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Prata

Agora que a Selecção Portuguesa já está apurada para o Campeonato do Mundo de futebol na Rússia e que os jogos da Liga dos Campeões só começam logo à noite, deixem-me falar-vos de karaté.

Para quem não sabe, o karaté vai ser modalidade olímpica já nos próximos Jogos Olímpicos (as outras 4 novas modalidades são basebol, surf, escalada, e skate) em Tóquio 2020 e em Portugal há variadíssimos exemplos de sucesso na modalidade.

Vou falar-vos de um: o Miguel Fonseca, que ganhou uma medalha de prata no Open Internacional Kimura Sukukai Internacional (KSI) que decorreu na Estónia, no fim de semana passado. Nada de extraordinário se o Miguel não tivesse 17 anos e abdicasse de todo o tempo livre para praticar desporto.  Desde os 7 anos que o faz, já é cinto preto. No karaté, os níveis são diferenciados pelas cores dos cintos- branco, amarelo, laranja, verde, azul, vermelho, castanho e preto, por esta ordem, do iniciado até ao mais graduado.  

Por ano, o Miguel e o grupo do clube Spartan Martial Arts, de Rio de Mouro, participam em 14 provas, em Portugal e no estrangeiro. Participações e material financiado pelos pais, quase na totalidade.

O grupo é pequenino mas é bem forte, deixo-vos a lista dos premiados. Parabéns ao Miguel e a todos. Quem sabe… não ganhamos ainda uma medalha? Neste grupo abaixo temos 3 de ouro, 4 de prata e 1 de bronze. Grande aplauso.

 

(Selecção Nacional da APKS composta por 3 clubes: Coimbrenses, Dojo Samurai e Spartan)

Francisca Duarte – Medalha de Prata em Kata Individual e Medalha de Prata em Kata equipa
Mariana Tome – Medalha de bronze Kata individual e Medalha de Bronze em Kumite
Constança Matos – Medalha de Ouro em Kumite – Medalha de Prata em Kata equipa e medalha de bronze em Kata Individual
Diogo Teixeira – Medalha de Ouro em Kumite
David Reis – Medalha de prata em Kata equipa
Miguel Fonseca – Medalha de Prata em Kumite
Daniel Rodrigues – Medalha de Prata em Kumite e medalha de Bronze kata
Nuno Dias – Medalha de Ouro em Kumite

 

Referências:

https://sites.google.com/site/shotokankaratept/cintos

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DEJÁ VU

6h30. bom dia.
Seja bemvindo ao diário da manha. Os incêndios já provocaram 6 mortos e 25 feridos. É o último balanço feito pela Protecção Civil já de madrugada. Uma pessoa está desaparecida em Nelas. O Governo já declarou calamidade pública em todos os distritos a norte do Tejo.

Este foi o texto de abertura do Diário da Manhã de hoje. 

Às 7h30:

Neste momento, há registo de 124 incêndios, metade está activa e 22 são considerados muito graves. No terreno estão mais de 6 mil operacionais.  

Às 8h30:

As escolas de Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande estão hoje encerradas.

Às 9h30:

Os incêndios terão provocado pelos menos 11 mortos e 25 feridos. O presidente da Câmara de Vouzela confirmou que morreram 4 pessoas de madrugada na freguesia de Ventosa. Há notícia de uma vítima mortal em Santa Comba Dão. 

Às 9h50:

É uma notícia de última hora… os incêndios podem ter provocado pelo menos 20 mortos. A informação foi adiantada à TVI 24 pela Porta-Voz da Protecção Civil. 

 

Balanço às 11h: 27 mortos e 51 feridos. Provavelmente, daqui a umas horas, este post estará desactualizado.

 

 

 

 

 

Às vezes… ser jornalista é quase como ser condutor de um comboio de alta velocidade: sabemos qual a estação de partida, conhecemos o caminho mas nunca podemos imaginar quando surge uma curva perigosa. Tentamos evitar o despiste e chegamos ao fim arrasados. E já é a segunda vez este ano que fazemos esta viagem.

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O maravilhoso mundo da tecnologia, parte 1

 

Sou uma entusiasta da tecnologia. Não era mas tornei-me quando uma professora me lançou o desafio de fazer um trabalho sobre a 4ª Revolução Industrial. Sim, faz parte da vida, sim, está em todo o lado. Daí até a estudar na academia vai um passo gigante. A nova tecnologia é todo um mundo novo, um fantástico mundo novo que já começou há algum tempo.

