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Mexa-se, pela sua saúde! #2

Nesta Semana Europeia do Desporto resolvi dar voz, espaço, o que queiram chamar, a alguns testemunhos reais e verdadeiramente inspiradores de quem superou uma situação de que não gostava, que não servia e que hoje vive com mais alegria, mais saúde, mais vida! Pessoas com quem me fui cruzando e que merecem ser conhecidas por vocês, também!

O Alexandre Andrade é meu amigo de Instagram, dos poucos que adicionei e aceitei sem conhecer. Ao longo deste tempo fui descobrindo uma pessoa empenhada, focada na vida e na saúde, que quer melhorar sempre, em todas as áreas. Alguém que não abdica do que lhe faz bem, do que trata da mente e do corpo, em doses recomendadas e iguais! O Alexandre é uma das provas vivas que a mudança está ali, à distância da nossa vontade!!! INSPIREM-SE! 

 

No âmbito da semana Europeia do Desporto 2018, uma iniciativa da Comissão Europeia destinada a promover o desporto e a atividade física em toda a Europa – #BeActive, a Embaixadora Patrícia Matos desafiou-me para escrever algumas palavras sobre a minha história. Aceitei, com muita satisfação. Obrigado. Obrigado mesmo!

Em 2012, talvez tenha atingido o número dos 100kg.

No entanto, registado, na minha médica “de família”, tenho “apenas” 98kg.

É muito provável que o primeiro número falado tenha sido atingido, ou mesmo ultrapassado.

Efetivamente, o descontrolo foi total. O desequilíbrio físico e mental foi levado ao limite.

Durante anos, fugi, conscientemente, diga-se, da balança.

O “Eu” não era prioridade. O “Eu” não tinha, para mim, qualquer importância.

Nesse mesmo ano de 2012, ao olhar, por acaso, acho, para uma balança com o “Eu” em cima, fiquei em choque.

Não queria acreditar naqueles números…! No imediato, decidi mudar.

No entanto, física e mentalmente desequilibrado e consciente desse facto, bem sabia que tinha de ir buscar forças “lá ao fundinho”.

Foi, digo já, uma vigem muito longa. Foi, não, é, porque a viagem não acabou. Já muito foi feito, mas ainda há muito para fazer. Tem sido uma aprendizagem extraordinária. Uma aventura muito difícil, mas muito enriquecedora.

Talvez ninguém se tenha apercebido bem do que passei “cá dentro”. Nem mesmo os mais chegados. Muitas vezes, fiz-me de forte, sabendo que, na realidade, tudo se desmoronava “cá dentro”. Mas fui resistindo. Essa resistência deu-me força (ainda dá). Deu-me tanta força.

Procurei ajuda. Numa primeira fase, porque o peso era muito, procurei ajuda de uma nutricionista.

O #BeActive (desporto) e a força mental, importante, fui fazendo e aprendendo, por mim. Tal tornou-me mais forte e essa opção, foi, penso, essencial.

A pouco e pouco, com o ajustamento alimentar dado pela nutricionista, fui reduzindo o peso. Nessa altura, com mudanças profissionais, consegui baixar o ritmo e focar-me no “Eu”.

Sei que baixei dos 98kg (ou mais), para os 73/ 74kg. Isto em finais de 2014, inicio de 2015. Sentia-me bem. Fazia algum desporto.

Mas, em rigor, não tinha grandes objetivos definidos.

E isso, considero-o agora, foi a primeira “grande dor de crescimento” desta mudança. É essencial definir objetivos exequíveis e motivadores.

Coloquei muita coisa em questão. Sabia o que já tinha feito, e era muito, mas, por uma qualquer razão (que não consigo, ainda, explicar), coloquei esse trabalho todo em causa. Talvez o desequilíbrio a que tinha chegado em 2012, explique o sucedido…

Consultei, nessa altura, a minha médica de família. E que enorme conversa que tivemos. Lembro-me bem das suas palavras: Isso que estás a passar aí dentro, só tu o conseguirás ultrapassar…. Basicamente, precisava de equilíbrios.

Quando os objetivos não estão definidos, ao mínimo desleixo, mesmo que inconsciente, tudo “volta a abanar”. E abanou. Em Fevereiro de 2016 cheguei perto dos 84/ 85kg.

A grande diferença é que, naquele momento, sabia o porquê. Não foi desleixo inconsciente. Também não lhe chamo desleixo consciente. Fico-me apenas por falta de objetivos.

