Galeria

2017… Em fotos.

Começámos o ano a estrear casa nova, o novo estúdio da TVI. Foi em Fevereiro.

O ano em que ser feliz… Deixou de ser opcional e passou para o topo das prioridades. Ericeira, Março.

O lançamento do livro da minha querida amiga Margarida Vieitez. Março.

O ano dos 33… Inesquecível. Março.

O Diário da Manhã foi líder durante 4 meses. Obrigada! Abril.

A turma fabulosa de doutoramento. A tese pode não valer de nada porque eles valem tudo. Primeiro ano completo. Maio.

O meu trabalho faz-me voar. Porto Santo, Junho.

Paz. Férias, Agosto.

Embaixadora Semana Europeia do Desporto. Que orgulho!!! Setembro.

Renovar de alma. Barcelona, Outubro.

Sevilha, Outubro.

Este blog… Sem palavras. Outubro

O Centro Sagrada Família que conheci este ano. Novembro.

A equipa fabulosa que faz todos os dias o Diário da Manhã.

FELIZ 2017, sem dúvida que foi.

 

 

 

 

 

 

Imagem

Catalunha e Grécia? Tem tudo a ver.

Carles Puigdemont tentou, na Catalunha, o que Yanis Varoufakis e Alexis Tsipras tentaram na Grécia.

A conquista do povo pelo poder da palavra. Aristóteles falava do homem “animal político”, porque possui a capacidade de dominar o logos, o discurso, a palavra, que tem um peso importante mas que nem sempre é considerada dessa forma. Quem a domina, consegue seduzir, persuadir, convencer, dominar, influenciar, esconder, decretar.

Na minha dissertação de mestrado, em 2015, estudei a Grécia, a estratégia de comunicação do Governo de Tsipras e Varoufakis que enfrentou a troika internacional e quase conseguiu fazer história. O meu estudo tem como título “Europa e democracia europeia no período pós-troika: Limites e estratégias de governação e comunicação nos casos português e grego, em perspectiva comparada”. Não é um título fácil, reconheço, mas o resultado foi profundamente mais interessante e estimulante do que podia alguma vez imaginar. Por isso, partilho convosco algumas das conclusões:

A Grécia podia, de facto, ter alterado o destino dos países intervencionados, os responsáveis puseram em causa as medidas de austeridade até ao limite, obrigaram a gigante Alemanha a pedir tempo de reflexão e análise de várias contra propostas apresentadas no decorrer das negociações com os parceiros internacionais e levaram esses parceiros, até aqui sem oposição, a justificarem-se perante todos os outros líderes europeus. As grandes maratonas negociais, até ao limite físico, foram uma constante em todo o processo e uma forma de pressão sem precedentes, levadas a cabo por um país, apenas um, que ameaçou sair da zona euro e por em causa toda a estrutura da União Monetária. A Grécia obrigou os países da U.E. a colocar os interesses de todos acima dos interesses de cada um, se a saída se tornasse uma realidade isso significaria uma derrota de todos os intervenientes e a ameaça tornou-se tão real que até o Presidente dos Estados Unidos da América interveio no processo”.

Para vos explicar o meu pensamento, recorro de novo, a um pouco do que escrevi:

O governo eleito pelo povo grego, com uma comunicação ambiciosa e moderna, foi ao encontro do que sugeria Weber (1918), até na imagem. Líderes jovens, que se apresentam sem gravata e com uma atitude diferente. A propaganda foi uma arma de comunicação utilizada ao limite. Tal como considera Marcelo Rebelo de Sousa, “Yanis Varoufakis (o Ministro das Finanças grego) é um excelente comunicador, utilizou ao máximo o dramatismo para dar criar a ideia, na Grécia e na Europa, de que as negociações com os parceiros tinham atingido um alto grau de dificuldade” (comentário semanal, “Jornal das 8, TVI, 22 de Fevereiro de 2015). Já antes de ganhar as eleições, o Syriza e Alexis Tsipras assumiam que a austeridade não ia continuar na Grécia e repetiram a ideia até à exaustão, quando o povo já acreditava ser verdade e ser possível uma mudança radical. Graças a esta técnica da repetição incansável do argumento, a ideia ganhou espaço na mente dos gregos e a verdade é que se a eleições se tivessem realizado 15 dias mais tarde, o Syriza conseguiria alcançar a maioria absoluta (de acordo com as sondagens gregas)”.

 

Essa era a ideia do líder do governo Catalão, quando marcou eleições regionais, em início de Setembro, e avançou contra o Governo de Madrid: questionar a soberania e reforçar os poderes regionais que já existem na Catalunha desde o final dos anos 70.

