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Sujar as botas!

Sujar as botas. Das expressões que os jornalistas mais gostam de usar. Literalmente. Do que mais se orgulham de fazer. Quanto mais sujas as botas, mais carregado o bloco de notas (rima e é verdade!). Do que significa estar lá, procurar, sair, andar, correr e encontrar ou… confirmar que, apenas, não existe.

Do que mais tenho feito nestes dias. Do que mais nos dignifica e ensina. Do que tenho aprendido tanto. Do que é mais admirável… ir atrás de uma história e encontrar outra. E outra e tantas outras que se atravessam no nosso caminho.

Aqui. Ali. Na China. No fim do Mundo. Onde for preciso ir.

Não fechar os olhos. Perceber o que está à nossa frente e que pode ser… um Mundo!

 

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O microfone

 

Podia ter sido noutro sítio qualquer mas foi entre amigos.

Dei por mim a olhar para o microfone e para mim, com o microfone. Se calhar estava escrito. Se calhar o Mundo já sabia que a minha vida ía ser assim, mesmo antes eu de o saber.

Quando acabei a minha licenciatura, os meus pais ofereceram-me… um microfone. Na altura, o objectivo era a rádio. A inscrição que o acompanha fala de ‘um sonho que se tornou realidade’. E havia sempre um microfone. Por estes dias, volto a este objecto, seguro-o por vontade própria, por que jamais deixarei de o querer, de sentir o seu peso, de procurar e perguntar e fazer tudo, como da primeira vez. Eu sou jornalista. Isso define-me. Nunca o negarei.

Acredito nisso.

Espero pelo que ainda está para vir mas só vos digo… Quem pega, assim, com segurança, numa caneta, num microfone ou num estetoscópio, que seja… não tem muitas dúvidas da sua missão nesta vida.

Aliás, não tem nenhumas.

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A verdade. De verdade.

“Querida Patrícia, permita que a trate assim, vejo-a todos os dias… já é praticamente da família”. “Cara Patrícia, como é que consegue acordar tão cedo e estar sempre com um sorriso, para nos acordar a nós, cá deste lado? Obrigada!”. “Olá, Patrícia. Parabéns, pelo seu talento. Se me aceitar como amiga no Facebook, fico muito grata”. “Boa tarde, Dra. Patrícia. Como está? Bons olhos a vejam, andou fugida dos nossos ecrãs”. “Olá, está com gripe? Chá de gengibre e limão. Faz milagres”. “Olá, Patrícia, espero que esteja melhor na sua luta contra a bactéria. Faz-nos muita falta de manhã mas queremos que volte boa! Força”.

Todos os dias recebo mensagens como estas. Sim, são reais. Sim, são escritas por pessoas.

De manhã sou, tantas vezes, a única companhia que milhares de espectadores têm. Tenho essa consciência. Nos sítios mais recônditos, onde às vezes só chega mesmo a luz do sol, e a quem nunca ouve outra voz durante o dia, além da minha.

Somos a família, aquela cara de que se gosta tanto, aquela pessoa que está ali, todos os dias, àquela hora. É por isso que um sorriso me custa pouco.

Sei que, do outro lado, alguém está a sorrir de volta para mim. Pode ser em Viseu, em Portalegre, em Lagos, Leiria ou Lisboa, África do Sul, França, Canadá.

Um sorriso é o que temos de mais especial e é o que custa menos a oferecer a alguém. E se há altura do dia em que escasseia… é de manhã! Para quê poupar? Confesso… quando cheguei a este horário eu não sabia isto. Acordava tantas vezes mal-humorada. Percebi que não fazia sentido. Se estávamos vivos e nos tínhamos uns aos outros para quê reclamar?

E confesso outra coisa: é muito bom sentir o carinho do público. Afinal… para quem trabalhamos nós? É bom saber que alguém está a ver, nem que seja porque acha mal qualquer notícia, comentador ou outra coisa que dissemos ou fizemos (sim, também recebo mensagens menos bonitas!). São 3h30 em direto, todos os dias. A perfeição não existe, mas o esforço sim, a dedicação, a entrega.

Perguntam, com frequência, o que mais gosto que digam de mim e do meu trabalho: gosto que digam que percebem tudo o que eu digo, que me entendem. É esse o meu objectivo, ser eficaz, fazer a diferença, chegar ao outro lado, a quem me vê. Comunicar é isso, é ter consciência que se é o veículo da mensagem e que podemos ir de bicicleta, de moto… mas eu gosto de altas velocidades!

Eu sou feliz a trabalhar, acho que isso se nota, mas se não houver um propósito, um sentido, um objectivo… não tem lógica. O retorno, o feedback do público é o que faz a diferença.

Qual é o segredo? Ter a certeza de que se está no sítio certo. À hora certa. 6h30, bom dia! Seja bem-vindo ao “Diário da Manhã”.

O meu artigo de opinião para lerem aqui.

