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Alimentação, pela Dra. Ana Rita Lopes

Diabetes Gestacional – será a alimentação importante?

 

A Diabetes Gestacional (DG) define-se como um subtipo de intolerância aos hidratos de carbono diagnosticada ou detetada pela primeira vez no decorrer da gravidez. A DG ocorre em cerca de 1 em cada 20 grávidas.

Resumidamente, o diagnóstico de DG poderá ser efetuado através de um valor de glicémia em jejum (de 8 a 12 horas) superior ou igual a 92mg/dL ou entre as 24 e 28 semanas de gestação com uma Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO).

Após o diagnóstico de DG os objetivos de glicémia são:

  • Jejum/pré-prandial: Glicémia ≤ 95mg/dL
  • 1h após o início das refeições: Glicémia ≤ 140mg/dL

A educação alimentar deverá ser sempre a primeira linha de intervenção na DG, em qualquer período da gravidez. Segundo o Consenso “Diabetes Gestacional”: Atualização 2017, apenas se recorre à terapêutica farmacológica (insulina ou outra) quando os objetivos de glicémia não são atingidos num período de 1 a 2 semanas após a instituição das medidas não farmacológicas – terapêutica nutricional.

Após o diagnóstico de DG, a grávida deverá ser avaliada em consulta de nutrição com o objetivo de definir um plano alimentar personalizado, de acordo com:

  • Índice de Massa Corporal preconceção (Peso antes da gravidez / Altura2)
  • Ganho ponderal durante a gravidez
  • Estado nutricional
  • Antecedentes clínicos
  • Hábitos alimentares e culturais.

O plano alimentar deverá ser adequado às necessidades energéticas da grávida, que variam consoante o trimestre de gravidez, sendo que no primeiro trimestre as necessidades energéticas mantêm-se as mesmas da mulher não grávida.

Os hidratos de carbono são o nutriente que influencia diretamente o valor da glicémia e deverão ser adequadamente calculados e distribuídos ao longo do dia em cerca de 6/7 refeições diárias (pequeno-almoço, meio da manhã, almoço, um a dois lanches, jantar e ceia). A ceia é habitualmente uma das refeições omitidas pelas grávidas com DG, contudo deverá ser sempre realizada de modo a evitar jejuns noturnos superiores a 8 horas e a evitar a hipoglicémia noturna e cetose matinal.

 

Seguem-se, de forma resumida, algumas recomendações gerais:

  • Avaliar e registar a glicémia de acordo com as indicações do obstetra/endocrinologista;
  • Cumprir o plano nutricional personalizado fornecido pelo seu nutricionista;
  • Realizar um adequado fracionamento alimentar com refeições com intervalos regulares de aproximadamente 2h30 a 3h e um jejum noturno máximo de 8 horas;
  • Realizar uma distribuição adequada de hidratos de carbono ao longo das refeições;
  • Incluir diariamente às refeições principais sopa de legumes e legumes no prato de forma a melhorar o controlo de glicémia, devido ao teor de fibra dos mesmos;
  • Optar por lacticínios sem açúcares adicionados (exemplo: iogurtes naturais ou magros), apenas com os açúcares naturalmente presentes (a lactose);
  • Optar por cereais e derivados integrais, por serem mais ricos em fibra;
  • Evitar a adição de açúcar e o consumo de produtos açucarados;
  • Alternar o consumo dos vários frutos, de acordo com as equivalências de hidratos de carbono, isto é, substituindo os frutos, mas mantendo a mesma quantidade de hidratos de carbono aquando da sua substituição. Exemplo: 1 maçã = 1 pera = ½ Banana = 8-10 Uvas = 2 Tangerinas = 2 Kiwis pequenos, etc.
  • Evitar a ingestão de sumos, mesmo que sejam naturais, uma vez que um sumo terá sempre mais do que 1 porção de fruta;

 

A atividade física deve ser incentivada, devendo, sempre que autorizado pelo obstetra, caminhar pelo menos 30 minutos por dia, se possível após uma refeição.

 

Caso não exista um acompanhamento médico e nutricional eficaz para o controlo da glicémia durante a gravidez, poderá ter como consequência algumas complicações graves para a mãe e para o bebé. As complicações mais comuns são bebés com um peso superior a 4Kg à nascença e a necessidade de cesariana na altura do parto ou, ainda, podem ocorrer abortos espontâneos.

 

A Diabetes Gestacional habitualmente “desaparece” após o parto.