A diferença é que os gregos tinham uma estratégia e os catalães não. Puigdemont pensou que podia contrariar o Governo central apenas com o resultado de um referendo: conseguiu que as pessoas fossem votar (até nem foi difícil, uma vez que 90% dos que votaram disseram ‘sim’ à independência e essa condição é ambicionada há muito por praticamente metade da população); conseguiu que acreditassem nele ( milhões de pessoas saíram às ruas no último mês e as bandeiras da Catalunha estão nas varandas de quase todos os prédios) mas não conseguiu corresponder às expectativas. O Governo Catalão não conseguiu resistir às pressões de Madrid e foi ‘fintado’ pelo artigo 155 da Constituição, que Mariano Rajoy invocou hoje perante ‘situações excepcionais’, depois de ‘um referendo ilegal, sem garantias’. A decisão passou para as mãos do Parlamento Catalão e a confusão está instalada.

Puigdemont não foi previdente, não esteve um passo à frente de Rajoy e ‘esqueceu-se’ que pertencia a uma estrutura. O governo de Tsipras também pertencia à União Europeia mas antes das negociações, o ministro Varoufakis buscou apoios em toda a Europa, andou em cada país a tentar perceber os pontos que uniam e os que separavam dos restantes Estados Membros, ouviu, reuniu-se de notáveis e apoios fortes.

Mais, os gregos conseguiram manipular os media de formar a veicular informações positivas mesmo quando nada havia para dizer, colocaram os outros protagonistas em cheque quando divulgavam informações do que acontecia nas reuniões (quem não se lembra da frase da Directora do FMI: “são precisos adultos na sala”, ao referir-se a Varoufakis?).

Só para terminar…

Já no século XIX havia estudos que defendiam a ideia de que não há pensamento sem linguagem e que um é determinado pelo outro. “O homem vive com os objectos da maneira como a sua língua lhos apresenta” (Humboldt). Patrícia Fernandes diz ainda que “neste sentido, a língua materna surge como força opressora – impõe-se ao nosso pensamento, impondo uma forma de pensar”. E esta questão é ainda hoje lembrada por vários autores como Martin Heidegger “O homem age como se fosse o senhor e mestre da linguagem enquanto que na verdade a linguagem permanece mestra do homem”. Ainda que a linguagem ocupe um lugar fundamental em todo o processo de comunicação, é na possibilidade de alterações que cada individuo encontra o seu espaço individual “que passa pela resistência ao discurso de opressão através da modificação da própria linguagem, das expressões ou das palavras usadas. É nesta liberdade que ainda resta ao indivíduo, de se esquivar à imposição dos discursos, que poderemos encontrar espaço para a concepção de alternativas” (2015: 1-3). Também José Adelino Maltez recorre a Aristóteles para explicar o poder da palavra quando afirma que “conquistar o poder é conquistar a palavra, para se transformar o conceito em preceito, através da imposição de um discurso” 28 (1993: 40). Este foi o espaço que os representantes do Syriza e membros do Governo grego encontraram para tentar mudar a história“.

Acredito que a Catalunha viva mais umas semanas de agitação política e social até às eleições que, entretanto, Madrid deve convocar. Depois disso…  mais nada.

 

Puigdemont desiludiu. E tal como na vida, também na política a desilusão é das piores coisas que podem acontecer.

 

Fotografias: Google e Patrícia Matos

Referências:

Weber, Max, (1904 a 1917), The Methodology of the social sciences, The France Press, 1949.

Fernandes, Patrícia (2015), Syriza, apenas uma questão de semântica?, Universidade do Minho.

Maltez, José Adelino (1994), Sobre a ciência política, ISCSP, Lisboa.

Matos, Patrícia (2015), Europa e democracia europeia no período pós-troika: Limites e estratégias de governação e comunicação nos casos português e grego, em perspectiva comparada, Dissertação de Mestrado, ISCSP, Lisboa.

Galeria

Viva la España

Estar em Barcelona a 7 de Outubro foi uma coincidência, acreditem.

A viagem estava marcada muito antes de se pensar que um referendo seria marcado ou que iria resultar em tanta confusão…

Mas eu estava lá, no sítio certo, à hora certa, onde aconteceu a notícia. Ainda que em lazer, nunca deixo de ser jornalista. Nunca. Foi a maior manifestação que eu já vi, esta pela não independência da Catalunha, pela união de Espanha e a favor do projecto europeu. Fiquei impressionada pelo civismo. Bem sei que não é sempre assim, eu já fui apedrejada numa manifestação em Portugal, enquanto estava em directo. Been there, done that.

Desta vez foi em bem, tão bem quanto o ajuntamento de 1 milhão de pessoas pode ser.