentidos do trânsito… De manhã tudo conta, tudo é preciso, tudo faz sentido, tudo ajuda a ‘fugir’ por qualquer lado e não demorar uma eternidade a deixar os miúdos na escola, ou para chegar AQUELA reunião a horas… Caramba, há dias difíceis e, mesmo em estúdio, não consigo deixar de sentir aquela dor de quem está preso dentro de um carro, numa qualquer via do país e a pensar ‘tão bem que eu estava na cama’. Sou solidária. Sou mesmo.

Ali, eu tento tudo, em tempo real: receber a informação do editor, que é o primeiro a ver o mapa e a ter contacto com a realidade e, depois ma transmite a mim, e ler-vos tudo de forma clara, curta e concisa. E, também eu, faço tudo para evitar ‘acidentes’: o trânsito é feito em andamento. Esta é a sequência: sair do ecrã 4×4, caminhar com alguma segurança pelos 20 metros que me separam da mesa, olhar para os monitores e confirmar que a informação está correcta e… Sentar!

 

E… Respirar porque correu tudo bem: ninguém caiu, ninguém se enganou e a informação foi transmitida. Não importa fazer, queremos fazer bem!! Não é um esforço hercúleo mas exige grande coordenação entre toda a equipa: de estúdio e régie: o alinhamento é alterado e posso não ir para a mesa… Num segundo tudo muda, a actualidade impõe-se!

Nem eu imaginava que conseguia acompanhar este ritmo que o Diário da Manhã impõe mas a verdade é que tudo é possível. Depois do trânsito, seguimos alinhamento. Felizes.

 

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Citius, altius, fortius.

Contar a história do livro “Tocando os extremos” é contar a história do Nuno España, uma pessoa que ‘resolveu’ dar a volta a uma volta que a vida lhe deu. Não há como fugir a este início porque a verdade não tem nuances: o Nuno começou a correr para reagir à perda de uma das pessoas mais importantes da sua vida: o pai. A corrida já existia sem ser um hábito, a mãe conta que, quando regressavam a Lisboa, da casa de família em Colares, o Nuno ía a correr e só queria chegar mais longe, sempre. Nuno tinha 13 anos e muito longe de imaginar a importância que a corrida ía ter na sua vida, como escreve a Carla  Rocha. E é bem verdade. O cunhado desafiou-o para a meia-maratona da ponte Vasco da Gama e como  não resiste a desafios, aceitou. Achou que eram favas contadas… mas a falta de preparação deu-lhe logo ali a primeira aula para a vida. Depois disso veio mais outra, e outra corrida… e o Nuno a querer sempre mais. Até que achou que devia fazer uma maratona. A atleta olímpica Rosa Mota ainda o tentou  demover, a pedido da mãe: “ah, meu filho, olhe que não é o dobro, é pior! Tem de ter cuidado!”. Aquelas palavras foram o estímulo de que precisava… para avançar. Tudo ao contrário. A primeira maratona “100 maratonas, 100 amigos” foi a que lhe custou mais mas também aquela a que mais significado teve: é uma prova com uma vertente social, as inscrições revertem para várias instituições entre elas o Movimento ao Serviço da Vida, com o qual tem uma ligação estreita (faz parte da Direcção).


Azores Trail

 

Depois disto… veio a maratona de Lisboa e a do Porto… e a Comrades Marathon. Nada mais que uns ‘simples’ 89 quilómetros a subir, na África do Sul. O slogan desta maratona é “It will define you” e definiu, de facto: “a Comrades é a maratona de uma vida”, admite. Mas antes disto, sim… ainda antes, o Nuno se tinha proposto a fazer uma maratona por fim-de-semana. Acontece que um desses fins de semana estava em branco. E agora? Claro que procurou uma alternativa. Havia a prova Challenge Lisboa, um triatlo: nadava, pedalava e corria. Desafio novo. Gostou tanto que… partiu para o IronMan, o triatlo mais difícil do mundo. A estreia foi em Frankfurt mas depois já esteve Sevilha, Lanzarote, Copenhaga, Barcelona, Cascais, Roterdão.

IronMan Copenhaga

E agora? Parar aqui? Nem pensar. Depois de tudo isto, surgiu a ideia de fazer um triatlo nas condições mais difíceis do mundo. Portanto, seriam os IronMan Xtreme. Qual a diferença? Desta vez quase 4 quilómetros a nadar em águas com temperaturas a rondar os 10graus (ou menos), 180 quilómetros a pedalar, sempre a subir, e depois uma maratona, 42quilómetros em condições de montanha, com frio e gelo. Tudo seguido, tudo sem parar. No limite os atletas podem demorar até 17horas para completar a prova. Em todo o mundo, apenas 19 pessoas concluíram estas provas, Nuno foi uma delas:  Norseman (Noruega), Swissman (Suiça) e Celtman (Escócia) a ultima já em 2017. Fazendo as contas, em 4 anos, o Nuno participou em 46 provas, entre Maratonas, Meias-maratonas, Triatlo, IronMan, Trails, Corridas.