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Alimentação, pela Dra. Ana Rita Lopes

– Quais os desafios para os nutricionistas ao lidar com a doença oncológica em ambiente hospitalar?
Os desafios dos profissionais de nutrição passam por prevenir ou minimizar o declínio do estado nutricional imposto pela doença, bem como desmistificar os ideais criados pelos doentes em relação à alimentação, através de acompanhamento nutricional individualizado. Relativamente ao estado nutricional, é muito frequente a presença de desnutrição em doentes oncológicos. Cerca de 40% a 80% dos destes doentes estão desnutridos, aproximadamente 70% apresentam dificuldades para se alimentar, mais de metade necessita de aconselhamento nutricional para controlar os sintomas que interferem com a ingestao alimentar e 30% necessitam de suplementos nutricionais. Deste modo, é importante o acompanhamento de um profissional de nutrição de modo a otimizar o estado nutricioinal do doente oncológico e contribuir para o bom prognóstico da doença.

– E como se processa o trabalho em equipa? É efetivamente multidisciplinar?
O trabalho em equipa contribui, acima de tudo, para uma melhor assistência ao doente. Com excesso de informação com que nos deparamos atualmente, a seleção de informação credível torna-se bastante difícil para o doente. É através de uma equipa multidisciplinar que este tem acesso a uma comunicação fundamentada cientificamente, clara e objetiva, com linguagem acessível, contextualizada e sem sensacionalismos. A intervenção nutricional deve ser integrada numa equipa multidisciplinar, de modo a que todas as particularidades, necessidades e implicações dos tratamentos possam ser conhecidas
por todos os profissionais de saúde.

– Há procedimentos ou guidelines definidos neste âmbito?
O acompanhamento nutricional do doente oncológico deve ser individualizado e personalizado de acordo com a sua situação específica: o tipo de cancro, o estadio, as comorbilidades associadas e o tipo de tratamentos são critérios fundamentais a considerar quando se estabelecem as necessidades nutricionais de cada doente, bem como o seu plano nutricional. Para além de todas as particularidades referidas, é importante ter em conta uma série de outros fatores: alterações do apetite, sintomatologia gastrointestinal, alergias ou intolerâncias alimentares, parâmetros analíticos, dificuldade de mastigação e/ou deglutição, hábitos e preferências alimentares do doente, compreender o seu contexto familiar e a autonomia, mobilidade e disponibilidade do doente para realizar as refeições. As necessidades nutricionais do doente oncológico variam consoante a localização localização do tumor, da atividade da doença, da presença de má absorção intestinal e da necessidade de ganho de peso ou anabolismo. Este cálculo pode ser feito a partir da Equação de Harris Benedict, tendo em conta o metabolismo basal do doente, o fator de atividade, fator térmico e fator de stress, que no caso de neoplasia varia entre 1,1 e 1,45 ou seguindo as guidelines definidas pelo Consenso Nacional de Nutrição Oncológica – 2016 (Brasil) ou pela Sociedade Europeia de Nutrição Entérica Parentérica (ESPEN 2016), que também têm em conta a idade, tipo de tratamento e estado nutricional do doente.

– Quais as diferentes fases por que passam estes doentes a nível nutricional, e as necessidades em cada uma delas?
No decorrer dos tratamentos oncológicos, é muito frequente a ocorrência de alterações que podem, de algum modo, comprometer a ingestão alimentar e a manutenção de um bom estado nutricional. Alterações a nível do paladar e olfacto, náuseas, vómitos e diminuição do apetite, disfagia, xerostomia e alterações a nível intestinal como diarreia e obstipação são condições frequentes no doente oncológico. Como parte integrante da abordagem no cancro, a nutrição tem um papel fundamental no alívio destes sintomas, bem como na prevenção das consequências advindas.

– O que está bem e o que poderia ser melhorado nos hospitais para receber estes doentes?
Penso que existe cada vez mais uma multidisciplinariedade onde o papel da nutrição e do nutricionista tem sido cada vez mais valorizada e enfatizada. Contudo, este ainda não é o panorama ideal. Faltam Nutricionistas nos vários locais e contextos que atuam na promoção da saúde, prevenção e tratamento da doença. Penso ainda que, seria importante o encaminhamento direto a consulta de nutrição após diagnóstico e estabelecimento do tipo de tratamento, de modo a realizar uma identificação de risco nutricional precoce e assim evitar uma deteriorização do estado nutricional no futuro.