Dizem que na vida nada acontece por acaso. Um dia, uma leitura simples pela internet fez-me chegar à “moda” dos desportos de combate. No caso, ao kickboxing. Lia, nessa altura, que tinha aberto uma nova Academia, com um conceito fight 4 fitness.

Apesar de nunca ter andado “à bulha” na escola, aliás, era sempre o primeiro a fugir, naquele momento, algo me dizia que tinha de experimentar.

Marquei um treino. Para uma 4.ª-feira. Lá fui eu. Levei uns calções, uma camisola anti-transpiração, uma t-shirt e uns chinelos. O treino era descalço.

Conheci nesse dia o Treinador que até hoje me acompanha. Treinador de Excelência. Pessoa genuína, sincera e de um profissionalismo dedicado e apaixonante.

O treino foi normal. Contei um pouco da minha história. O Treinador explicou-me como fazia o treino. Explicou-me o básico. Correu bem. Nesse dia, no final do treino, comprei as luvas e as ligaduras, porque senti, ali, depois do treino, que aquele era o caminho. Confidencio aqui uma conversa que tive há pouco tempo com o meu Treinador. Ele confessou-me que, quando me viu a comprar o equipamento todo, após o primeiro treino, pensou: lá está mais um que vem treinar 3 ou 4 vezes e depois nunca mais aparece

Mas apareci.

Comecei a treinar com regularidade. No mínimo, 2 a 3 vezes por semana. Raramente faltava.

Tinha 39 anos. Defini um primeiro objetivo. Perder peso e volume.

Comecei a estudar a modalidade.

Ajustei, com os ensinamentos que já tinha (do ajustamento alimentar), os hábitos alimentares.

Fui, gradualmente e de forma sustentada, perdendo peso e volume.

O objetivo estava a ser atingido.

Ia vivendo o meu treino. Mas ia também vivendo os treinos do meu Treinador e de outros atletas da Academia e de outras Academias que seguia. Via o empenho, a motivação, os sacrifícios. Ganhava, cada vez mais respeito por estes atletas. Ganhava, cada vez mais respeito por mim.

Fisicamente, a evolução foi brutal. Mentalmente, a evolução foi brutal. Sim, quero individualizar.

Todos os treinos eram (são) um grande desafio.

Cheguei aos 40 anos (25-10-2016) com 73/ 74kg. Sentia-me bem.

Cada vez mais apaixonado pelo kickboxing, apenas queria melhorar um pouco mais, todos os dias.

Os treinos de kickboxing são duros. São duros para o corpo. São muito duros para a mente. Em cada movimento temos de ir para além do nosso limite. Descobri que temos “cá dentro” muito mais do que pensamos.

Nesta fase, a alimentação andava a ser ajustada. Diga-se, até nisto a evolução foi brutal. Aprendi uma nova paixão. A cozinha.

Continuava a treinar com regularidade. Até já corria.

Para melhorar todos os dias, sabia que tinha de fazer mais. Queria fazer mais. Não me contentava, não me contentei. Treinava kickboxing, mas sentia necessidade de mais “cardio” e mais “força muscular”. Além da corrida, decidi começar num ginásio, a fazer trabalho mais especifico. Também aqui, a ajuda de pessoas experientes foi essencial.

Em 31 de Junho de 2017, pesava 66,3kg.

Que sofrimento. Saía dos treinos muito satisfeito (apesar do sofrimento, faz parte), mas completamente ko dos braços e pernas. “Perguntei-me” tantas vezes: como vou levar a mota até casa agora?

Depois da perda de peso e volume, defini dois objetivos. Definir o meu corpo e melhorar fisicamente para aguentar, cada vez mais forte, o kickboxing e a vida (sim, a vida, o dia-a-dia). Um corpo fisicamente melhor, uma mente mais forte, aguenta a vida com mais “garra”, com mais animo, com mais força.

Segui (sigo) o meu caminho.

Tinha, desde o momento que havia decidido mudar (algures em 2012), outro objetivo bem definido. Talvez o mais difícil. Fortalecer mentalmente. Esse caminho, o mais importante, tem de ser feito “cá dentro”. As dúvidas foram tantas (mas sei que se não fossem essas dúvidas, tinha sido impossível avançar). Coloquei tudo em causa. Abanava interiormente todos os dias, mas todos os dias, ou ganhava mais qualquer coisa ou aprendia algo mais.

Hoje, 16 de Setembro de 2018, a caminho dos 42 anos, peso 60kg.

Treino 4 a 5 vezes por semana.