Bem… comecemos pelo início.

Lembram-se do ano de 2007? Eu também. Foi o ano em que entrei na TVI mas não é por isso que pode ter sido um ano importante nas vossas vidas, estou certa!

2007 foi o ano em que Steve Jobs apresentou o iPhone ao Mundo (falámos disso há pouco tempo por ocasião do lançamento do iPhone X). Pronto, podíamos ficar já por aqui, não era? Mas não, há muito mais. Em 2007 surgiu a Hadcoop, uma empresa que resultou da fusão de um conjunto de empresas americanas que reformularam todo o sentido das máquinas, a capacidade de armazenamento, mas também o pensamento e o trabalho e que desenvolveram o que hoje conhecemos por ‘big data’. As plataformas sucederam-se e o armazenamento em ‘cloud’  parece que sempre existiu.

No final de 2006, 26 de Setembro, para ser mais exacta, uma rede social que funcionava apenas num colégio, entre colegas, ficou à disposição do mundo. Era o Facebook, hoje já ultrapassa os mil milhões de utilizadores em todo o Mundo. E mesmo mesmo ali no final do ano a Google comprou o Youtube, que em poucos meses chegou também à plataforma Android.

Nesse mesmo ano, surge o Twitter e o Change.org, uma das redes mais utilizadas para recrutamento de pessoas. A Amazon lançou o Kindle, que nos deu acesso massificado aos e-books. Também por essa altura, num apartamento de São Francisco foi concebido o Airbnb.

Sabem o que é o algoritmo, que complica a vida a tanta gente, nas mais diferentes áreas da sociedade? Pois…  adivinhem… também foi nesse ano que a Palanit Technologies, líder no desenvolvimento do big data chegou ao nível de criação do tal algoritmo que “podia ligar coisas que não faziam sentido antes”, nas palavras do co-fundador Alexander Karp.

Depois, os computadores: a IBM começou a construir o Watson, o primeiro pc cognitivo e a Intel criou os microships. De resto, apareceram as luzes LED, mais uma revolução.

Aposto que nesta altura estão de boca aberta a pensar “pois foi!”, aconteceu-me o mesmo. 2007 foi mesmo amazing!!! Mais importante do que pensar nisso é pensar na extraordinária evolução que aconteceu em 10 anos e, claro, para onde vamos.

É aqui que quero chegar.

Os modelos de negócio estão a mudar. Não deixa de haver economia, há é de forma diferente: em vez de ligar para o hotel, reserva na internet; encomenda qualquer produto on-line e horas depois está na sua casa; estabelece ligação por skype para o outro lado do mundo, sem precisar de fazer uma viagem.

O Fórum Económico Mundial (FEM) prevê que 5 milhões de empregos desapareçam no Mundo, nos próximos 20 anos: 52% de mulheres e 48% dos homens. Nos Estados Unidos a percentagem de pessoas substituídas pelas máquinas pode chegar a 47%.

Thomas L. Friedman, jornalista do New York Times é uma das pessoas que mais tem procurado perceber esta tendência, considera que esta questão da tecnologia pode interferir, de uma só vez, com os nossos postos de trabalho, a política, a geopolítica, a ética e a sociedade.

A comunidade científica também já dedica muito tempo ao assunto. Keohane (2009) considerou que este boom nas tecnologias de informação era um dos aspectos mais importantes na evolução da economia e política mundiais. Porque as pessoas mais influentes comunicam com todos e comunicam entre si, de forma imediata, directa, para todo o mundo, num curto espaço de tempo. Mas a verdade é que projectar o futuro é uma tarefa nem sempre fácil e, às vezes, até muito ingrata. Em 1943, o CEO da IBM, Thomas Watson disse que “o mercado mundial daria para 5 computadores”. Imaginem…

O FEM aponta 3 razões que permitem marcar a diferença entre a Terceira e a Quarta Revoluções: a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas. “A velocidade dos avanços atuais não tem precedentes na história e está interferindo quase todas as indústrias de todos os países”, diz o Fórum (a edição número 46 do WEF aconteceu numa altura em que o mundo procurava também – e ainda assim se mantém- respostas à ameaça terrorista, tinham acontecido há pouco tempo os atentados de Paris em Novembro de 2015 e poucos meses depois também iriam desencadear-se os ataques em Bruxelas em Março de 2016). No boletim “Briefing” de Setembro de 2015 já o Parlamento Europeu chamava a atenção para este fenómeno.