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Dia dos Avós

Imagem: Pinterest

Neste dia dos avós recupero um texto que escrevi aqui em Janeiro deste ano. Recordava os tempos que passei com os meus avós maternos, durante a infância, na quinta onde viviam. Tenho muitas saudades, hoje faria muitas coisas diferentes. Aproveitava-os mais. O meu avô Henrique é a minha estrelinha. Sei que onde está, onde estão… estão sempre a olhar por nós.

 

O essencial é invisível aos olhos

Passei muito tempo com os meus avós maternos.
Quando eu era pequenina era assim que se fazia quando os pais não podiam estar sempre connosco. Depois mudou tudo e agora os netos já vão para casa dos avós, outra vez. E que bom que é, imagino. Os meus avós maternos já não estão fisicamente comigo mas sinto-os cá todos os dias. O meu avô Henrique era só a melhor pessoa do mundo. Ainda não tínhamos chegado perto dele e já os olhos brilhavam, rasos de água. Tinha-nos um amor excepcional, uma coisa sem medida. Quando eu e a minha mãe chegávamos lá estava ele, sentado na sua cadeira de madeira, virada ao contrário, a fumar o seu cigarrinho e a ver os comboios passar. Sempre à espera de ver alguém, nos dias tão longos da velhice, que o separavam de momentos mais preenchidos, de quando era novo e fugia da minha avó para ir beber o seu copinho de vinho à taberna. O meu avô tinha os olhos doces, de uma calma que já não existe, de uma ponderação que ja não se pratica. O meu avô deu-nos, a nós netos, um exemplo de tudo: de trabalho, de força, de humanidade, de carinho e resiliência: nunca, até morrer, se queixou do que quer que fosse. A frase foi ‘Eu estou bem’… Até ao fim.
Há muito tempo que acredito que ele é a minha estrelinha lá em cima, sinto-o. E sei que os meus primos também. Um de nós herdou o seu nome.
A minha avó Esperança era igual no exemplo: mulher danada para criar os filhos e ainda tomar conta dos netos, mas menos dada aos afectos. As suas manifestações de ternura eram sob a forma de qualquer coisa: uma saia de peitilho cosida na máquina, uma travessa cheia de batatas fritas às rodelas (chefes de todos o mundo, podem tentar… nunca hão-de conseguir sabor igual), toucinho assado (idem), café na cafeteira que estava todo o dia no lume, e saquinhos de retalhos que combinava como ninguém, com a mestria de quem aprendeu a fazer pachtwork numa qualquer escola de arte, tão maravilhoso para alguém que nem sabia escrever.
Nesta altura, o nosso chá ainda não chegava a casa em saquetas, eram infusões de plantas que havia no quintal. Hoje fiz chá de lúcia lima, com as mesmas folhas. A minha casa ficou perfumada com este cheiro tão rural, tão nosso, tão distante.

Ao senti-lo, viajei. E voltei a percorrer a casa dos meus avós, a ouvir os risos dos primos, felizes, a correr pela quinta e a abrir a porta do galinheiro.
Caramba… Tenho tantas saudades deles.

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O amor incondicional

– “Tenho uma coisa para te contar… Hoje abracei um senhor que estava de olhar perdido, a ver o mar. Perguntei se podia ficar com ele, um instante”. A conversa da A. começou desta forma.

– “Sabes qual foi a resposta dele? ‘Olhe… se quiser ficar é a única a querer estar ao meu lado’… Doeu-me tanto que não imaginas”, disse.

– “Eu imagino. Mas… isso foi porquê?”, questionei.

– “Ele  foi viajar com os netos e só os via nas horas das refeições, tirando isso estava sozinho. Eles só precisavam de quem lhes pagasse a viagem”, explicou-me. “Sabes”, continuou, “o universo levou-o até mim e ali ficamos a conversar um bocadinho, os dois. Deu-me o prazer de parar e estar uns minutos a beber um chá, a descansar as pernas e a sentir a brisa do mar. No fim quem agradeceu fui eu”.

Deste lado do ecrã do telefone, eu sorri. A. lembrou-me aquilo que tenho sentido nos últimos tempos: estamos num rodopio constante, numa ansiedade e inércia simultâneas. As prioridades alteram-se, de um momento para o outro. Estamos doentes por falta de amor, pela nossa incapacidade crescente de nos colocarmos no lugar do outro. Fazemos correntes, vestimos camisolas, partilhamos publicações mas não damos um simples sorriso a quem passa. E é triste.

Naquele instante eu senti o que me escreveu, de seguida: “Ainda bem que o meu coração encontrou o teu. Gosto muito de ti”.

Sou uma sortuda. Ponto final.

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E… a Madeira?

Achavam que me tinha esquecido? Na…. Eu nunca me esqueço dos sítios onde sou feliz e bem tratada. Foi o caso da Madeira. A conferência na Inspecção Regional de Educação estava marcada há vários meses: primeiro foi a HP, depois foi a TAP que cancelou o voo… Acabou por acontecer no dia 15 de junho.

O assunto foi o ‘O poder da decisão’ e já o expliquei aqui.

Foi dia de provas de aferição e a plateia não estava esgotada mas foi muito interessante o debate de ideias que conseguimos fazer.