Tenho, por opção, um cuidado redobrado com a alimentação. Não tenho vergonha de pedir uma garrafa de água em vez de uma cerveja ou de uma “cola”, ou de pedir uma salada em vez de um bife com batatas fritas. Peço algo equilibrado e que sei que me vai ajudar. Não sou fundamentalista, mas sigo o meu caminho, aquilo que me faz bem. Faço-o, por mim.

Sinto-me bem. Melhor que nunca.

No momento em que conciliei o kickboxing (desporto) com a vontade de fortalecer a minha força interior, tudo mudou. Não foi nada fácil, aliás, não é fácil. Mas recomendo. Recomendo mesmo. Da minha história/ experiência, deixo uma pequena dica, descobre um desporto que te equilibre, que te apaixone (não o pratiques por praticar, pratica porque queres mesmo fazê-lo) e que te mantenha ativo. Questiona-te. Prepara-te. Muda “por ti”. Trabalha “por ti”. Preocupa-te contigo. Valoriza-te. Os resultados aparecem. Como em tudo na vida, trabalha bem (treina bem), come bem e descansa bem.

Mudei “por mim”. Não pretendo ser “exemplo”, mas também não esqueço os “exemplos” que vejo e me influenciam, por isso, termino, citando, Albert Scweitzer, o exemplo não é a melhor forma de influenciar alguém, é a única. #BeActive.

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5 Perguntas a Fernando Correia

O Fernando Correia dispensa apresentações. Homem da comunicação, é comentador de futebol no ‘Diário da Manhã’ e um grande amigo. Estas 5 perguntas acontecem por ocasião do lançamento do seu 36º livro (sim, sim, leram bem…!!!!) intitulado “E se eu fosse Deus?”.

1 – Porque resolveu escrever agora sobre os sem abrigo?

Penso que a escrita social (obviamente temática) resulta da  muita vida que vivi, do muito que vi e do muito que senti e aprendi. Para além disso sinto que é meu dever despertar consciências, eventualmente adormecidas.

2) 35 livros depois… Ainda há ideias?

 Este meu novo livro é o nº 36, mas para mim é como se fosse o primeiro. Já escrevi contos; dediquei – me à literatura infanto – juvenil; escrevi biografias; lancei – me na aventura do romance, dediquei algum espaço ao desporto…
Agora é tempo de não ter medo da verdade.

3)   Escrever é uma terapia?

Também é uma terapia, mas pode ser uma catarse e uma lavagem de alma.

4) Precisa mais da escrita ou do futebol?

O futebol foi um acidente na minha carreira de jornalista e depois de me ter especializado em sociologia da informação. Porquê? Essencialmente para fugir à perseguição do “estado novo salazarista”.

5)  Para quando um livro autobiográfico?

o livro autobiográfico será o próximo e terá um título muito próximo deste: “O QUE EU SEI DE MIM”.

 

 

 

O Fernando é… Comecei este texto 5 vezes.

Escrevi, apaguei…. Porque o Fernando é tantas coisas que não sei por onde começar. Profissional ímpar, atento, lúcido, crítico, pontual, responsável, inteligente. O Fernando que vocês conhecem, que vêm à minha frente todas as semanas, é isto tudo e mais.

Mas o meu Fernando é tantas coisas que vocês não sabem… é aquela pessoa que, ainda fora do estúdio, já está a acenar com as duas mãos, como as crianças; é aquele abraço firme que chega sem perguntar se alguém precisa dele; é aquele que telefona se eu falto um dia sem avisar (raro) e pergunta ‘olha lá, andas a trair-me?’; é aquele que gosta de perder as horas na mesa de um restaurante a contar histórias; é aquele que só 10 dias depois confessa que teve um problema de saúde; é aquele que fica fechado num vestiário e que me telefona para eu ir tentar arrombar a porta (sim, isto é verídico, aconteceu meeeesmo!); é aquele que chega com um brilhozinho nos olhos e diz ‘já comecei a escrever outro livro’; é aquele que nunca deixa ficar mal num momento de comentário.

Já perdi a conta às emissões que fizemos em conjunto e o Fernando brilha sempre, sem nunca me deixar ficar mal, mesmo que eu diga qualquer coisa menos correcta (que acontece algumas vezes) ele nunca nega, numa repreende, corrige sempre sem se notar nem levantar a voz.

Qualquer coisa que diga sobre o Fernando parece-me sempre muito pouco. No dia em que me falou deste último livro, ainda em 2016, contou-me a história do título e… ficamos os dois em silêncio…. ‘E se eu fosse Deus?’. Os olhos dele brilhavam.

 

Conheci um grande professor quando comecei a fazer o Diário da Manhã mas, acima de tudo, ganhei um grande amigo que faz parte da História deste país.

Honra eterna.