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Alimentação, pela Dra. Ana Rita Lopes

8 alimentos que aumentam a concentração

A adoção de um padrão alimentar saudável tem vindo a ser, ao longo dos últimos anos, um tema bastante abordado. No entanto, mais do que um padrão alimentar, é necessário adotar um estilo de vida saudável, que englobe alimentação equilibrada, exercício físico, hidratação e descanso. O conjunto destes fatores é essencial para a promoção da saúde e prevenção de doenças. No que diz respeito à saúde mental, existe um grupo de alimentos que influenciam e auxiliam na performance cognitiva, ajudando a prevenir o declínio cognitivo, a manter a função cerebral e a maximizar os processos de concentração, atenção e memória.

 Peixe gordo: o peixe gordo é rico em ómega-3, um ácido gordo polinsaturado que auxilia na melhoria do desempenho e função cerebrais. É um importante antioxidante protetor das células cerebrais, que apresenta efeitos benéficos ao nível da redução do cansaço mental e da melhoria da concentração. O ómega-3, sendo um ácido gordo essencial, não é produzido pelo nosso organismo, pelo que é necessário ingeri-lo através da alimentação, sendo um elemento chave para a saúde mental. Fazem parte deste grupo de peixes o salmão, o atum, a sardinha, a cavala e o arenque, devendo ser ingeridos 2 vezes por semana.

 Nozes: as nozes são um fruto oleaginoso rico em ácido doco-hexaenóico (DHA), um ácido gordo ómega-3 que apresenta efeitos benéficos ao nível da manutenção da função cerebral dos bebés, da melhoria da performance cognitiva dos adultos e da prevenção do declínio cognitivo dos idosos. Possuem também selénio e vitamina E, dois antioxidantes que atuam no atraso do envelhecimento celular. Para beneficiar destes efeitos devem ingerir-se 1 a 2 porções de nozes por dia (cerca de 30 a 60g).

 Cafeína: a cafeína é um composto que estimula o sistema nervoso, diminui a sensação de cansaço mental e aumenta o estado de alerta e a capacidade de concentração. O seu efeito máximo ocorre durante as duas primeiras horas após o seu consumo. Duas formas usuais de ingerir cafeína é através do café e do chá verde. O café apresenta uma maior quantidade de cafeína comparativamente ao chá verde, contudo, a cafeína do chá é absorvida mais lentamente, permanecendo, por isso, durante mais tempo no organismo e apresentando uma ação mais duradoura. Uma chávena de chá de 150ml contém entre 50 e 80mg de cafeína e uma “bica” apresenta cerca de 120mg. Para beneficiar destas ações da cafeína devem ingerir 2 a 3 chávenas de chá verde ou 2 cafés por dia.

 Cacau: um dos constituintes do cacau são os flavonóides, compostos antioxidantes que auxiliam na manutenção da performance cognitiva, através da melhoria da concentração, do tempo de reação e da memória. Estes efeitos podem ser obtidos através da ingestão de 1 quadrado de chocolate negro (com uma percentagem de cacau superior a 75%) por dia.

 Frutos Vermelhos: um dos constituintes dos frutos vermelhos (mirtilos, framboesas, morangos) são os polifenóis, compostos antioxidantes que melhoram a concentração e aceleram o processo de raciocínio, protegendo as células cerebrais dos danos causados pelos radicais livres. Devem ser ingeridas 3 a 5 porções de fruta diariamente, devendo ser incluídas porções de frutos vermelhos alternadas com outros tipos de frutas (20 cerejas, 8 morangos, 20 framboesas, 1 romã).

 Batata-doce: apresenta diversas colorações, podendo ser branca, amarela-alaranjada ou púrpura. Este alimento possui ferro, zinco e vitamina C, três antioxidantes que contribuem para a melhoria da concentração e são protetores no processo de envelhecimento e destruição celular. A batata-doce, à semelhança do arroz e da massa, pode ser ingerida diariamente, cerca de 100g       (1 batata-doce pequena) por refeição.

 Tomate: possui licopeno, um antioxidante que influencia e melhora a função cerebral. O tomate pode ser ingerido diariamente, juntamente com outros legumes e produtos hortícolas (3 a 5 porções diárias).

 Água e Infusões: a água possui diversas funções ao nível dos diferentes sistemas do nosso organismo, nomeadamente a nível cerebral, uma vez que auxilia na melhoria da atenção, memória e concentração. Mesmo não sentindo sede, é necessário repor a água no organismo e ir ingerindo água ou infusões não açucaradas ao longo do dia. De acordo com o Instituto de Hidratação e Saúde, é recomendada a ingestão de 1,5 a 2 litros de água por dia.