Mais do que nunca, as pessoas fazem diferença: são as pessoas que investigam, que pensam, que lideram. Pensem lá em todas as coisas do nosso dia-a-dia que já são automáticas, já não precisam da nossa presença, que já não implicam o nosso tempo?

As máquinas até podem executar mas não têm knowhow… ainda. Mas… sobre os robôts falamos para a próxima.

Por agora, percam-se na memória e recordem 2007, em toda a plenitude.

 

Referências:

  • Friedman, Thomas L. (2016), Thank you for Being Late, Na optimistic’s guide to thriving in the age of accelerations, Allen Lane.
  • Keohane, Roberto O. (2009), The old IPE and the new, Princeton University USA.

Outras referências:

http://www.bbc.com/portuguese/geral-37658309

www.weforum.org

Ligação

Bem Bom! HEY!

Na TVI temos o dom (sim, é um dom) de não nos levarmos muito a sério. Acho que é por isso que sobrevivemos aos dias mais complicados que, de resto, todas as empresas têm.

De vez em quando juntamo-nos todos e fazemos aquelas Galas de Natal que todos adoram e que todos os anos são  um sucesso de audiências. O vídeo que vos trago hoje é de um desses momentos de sucesso, foi a final da 1ª série do programa “A tua cara não me é estranha”. Lá acharam que nós faríamos um belo quarteto e a verdade é que resultou tão bem que ainda hoje falamos nisso.

Foi em 2012… o tempo passa rápido. Deixo-vos a memória. Espero que se divirtam a ver tanto quanto me diverti a participar!!!

(Vídeo YOUTUBE)

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A Teresa e o 9C

O lugar da Teresa era o mesmo que o meu. Quando cheguei ela já estava sentada e, rapidamente, se mudou e chegou à janela. O rosto pareceu-me familiar mas a verdade é que nunca a tinha visto.

Ela dormiu quase toda a viagem para o Funchal. Acho que eu também… travámos conversa apenas na altura da refeição, uma sandwich de ovo e um pastel de nata. Precisavam ver a cara dela quando devolvi o bolo e retirei o ovo do pão: ‘é vegan?!’, perguntou muito chocada. ‘Não’, respondi, ‘sou intolerante’.

Depois dela ter achado aquilo a coisa mais estranha da vida (confesso que eu também, toda a vida comi ovos) lá me contou que os pais viviam no continente mas a mãe era madeirense, que estudava no Colégio Moderno e tocava violino. Vinha passar férias ao Funchal e principalmente, a Porto Santo. Ah, e tinha estado fora de casa até à meia noite, na véspera. Uma loucura para uma menina de 14 anos.

Pegámos no violino, saímos do avião e fomos recolher bagagem. Estavam uns miúdos franceses, muito excitados  com o momento (ponham muito nisso!). Deviam ter a idade dela mas a Teresa olhou para mim e, com toda a propriedade de uma menina crescida, disse “bolas, já reparou que as malas são mais educadas que as pessoas… ?”.

Naquele instante, eu agradeci que aquela miúda estivesse sentada no lugar que estava marcado para mim. (Será que estava mesmo…?)

Galeria

Viva la España

Estar em Barcelona a 7 de Outubro foi uma coincidência, acreditem.

A viagem estava marcada muito antes de se pensar que um referendo seria marcado ou que iria resultar em tanta confusão…

Mas eu estava lá, no sítio certo, à hora certa, onde aconteceu a notícia. Ainda que em lazer, nunca deixo de ser jornalista. Nunca. Foi a maior manifestação que eu já vi, esta pela não independência da Catalunha, pela união de Espanha e a favor do projecto europeu. Fiquei impressionada pelo civismo. Bem sei que não é sempre assim, eu já fui apedrejada numa manifestação em Portugal, enquanto estava em directo. Been there, done that.