 


IronMan Lanzarote

Sim, é viciado na corrida “claro que é um vício que começou por ser uma catarse, mas que hoje é um
vício. Se não corro, sinto falta. E, sendo um vício, é um vício controlado, ou seja, não quero que o
desporto que faço hoje signifique mais do que o meu bem-estar”, assume. Os amigos revelam no livro que “há atletas que fazem uma maratona em 3h30 e depois querem fazem a maratona em 3h25 e depois em 3h25 e assim sucessivamente. Ser cada vez mais rápidos. O Nuno não. O Nuno não quer fazer o mesmo caminho duas vezes. Não lhe interessa o tempo. Ele fez uma maratona e está feita. Agora ele quer fazer uma ultramaratona”. Por isso é que agora o objectivo se chama Maratona das Areias, 250 quilómetros no deserto do Sahara, o percurso muda todos os anos e é composto por 6 estágios em 7 dias. Coisa pouca.

E pronto. É esta a história do Nuno. Ficamos por aqui, certo? Errado.

Soube deste livro através de um convite da Carla Rocha para o lançamento. Assim que li a sinopse achei a história fantástica e pedi para falar com os dois. O Nuno e a Carla foram convidados do Diário da Manhã e, depois, acabámos por combinar um almoço. Foi tudo um bocado tipo blind date. Tal como a Carla, que não conhecia o Nuno, também achei que ía encontrar um ‘maluquinho das corridas’, com calção de lycra, que se inscreve em todas as provas e sabe todos os nomes de suplementos proteicos na ponta da língua. Errado. Profundamente errado. Durante esse almoço, o Nuno repetiu com alguma insistência a frase “não escolhes o que sentes, mas podes escolher o que fazes com isso”. Percebi que esse era um dos seus pontos cardeais, aquelas máximas de vida que se tem mas que também se escolhem ter. Na verdade, quem nunca lidou com a perda? Com o vazio? Com o chão a fugir debaixo dos pés? E depois… qual a solução? Seguir, não é? O que se faz com isso é que muda tudo. A vida ensinou-o a pensar assim. O Nuno começou a correr depois da morte do pai. Na altura não percebeu mas isso veio a salvá-lo, funcionava como uma catarse. “Começas a corrida de uma maneira e acabas de outra”, diz, e essa reinvenção é uma adição. É um vicio, porque faz sentir bem, porque a pessoa não quer parar, só quer mais, novas experiências, novas sensações. Foi esse desejo que o levou às provas mais duras do mundo.


IronMan Frankfurt

Naquela mesa de restaurante percebi que o Nuno era um inconformado (o livro só li depois, logo no dia seguinte, confesso): nas provas de atletismo, de triatlo… e nos negócios… “depois de um MBA no Dubai vim para Portugal com uma vontade imensa de abrir um negócio. Com os amigos, optámos por um negócio de cerveja artesanal. No início era complicado, a distribuição era feita em pequena escala, depois alargámos os objetivos e começou a correr melhor mas a verdade é que o negócio precisava de tempo e nenhum de nós iria deixar os seus empregos para se dedicar exclusivamente aquilo”. Mas a marca existe, a vontade está lá e quando for possível… vai (re) surgir o homem de negócios. Não tenho dúvida que vai acontecer.

Enquanto escrevia esta história perguntei ao Nuno se gostava de Jorge Palma porque me pareceu que sim. Acertei. ‘A gente vai continuar’ diz várias coisas que parecem a vida do Nuno: enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar. Neste caso, enquanto houver pessoas para ajudar, o Nuno vai continuar. Porque este livro é para ajudar a Casa das Cores, os meninos que quando nascem, às vezes, já têm uma ‘prova definida’, um caminho traçado, um destino escolhido e, normalmente, é mau. Mas também… enquanto houver vida e provas e superações… o Nuno lá estará.

Esta história é do Nuno mas foi contada pela Carla Rocha, de forma excepcional. A Carla odeia desporto… ou odiava… já não sei bem. E já tinha escrito uma outra biografia mas… este foi um desafio tão grande que deu por ela “a correr à volta de casa, até ao meu limite, para depois parar e escrever e descrever o que estava a sentir”. Porque ‘tocar os extremos’ cada um saberá o que é: 200metros, 3 quilómetros, 10, 20, 250. Ou, às vezes, nada disto: uma prova de superação é levantar da cadeira, atravessar a estrada, ou apenas andar.