Todas as faixas etárias podem beneficiar do consumo destes alimentos, contudo, o ideal será incluir este grupo de alimentos na alimentação o mais precocemente possível, como parte integrante de uma dieta equilibrada, de modo a promover a manutenção da função cerebral, potenciar os benefícios destes alimentos e prevenir o declínio cognitivo.

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Re-ci-pro-ci-da-de

Ouvir e ser ouvido.

Olhar e ser olhado.

Desejar e ser desejado.

Respeitar e ser respeitado.

Dar e receber.

Amar e ser amado.

Estender a mão e recolhê-la.

Aconchegar e ser aconchegado.

Sorrir e receber o sorriso de volta.

Falar e ser entendido.

Ouvir e perceber o que se diz.

Olhar… e não precisar de dizer nada.

É rir e saber exactamente por que alguém se ri connosco.

É uma mão dada e largada.

É um lugar bem lá no fundo da sala, alagado de orgulho.

É ter medidas iguais para o arroz, para o açúcar, para a farinha. É ter o mesmo número de ovos. Sim, reciprocidade é usar a mesma receita ainda que, no fim, se façam dois bolos diferentes. E está tudo bem. Mas o bolo está lá.

 

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A Rosa, a maior!

Acordámos todos com esta notícia maravilhosa: a Rosa Mota, nossa campeã Olímpica em 1988 ganhou uma maratona em Macau. Que maraviha, que inspiração, que força! E porquê? Por que a Rosa Mota tem 60 anos mas tem tanta energia que comove e embaraça. Aposto que esta medalha sabe bem.

Lembro bem deste vídeo promocional que gravámos por altura da Semana Europeia do Desporto. Esta acção foi gravada, digo-vos agora, em tempo recorde. No total, demorámos 1 hora a fazer tudo: a gravar vários takes da mesma fala, vários momentos a correr, a caminhar, a saltar à corda. Pelo meio, muita gente a passar, a falar à Rosa e ela a responder, a incentivar, sem perder o foco. Podia não achar muita piada a estar a ser conduzida por uma miúda que não conhecia de lado nenhum. Não. Nunca questionou, até deu ideias. Mal sabia que tinha ali uma profunda admiradora. Às vezes, esta vida proporciona-nos a possibilidade de estar com quem muito admiramos.

“Acordei, não tinha agenda e resolvi ir correr!”. É isto. Simples.

Parabéns, querida Rosa Mota! E obrigada, que exemplo!

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Olhar para o lado

O mal não é olhar para o lado. O mal é olhar para o lado e não ver o que a vida oferece.

É fazer vista grossa a qualquer coisa que é tão óbvia.

Às vezes, olhar para o lado é apenas Deus a obrigar-nos a ‘usar óculos’, a fazer ver aquilo que já tínhamos sentido, que as campainhas interiores já tinham detectado mas que nós, sabiamente, desligámos.

Que assim seja.

 

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O que mudou?

E perguntas à vida : ‘- O que mudou?‘.

A vida responde: ‘- Mudaste tu. Perdeste o medo de perder, de andar sempre a imaginar o que podias ter feito, o que podia ter corrido bem ou mal. O que devias ter feito. Não tens o dever de fazer nada.

Focaste-te em ti, naquilo que é vital, essencial para o teu equilíbrio. Usaste as soft skills, tão bem arrumadinhas aí nas tuas gavetas, e finalmente percebeste para que serviam. Só tu importas.

Tratas bem os outros, como até aqui. Por que sabes que ninguém vive sozinho, por que amas e amarás sempre as pessoas, isso já é teu. Estás na linha da frente, se for para lhes trazer felicidade. Sempre será assim. Sabes que o amor tudo pode.

Confias em ti e nas tuas capacidades. Naquilo que consegues fazer mas, antes de mais, imaginar. Queres e consegues. Projectas e executas. Sem pressas, sem ânsias. O teu tempo é teu. Só teu.

Não perdes tempo com situações menores que implicam a tua disponibilidade. Refinaste essa parte, a tua triagem é cada vez mais eficaz. Só estás onde podes crescer.

E continuas com essa crença inabalável que tudo vai correr bem. Por que vai. Vai mesmo. Agora, vai celebrar a fé que tens em ti”.