Desta vez foi em bem, tão bem quanto o ajuntamento de 1 milhão de pessoas pode ser.

 

 

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5 Perguntas a Ricardo Tomé

O Ricardo Tomé é Director Coordenador da Media Capital Digital e foi das primeiras pessoas a quem falei sobre este blog. Estamos em sintonia, numa altura em que o digital está a tomar conta das nossas vidas e da comunicação de todos os dias.

 

1- O que é o digital?

Boa pergunta…. E difícil! Falamos tanto nele e por vezes refletindo pouco no que é ‘isto’, do digital. Para os meus filhos não há digital. É um conceito que se mistura com o real. Creio que só para as gerações que vêm do ‘antes’ do digital existe este paradigma, essa transformação onde já começámos a desligar de muitos dos objetos e bens físicos, como Cds, blocos de notas e brevemente e a 100% o dinheiro, para assumirmos a comodidade da sua versão digital, ‘transportável’ para qualquer lado pela cloud e pela web. É sobretudo um new-way-of-life. Uma forma à qual ainda nos estamos a adaptar, ligados a mais pessoas, mais depressa, mesmo desconhecidos. Onde podemos fazer tudo o que antes fazíamos, mas mais rápido, mais comodamente. Onde por uma pesquisa rápida potenciais o conhecimento e em breve em tempo real falaremos todas as línguas. Diria em suma que o digital é um facilitador e simultaneamente um transformador das nossas vidas.

2- Gostas mais do digital ou do papel?

Digital. Apesar de me fascinar o fabrico do papel e as suas mil versões. De bom grado digitalizaria as centenas de livros e deixaria na estante muito poucos e apenas como obras de arte que alguns são.

3- Achas que em Portugal temos cultura digital suficiente para acompanhar a Europa, nesta revolução?

Ainda não. Infelizmente. Os vários dados de estudos nacionais e internacionais colocam-nos pouco distantes, mas ainda assim atrás. E depois há uma clara divisão quando olhamos para a geografia do país e as faixas etárias e classes sociodemográficas. Mesmo ao nível das empresas é assustador ver que 65% não tem uma presença digital. E mesmo as que têm, desafio a enviar um simples e-mail ou mensagem pela página de Facebook e contar as horas, para não falar dias, até obter resposta. Somos um país de antípodas. Temos uma modernização e digitalização fantásticas nalguns dos serviços públicos e na banca e nas populações jovens e urbanas mas há vários setores ainda que precisarão dar o salto.

4- A Media Capital é uma empresa de media, a cultura digital é uma mais valia para todos?

Claro que sim. As empresas de media vivem de audiências. Haja público a ver/ouvir o que fazemos e haverá interesse em anunciar conjuntamente. Simples. À medida que o consumo de media migra numa parte substancial para o digital, qualquer empresa de media o deve fazer e adaptar-se também. Claro que não em exclusivo por ora, mas numa parte. Ora isso implica que se trabalhe uma cultura digital. Que não é saber que existem sites e o Facebook. É realmente entender o que é o digital, como nós reagimos perante ele enquanto consumidores de conteúdos, como funciona a distribuição dos mesmos, para onde caminha o duopólio Google e Facebook e os intromissões Apple e Amazon, etc. Nos últimos 10 anos foram dados passos brutais que urge todos dominem, sobretudo com a emergência das redes sociais, da Cloud, da mobilidade através dos smartphones e wearables e das comunicações móveis mais acessíveis. Acabamos de entrar na Web 3.0 e ainda poucos se estão a aperceber disso. Tal como na matemática, quem tiver perdido as bases da Web 2.0, dificilmente se aguentará nos próximos 10 anos.

5- O que gostavas de ver acontecer?

No digital, gostava que apesar desta velocidade de transformação do digital a nossa pluralidade enquanto sociedade não fosse ameaçada e se mantivesse salvaguardada. Preocupa-me uma web demasiado tailor-made, onde tudo é voltado para o user, onde os conteúdos são escolhidos pelo algoritmo só para nós, onde a publicidade é só para nós, onde esta filtragem tem por premissa sempre que o que importa é a satisfação pessoal e individual do user, a tal ponto que o possa tornar mais fechado em si e menos aberto ao mundo e aos outros. Gostava que esta Web 3.0 trouxesse mais dessa abertura e preocupação pelo outro e pelo planeta e que abatesse as linhas do egocentrismo. Veremos.