Acredito muito que apenas nós podemos salvar a nossa vida mas há pessoas que podem acrescentar coisas boas à nossa existência. O Nuno é, seguramente, uma delas. A Carla escreveu que é fácil gostar-se do Nuno, que ele é entusiasta, meigo, inconformado. Podia descrever-vos todas as qualidades  numeradas pelos amigos no livro mas não faz sentido. Digo-vos apenas que, no lugar do Nuno, outra pessoa teria avançado para este livro há 2 anos, logo quando surgiu a proposta. Ele não, quis apresentar uma história estruturada, com sentido, com lógica ou seja, quis acabar todas as provas a que se propunha para que a história fosse completa, exemplar.

 

No prefácio da obra, o Professor Gentil Martins recupera o que o padre Henry Didon, católico, afirmou
pela, primeira vez em 1881 «Citius, Altius, Fortius» (o mais rápido, o mais alto e o mais forte) e lembra que ‘ o mais importante não é ganhar mas dar sempre o seu melhor em todas as situações que a vida proporciona’(…) o propagar estes princípios é contribuir para uma sociedade mais valente, mais
forte, mais recta, mais generosa e mais solidária’.

Para terminar, deixo-vos com aquele que é, talvez, o maior ensinamento do Nuno: Se passarmos algo negativo na vida e não aprendermos nada com isso… aconteceu porquê? Vale a pena pensar nisto.


O livro ‘Tocando os Extremos’ estará nas livrarias no próximo mês de fevereiro. As vendas revertem
na totalidade para a Casa das Cores.

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5 Perguntas ao Chefe Manuel Santos

 

O chefe Manuel é o responsável pela cozinha doHotel Vila Baleira na ilha de Porto Santo. Este ano tem 600 pessoas para o jantar de passagem do ano, as mesmas que estão na unidade hoteleira desde dia 29. A logística toda obriga a uma organização tremenda porque o hotel está a funcionar todo o ano. (Mais logo mostro-vos imagens da sala de jantar… Agora ainda não posso! Partilho apenas o nascer do sol nesta ilha fantástica!)

1- O que é mais difícil para fazer está preparação de final de ano?
Tempo. Muitos clientes, os timings tem de ser feitos…. A passagem de ano tem data e hora marcadas e são coisas diferentes do resto do ano. São coisas mais elaboradas que precisam de mais tempo de preparação.

2- E o facto de Porto santo ser uma ilha dificulta tudo, não é?
Sim, a parte da logística, armazenamento tem de ser tudo pensado previamente mais ou menos 1 mês, 1 mês e meio, para ter tudo aqui a nível de matéria prima. Temos as novidades das esculturas de gelo este ano, teve de ser tudo pensado com 2 meses de antecedência para ter tudo aqui a tempo.

3- O que não pode faltar numa noite destas?
Nada. Numa noite destas não pode faltar nada. Tem de ter tudo: desde o serviço, à gastronomia, à decoração… Tudo isto faz a noite de final de ano diferente de todas as outras.

4- E números? Pessoas e quantidades de comida necessários?
A nível de staff na cozinha neste momento somos 16. No restaurante são cerca de 30. Depois há a parte das compras, da organização… No total cerca de 50/60 pessoas envolvidas neste processo. Depois, comida: peito de pato são 40 quilos, lombo de vaca à volta disso também, bacalhau um bocadinho mais, uns 50/60 quilos e leitão, também. Marisco são 30 quilos de camarão e mexilhão. Depois há uma parte importante que é da fruta e dos legumes, não é tanta quantidade mas é muito importante. É o que as pessoas comem mais.

5- E, para um chefe, é mais desafiante uma noite destas ou ter um hotel a funcionar todo o ano?
É desafiante por causa do timing que é pouco, leva-nos ao limite porque temos de estar sempre focados no que temos para fazer e não dá para relaxar. Tenho a minha equipa a trabalhar de manhã à noite, há 3 dias. Se fosse só esta noite, se fossem só os 600 jantares era mais simples mas esses clientes já estão cá desde dia 29, e é preciso pequeno almoço, almoço e jantar. Todo o tempinho que temos, temos de aproveitar para a passagem de ano.
O desafio ainda maior vai ser amanhã… O pessoal vai estar todo de rastos e amanhã é preciso fazer pequeno almoço e Brunch. Volta tudo ao início… Amanhã é que vai ser difícil porque hoje não devemos terminar antes das 3h da manhã.