Mas, como sabem, a Madeira tem 50 mil encantos e eu andei a visitar alguns. Claro que não dispensa outra visita, muito em breve, até porque havia duas opções: ou visitava ou aproveitava as pessoas, amigas. Para mim as pessoas contam mais, sempre, e por isso fui a poucos sítios. Ficam as fotografias.

O Funchal é uma cidade muito bonita e por isso estive empenhada em vivê-la e senti-la!

Fajã dos Padres e a magnífica descida de teleférico, uma vez que é quase inacessível por terra. São cerca 300 metros de altura, cravados no sopé do Cabo Girão, onde fomos depois. A descida demorou 2 ou 3 minutos, nem consegui perceber por que estava completamente fascinada com a vista. Aqui, além da paisagem ma-ra-vi-lho-sa, tivemos outro presente. O Engenheiro Jardim Fernandes teve a amabilidade de nos mostrar a sua pequena adega, cheia de história e riqueza. Ao longo dos tempos, a Fajã foi casa de verão de padres Jesuítas, que ali plantaram vinhas e onde durante muito tempo se produziu o Vinho Madeira. As vinhas perderam-se mas o Eng. Jardim Fernandes não desistiu de procurar a Malvasia, de uvas brancas e tintas, de origem grega. Esta espécie estava por todo o Mar Mediterrâneo a também na Madeira. Procurou, encontrou, plantou e multiplicou-as. Hoje, nesta pequena adega, há um verdadeiro tesouro que nos deu a provar. As pipas são de várias produções e garanto-vos que esta de 2005 é qualquer coisa de extraordinário. É fácil perceber pelo copo cristalino, ainda que estivesse a ser usado. Uma verdadeira honra.

    

O Malvasia foi aperitivo para o almoço dividido entre o bife de atum, bidão, pargo e lapas.

Depois do almoço fomos então espreitar o Cabo Girão, 580 metros acima do nível do mar. Uma vista de cortar a respiração, mais uma vez. Estonteante e que permite uma vista linda de parte da ilha.

Foi uma viagem curta mas muito bonita, que incluiu também fruta, poncha de Hortelã, um agradecimento especial e, claro… um voo cancelado! Memorável!

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E…

Ao décimo dia… ela descansou. Da lactose, do potássio. Dos 14 comprimidos diários.

Ao décimo dia… ela apanhou ar.

Ao décimo dia… ela teve a certeza que nada na nossa vida acontece por acaso. Há sempre um momento, um dia em  que tudo muda.

Ao décimo dia… a sorte alinhou-se com a vontade.

Ao décimo dia… ficou tudo bem.

Ao décimo dia… ela sorriu mais.

Ao décimo dia… ela descansou. Onde devia.

Galeria

O que andam a ler?

Livros são, para mim, património. Dói-me a alma só de pensar que me vou desfazer de algum, que vou perder algum ou emprestar. Sim, eu sei que é tonteira mas eu sou mesmo assim. Ultimamente tenho consumido mais coisas de política e, antes de voltar a mergulhar nessa onda toda, decidi aliviar e ver outras coisas. Afinal, a vida continua (eu é que não tenho tempo)!

Neste Dia Mundial do Livro quero deixar-vos uma ideia daquilo que ando a ler. Sem pressas. Estes livros são os que estão no meu colo, por estes dias.

 

O livro da minha querida amiga Margarida Vieitez. Ser uma pessoa de duas caras NÃO é ser um ‘troca-tintas’, é ser uma pessoa capaz das piores coisas apenas para se alimentar da nossa energia, tirar o melhor de nós e deixar-nos secos, sem alma, se força nem vontade de seguir. Um  Maxinarcisista. Vale muito a pena ler.

 

Respiro política, desde há uns anos e a ‘trica política’, o backoffice, os meandros interessam-me muito muito. Esta vitória de Donald Trump ainda vai ser muito estudada e eu já estou a fazer a minha parte. IM-PRES-SI-O-NA-NTE.

 

Este foi oferecido por um querido amigo, no meu aniversário. Não podia ser mais certeiro. Estão a ver as regras todinhas da vida? Fazer tudo  by the book? Ohhh… Esqueçam lá isso. Tem um título bem adequado, não acham? Estou a AMAR!!!

Depois… Os de alimentação. Tornaram-se livros de consulta, mesmo. Primeiro, este dos meus amigos Alexandre Fernandes e Duarte Alves sobre alimentação alcalina. Tudo para sermos mais equilibrados, mais sãos, para termos mais saúde.

Depois, este, que foi o último que comprei. As intolerâncias obrigam-me a fazer tudo diferente e estou a procurar cada vez mais informação e sabor, também, nas minhas refeições.

Não são poucos. Mas não consigo ler apenas um livro de cada vez. Prefiro tê-los no meu colo, nunca fui de livros de cabeceira. Nos próximos tempos vou partilhar mais. Estes são os que estou a ler mas vou mostrar-vos aqueles livros que marcaram a minha vida e a mudaram, de alguma forma.

Contem-me: quais os vossos livros favoritos? O que andam a ler?