 

A conversa que tive com o Ricardo Tomé sobre o ‘Deve ser de mim’ foi simples, marcada de véspera, num discurso baralhado, neste mesmo sítio, com este painel cheio de ideias e equações possíveis. Também nunca esquecerei o espírito com que me recebeu, o entusiasmo com que abraçou esta ideia, o empenho que demonstrou e a força e energia positiva que me foi escrevendo em cada e-mail que trocámos. Quando lhe pedi para enviar as 5 perguntas sobre o digital a resposta foi “Claro que sim, respondo a 5 ou a 55”. Percebi que estava com a pessoa certa.

Partilhamos este entusiasmo, as ideias e o sentido de futuro também. E somos cada vez menos adeptos do papel!

Vamos lá a isto!!!

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5 Perguntas a Fernando Correia

O Fernando Correia dispensa apresentações. Homem da comunicação, é comentador de futebol no ‘Diário da Manhã’ e um grande amigo. Estas 5 perguntas acontecem por ocasião do lançamento do seu 36º livro (sim, sim, leram bem…!!!!) intitulado “E se eu fosse Deus?”.

1 – Porque resolveu escrever agora sobre os sem abrigo?

Penso que a escrita social (obviamente temática) resulta da  muita vida que vivi, do muito que vi e do muito que senti e aprendi. Para além disso sinto que é meu dever despertar consciências, eventualmente adormecidas.

2) 35 livros depois… Ainda há ideias?

 Este meu novo livro é o nº 36, mas para mim é como se fosse o primeiro. Já escrevi contos; dediquei – me à literatura infanto – juvenil; escrevi biografias; lancei – me na aventura do romance, dediquei algum espaço ao desporto…
Agora é tempo de não ter medo da verdade.

3)   Escrever é uma terapia?

Também é uma terapia, mas pode ser uma catarse e uma lavagem de alma.

4) Precisa mais da escrita ou do futebol?

O futebol foi um acidente na minha carreira de jornalista e depois de me ter especializado em sociologia da informação. Porquê? Essencialmente para fugir à perseguição do “estado novo salazarista”.

5)  Para quando um livro autobiográfico?

o livro autobiográfico será o próximo e terá um título muito próximo deste: “O QUE EU SEI DE MIM”.

 

 

 

O Fernando é… Comecei este texto 5 vezes.

Escrevi, apaguei…. Porque o Fernando é tantas coisas que não sei por onde começar. Profissional ímpar, atento, lúcido, crítico, pontual, responsável, inteligente. O Fernando que vocês conhecem, que vêm à minha frente todas as semanas, é isto tudo e mais.

Mas o meu Fernando é tantas coisas que vocês não sabem… é aquela pessoa que, ainda fora do estúdio, já está a acenar com as duas mãos, como as crianças; é aquele abraço firme que chega sem perguntar se alguém precisa dele; é aquele que telefona se eu falto um dia sem avisar (raro) e pergunta ‘olha lá, andas a trair-me?’; é aquele que gosta de perder as horas na mesa de um restaurante a contar histórias; é aquele que só 10 dias depois confessa que teve um problema de saúde; é aquele que fica fechado num vestiário e que me telefona para eu ir tentar arrombar a porta (sim, isto é verídico, aconteceu meeeesmo!); é aquele que chega com um brilhozinho nos olhos e diz ‘já comecei a escrever outro livro’; é aquele que nunca deixa ficar mal num momento de comentário.

Já perdi a conta às emissões que fizemos em conjunto e o Fernando brilha sempre, sem nunca me deixar ficar mal, mesmo que eu diga qualquer coisa menos correcta (que acontece algumas vezes) ele nunca nega, numa repreende, corrige sempre sem se notar nem levantar a voz.

Qualquer coisa que diga sobre o Fernando parece-me sempre muito pouco. No dia em que me falou deste último livro, ainda em 2016, contou-me a história do título e… ficamos os dois em silêncio…. ‘E se eu fosse Deus?’. Os olhos dele brilhavam.

 

Conheci um grande professor quando comecei a fazer o Diário da Manhã mas, acima de tudo, ganhei um grande amigo que faz parte da História deste país.

Honra eterna.