Galeria

2017… Em fotos.

Começámos o ano a estrear casa nova, o novo estúdio da TVI. Foi em Fevereiro.

O ano em que ser feliz… Deixou de ser opcional e passou para o topo das prioridades. Ericeira, Março.

O lançamento do livro da minha querida amiga Margarida Vieitez. Março.

O ano dos 33… Inesquecível. Março.

O Diário da Manhã foi líder durante 4 meses. Obrigada! Abril.

A turma fabulosa de doutoramento. A tese pode não valer de nada porque eles valem tudo. Primeiro ano completo. Maio.

O meu trabalho faz-me voar. Porto Santo, Junho.

Paz. Férias, Agosto.

Embaixadora Semana Europeia do Desporto. Que orgulho!!! Setembro.

Renovar de alma. Barcelona, Outubro.

Sevilha, Outubro.

Este blog… Sem palavras. Outubro

O Centro Sagrada Família que conheci este ano. Novembro.

A equipa fabulosa que faz todos os dias o Diário da Manhã.

FELIZ 2017, sem dúvida que foi.

 

 

 

 

 

 

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2017… em palavras.

No momento que escrevo este post estou no cabeleireiro. Sitio mais inusitado para escrever, não é? Devia era estar a ler revistas com sugestões de vestidos para o fim de ano…
Dou por mim a pensar que talvez o cabeleireiro tenha sido das minhas acções mais constantes de 2017, assim como o ginásio. Não posso, não devo, nem quero fugir.
Mas…. Quem não gosta de quebrar a regra e escapar a um dever?

2017 foi ano de retomar esta capacidade de cumprir e quebrar, sem culpa. Metade do ano foi a fazer trabalhos de doutoramento. Incluindo aquele que tens 2 meses para fazer e a 2 semanas de entregar… É preciso começar do 0 porque está tudo fora do sítio. Trabalhos, aulas, conferências… Não há como escapar. A verdade é que metade do meu ano foi passado com olhos na política, na geoestratégia, na economia (que passei a adorar), na governance. Tão rica, tão feliz, tão mais adulta que me tornei com este conhecimento que adquiri. Se foi fácil? Prefiro dizer que valeu muiiiiito a pena. E valeu. Faria tudo outra vez. Mas agora… O caminho é outro.

2017 fez de mim uma pessoa ainda mais focada. Aprendi a dizer não. Voltei a conseguir perceber o que não quero e isso… É meio caminho andado para a resolução e revalidação pessoais. Durante uns 2/3 anos houve um hiato de alegria na minha vida. Acontece, às vezes acontece. Vamos ao fundo para depois apreciar melhor a subida. Deixamos de ver o sol para poder apreciar as estrelas. Hoje sei que foi isso mesmo: eu tinha as prioridades trocadas e não percebia. Só pela subida, pela conquista, que infindável capacidade de sorrir que readquiri… Valeu tudo. Voltei ao sorriso sem culpa, ao viver sem medo, ao coração aberto, à ajuda ao próximo, voltei a ter os meus amigos e a ter tempo com eles. Mas percebi também que se não conseguir fazer alguma coisa… Está tudo bem. O mundo não acaba, a vida não castiga… É só isso. Dou sempre o meu melhor, sempre. É isso é que conta.

Aprendi a ter expectativas -4. A não me desiludir com aquilo ou aquelas pessoas que afinal não são vitais para a minha existência. Aprendi a seleccionar. A filtrar más energias, toxicidade, show off, para bem da minha saúde. E posso dizer-vos… É maravilhoso.

Passei mais tempo com quem amo. Disse muito mais vezes ‘gosto de ti’ e recebi de volta. Cimentei amizades, renovei laços e votos… E tornei-me leve.

Reforcei a ideia que os estranhos são amigos que não conheço. Ganhei 10 pessoas maravilhosas na minha turma de doutoramento que vão ficar para toda a vida. Conheci convidados maravilhosos, histórias de vida apaixonantes, exemplos desconcertantes de quem tinha tudo para desistir e está ali, firme para o que vier mais.

Lancei um blog, este blog, que tanto me orgulha e me dá vontade para continuar.

Mas 2017 também me levou uma pessoa que amo. E nunca vou deixar de amar. Um pessoa que me ensinou o sentido da família, que me ensinou a amar mesmo quando não é tudo perfeito. A falta é brutal, mesmo à distância… a falta é brutal. O amor pode ter várias formas. A distância física é muito pouco quando se ama alguém que foi um exemplo para nós. E que, sabemos, nos amava de volta. Mas não quero ficar na perda… Quero celebrar a sua vida. A imensa gratidão de o ter tido comigo 33 anos, de me ter dado nome, de me ter embalado e baptizado. As lições que deu. O dever que cumpriu. O olhar meigo, a bondade, o discernimento, a inteligência… Sim, era o mais inteligente de todos nós. As salvas no seu funeral que ainda hoje ecoam na minha cabeça lembram-me isto tudo.

Sou uma pessoa com tanta sorte. E sou profundamente grata à vida por esta oportunidade de, dia após dia, ano após ano… Poder começar de novo.
Eu acredito tanto mas tanto que 2018 vai ser FA-BU-LO-SO.
Acreditem também. Juntos somos mais fortes.

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Pausa. Ponderação. Silêncio.

Nativity scene Christmas star on blue sky and birth of Jesus, illustration.

Dizem com alguma frequência que não sei receber. Acho que têm razão.
Se também gosto de receber? Parece-me que toda a gente gosta de um miminho (em pequenino, sim) de vez em quando.
Mas as coisas da mão, aquelas que vamos comprar ali numa loja e que se encaixam nas personalidades de tantas pessoas diferentes… Essas, que até nos podem agradar e preencher uma vontade consumista, também são boas… Mas são só coisas. Objectos. Tem quase sempre um valor mais pratico do que afectivo. Servem, naquele instante, para completar um desejo, uma carência. Uma vontade.

Sinceramente… Acho que fui feita para dar. Destas coisas, também. Facilmente compro qualquer coisa para dar, para mim sou sempre muito hesitante.
Nos últimos 2 anos da minha vida aprendi a premiar-me por alguns feitos que consegui. Coisas que não precisam ser grandes aos olhos dos outros, apenas significativas e marcantes para mim. E faço adequar-se ao lógico. E aí… Não compro nada.

Ontem entrei num centro comercial para tratar de uma coisa que não tinha nada que ver com presentes de Natal e tive medo. Me-do de ser engolida pela multidão. Medo de ver levada na maré tipo festival de verão ou santos populares em que levantamos os pés e deixamo-nos ir… Sabem como é? Tantos encontrões, tanta gente cheia de sacos, perdida no tempo e com pressa… Só de sentir aquela energia má fiquei cansada. A juntar a isto um trânsito infernal, uma pressa desmedida, sempre um a tentar tirar o lugar ao carro do outro. Que caos. Não precisamos ter coisas ‘a montes’, não precisamos encher os nosso filhos de brinquedos que, passado um ano, ainda estão dentro da caixa, não precisamos ensina-nos a pedir muuuuuitos presentes porque só brincam com um de cada vez, não precisamos ensinar a gostar só de coisas boas, porque essas eles nem conhecem.

Natal não é isto, amigos. Natal é tempo, é empenho, é reciprocidade na atenção, é telemóveis desligados, é família à volta da mesa, é brincar com os miúdos, ouvir músicas inspiradoras. Eu sou daquelas pessoas que gosta das argolas de guardanapo personalizadas pela minha afilhada, na mesa de Natal, que se senta para a ouvir tocar guitarra e mostrar o que aprendeu durante o ano, que corre as casas das amigas com a mãe, na véspera de natal a dar beijinhos e a comer chá e bolachas (este ano não vai dar para as bolachas, queridas… Sorry), que reencontra pessoas que não vê há tanto tempo, lá na terra.
Garanto que entrar no espírito desta quadra não é substituir a comida tradicional por vegan, ser light e evitar os doces ou reciclar embrulhos usando o papel de jornal…
Natal é acima de tudo a certeza que o melhor presente não vem embrulhado- a presença e o amor verdadeiro. É saber que um abraço, um ‘gosto de ti’, um gesto de carinho valem muito mais do que 20metros de papel amassado no chão da sala, que serviu para envolver coisas materiais.

E isso… Sim… Eu sei que sei receber.

 

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Lights out!

Não deixo de me fascinar com as imagens da NASA… Esta foi registada pelo astronauta Mark Vande Hei, a 250 milhas do planeta terra, a distância a que está na Estação Espacial Internacional.  Confesso que é também das coisas que mais me fascina quando viajo de noite: perceber a organização das cidades, a distância que há entre elas e a energia empenhada nestas regiões, através das luzes, do brilho. Volto a ser criança, colada à janela do avião.

A fotografia mostra a zona de Memphis, New Orleans, Miami, numa perspectiva brutalmente maior. Na Estação Espacial Internacional vivem e trabalham 6 pessoas. Além das tarefas de investigação e laboratório, também registam imagens do planeta e, em alguns casos (muitos, diria eu), acontece esta beleza!

Como sempre… tudo em www.nasa.gov